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Por nada no mundo Henrietta se atrasaria para o jantar de aniversário da sua princesa, e por isso tomou precauções que, normalmente, nem existiriam em sua rotina. Por exemplo, respeitou o despertador quando este tocou de manhã. Se não já fosse o bastante, fez seu melhor em não ter atividades longas demais, que pudessem lhe deixar cansada, e estava de volta ao hotel logo após o almoço. Queria ter passado o dia todo com Annie, contudo, o que elas têm ainda é muito novo, sem rótulos, e Ives sente que exigir mais do que o necessário poderia espantar a mais velha – senão lhe espantasse primeiro.
Tudo estava indo de acordo, até a inglesa decidir tirar um cochilo às quatro da tarde. Esquecendo de ajustar o alarme, foi acordar quase três horas depois. Tinha sonhado com uma terra cheia de neve e árvores cobertas do que parecia ser glacê branco. Quando viu o horário na tela do smartphone, saltou da cama e foi correndo se aprontar.
Alcançou a casa da aniversariante com quase meia hora de atraso, parando na entrada para recuperar o fôlego após ter corrido os últimos metros. Tinha apenas um pequeno objeto embrulhado em suas, e se sentia igualmente nervosa e decepcionada. Quando finalmente se certificou de que se controlara, passou os dedos nos cabelos lisos e tocou a campainha.
Distraída como sempre era, acabou-se enrolando mais que o esperado para se arrumar. Não que fosse uma pessoa rápida naquilo, mas também não era como outras mulheres que passavam quase uma hora somente na maquiagem. Estava somente vestida e com metade de seu cabelo arrumado quando olhou no relógio e já havia se passado quase dez minutos do horário combinado. De repente bateu-lhe o desespero, chegando até mesmo a pensar que Etta havia dormido demais como já acontecera outras vezes. Mas pelo menos aquela demora lhe caíra bem, assim, poderia ter tempo o suficiente para terminar de se arrumar. Era apenas um jantar entre as duas para comemorar o seu aniversário, mas por Etta ter se tornado tão especial em sua vida em então pouco tempo, queria estar á altura.
Seu coração dera um pulo em seu peito e um sorriso apareceu em seus finos lábios rosados ao ouvir o barulho da campainha. Em passos rápidos saíra de seu quarto, tentando se equilibrar em seus saltos enquanto gritava um "já vai". Quando abrira a porta, seu sorriso alargou-se tanto que até mesmo acreditava que poderia machucar as suas bochechas. - Você está tão bonita. - sussurrou no automático, ao observar a baixinha dos pés á cabeça com o olhar admirador. Tentava ao máximo controlar a sua ansiedade com o estavam tendo, mas haviam casos que era impossível. Quando saíra de seu transe, inclinou-se um pouquinho para frente em direção ao rosto alheio. - Eu já estava achando que você tinha apagado naquele hotel. - riu baixinho ao deixar um beijo estalado na bochecha direita da mulher, seguindo para seus lábios.
( &. blow the candles and give me a kiss.
Um dos dias favoritos do ano de Anastasia havia finalmente chegado, mas aquele ano seria um tanto diferente dos vinte e seis anos anteriores. Sempre comemorava aquela data tão importante para a loira na companhia de sua irmã, já que seus pais e até mesmo seu ex marido nunca haviam ligado para tal casa. Há dois anos sempre tratava de dar um jeito de ter a irmã mais nova consigo, seja indo visita-la em casa ou trazendo a mesma para onde estava no momento. Mas infelizmente, naquele ano a garota não teria como viajar pois havia ficado doente de última hora. Por tal motivo, a inglesa não estava tão animada como de costume, mas ainda lhe restava uma pessoa em especial que tanto queria ao seu lado naquele dia.
Na manhã de seu aniversário, havia sido chamada até seu pequeno negócio no centro da ilha por suas duas funcionárias. Alegando que precisavam ver algo do estabelecimento. Sem muita animação ela fora para lá, dando de cara com uma pequenina festa surpresa de café manhã que elas haviam lhe preparado. Suas energias haviam sido recarregadas com aquela simples surpresa, coisas como aquela aqueciam o coração de Anastasia, que agradecia todos os dias á Deus por ter ido parar naquela ilha rodeada de pessoas tão queridas.Mas por ser um dia de domingo, a pequena surpresa havia se encerrado algumas poucas horas após o almoço, o que deixava Annie sofrendo por ansiedade. Ainda era cedo demais e havia combinado de encontrar-se com Etta somente por volta das sete horas da noite. Dessa vez, preferiram algo mais casual mesmo como um simples encontro na casa da mais nova.
Enquanto se arrumava para esperar pela companheira inglesa, Anastasia não largava o sorriso bobo um minuto sequer. Desde o dia que encontrara a garota aparentemente perdida em meio á praia, os seus dias tinham se tornados cada vez melhores ao lado dela. Vinha fazendo o possível e o impossível para que a estadia da mesma fosse maravilhosa na esperança de tê-la ao seu lado por mais tempo. Estava mais uma vez perdida em seus devaneios acompanhados de suspiros ao pensar na baixinha de cabelos castanhos, enquanto dava os últimos toques em um pequeno doce que havia feito para as duas. Seria um jantar simples, então não poderia faltar algo para adocicar ainda mais aquela noite. Quando os olhos castanhos foram de encontro ao relógio na parede da cozinha, assustou-se com o que viu. Somente tinha meia hora até o horário combinado com Etta e ainda não havia se arrumado. Para a sorte de Anastasia, Etta havia conseguido passar do horário o que deu o devido tempo de tomar um banho e arrumar-se delicadamente para a sua companhia. Estava de fato nervosa para que ela chegasse logo. Como sempre acontecia quando estava a espera daquela baixinha adorável.
一 somehow still alive❞
O fim do trajeto havia chegado e tudo o que Henrietta mais queria era voltar para o começo. Jogou fora os pensamentos negativos, lembrando-se do que lhe havia sido dito mais cedo – ainda pode ficar melhor. É só o seu primeiro dia na ilha, a primeira noite de uma visita sem itinerário, sem regras, sem impedimentos. Se quiser, pode passar o resto dos seus dias importunando Annie já que não tem nada que lhe impeça disso. Respirou longamente, ponderando uma resposta para a pergunta da mais alta. Não faz a menor ideia de que horas vai estar de pé por conta do seu relógio biológico que talvez ainda não esteja em harmonia com a ilha. Anastasia fez o favor por ela, sugerindo um horário. – Oito horas está ótimo. – Teria que começar a dormir no instante em que entrasse no quarto.
Revisou mentalmente o conteúdo dentro da sua mochila, recordando ter visto seus documentos dentro da carteira quando foi dividir o pagamento do jantar. Pareceu distraída por um instante e então despertou, inclinando a cabeça para a esquerda ao ver o bico nos lábios de Park. Riu. – Por que está assim? Nós vamos nos ver amanhã cedo. – Atreveu-se a tomar um passo na direção alheia, procurando fixar seus olhos nos dela, brincando com a sua estatura que lhe ajudava nesse caso. Deixou o braço mas imediatamente entrelaçou seus dedos. Estavam perto o suficiente para Etta sentir de novo o perfume de Annie.
– Amanhã eu te compro o mais bonito buquê de flores que você possa fazer – sorriu orgulhosa, enchendo-se do que podia ser confiança ou puro atrevimento, para unir seus lábios aos alheios. De primeira, a intenção de Ives era só dar um selinho na mais nova e se afastar, porém aquilo se provou mais difícil do que imaginado. Conseguiu sim se separar após o primeiro toque, mas ver o rosto da outra ainda de tão perto e não aproveitar a oportunidade seria contra seus princípios. Outra vez se aproximou, encaixando seus lábios nos de Annie com mais cuidado, mais precisão, e muito mais vontade. Levou a mão desocupada à nuca mais alta, ao passo que dava mais espaço ao beijo, mais paixão.
Então é isso que se sente ao se beijar uma princesa da Disney, pensou Etta já no final, separando-se à procura de ar, permanecendo de mãos dadas à Annie. – Até amanhã. – Sussurrou para só a mais nova ouvir, sorrindo tão genuinamente quanto poderia. Os olhos de Etta brilhavam traduzindo as batidas fortes do seu coração quando ela finalmente se afastou para entrar no hotel, sem deixar de olhar para trás e acenar adeus para Annie, suspirando tão óbvia que alguém na lua seria capaz de ver o quanto estava em apuros.
- Eu não queria ter que ir embora... - respondera a pergunta da menor com um murmuro, não era fácil admitir aquilo para alguém havia conhecido em algumas horas. Mas não se importava em deixar exposto o seu lado carente e que se apegava fácil as pessoas. Mesmo que aquilo geralmente não fosse uma boa ideia. Estava de fato gostando daquela aproximação, desejando que ainda pudesse manter ambos os corpos próximos uns aos outros por mais alguns minutos. - Você vai mesmo fazer isso, não é? - suas bochechas estavam avermelhadas e a alta iluminação da fachada do hotel deixava o seu rosto totalmente visível. Um sorriso apareceu em seus lábios a perceber Etta aproximando seu rosto, passando seus braços ao redor da cintura dela. Estava prestes a protestar ao ter os lábios separados, quando os sentiu novamente sobre os seus. Sentia-se mais do que feliz pela morena ter tido a iniciativa. Movia seus lábios lentamente sobre os dela, para conhecer toda a boca alheia com toda a calma enquanto seu coração batia acelerado em seu peito.
Não queria de jeito ter quebrado aquele beijo que agora lhe arrancava suspiros e sorrisos bobos, mas era preciso, já que ambas estavam em seu limite sem ar. - Até amanhã, eu venho de buscar ás oito em ponto. - Annie sussurrou com um sorriso bobo, deixando um demorado selar nas bochechas salientes da mais velha. Ficou ali parada observando Etta se afastar e entrar no hotel com um sorriso nos lábios. Um sorriso que jamais havia aparecido em seus lábios. Assim que Etta saíra de seu campo de visão, a loira mudou completamente de postura. Girava e dava alguns pulos animada e totalmente desacreditada pelo o que havia acontecido, com as mãos em seu peito sentindo o coração que batia tão rápido que qualquer pessoa ao seu lado conseguia ouvi-lo. - Se controla Anastasia Camellia Park, ou você vai ter um infarte antes de ver aquela baixinha linda e fofa de novo. - dizia para si mesma enquanto caminhava de volta para a sua casa que não era tão distante assim do hotel. A cada passo fazia uma oração pedindo que as horas passassem o mais rápido possível de tanta ansiedade que tinha para o dia seguinte.
一 somehow still alive❞
Passos calmos regados pela brisa suave da noite recém-nascida. Ives estava sem pressa alguma para chegar ao seu hotel, ansiando, agora mais que nunca, por todo tempo que pudesse passar ao lado de Annie. Enquanto andavam pela costa, o som das ondas quebrando e as outras pessoas caminhando, conversando, pelo calçadão era tudo o que ouvia. Longe de ser a melhor em se deter à detalhes, Etta observava tudo como uma longa pintura sob o céu escuro, tomando um susto quando sentiu o beijo em seu rosto. Olhou atenta para a mais alta, tentando parecer ofendida mas não conseguia tirar um sorriso quase envergonhado do rosto por genuinamente não estar esperando aquilo. – Como você ousa? – Perguntou antes de começar a rir para si mesma, desviando o olhar de Anastasia de volta ao caminho a ser traçado.
Quando ainda estavam no restaurante, Park havia lhe questionado a respeito do seu suposto presente. É claro que a turista não tinha nada em mente e só estava, mais uma vez, provocando uma reação na mais nova, contudo agora começava mesmo a imaginar que tipo de presente seria perfeito para a bela mulher. Até cogitaria deixar de lado sua temática de flertes, só por estar achando que parecia a bruxa má na estória da princesa pura. Por mais que não acredite que exista uma pessoa andando esse mundo que seja derradeiramente pura, por assim dizer, Annie deveria ser o mais próximo disso. Cada ato seu encanta Etta a um nível em que ela poderia até não achar merecedora de toda aquela atenção.
Vendo o letreiro do seu hotel não muito longe, a londrina ficou ansiosa por conta do término de seu tempo acompanhada. Mordeu o inferior, agora arrependida de não ter aceitado passar a noite na casa de Annie – ainda que sabendo estar certa em sua decisão. – De que horas eu posso te esperar para irmos na gruta? – Estava dando na cara de que já começava a sentir falta da presença alheia. – Quer dizer, primeiro vamos comprar um buquê de flores para a minha pretendente, é claro, visitando a sua floricultura. – Riu brevemente, dando-se conta de que não tinha soltado o braço de Anastasia durante todo o trajeto até a frente do hotel.
O pobre coração de Annie se entristecia a cada passo que ambas davam, em direção ao término de sua noite dos sonhos. Tentava não demonstrar a sua tristeza, aproveitando para focar-se na paisagem paradisíaca que as as cercavam. As luzes na longa calçada chegava a iluminar parte da praia, que agora se encontrava vazia. Sorria tranquilamente ao ver passar algumas crianças brincando pelas duas. Por já ter sido casada e ter uma natureza deveras maternal, adorava crianças e até mesmo parava para brincar com as da rua de sua casa. Esperava que Etta não tivesse se importado com seu beijo, afinal, havia sido algo tão inocente. - Você é fofa demais, eu não consegui me controlar. - respondeu com uma risada, abaixando o rosto avermelho tentando controlar seu coração que dera alguns pulos.
Como não queria que ainda tivesse de se despedir da mais velha e aproveitando que Etta não sabia ao certo o caminho para o hotel, buscava algumas entradas alternativas para alongar o percusso sem que ela percebesse isso. Em meio a suspiros aleatórios e algumas rápidas olhadas na mais baixa, a loira tentava buscar algo em sua mente para afastar a ansiedade que começava a tomar conta de seu corpo. Ainda sentia en seus lábios a maciez da bochecha da mulher, sentindo-se tentada a senti-la novamente. Na verdade, queria beija-la mais para o meio de seu rosto, mas não queria ser precipitada apesar dos flertes que havia conseguido identificar.
Suspirou tristemente ao enxergar no fim da rua o letreiro conhecido do hotel, apertando o braço de Etta involuntariamente. Como numa ação de possessividade, sem querer que a mesma se afastasse um centímetro de seu corpo. - Eu não sei... Que horas você costuma acordar? - para Anastasia, o sono era algo sagrado e se ela tivesse a oportunidade de passar mais algum tempo na cama, ela o faria. Mas era Etta e ela faria o esforço somente para tê-la por perto por mais algumas horas. - Eu posso te buscar umas oito horas, está bom pra você? - sorriu timidamente ao lembrar-se de que aquele pretendente era referido à ela. Suas bochechas estavam novamente na tonalidade vermelha e dessa vez não se importava em esconder. Mais alguns passos e infelizmente haviam chegado em frente à fachada. Anastasia não escondia seu descontentamento, chegando até mesmo a formar um pequeno bico tristonho, como uma criança.
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Variados são os interesses de Etta, tendo sido uma criança tão curiosa como fora. Seus pais lhe ajudavam com tudo o possível em suas pesquisas e se pode dizer que a inglesa conhece um pouco de muita coisa – dado por sua tendência a nem sempre estudar seus interesses a fundo. Não obstante, ficou contente em descobrir que Annie sabia seu signo com facilidade, afirmando com a cabeça algumas vezes. Sendo sua oposta uma canceriana, algum músculo da menor apertou dentro de si; outra vez aquele sentimento de familiaridade. Será possível que elas possam ser ainda mais parecidas? – Espero que me convide para a festa – comentou baixinho, fitando Annie com um olhar brincalhão. – Tenho um presente muito especial em mente. – Não poupou seu tom recheado de segundas intenções, piscando o olho esquerdo.
Cada um dos muitos tons de vermelho que as bochechas de Anastasia tomavam deixavam a turista mais realizada consigo mesma. Um sentimento de realização pessoal toma conta de Henrietta ao se dar conta de que tem o poder de fazer aquilo na mais nova, entretanto, o que mais lhe chamou atenção na sua resposta foi a sua coragem final. Etta não estava esperando por aquilo, e a surpresa foi muito bem-vinda. Desistiria fácil se Annie não desse indícios de que sabe ousar de vez em quando, já que é natural de Ives procurar por aventuras para preencher seus dias.
– Se eu for hoje, não vai ter graça. – Respondeu devagar, relaxando os ombros. – Mas quem sabe outro dia? – Seu sorriso era para a inegável falta de paciência da loira. Detestava ter que assumir que o real motivo de estar escolhendo recolher-se no hotel era por se sentir confortável na cama sem aspecto de casa feliz, sem aquele cheiro pessoal que quartos familiares normalmente têm. Etta gosta da sensação crua de que está longe de ter qualquer laço íntimo com aquelas paredes, e tem certeza de que isso não seria uma opção quando visitando a casa da florista.
Permitiu que o garçom arrumasse os pratos sobre a mesa, o sabor da comida já atingindo com força seu paladar através do cheiro. Ives estava com muita fome, e tinha esquecido disso até a comida aparecer diante dos seus olhos. Quando o homem finalmente se afastou, ela pôde enfim saciar aquela necessidade. Parava de vez em quando para comentar alguma coisa a respeito do mar, da sua vontade genuína em visitar as cavernas no dia seguinte, até mesmo arriscando lembrar o endereço do hotel que não fazia a menor ideia de onde ficava e que gostaria demasiadamente que Annie lhe ajudasse a encontrar – só não com essas palavras, vez que ainda está tentando se mostrar como uma pessoa que não se perde com facilidade.
O tempo passou voando. Etta insistiu em pagar pelo que comeu, surpreendentemente sendo levada pelo seu sentido de justiça ao invés do orgulho forte. Ao se levantar, estava um tanto inebriada pelo vinho. Como não pedira um específico, aceitou a sugestão do garçom e esse tinha um percentual de álcool maior do que o com o qual estava acostumada, ainda que longe de ser algo para preocupar. A menor caminhou ao lado de Annie para fora do restaurante. A noite já tinha tomado conta do céu, escuro e coberto de pequenos pontinhos brilhantes longínquos. Ela sorriu para as estrelas e entrelaçou seu braço ao de Park, sem ter qualquer intenção escondida por trás do seu ato. – Faz tempo que eu não me divirto tanto sem precisar pular de algum precipício. – Falava enquanto caminhavam pelo calçadão com o endereço do hotel de Etta sendo o destino final. – Obrigada. – Olhou para cima, na direção da mais nova, e sorriu.
Graças a sua vida completamente monótona na antiga casa que vivia com os seus pais e depois com seu ex marido, tinha todo o tempo livre para ler e pesquisar sobre os assuntos que sua família julgava não ter o menor sentido em aprender. Ficara devera feliz ao saber que os signos das duas se batiam, era mais um ponto a favor da morena em meio a tantos outros. As coincidências eram demais, chegando até mesmo a acreditar em destino e coisa do tipo. - Não se preocupe, você já está no topo da minha pequena lista de convidados. - respondeu com um sorriso doce, rindo logo em seguida pelo tom da mais velho. - Oh, e o que é? Agora você me deixou curiosa. - a ansiedade era visível em seu tom de voz, junto com uma breve aproximação do corpo da loira.
- Não tem problema, mas desde que você visite a minha floricultura amanhã. - suspirou brevemente, tentando deixar de lado a sua frustração para o convite rejeitado. Mas poderia até ser melhor assim, afinal, haviam acabado se conhecer e não queria que Etta tivesse uma má impressão dela. Como de uma desesperada necessitando de atenção com segundas intenções.
Agradeceu ao garçom assim que a comida fora servida e logo que o mesmo se retirou para voltar para a cozinha, não pensou duas vezes antes de atacar o seu prato. O aroma maravilhoso do peixe e das batatas bem feitas faziam seu estomago roncar tão alto e o mesmo pular dentro de si, em ansiedade para o que viria. Anastasia quase não falava, apenas para responder as perguntas de Etta ou contar resumidamente sobre os pontos turísticos da ilha. Como já havia visitado o local há um tempo antes de mudar-se, conhecia muito bem os melhores lugares para um tour como queria fazer com a mais velha. Iria mostra-la o melhor da ilha, pois queria dar para a mesma a melhor impressão possível do lugar. Quem sabe ela acabaria ficando por um tempo maior ali? Quando terminaram de comer, a loira sentia-se a pessoa mais feliz do mundo por estar finalmente saciada. Tantas horas sem comer nada haviam tornado a refeição mais deliciosa, e com uma boa companhia como a de Etta, só poderia ficar ainda melhor.
Anastasia insistia em pagar a conta por inteiro, afinal, foi ela quem havia convidado a morena. Mas acabou perdendo a guerra e dividiram a conta, o que resultou em uma Annie emburrada ao passarem pela porta de madeira do restaurante. A noite estava uma das mais bonitas em dias, as estrelas brilhantes no céu e o vente gostoso que vinha do mar trazendo aquele aroma do mesmo. Assustou-se ao ter o braço entrelaçando, olhando para Etta e para os braços das duas por alguns instantes, mas não ligara, muito pelo contrário. Com aquela aproximação, fazia questão de ficar o mais próxima possível da morena enquanto caminhavam observando o céu. Para a sorte das duas, Annie conhecia o hotel onde ela estava hospedada. Havia sido o mesmo que ficara em sua primeira visita a cidade. - De um precipício? - riu baixinho, abaixando o olhar para Etta. - Não precisa agradecer por isso, eu também me diverti bastante hoje com você. - lhe direcionou o seu melhor sorriso doce, guardando uma mecha do cabelo dourado atrás da orelha com as bochechas avermelhadas. - Obrigada. - reuniu forças e deixou um beijo nas bochechas da mulher, pegando-a desprevenida.
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Poderia ser apenas um crush, algo passageiro. É verdade que Etta tem mania de flertar com praticamente tudo o que se move e isso não é necessariamente algo ruim, pelo menos não para ela. Por lhe ser tão natural, a inglesa algumas vezes nem nota o que está fazendo e acaba em situações constrangedoras em que tem que contar à pessoa em sua companhia que não tem interesse algum nela daquela forma. Sua autoconfiança não vem com um desejo de diminuir os outros, logo sentindo muito quando sua personalidade dá ideias erradas a alguém. E não poderia deixar de cogitar isso quanto a Annie. E se for só um flerte passageiro? Estar fazendo de propósito é sempre um bom indício de que a quer, mas não aceitaria infligir dor à mulher.
Balançou a cabeça com um sorriso pequeno. – Fiz no final de fevereiro. – O dia havia sido bom, estava em Nova Iorque pela terceira semana, porém precisava fazer de tudo para não ficar continuamente lembrando dos pais e terminar se trancando no quarto de hotel. Henrietta tem a intuição de que todos os seus próximos aniversários serão assim. Suspirou minimamente para Anastasia não reparar, olhando para fora do restaurante. O cheiro de mar se misturava ao cheiro de comida dali dentro, dando um resultado fascinante, inebriante, obrigando a turista a não tirar os olhos do mar.
Havia esperado com calma, quase meticulosamente, ouvindo o que se passava do outro lado da mesa enquanto distraída com o lado de fora. Inclinou o rosto para a direita, alargando os olhos só um pouco, ao que ouvia a sugestão da outra. Um sorriso esperto brincava em seus lábios. Ao contrário da vez anterior, Ives não se aproximou. – Você está me convidando a passar a noite na sua casa? – Apesar das batidas de talheres nos pratos e conversas alheias, o recinto até estava bem quieto, dando a Etta a oportunidade de falar baixo. Inclinou-se sobre a mesa, mirando os olhos nos lábios asiáticos. – Quem está sendo óbvia agora? – Etta sussurrou sem se importar se seria ouvida ou não, contando até três antes de se afastar.
Tinha noção do quanto estava sendo maléfica, agora mais do que nunca, diante da confirmação de que Annie se sente atraída por si. Ainda que as palavras exatas possam não ter saído dela, a atração só ficaria mais clara se fosse dia. – Meu hotel fica em algum lugar da ilha. Eu estava bem perto de descobrir onde quando encontrei a praia. – Distorceu a verdade, contendo a risada. – Você pode me levar até lá, se quiser. – Logo estaria chamando Park de guia turística. A provocação é totalmente proposital, assim como estar rejeitando ir conhecer a residência da mulher, tudo parte de um processo. Etta sentia grande vontade de terminar aquela noite ao lado de Annie, mas tão grande quanto era seu medo de enjoar com a mesma facilidade com a qual enjoa das cidades.
Estava de fato atraída pela mais baixa e estava disposta a tentar de tudo para ficar com a mesma durante o tempo de sua estadia na ilha, mas ainda tinha o medo dentro de si. Não sabia definir bem o que lhe atormentava, talvez o medo de realmente se apaixonar e ser deixada para trás com o tempo. Claro, havia se relacionado rapidamente com outras pessoas durante os dois anos que passou viajando pelo mundo, mas nada havia sido de fato sério. Mas algo dentro de si dizia que o que estava começando a sentir por Etta seria diferente de todos os seus outros “amores de verão”. Não sabia conseguir identificar o que era, mas sentia que seria. E esperava que não estivesse tão errada em relação á isso, a última coisa que queria era sair machucada.
- Final de fevereiro? Então você é de… peixes! - sorriu ao saber daquela informação. Annie não era nenhuma louca dos signos como muitas pessoas que conhecia, mas gostava de ler um pouco sobre tal assunto durante o seu tempo livre. Achava algo de fato interessante, já que o seu signo realmente batia com sua personalidade adorável. - Eu sou de câncer, faço vinte e sete no final do mês que vem. - comentou aleatoriamente, ambas tinham signos da água que eram os favoritos da loira pela sua natureza sensível e criativa. Mas não iria prolongar aquele assunto para com a morena, afinal, nem todas as pessoas acreditavam e tinham interesse naquilo e estava de longe querendo ser chata. Fora quando percebeu que Etta havia ficado quieta, olhando para o mar do outro lado da janela. O que fez Anastasia mudar a atenção de seus olhos castanhos para o lado de onde as comidas vinham, sentindo o seu estomago roncar pela fome que crescia dentro de si.
Para Anastasia aquilo não havia soado estranho, era somente um convite para passar mais tempo na companhia de Etta. Mas ao perceber os olhos redondos e grandes da mulher se arregalarem, parou para pensar melhor no que havia dito, acabando por ter o rosto mais vermelho do que antes. - É, se nós vamos sair amanhã de manhã não vejo por que você não ficar na minha casa. - disse sentindo a garganta começar a ficar seca, xingando o garçom por não ter trazido ainda o vinho das duas e a si mesma por não ter pedido uma água também. Estava de fato desconcertada, não era boa com flertes e seu corpo reagia em nervosismo com aquilo. Mas ao sentir o olhar alheio sobre seus lábios finos e rosados, fez seu coração dar alguns pulos se forçando a inclinar-se novamente sobre a mesa, com os braços cruzados abaixo os seios. - E se eu tivesse tentado ser obvia mesmo? - indagou levantando uma sobrancelha e mordendo os lábios ao fita-la. Levou uma das mãos os longos cabelos dourados, bagunçando-os e jogando para trás. Aquela mesa distanciando as duas já estava começando a lhe irritar, coisa difícil de acontecer.
- Hm, então isso é um não para o meu convite? - foi direta, mexendo nos cabelos mais uma vez. Estava impaciente por dois motivos: Por fome e por estar tentando ao máximo dar em cima de Etta sem saber se estava se saindo bem. - Não tem problema, eu posso te levar até lá sim. Provavelmente eu devo conhecer o hotel que está hospedada. - deu um sorriso amarelo, mudando a direção do seu olhar para a cozinha do restaurante que lhe atraíra ao sentir o delicioso cheiro de seu prato favorito do local. Deu graças a Deus ao ver o garçom de minutos atrás vir na direção de sua mesa com duas bandejas em mãos. - Finalmente. - murmurou sentindo a boca salivar somente com o aroma que invadia as suas narinas. Se ajeitou na cadeira e esperou que ambas fossem servidas, tomando logo um gole de seu vinho para sentir o seu corpo relaxar e suspirar satisfeita com o gosto do álcool descer por sua garganta.
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“Mas, ainda pode melhorar bastante, afinal você acabou de chegar”. Anastasia estava certa. Aquela era a primeira noite de Etta na ilha, a primeira noite ao lado de Park, e se aquele curto período de tempo era previsão de dias ensolarados à frente, então a turista só tem motivos para acabar ainda mais apaixonada com tudo ali. Ou com só uma pessoa específica. O olhar correspondido, intenso, lhe puxava na direção da mais alta de jeito indiscutível. Tão incapacitada estava de desviar, que acabou tropeçando nos próprios pés. Não sabia se a tentativa de disfarçar havia funcionado, já que depois daquilo não conseguiu fitar Annie por um bom tempo.
Vendo Annie devidamente assustada com a sua afirmação, Etta ficou mais que encantada com o rosto avermelhado da sua companhia. – Ora, mas é claro! Para você. – Ditou como se fosse o mais óbvio dos fatos. – E é bom fazer o melhor buquê de todos, porque essa pretendente merece o melhor. – Apesar do grande e exagerado tom de nobreza, o fundo era bem verdadeiro; Henrietta desejava apenas o melhor para Anastasia. Apressou a caminhada propositalmente tentando deixar a maior alguns passos para trás, para desconversar.
Algo que mexe com a segurança de Etta são comentários sobre a sua altura. Ela não se sente desconfortável por ser baixa, a realidade é que sente, muitas vezes, não ser levada a sério o suficiente só pela estatura. E mesmo achando bom que Annie a ache fofa, Etta mesma só queria ser considerada… assustadora. Não do tipo que mata os outros de medo, mas… É tudo bastante confuso, sua visão da própria altura, por isso preferiu permanecer em silêncio, ainda que bufando de leve.
Foi incômodo largar a mão de Anastasia, mas teria que acontecer em algum momento. Henrietta tirou a mochila das costas, colocando-a no chão ao seu lado e se sentou. Sem demora, foi logo pegando o menu que tinha sobre a mesa, passando os olhos pelas opções e cada uma parecia melhor que outra. Entretanto, a propaganda de Annie a respeito do peixe com fritas era tudo no qual a inglesa conseguia pensar e seu estômago parecia disposto a não aceitar mais nada. Mordiscava o lábio em dúvida quando notou a presença da outra bem próxima de si. Arregalou os olhos por um instante, relaxando em seguida. – Wow, eu pareço ter dez anos a menos? – Riu da ideia de Park pensar que ela pudesse ter 18 anos, um tanto dividida entre achar aquilo muito bom ou muito ruim. – Para ser sincera, eu não gosto muito de cerveja. Prefiro vinho. Branco. – Com Annie perto daquele jeito, podia de novo sentir o cheiro dela, doce e salgado ao mesmo tempo, provavelmente por causa do banho de mar, e logo estava se inclinando também sobre a mesa.
Ao fitar as bochechas rosadas dela, sorriu com a ideia de que seria a causa de tudo. – Por que você está vermelha? Eu te deixo sem graça? – Falando baixinho, Ives levantou os olhos que traçavam os lábios de Park até alcançar os olhos castanhos da mulher, lentamente. Um momento depois, um garçom pigarreava ao lado delas. Etta viu o homem e começou a rir para ele, recuando até estar com as costas de volta em sua cadeira.
Anastasia não sabia nem ao menos como reagir diante daquele pedido da morena. Com a sua típica lentidão para entender flertes, conseguira captar alguns vindos de Etta, mas não conseguia imaginar que era para tanto. Sentia-se feliz por aquilo, a mulher estava sendo de uma ótima companhia e compatibilidade e de fato estava atraída por ela. Mas ainda lhe restava o medo, ela poderia ir embora em algumas semanas e lhe deixar para trás com o seu coração partido. Perdia-se em pensamentos muito rapidamente, quando se dera conta, Etta já estava a alguns bons passos de distancia fazendo com que tivesse de dar uma pequena corrida para lhe alcançar.
Altura nunca havia sido um problema para Anastasia, afinal, ela mesmo era considerada como baixinha. Em sua casa ela sempre havia sido a menor, até mesmo com sua irmã mais nova. E sempre acreditava que tamanho não era motivo para não levar alguém a sério, e que as melhores pessoas eram as pequenas. E com a sua companhia não era diferente. Sua estatura pequena havia lhe encantando, complementando com a carinha raivosa que a mesma fazia para ela.
Com a bolsa no canto superior da mesa, passou a folhear o cardápio somente para desviar um pouco a sua atenção da morena em sua frente. Passar mais de dez segundos olhando para a mesma estava sendo uma tarefa mais do que difícil. Seus olhos estavam sendo puxados diretamente para os olhos e lábios da mesma, causando um frio por dentro de seu corpo bem na boca do estômago. Já estava certa do que iria escolher, apenas precisava da decisão alheia para que pudesse pedir. - O que!? Você tem vinte oito e anos!? Eu tenho vinte e seis! - exclamou quase que indignada, com a boca e os olhos arregalados em descrença com o que acabara de ouvir. Não que achasse ruim ela ser dois anos mais velha, mas ela não tinha cara de ser mais velha. Por um lado aquilo era mais do que bom, suspirou aliviada por saber que não estava atraída por uma garota bem mais velha. - Eu também não gosto muito, é amargo, prefiro coisas mais doces. - respondia um pouco alheia, ficando fora de foco por estar tão perto de Etta. Estava sendo uma tortura, mas no fundo, uma tortura boa.
- O-o que? É cla-claro que não, de onde você tirou isso? - engasgou-se ao ser indagada por suas bochechas coradas, se amaldiçoando internamente por deixar as coisas sempre tão na cara. Não precisava e nem iria mais esconder o jogo, aquilo já estava lhe torturando mais do que queria. Tentava se aproximar lentamente, com os olhos fixados nos lábios alheios até ouvir um pigarro ao lado da mesa fazendo com que se assustasse e deixasse escapar um palavrão baixinho. Encarou o garçom com um olhar raivoso por ter lhe atrapalhado naquele momento. Bufando revirou os olhos, antes de pedir uma porção de peixe com fritas para duas pessoas e uma garrafa de vinho branco para ambas. Assim que o homem se afastou, xingou o mesmo mais uma vez por suas costas, coisa que a educação de Anastasia não costumava deixa-la fazer.
Estava se sentindo uma idiota depois daquela interrupção, queria naquele momento gritar e fazer sua típica birra quando estava sozinha e chateada com algo. Mas estava em local público e com o que sua irmã costumava falar, a sua crush. Anastasia riu com o pensamento, voltando seu olhar rapidamente para Etta que parecia entretida com algo do outro lado da enorme janela ao lado da mesa. Precisava pensar em algo para voltar o clima de instantes atrás, mas a sua experiência com flertes e técnicas de sedução eram quase nulas. - Onde fica o hotel que está hospedada? - quebrou o silêncio, inclinando-se mais uma vez sobre a mesa para ficar o mais próxima que pudesse de Etta. - Eu estava pensando... Já que nós vamos na gruta amanhã, você poderia ficar na minha casa hoje e eu posso te levar na floricultura logo de manhã. - disse com um sorriso nervoso para ela. Estava de longe pensando em alguma segunda intenção para com Etta naquele momento, apenas queria poder aproveitar um pouco mais a companhia da mulher naquela noite. Sua casa na ilha era um pouco grande demais para uma pessoa sozinha como Anastasia e aquilo lhe trazia alguns momentos me melancolia durante a noite e realmente não queria ter um deles naquela noite.
一 somehow still alive❞
Henrietta já se perguntava se havia uma forma de Annie ficar ainda mais adorável, e então soube a resposta. Aquele bico e o olhar contemplativo tinham o poder de derreter um bloco de gelo, e foi assim que Etta se sentiu; algo aquecendo seu interior. – É claro que eu estava brincando, sua tonta. – Riu ainda mais, prendendo o canto do inferior entre os dentes. Fazia anos desde a última vez que a inglesa se sentiu tão bem com outra pessoa em tão pouco tempo. Encontrar alguém que abaixe suas defesas com tamanha facilidade seria assustador, senão fosse extremamente bem-vindo. A verdade é que a mais baixa detesta ser tão protetora de si mesma, ansiando por ter em quem confiar. Anastasia parecia a pessoa certa para o cargo.
Mais e mais aspectos em comum eram descobertos, aprofundando a sensação de empatia no peito de Ives. Annie teria vivido com seus amigos em Liverpool e deixado a casa só em momentos de necessidade, como ela? Poderiam ter passado as mesmas ruas quando crianças, talvez até no mesmo instante, porém sem terem se conhecido. Talvez fosse destino – Etta gostaria que fosse. – Acho que eu me apaixonei à primeira vista também. – Sua audácia é algo que não tem fim, assim como sua coragem para segurar um olhar. A mulher ao seu lado não é só bonita e interessante, indo além do que Etta espera de todo mundo que conhece em suas viagens. Vai ver não estava só provocando, vai ver estava falando a verdade.
– Já está fazendo – afirmou, sem deixar de notar o interesse alheio em seus lábios. Um sorriso maroto tomou suas feições, Henrietta sendo invadida outra vez por aquela sensação de calor dentro de si. Foi sua vez de desviar os olhos, não por estar com vergonha, mas para poder rir consigo mesma pela tamanha felicidade que aquilo provocava. Estava mesmo vendo sinais de atração na outra. – Você vai terminar me transformando numa batata gorda – reclamou com tom divertido para as sugestões da maior, soando cada vez mais preocupada com a alimentação de Etta. Mais um ponto ao seu favor, ainda que isso parecesse ser natural de Annie.
Vem ou outra fitava seus passos, até chegando a medir a diferença de comprimento entre as suas pernas e as de Park, meneando afirmativamente a cabeça para o comentário de irem antes da gruta. Estava quase distraída demais para perceber o que veio em seguida. Quase. Seus olhos se arregalaram e desistiram de vez de olhar para o calçadão, alarmados para o que Annie havia dito. – Está tão na cara assim? – Começou a rir, nervosa, aos poucos aliviando a tensão em seus ombros. – Mas, uhm… E se eu der o buquê pra você? – Piscou um dos olhos para a mais alta, já livre da parcela de medo que havia se instalado em si por um momento. Se Anastasia tivesse qualquer problema com o fato de Etta ser gay, isso teria ficado claro na sua forma de falar. E ela não ouviu nada de anormal.
Annie lhe provocou pela forma como andava, martelando direto no orgulho da menor. Essa, por sua vez, deu dois pulinhos para tentar ultrapassar a altura alheia, com um bico quase enfurecido nos lábios. – Não me zoa!! – Parecia ameaçadora em sua exclamação, ainda que risse. É um fato conhecido pelo mundo que baixinhas são perigosas e Etta não saiu fora do molde. Só parou de birra para não terminar acertando a porta do restaurante, dramaticamente jogando os cabelos para mostrar que estava encerrando sua atuação.
Inspirou profundamente o cheiro de comida ao seu redor, tossindo de leve pela surpresa que foi ter-se de mãos dadas com a mais alta. Mordeu o lábio, andando por trás dela para dentro do local. Sentindo que estava longe demais, Etta alcançou os passos para ficar mais perto dela, sem querer inalando não mais o cheiro da comida, mas o dos cabelos de Annie. Suspirou como se derretesse com a sensação, rindo de si mesma por ser tão óbvia. – Vamos sentar ali – indicou uma mesa vaga com vista para o mar, tomando a frente ao caminhar até lá, sem nunca se atrever a soltar a mão da sua princesa.
Anastasia se perguntava como aquilo poderia ser possível, alguém com tanto em comum poderia se esbarrar com alguém tão longe de casa. Não sabia se acreditava ou não no chamo de destino. Ou até mesmo numa lenda que havia lido sobre há algum tempo atrás, que duas pessoas estavam ligadas por meio de um fio vermelho e que uma hora ou outra iriam acabar se encontrando. Com aquele pensamento, direcionou para a própria mão imaginando a linha vermelha amarrada em seu dedo mindinho que seguia até o dedo de Etta ao seu lado. "Deixa de ser boba, Camellia" disse para si mesma em sua mente, balançando levemente a cabeça a fim de afastar esses pensamentos. Não conseguia esconder que era uma pessoa romântica. Todos os anos presos em sua casa haviam causado aquilo, tantos livros e filmes melosos eram a sua única companhia e eram o que aqueciam seu coração machucado que acreditava que nunca passaria por nada daquelas histórias.
- Eu fico feliz com isso... Mas, ainda pode melhorar bastante, afinal você acabou de chegar. - dizia totalmente perdida no rosto de Etta, sem conseguir quebrar o contato de seus olhos com os dela. Já não lhe importava mais de estar escrito na sua testa que escava secando a mulher, queria de fato que ela percebesse aquilo mesmo que resultasse em um possível fora futuramente. Havia aprendido que correr o risco as vezes era o melhor a se fazer. - Eu já disse que seria uma batata linda, a mais linda de todas elas. - murmurou baixinho, mas em um tom que a mulher ao seu lado ainda pudesse ouvir. O instinto protetor já fazia parte de si, mas com Etta era realmente diferente. Já havia adquirido afeição pela mesma e Anastasia iria aproveitar aquilo e a sua personalidade protetora e afável para se aproximar dela.
Riu alto ao perceber a inquietação de Etta em relação ao que havia dito, não queria vê-la envergonhada mas hava sido mais forte que ela. - Eh!? O que!? - se engasgou com a risada que saia de seus lábios, obrigando-a a parar de andar para bater em seu peito até se recompor. - Pra mim? Ma-ma-mas... - a loira gaguejava com as bochechas vermelhas, tomada pela vergonha. Não estava assim por aquilo vir de uma mulher, afinal, Anastasia já havia se relacionado por outras mulheres antes durante algumas de suas viagens.
Estava achando todas aquelas ações da menor em relação à sua altura tudo tão fofo que tinha vontade de parar de andar somente para abraça-la e esmaga-la dizendo que achava completamente adorável a baixa estatura dela. Não que Anastasia fosse alta, mas era provida de alguns centímetros a mais que a morena. - Eu não estou te zoando! E engraçado e fofo! - dizia em meio á risadas, sem deixar de imitar a baixinha com os pulinhos. - Já te disseram com que você fica uma gracinha com essa carinha de brava? - indagou levantando uma sobrancelha e mordendo os próprios lábios ao fitar aquele bico raivoso que estava lhe atraindo tanto que acreditava estar sendo induzida por uma força sobrenatural. Mas logo tratou de desviar o olhar ou acabaria fazendo algo que se arrependeria depois. Ou não.
Assentiu assim que mesa fora escolhida e se sentou na cadeira que ficava de costas para a parede e de frente para Etta. O cheiro de comida invadia as suas narinas, fazendo soltar um gemidinho de frustração pela fome que crescia dentro de si. - Eu espero que você goste daqui, a comida é muito boa. - soltou a mão da morena, apoiando as suas sobre a mesa antes de pegar o cardápio sobre a mesa. - O que vai querer beber? - levantou o olhar do cardápio, voltando sua atenção para a morena bonita de rosto redondo à sua frente. Mas logo suas sobrancelhas se cerraram e um bico emburrado apareceu em seus lábios com uma cena que via atrás de Etta. Dois rapazes não muito longe apontavam para a morena e falavam algo entre si, o que fez subir um calor pelo corpo de Anastasia deixando o rosto da mesma um tanto avermelhado. Estaria sentindo ciúmes de alguém que havia conhecido à apenas algumas horas? Talvez sim, mas não se importaria de demonstrar aquilo. Se inclinou por cima da mesma, ficando mais próxima de Etta. - Você é de maior, não é? Prefere cerveja ou suco de morango com limão? É o meu favorito. - disse com o rosto bem próximo ao da morena, o que no fundo estava lhe deixando nervosa e desconsertada. Mas queria mostrar que ela já estava acompanhada.
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Sem graça e quase com medo – foi o resultado da fala altiva de Etta, que precisou rir cheia de dó por ter sido levada a sério. Uma vontade estrangeira de tocar as bochechas de Annie tomou conta de si, e foi devidamente controlada. – Você está certa. Seria ótimo ter a sua companhia amanhã. – Não a provocaria de novo, pelo menos não agora. Esperaria que essa maré passasse, Anastasia se sentisse à vontade outra vez e então deixaria seus meio sorrisos e flertes tomarem conta de suas falas de novo. Só para não assustar a princesa.
Henrietta é do tipo de pessoa que não esconde o que sente. Muitas vezes sem questionar, os seus sentimentos a respeito das pessoas ao seu redor podem ser lidos na sua testa, ou são tão óbvios quanto se ela andasse por aqui com uma placa com letras em neon. Ela gosta de atenção, e gosta também quando percebe que a pessoa por quem começou a se interessar dá indícios de que está no mesmo caminho que ela. Por isso que, com o elogio ouvido, o coração dela parou por um segundo, literalmente pulando uma batida, para voltar a trabalhar no instante seguinte. Deixou passar como se não tivesse prestado atenção, mas não conseguiria ignorar aquilo nem em um milhão de anos.
– Não acredito que moramos num país tão pequeno e viemos nos conhecer numa ilha das Filipinas! – Etta riu. – Para ser sincera, eu nunca fui de sair muito de casa quando pequena. Nunca ia longe demais… Só comecei minhas viagens há nove meses. – Deu de ombros, rapidamente se restringindo de começar a pensar demais por trás do que havia dito, assim evitando de lembrar dos pais e cair num poço sem fundo. Ficar depressiva agora seria a pior das possibilidades existentes. – Normalmente eu fico duas semanas, até um mês antes de ir para a próxima cidade ou o próximo país. Depende muito de como eu me sinto. – Sem conseguir desviar o olhar de Annie, Etta procurava outros sinais de que talvez sua afeição fosse recíproca. – Nesses nove meses, eu nunca fiquei mais de um mês em lugar nenhum. – Confessou de forma aleatória, como se tivesse acabado de se dar conta do fato.
Meneando a cabeça com veemência para os alertas da mais alta, a inglesa ria pelo excesso de cuidado na voz de Annie, que soava exatamente como uma mãe que briga com o filho que se recusa a comer direito. Levantou as mãos no ar em sinal de rendição, com um daqueles seus olhares que pedia desculpas. – Eu me distraí com as ruas, acabei esquecendo de tudo. – Não é bem uma desculpa (se for é a mais esfarrapada de todas), porém era o que ela tinha para oferecer. Pensou que Annie fosse lhe chamar para comer algo estranho e inusitado, quase respirando com alívio quando ela mencionou peixe e fritas. A barriga de Ives roncou. – Mesmo se não fosse o melhor peixe com fritas que você já comeu, eu aceitaria ir. – Acompanhou os passos de Annie, contente, andando tão perto da asiática que seus braços tocavam de vez em quando.
– Eu adoraria conhecer a sua floricultura qualquer dia desses – assumiu. Tinha mesmo vontade de ver como Anastasia combinaria com as flores e como ficaria cercada por elas, numa espécie de habitat natural, mas não diria isso agora. – Quem sabe eu compre um buquê para dar de presente. – Um sorriso largo e brincalhão tomou conta dos lábios da menor, que vez ou outra pisava bem perto da sua companhia, subindo de leve na ponta dos pés para ficarem na mesma altura e poder parecer digna de ser levada a sério – uma mania que adquiriu ainda criança e da qual não se livrou até hoje.
Seu sorriso alargou-se mais uma vez ao ouvir o que a castanha havia proferido, passando a parar por alguns para pensar. - Espera... Você estava brincado comigo, não é? - perguntou tombando levemente a cabeça com um bico fofo em seus lábios rosados e pequenos; uma mania que havia adquirido quando estava pensativa. Sentia-se uma completa boba por não ter percebido o tom brincalhão e a risada presada de Etta minutos antes. Suas bochechas coraram e a loira resmungava baixinho para si mesma. Odiava sentir-se assim e esperava que Etta não se incomodasse com o seu jeito lento para algumas coisas.
O coração de Anastasia era maior do que ela mesma, tão grande que não cabia dentro de si. Sempre se afeiçoava muito facilmente pelas pessoas, principalmente se as mesmas tivessem a personalidade compatível com a dela. Como era com Etta. Jamais iria negar para si mesma que estava afeiçoada pela castanha e o toque de curiosidade pela mesma atiçava ainda mais o seu coraçãozinho. Os seus sentimentos também sempre ficavam estampados em sua testa, as vezes causando desconforto nas pessoas ao seu redor por ser tão afetiva. Mas não iria deixar passar o seu interesse por Etta, iria fazer o possível ao seu ritmo para a castanha lhe notar como Anastasia a notava.
- Olha só, mais um ponto em comum entre nós duas... - disse com um suspiro e um breve sorriso, passando a lembrar-se de sua vida horrível ainda em Liverpool com os seus pais e o seu ex-marido. - Eu fiquei viajando por uns dois anos antes de parar aqui de vez. Foi amor a primeira vista com a ilha. - completou ao balançar a cabeça levemente para espantar as memórias que preferia deixar no baú de lembranças ruis que havia em sua mente. Não queria começar a ficar melancólica e fazer de Etta a ouvinte para os seus problemas passados, pois provavelmente a mulher iria se cansar e se retiraria. - Então... Eu vou fazer o meu melhor pra que o mês da sua estadia aqui seja o melhor de todos. - levantou o olhar para a castanha tendo as bochechas rosadas, se perdendo na imensidão de chocolate que eram os olhos de Etta. Sem que percebesse, mordia levemente o canto de seus lábios enquanto intercalava o olhar entre os olhos e lábios alheios.
Ainda não sabia a idade de Etta, mas em sua concepção ela não seria muito mais nova que ela. Pelo menos ela tinha o rosto e aparência de ser mais nova e mesmo se não fosse, a sua preocupação e vontade de cuidar da turista continuaria a mesma. - Mas não pode, tem que comer pelo menos qualquer besteirinha. - dizia com um forçado de seriedade, tendo os braços cruzados na altura abaixo de seus seios tentando parecer mandona. Coisa que Etta provavelmente já havia percebido que não era verdade. A maior riu ao ouvir baixinho o barulho que a barriga alheia havia feito, indicando que havia feito a escolha perfeita. - E depois, nós podemos comer algum doce. - sorriu docemente para ela, ao sentir os braços de ambas se tocando. Não se afastaria um centímetro dela, aquele simples contato de suas peles era macio e Anastasia havia gostado.
- Hm, eu posso te levar lá amanhã antes de irmos na gruta! - exclamou animada com um sorriso enorme em seu rosto. Sua floricultura era um de seus lugares favoritos, lá se sentia em paz com as suas flores ao seu redor. Até mesmo pensou em fazer uma coroa de flores coloridas para Etta, ela ficaria mais bonita do que já era. - E pra quem seria esse buquê? Uma pretendente? - cochichou risonha em uma brincadeira, mas sentindo uma pontada dentro de seu peito. Caminhava tranquilamente com a castanha em seu encalço, sorrido pela boa companhia que havia conseguido. - Ya! Por que você fica pulando desse jeito? - perguntou rindo ao perceber a menor subindo e descendo ao seu lado. Olhou para os pés dela e imitou a mesma durante alguns metros antes de virarem a esquina, podendo já ser visto a fachada do bar e restaurante. - É aqui! - bateu as mãos animadamente, inalando o cheiro gostoso de fritura que podia ser sentido ao redor o estabelecimento. Automaticamente sua destra fora de contro á mão de Etta, segurando-a ao passarem pela porta da frente. O aroma de bebida misturado com o de peixe que era a especialidade do lugar fez com que a barriga da loira roncasse também, arrancando uma risada da mesma ao escolher uma mesa no fundo e próximo da janela.
in a kingdom by the sea
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Henrietta contemplou a pergunta que lhe fora posta por um instante, antes de responder. Seu conflito interno é baseado em ter passado boa parte do seu dia procurando seu hotel, falhando – como sempre – na tarefa. Entretanto, é se perdendo que a mulher de rosto incrivelmente redondo encontra seus melhores destinos. Então por que motivo se sentia tão rabugenta? Essa deveria ser uma pergunta a se responder mais tarde, já que não gostaria de parecer um robô olhando para o vazio. – Eu estou amando! Achei a Basílica del Santo Niño quando virei umas ruas erradas, e é tão bonita! Não sou a pessoa mais religiosa de todas, ou a que mais entende de arquitetura, mas o interior é incrível – sorriu. Se não tivesse se perdido, não teria achado a igreja antiga.
Diante da oferta de ser acompanhada, Etta levantou as sobrancelhas em surpresa, vagarosamente derretendo o cepticismo em uma expressão quase ousada. – Você acha que eu não consigo encontrar a gruta sozinha? Para a sua informação, eu não sou dessas turistas que se perde por aí e não consegue perguntar por instruções por ser orgulhosa. – Anunciava de queixo erguido, mas um olhar cuidadoso veria que ela segurava uma risada lá no fundo da garganta. Por que simplesmente não disse “é claro!, seria ótimo que você me acompanhasse”? Oh, Etta Mae. Esse orgulho ainda vai acabar com você.
Sente-se relaxada mesmo com a desconfortável sombra que é o seu orgulho, Etta inclina o tronco para trás, como se fosse se deitar na areia, mas se apoia nos antebraços para manter as costas longe dos grãos que pinicavam de leve a sua pele, fitando com um interesse crescente a sua companheira. Riu baixinho da ideia de tirar fotos com ela. – Eu vou parecer uma batata pequena e redonda perto de você. – Brincou, mas logo voltou a sentar-se normalmente, agora um tanto mais próxima. – Uma batata feliz. – Sorriu, para deixar claro que aceitava o pedido. Seria louca se não aceitasse. A mulher ao seu lado é mais bonita até que certas cidades que Henrietta havia visitado, e ela adoraria poder se lembrar dela como lembra das paisagens. Mesmo que fosse só através de uma fotografia.
– Eu sou! Nascida e criada em Blackpool e você? – A feliz coincidência de ambas originarem da mesma nação fez com que Etta iluminasse ainda mais. Se já sentia uma espécie de conexão com a moça antes, agora parecia ter um motivo. Seria uma ligação invisível que existe entre os brits? – Algo me diz que vou gostar bastante da minha estadia aqui. – Confessou em tom de segredo, baixinho, mas sem sussurrar. O sol terminava de sumir pelo horizonte e a luz incidindo no rosto de Anastasia lhe deixava digna de uma princesa da Disney. – Annie. – Ives sorriu minimamente ao dizer o nome da realeza, sorriso esse que virou um riso sem graça pela sua imagem da outra com uma coroa de flores. Adorou que o contato tivesse sido exterminado, já que poderia desconfortavelmente olhar para o mar e não para a mulher colocando seu vestido de volta, e quem sabe pensar no que dizer em seguida. Entretanto, não precisou dizer nada.
Só a menção de comida lhe trouxe água à boca. – Podemos? – Seus olhos grandes lhe davam uma aparência de filhotinho pidão. – Eu não comi nada desde… Desde que o sol estava ali – apontou um espaço vazio no céu, totalmente aleatório, só para fixar seu enunciado. Olhou de volta para Annie, mordendo de leve o lábio inferior. – Eu estou com muita fome. – Parecia pedir desculpas, se não fosse pelo sorriso que seguiu a fala. Pegou sua mochila e se levantou com cuidado, rapidamente se livrando do excesso de areia nos seus membros.
- Não! É só que... Pode ser bom pra você ter uma companhia na ilha pra conhecer novos lugares. - a loira dizia baixinho, mordendo o canto de seus próprios lábios em resposta ao seu nervosismo. A mesma não havia percebido o tom brincalhão de Etta, acabando por sentir-se uma boba por ter se oferecido para ser guia da castanha. Mesmo sendo uma pessoa de natureza bastante amigável e prestativa, não era sempre que tomava aquele tipo de iniciativa. Quando a menor inclinou-se sobre os braços, não conseguira conter seu instinto e virou-se um pouquinho, podendo observar a mesma enquanto continuava a conversa. - Mas isso não seria um problema, eu gosto bastante de batatas. - entrou na brincadeira da castanha com uma risada, ainda sem deixar e observa-la por completo. Etta não era tão mais baixo que ela e tinha um rosto completamente redondo, o que na concepção de Anastasia a deixava extremamente adorável. - Uma batata muito linda. - as vezes se distraia tão facilmente, como naquele momento, se perdendo na beleza de Etta. Somente se deu conta do que havia dito segundos depois, passando então a rezar para que ela não tivesse ouvido ou não tivesse se importado. Graças a falta de iluminação daquela área da praia, Etta não iria conseguir enxergar as bochechas vermelhas da maior.
- Eu sou de Liverpool! - exclamou Anastasia, ficando inquieta em seu lugar. Eram tantas coisas em comum entre ambas que a loira até mesmo chegava a se perguntar se tudo aquilo era verdade. Era difícil de encontrar pessoas que lhe entendesse, ou que apenas tinha sua mesma nacionalidade. Se antes já estava mostrando o interesse sobre Etta, agora o desejo de conhece-la mais a fundo triplicara. - Eu também espero que sua estadia aqui seja a melhor de todas. Quantos dias pretende ficar na ilha? - aquela pergunta havia saído com um tom meio tímido, não sabia o motivo mas algo dentro de si desejava que a castanha não partisse tão cedo. Seu apelido saindo dos lábios de Etta havia soado diferente para ela dos demais. Achou aquilo adorável e pretendia ouvir mais vezes.
Ouvir aquela confissão da menor fez com que Anastasia arregalasse os seus olhos pequenos e castanhos. - Desde que horas que você não come? Não pode ficar de estômago vazio! Com esse calor e a fome, você poderia passar mal. - e lá estava o seu lado preocupado vindo à tona. Todos que a conheciam, já haviam passado por aquela chuva de perguntas e dedos apontados dizendo o quão era perigoso ficar sem se alimentar devidamente. Ao levantar-se, tinha uma expressão pensativa em rosto delicado e ainda com vestígios do rosado de vergonha que sentia. Se perguntava onde poderia levar a turista e mais nova amiga para comer algo. Havia pensado em leva-la para sua casa, não via mal algum nisso apesar de algumas pessoas acharem sua grande vontade de ajudar os outros uma perca de tempo. - O que você quer comer? - perguntava para conhecer melhor as preferencias alimentícias da outra, enquanto caminhavam na areia fofa e agora fria em direção ao calçadão iluminado da praia. - Aqui bem pertinho tem um bar que tem o melhor peixe com batata frita que eu já comi na vida, quer ir lá?
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Ontem eu estava na capital, num hotel, e um desses canais de turismo listou várias ilhas que se deveria visitar quando estivesse nas Filipinas. Eu anotei tudo e decidi começar por ordem alfabética – Henrietta deu de ombros. No dia anterior, ela estava exausta e um tanto depressiva. Passou o dia todo sozinha, descansando, abusando do serviço de quarto. Por mais que passe horas e horas dentro de aviões, a sensação de jetlag é algo com o qual seu corpo simplesmente não consegue se acostumar, deixando-a desnorteada nas primeiras horas após a chegada em países muito distantes. – Como uma boa turista, eu não posso ir embora sem ter pelo menos uma lembrança dessa gruta. – Pedir ou não pedir por instruções? Decidiu pelo segundo.
Etta prestou atenção no que a outra mulher fazia. – Você também gosta de tirar fotos? – Apontou para o celular nas mãos alheias, sorrindo. – Eu faço isso sempre que estou num lugar novo. – A atividade em comum lhe fez ficar contente, contorcendo a boca para o lado esquerdo como costuma fazer quando quer impedir um sorriso bobo. Para Ives, é difícil encontrar quem tenha qualquer coisa em comum consigo– tanto por ela não ficar em uma cidade por mais de um mês, quanto por não se interessar em prestar atenção nos outros, então estar dedicando esse pequeno pôr do sol em notar detalhes em alguém está resultando em algo positivo.
De repente, tudo o que a inglesa via era a sua companhia cercada de flores, com sua fragilidade ainda mais acentuada por conta da gentileza das plantas. Sem graça, Henrietta riu e passou a brincar com a areia entre ambas. – Eu estou viajando pelo mundo, na verdade. Em casa… A Inglaterra não tinha mais nada para me oferecer, então eu comecei a procurar em outros cantos. – Levantou os olhos castanhos para a outra. – Já estou procurando faz quase um ano… – Suspirou com desesperança. – Talvez eu encontre aqui. – Corrigindo seu tom, cessou a auto piedade e estendeu a mão (após se livrar dos grãos de areia, batendo a palma no short que usava) para a mulher. – Me chamo Henrietta, a propósito. Henrietta Mae Ives, mas por favor, pode me chamar só de Etta.
- Oh, eu entendo... E fico feliz por ter vindo para cá. Pelo pouco que conseguiu ver, está gostando da ilha? Aqui tem um ar bem gostoso. - dizia sorridente para a castanha ao seu lado que de inicio parecia um pouco relutante com a sua presença, mas que agora se mostrava bem mais relaxada fazendo Anastasia sorrir contente por aquilo. Já estava no seu sangue fazer o bem para o próximo, mesmo que fosse somente por fazer companhia. Ao ouvi-la mais uma vez não pensou duas vezes em oferecer-se para acompanha-la até a gruta. - Hm, amanhã eu não sei se irei abrir a loja, então eu posso te levar até lá se não se importar. - mantinha o seu dom sempre doce, amigável e seu belo sorriso fazendo com que ela aceitasse a sua ajuda. Mesmo já estando há alguns meses na ilha, gostava muito de visitar todos os pontos do lugar.
Assentiu com a pergunta da castanha, rindo baixinho ao ter o dedo alheio apontado para o celular em suas mãos delicadas pintadas de azul e rosa. Seu riso aumentou ao perceber a curvatura que os lábios da outra formou, achando aquele sorriso completamente adorável passando a ficar tentada a encara-la por mais alguns instantes. - Podemos tirar algumas fotos juntas por aqui, tem lugares muito bonitos para isso. - abaixou brevemente o rosto ao sentir o mesmo esquentar, mas não era pelo calor pois naquele momento o sol já estava tão baixo que somente se era visto alguns poucos raios dourados do mesmo sobre a camada de azul escuro do mar.
- Você é inglesa também!? - Anastasia quase gritou de animação com aquele fato em comum entre ambas, ficando cada vez mais curiosa e interessada em relação á mesma. Pelo que a mesma havia dito, tinham sentimentos parecidos, o de liberdade ao por uma mochila nas costas e rodar o mundo. - E eu te entendo muito bem, acredite. Eu consegui me encontrar aqui na ilha, eu espero que consiga também e... Fique por um bom tempo conosco aqui. - sorriu timidamente, pondo uma mexa dourada atrás de sua orelha. Isso já havia virado um costume da mulher sempre que estava nervosa ou envergonhada com algo. - Muito prazer Etta, eu sou me chamo Anastasia. Anastasia Camellia Park, mas pelo amor de Deus só me chame por Annie ou Camellia mesmo. - dizia com uma risada gostosa ao apertar a mão de Etta, que havia deixado de se tornar uma desconhecida. Ao cortar o contato, pegou o vestido que estava em seu colo e vestiu-se ali mesmo sentada. A noite havia chegado e a temperatura caiu um pouco, fazendo com que Anastasia sentisse um pouco de frio por ter saído da água há pouco tempo. - Hey, quer ir comer alguma coisa? Eu estou ficando com fome.
Dust In The Wind | Kansas
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Ela tem uma voz bonita. Etta queria sorrir mais, sem se dar conta do que acontecia, ouvindo ao timbre suave da outra. Queria ter tal doçura ao falar também, mas na maioria das vezes ela acaba soando terrivelmente mandona. Algumas dessas vezes é proposital, admite, ainda que não tenha orgulho dessa faceta mal interpretada da sua personalidade. Foi a negação à sua pergunta que aumentou o interesse da inglesa. Então ela deve conhecer bem a ilha. Considerou pedir ajuda, mas ainda se sentia orgulhosa demais para isso. Uma primeira impressão é algo que é difícil de ser apagada – Etta não gostaria de ser conhecida como a garota perdida.
Eu só vi a cidade – falou baixo, com certa vergonha, tentando disfarçar sua falta de graça ao olhar de novo para a água. A verdade é que Etta ri de si mesma por continuar insistindo em se perder e ainda achar isso ruim, quando não tem direito nenhum. O real problema é certos olhares lançados na sua direção, olhares que a julgam quando, no final do dia, não deveriam fazer nada típico já que moradores deveriam ser simpáticos com turistas sem ideia de por onde seguir. Olhou para o celular sendo mostrado, se dando conta de como estava viajando ali sentada. A foto da gruta é algo pelo qual Ives agradeceria mais tarde por ter prestado atenção. – Fica muito longe? Eu adoraria ver com os meus próprios olhos. – Sorriu largamente, dedilhando a case do seu smartphone com as unhas curtas. Por que tem que ser tão ruim assim de conversa? É por isso que é tão assaltada, porque não consegue fazer amizades? O sorriso foi perdendo o brilho e se tornando amarelo, forçando-a outra vez a desviar o olhar.
O sol desaparecia com rapidez. A inglesa arriscou uma segunda tentativa de assunto. – Deve ser muito bom poder ver esse pôr do sol todo dia. – Não é a mulher mais romântica de todas, porém como não apreciar algo tão bonito? Uma pena não ter praias perto de casa, caso contrário talvez nem precisasse de tanto tempo longe. Se o motivo para a distância fosse só esse, é claro. – O que você faz aqui? Estuda? – Analisando o rosto alheio, ela não parecia ser mais velha que Henrietta que, pessoalmente, não acha aparentar a idade que tem. A mulher tem feições delicadas, é incrivelmente bonita e seus cabelos parecem não ter uma ponta dupla. Viajando o mundo, Ives viu muitas mulheres bonitas. Quando fosse embora, esta ficaria entre as 3 mais.
A loira não pode deixar de aumentar o seu sorriso ao perceber que a morena parecia bem ao seu lado. Tinha medo de estar a incomodando, mas aquilo fez com que relaxasse ao seu lado e sorrisse com o sorriso da mesma. Seu tom era sempre baixo e delicado graças à criação na base da educação que tivera, mesmo com todos os pesares. As vezes sua personalidade tranquila e pacífica chegava a desagradar algumas pessoas ao seu redor, que lhe julgavam, mas não se importava com aquilo.
Ficou um pouco surpresa ao ouvir a resposta da morena, geralmente os turistas iam primeiro para as praias da ilha antes de conhecerem a cidade em si. Mas de dera de ombros ao perceber a vergonha da outra em relação à aquilo, tocando de leve o ombro da mesma lhe passando um certo conforto. - Você gostou? Muito bonito, não é? Não é muito longe não, fica umas duas praias de distância daqui. - lhe direcionou um sorriso animado, cogitando a ideia de convida-la para conhecer a tal praia. Apesar de Anastasia ser um pouco aérea, gostava de observar bem as pessoas e com isso com os anos aprendeu a lê-las um pouco. A garota aparentava estar um pouco perdida com alguma coisa, mas a loira estava um pouco relutante em perguntar se algo estava bem.
Como estava com o celular em mãos, tirou algumas fotos do belo horizonte como sempre fazia. - É maravilhoso! Viver na praia é bem gostoso, poder sentir essa brisa e ter essa vista é muito reconfortante. - assentia para ao que ouvira, Annie era romântica e sonhava com todo aquele clichê que conhecera pelos livros e pelos filmes, já que nunca tivera tudo aquilo e acreditava que nunca teria. O que deixava a loira um pouco cabisbaixa, mas logo tratava de focar em outras coisas. - Eu trabalho aqui, montei uma pequena floricultura no centro. - respondeu à pergunta alheia, sentindo suas bochechas arderem e ganharem uma coloração avermelhada. Sentia os olhares da outra sobre si, desviando o olhar para a onda que quebrara bem no pé das duas. - Mas e você? Por que está viajando sozinha? Está de férias? - perguntou sem esconder a sua curiosidade e interesse na morena ao seu lado.
一 somehow still alive❞
Henrietta dificilmente prestava atenção nas pessoas ao redor, esse sendo um dos motivos pelo qual ela já foi assaltada sete vezes desde que começara suas viagens, há quase um ano. Via o sol indo embora, aquele círculo desaparecendo por trás do mar, via as andas se mexendo, via até cabecinhas e braços balançando, mas dificilmente notaria as pessoas. Tirou da bolsa seu celular, abriu o aplicativo da câmera e guardou aquele momento na memória do software. Se não for assim, ela não lembraria de lugar nenhum que visitara. Sempre tirava uma foto do primeiro dia visitando uma nova cidade.
Estava atrapalhada com o zíper da mochila e então uma voz apareceu. Quando seus grandes e redondos olhos fitaram a mulher de traços asiáticos, Etta sorriu. Não um sorriso enorme e descarado, algo pequeno e modesto com uma pontinha de surpresa. Meneou a cabeça em afirmação, mostrando o espaço vago ao seu lado. Está acostumada com todos os níveis de extroversão que as pessoas do mundo têm, guardando uma espécie de carinho particular aos que não impõem suas vontades aos outros. Principalmente quando esses outros tem cara de turista, o que é o caso de Ives. – Pode sim, é claro. – Era um pedido estranho, um que ela mesma não faria, porém sentiu-se contente por ter companhia.
As ondas continuavam a tentar alcançar seus pés, que estavam tão secos quanto o seu rosto – e este só não estava pior por uma boa quantidade de protetor solar. O motivo de Etta ter olhado para o mar era para não terminar encarando demais os cabelos caramelizados da mulher ao seu lado e impulsioná-la a ir embora. – Essa praia é muito bonita – começou. – Passei o dia andando pela ilha, mas o mar foi o que eu vi de melhor até agora. Já estava querendo ver água desde dentro do avião… Ter finalmente encontrado foi a melhor das recompensas. – Riu para si, rapidamente tentando lembrar se havia mencionado que se perdera durante sua declaração. Acho que não. – Você também é turista? – Com a destra, arrumou os cabelos que eram bagunçados pelo vento, contendo-os atrás da orelha, para assim poder fitar a asiática.
Geralmente Anastasia não tinha tanto impulso para interromper os devaneios de alguma pessoa, principalmente quando se estava tão focada naquele belo por do sol que se fazia presente. Mas a garota parecia estar perdida, solitária e a sua natureza amável e protetora lhe guiaram inconscientemente até o lugar ao lado da castanha. - Muito obrigada. - agradeceu com um sorriso em seus lábios rosados, passando as mãos pelos fios dourados que estavam molhados por conta do mar. Esperava não estar atrapalhando a até então desconhecida, mas acreditava que ela precisava um pouco da companhia de alguém.
O silêncio imperava entre as duas, mas não era um silêncio perturbador. Podia ser ouvido o barulho gostoso e relaxante das ondas batendo na areia da praia e parando bem próximo aos pés de ambas. - Ahn? Ah! Sim, sim, essa praia é mesmo muito bonita. - saiu de seus pensamentos, passando a observar melhor a garota ao seu lado. - Não, eu moro aqui já faz alguns meses. - respondeu com um breve sorriso para ela, voltando seu olhar para o mar por alguns breves minutos. - O mar daqui é realmente fascinante, é um dos mais bonitos que eu já vi. - suspirou inalando o aroma vindo do mar, sentindo o corpo relaxar com aquela calmaria. - Você já foi até que praia? Se você achou essa bonita, com certeza vai ficar maravilhada com a praia mais ao norte, lá tem até uma gruta. - dizia pegando a bolsa que estava ao seu lado, procurando o celular dentro da mesma. Anastasia gostava de tirar fotos de suas viagens e até mesmo de pequenos lugares pela ilha que agora era a sua casa. - Aqui! - exclamou animada ao encontrar as fotos da praia em sua galeria, virando o aparelho para que a castanha pudesse ver.