Xuebing Du
𓃗

titsay

shark vs the universe
sheepfilms
untitled
PUT YOUR BEARD IN MY MOUTH
Cosimo Galluzzi

if i look back, i am lost
Noah Kahan
occasionally subtle

pixel skylines
Peter Solarz

#extradirty
Stranger Things

oozey mess
official daine visual archive
EXPECTATIONS
we're not kids anymore.
🩵 avery cochrane 🩵
seen from Italy
seen from United States

seen from Singapore
seen from Finland

seen from Algeria

seen from Türkiye

seen from Singapore

seen from United States
seen from Argentina

seen from Thailand

seen from United States
seen from United States

seen from Finland

seen from Malaysia
seen from Brazil
seen from United States
seen from Brazil
seen from Argentina

seen from United States
seen from Switzerland
@franciscodiemerson
“De repente não mais atinjo a cor do teu corpo. De repente o recinto se enche de tipos curiosos, do fato de estarmos pensando, da lastimável distância entre nossos fantasmas. De repente a lógica da tua mão me rasga: idealizo campos, pombos e uma parede branca que ao acordar confundi com céu. Confundi com céu. De repente descubro que esta impossibilidade é a matéria que trabalho, que comigo desenho no recuo das tuas pernas, que obedeço e desobedeço como que me rasgando.”
— Ana Cristina Cesar
Aqueles que praticam a fidelidade conhecem apenas o lado trivial do amor: são os infiéis que conhecem suas verdadeiras tragédias.
O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)
Segurei sua mão no meio da festa com receio de quebrar algo, de abrir um abismo estranho e você sumir no meio da multidão. Fiquei observando todos os seus gestos curiosos, seu sorriso suave, seu olhar curioso e suas tensões em estar no meio das gentes. Lentamente me encostava em seu corpo querendo entender seu ritmo, sentir seu gingado desconexo, beijar seu pescoço suave e esperar sua reação e sorrir, tudo feito sem cálculo e estratégia. Sem me avisar você me segurou e estávamos lá juntos, abraçados, envolvidos naquela música e criando uma sonoridade nossa, das respirações entrecortadas entre os beijos roubados e uma madrugada conquistada sem pacto algum apenas curiosidades sobre a manhã que nunca chegava. Senti seu abraço mais quente que o sol e viajei com força nestas linhas desenhadas em seu corpo, largado em meu peito. Acordei observando sua respiração acalmada, acordei com meus centauros agitados. Levantei da cama e pisei firme no chão, ciente que estava agora andando em terra incerta, com alguma frágil esperança de me guiar por este brilho esverdeado de seus olhos.
[frandie, 04122022]
A nossa brevidade foi intensa. No meio da noite, clandestinos e felizes, demos as mãos e ficamos rindo dos olhares surpresos. Eu fiquei bêbado de tanto mergulhar em seu olhar. Você dobrou o tempo de nossos abraços, o gosto de urgência nos beijos. Nos encantamos na noite, a luz da manhã que avançou preguiçoso pela janela do meu quarto deixou seu rosto todo brilhante. Mas o café sempre esfria e as tardes lânguidas correm neste tempo que nos dobra e encurva. No fim da festa a gente viu de longe e apenas pensei: quanta coisa cabe em nossos sorrisos....
[franciscodiemerson]
Prendo a respiração para caminhar na rua. Evito os olhares, evito as palavras de gentileza forçada. Ignoro os pedidos de café no meio de uma tarde, não penso na saudade, fujo dos abraços. Invento desculpas para que o tempo passe depressa. Manipulo meus sorrisos numa delicada alquimia, tentando prolongar a caminhada na beira desse abismo cheio de cores sedutoras. Cada dia é um poema incompleto, sem expectativa de rima, sem versos nem sortilégio.
[franciscodiemerson]
Cansei de sua ingenuidade barata.
Não quero a fragilidade do seu abraço.
Já não vejo graça em seu sorriso cínico.
Seu tempo é um relógio inútil.
Não há nem mesmo graça seu olhar opaco.
Deste ar rarefeito que te rodeia,
só resta distância.
[frandie]
Só eu sei
As rachaduras na minha casa
As ranhuras na minha alma
As tempestades que passei.
No caminho
Larguei as pedras inúteis
E os abraços vazios
Passo largo no infinito
Apenas silencio, e sigo.
[franciscodiemerson]
E ai ele percebeu que o mais estranho das ruas desertas nas noites de insônia não era propriamente o vazio gritante, a ausência de gente nervosa ou de carros tortos beirando os sinais e esquinas. Não, o que mais causava estranhamento era esse terrível silêncio e uns raros sons resistentes que ficavam tentando romper a obrigação de calmaria que se tinha em cada madrugada. Era uma cidade inteira sussurrando, falando baixinho para não acordar as nossas insanidades solares. O silêncio também servia para esconder aquelas faces macabras que de dia não tem coragem ou graça de se revelarem. Loucura de dia já temos, é coletiva e exposta. Nas madrugadas, nesta mistura fatal de silêncios, sussurros e ruas desertas o que temos são aquelas formas que não falamos, não ousamos lembrar no dia seguinte. Ele percebia isso e não sabia o que fazer: ficar sentado neste cruzamento, observando as sombras que se movimentavam nas beiras dos becos escuros, abrir a última garrafa e dormir na praça ou pegar o celular e ver a disposição dos corpos dóceis que ainda estavam acordados. E ele continuou na rua, mergulhando no silêncio, sussurrando.
[frandie]
Parei o carro na beira mar deserta, naquela calmaria apaixonante da madrugada. O dia nascendo e arrebentando o rio com tanta luz era daqueles espetáculos sinistros que deixavam minha alma em êxtase profundo. Ou talvez eu seria constante sim, mas desafiador a tornar a tal desordem de minha vida, como dizia meu pai, em uma forma singular de ordem, reinventada e recolorida. Fiquei horas lentas olhando esse rio que margeia essa minha aldeia sergipana e tanto de mim estava naquelas águas sujas e mansas, que talvez ele não desafogasse no mar como diz o mapa, mas sim dentro de meu peito aberto, rasgado por tantos dramas, crises e solidões. Daqui a pouco o sol estará a pino, ardendo essa cidade lânguida e que se orgulha de suas ruas retas insuportavelmente cheias de carros. Daqui a pouco eu arrumo minhas malas e desapareço, talvez nesse rio que me afoga, talvez em outra madrugada, totalmente jogado em seus braços.
[franciscodiemerson]
Sobre amizade
Nossa amizade é fortaleza: em seu abraço desfaço minhas armas, respiro aliviado da saga do cotidiano, suavemente me remonto, seguro por ter você como atalaia de meu caminho. Nossa amizade é sensibilidade: entendermos que a distância nunca é somente geográfica, é que por vezes precisamos nos afastar para ir buscar no mundo novas inspirações e novas ideias para compartilhamos e rirmos. Nossa amizade é caótica: soltamos palavras duras, ignoramos as mensagens, achamos que breve deve sim se tornar grave, tocamos fogo no canavial na tola esperança de limpar a terra cansada. Nossa amizade é cuidado: você olho em meus olhos e lê toda minha odisseia, alcança meu choro, aperta minha alma e me diz aquilo que precisa, mesmo que eu não queira ouvir. Nossa amizade é sentido: ao seu lado as noites são brilhantes, o dia é colorido, as tardes são provocantes, nosso calendário é contado pelos sorrisos e beijos, nunca por datas. Nossa amizade não tem pressa nem código: talvez amanhã a gente não veja mais sentido em caminhar juntos. Mas mesmo assim, sempre, no reencontro improvável, haverá nosso universo, nosso mundo, nossas mãos cruzadas, amizade que é verso infinito.
[franciscodiemerson]
Cruzo meus olhos em sua direção e bloqueio sua visão do meu destino. Acolho teu corpo pesado em meus braços e recebo o teu suor marcando minha pele, quente. Ofegante, sua respiração destroça o compasso de minha lógica e refina o ar da noite ao nosso redor. Há uma melodia estranha nos enlaçando, uma sinfonia de metais pesados que deixa nossas almas, pecadoras e perigosas, soltas para atravessar as linhas tênues do desejo e do medo. Respiro, com pressa, para manter seu corpo colado ao meu e deixar que o calor temporário de nosso encontro desfaça as paredes de gelo que por tanto tempo nos cercaram. Cruzo meus dedos no meio dos seus e avanço no reconhecimento dos roteiros de tuas linhas sinuosas. Projeto meu salto, armo meus esquemas, te seduzo com meu silêncio. Sua respiração mais forte agita a cama, o quarto, o mundo. Só resta nosso abraço para resistir à explosão atômica que nos espera. O relógio não serve para marcar as horas. Estamos livres do tempo.
[franciscodiemerson]
O café esfriou e você ainda continua falando. Eu olho para esse amontado de gestos confusos, essas mil faces intercaladas para tentar entender quem de fato é você. Acho engraçado e triste sua necessidade de pensar que está no controle. Os encontros que você marca e some, as mensagens que nunca são respondidas, as suas intransigências fantasiadas de personalidade forte. Eu tomo o café frio calado, afinal só você deve falar. Olho com mais cuidado e só enxergo essa criatura frágil, apavorada, com medo de abraços e de carinhos, desejando tanto e fugindo muito, sua arrogância para esconder a insegurança. Acabo meu café e interrompo sua ladainha infinita, recebo a crítica do seu olhar, devolvo um sorriso e vou embora. Você me abraça forte e digo que adoro seu sorriso. Você se cala e me encara. Nunca mais nos veremos.
[franciscodiemerson]
biografia
Vou embora porque não consigo andar nas ruas sem que seu cheiro me persiga, sem que as lembrança do seu sorriso esteja exposta em cada um dos locais que marcamos como nosso nesta cidade tediosa. As ruas se tornaram venenosas para mim. Não quero te ver, mas vejo seu rosto em cada esquina, em cada semáforo fechado, com sua voz alertando que devo prestar atenção aos carros. Vejo seus passos na areia da praia nas caminhadas que não fazemos mais e o roteiro sincronizado de nosso cotidiano que agora é só sombra antiga. Vou embora pois aqui não consigo me libertar de sua presença, do seu novo abraço, desta nova amizade que não sei se compreendo, que não entendo e não me diz muita coisa. Vou embora de você mesmo sabendo que seu nome está tatuado em meu peito e por mais que eu me cubra de fogo e tempestade, de cinza e sangue, nunca de apaga.
[franciscodiemerson, in “verdades inventadas”]