“Diga por você, eu ainda sou o maior anjinho desse planeta. Isso vai ser muito engraçado, e muito, muito confuso. Na dúvida, eu não vou falar com ninguém, ou pelo menos não vou citar nomes pra não me queimar com a família. Você vai ter várias oportunidades pra virar tia de novo, inclusive a fábrica do Boyd ainda não fechou, e você tem outras quatro irmãs, além da família enorme do Nathan pra compensar. Isso é tudo inveja, certeza. Eu não sei porque, mas gastar o dinheiro do Boyd é mais divertido do que gastar o meu.” Brincou, levantando-se ao mero sinal da irmã de voltar a fazer as compras. “Sua…?” Ergueu as sobrancelhas, descendo o olhar do chão até as pernas da irmã. “É n-normal, são gêmeos lembra?” Era engraçado que no momento de encarar a verdade, tratando-se de sua irmã e não de um de seus pacientes, deixava-a nervosa. “Okay, okay. Respira fundo, lembra que não vai adiantar de nada se estressar, tá bom? Conta até dez, depois de novo. Fica aí sentadinha, eu vou tentar falar com alguém, eles tem que ter uma ambulância por aqui, se não tiver eu vou ligar pro hospital, mas você tem que segurar firme. Tem o número do seu obstetra fácil? A gente tem que ligar pra ele e pro Nathan. O resto a gente vai descobrindo, tá bom? Só respira que essas crianças não tão loucas de sair agora.”
Parou de prestar em atenção em tudo ao seu redor, só conseguia olhar fixamente para um ponto abstrato perdido entre a multidão de pessoas do shopping. “Isso é n-normal?” Esforçava-se o máximo para manter uma áurea tranquila, mas era evidente no tom da sua voz que logo explodiria. “Gêmeos são concebidos por cesária devido a inúmeros motivos, Piper... Nada disso está normal. Ai meu Deus... Eu não sei o que fazer.” Toda aquela mistura de sentimentos fez com que a Paris começasse a chorar. De todos os cenários possíveis envolvendo o nascimento dos seus filhos aquele estava de longe do ideal e do imaginado. “Vou tentar manter a calma, ou pelo menos não enlouquecer de vez.” Após respirar fundo por repetidas vezes, a loira voltou a sentar na cadeira e com um pouco dificuldade tirou o celular de dentro da bolsa. Com as mãos trêmulas começava a procurar o número do Nathan, mas graças a visão embaçada e mãos trêmulas não conseguia enxergar ou pensar com clareza. “Piper, liga para mim.... Eu não estou com condições de falar com ninguém agora... Por favor.” Esticou o celular em sua direção, enquanto tentava recuperar da euforia, para o bem dos seus filhos que estavam prestes a nascer.