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"INCONGRUÊNCIA DE GÊNERO NA INFÂNCIA" OU REPATOLOGIZAÇÃO DA HOMOSSEXUALIDADE?
Eugenia Rodrigues[1]* e Gays pela Abolição de Gênero[2]**
[1] * Eugênia Rodrigues é graduada em Comunicação Social, na habilitação Jornalismo, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Seu trabalho de conclusão de curso foi “Fora da caixa: a construção da criança trans no jornalismo brasileiro”. É pesquisadora da área de estudos de mulheres, feministas e de gênero, porta-foz da campanha No Corpo Certo e crítica à medicalização da vida. Contato: [email protected].
[2] ** Gays pela Abolição de Gênero (antiga Gay AntiQueer) é um coletivo formado por homens gays alinhados por ideais materialistas e abolicionistas que, desde 2015, procura produzir e traduzir conteúdo, aproximando a militância gay de uma visão crítica de gênero. Contato: [email protected].
Nota dos autores
Apoiamos o direito a uma vida digna e saudável para todas as pessoas, respeitando sua autonomia corporal e escolhas enquanto adultas. Portanto, a questão discutida neste trabalho deve ser tratada com extrema delicadeza. Nosso intuito é promover uma reflexão e levantar hipóteses sobre como tem sido abordada a “incongruência de gênero” a fim de abrir espaço para uma discussão crítica de possibilidades. As respostas para nossas indagações não são fechadas e requerem atenção a estudos futuros. É imprescindível mencionar a importância do acolhimento por parte das famílias de crianças cujos comportamentos não se enquadrem nos estereótipos vigentes, pensando sempre no bem-estar destes jovens em situação de vulnerabilidade psicossocial.
Resumo
Tem-se notado em diversos países, entre eles o Brasil, um aumento do número de crianças e adolescentes diagnosticados com “incongruência de gênero” (termo atual para condições que já foram nomeadas genericamente como “inversão sexual”, “transexualismo”, “disforia de gênero” e “transtorno de identidade de gênero”). Paralelamente, as vendas de medicamentos utilizados como bloqueadores da puberdade em crianças com esses diagnósticos também têm aumentado expressivamente. Entretanto, estudos de longa duração revelam o desaparecimento desses sintomas após a puberdade e a homossexualidade como características predominantes entre os pacientes. Tão recente quanto a despatologização da homossexualidade, em 1973, data o reconhecimento do “transtorno de identidade de gênero” na infância. Este trabalho busca investigar a correlação entre a medicalização de comportamentos infanto-juvenis desviantes do sistema de gênero vigente e a medicina como instrumento de normatização.
Palavras-chave: Crianças transgênero. Homossexualidade. Patologização.
“GENDER INCONGRUENCE OF CHILDHOOD” OR REPATHOLOGIZATION OF HOMOSSEXUALITY?
Abstract
In several countries, including Brazil, there has been an increase in the number of children and adolescents diagnosed with “gender incongruence” (current term for conditions that have been generically referred to as “sexual inversion”, “transsexualism”, “gender dysphoria” and “gender identity disorder”). At the same time, sales of drugs used as puberty blockers in children with these diagnoses have also increased significantly. However, long-term studies show disappearance of these symptoms after puberty and homosexuality as predominant characteristics among patients. As recent as the depatologization of homosexuality, in 1973, there was the recognition of “gender identity disorder” in childhood. This paper aims to investigate the correlation between the medicalization of deviant child behaviors from the current gender system and medicine as an instrument of normatization.
Keywords: Transgender children. Homosexuality. Pathologization.
1 Introdução
O aumento do número de crianças e adolescentes diagnosticados com “incongruência de gênero” é expressivo, chegando a cem vezes, entre 2009 e 2016 no Reino Unido (DE GRAAF et al., 2018). Consequentemente, as vendas do SUPPRELIN®, um medicamento utilizado como bloqueador da puberdade — quando ocorrem, entre outras mudanças fundamentais no organismo, o desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários como crescimento dos seios e menstruação em meninas, ou barba e engrossamento da voz em meninos — aumentaram 800%, entre 2010 e 2018 (ENDO PHARMARCEUTICALS, 2010, 2019).
Por outro lado, estudos de longa duração observam o desaparecimento da disforia de gênero após a puberdade em 70% dos pacientes (STEENSA; COHEN-KETTENIS, 2015) e a predominância da homossexualidade entre eles, superando os 60% (AITKEN et al., 2015). Um fato significativo é relatado pelo teórico queer Giancarlo Conejo (2011) em seu artigo denominado “A guerra ao menino afeminado”. Conejo, que é gay, relata que foi levado a psicólogos por seus pais, ansiosos por uma “cura” para seu “afeminamento” e que recebeu um diagnóstico de “transtorno de identidade de gênero”. Relatos similares são feitos por transexuais adultos, conforme veremos adiante. Como indaga Kreher (2016), estaríamos expondo lésbicas, gays e bissexuais adolescentes a intervenções médicas desnecessárias, pautadas por estereótipos de gênero? Este trabalho realiza uma análise inicial multidisciplinar destes fenômenos, passando pela história da patologização da homossexualidade no final do século XIX (JEFFREYS, 2003; TREVISAN, 2000) até os critérios internacionais atuais para o diagnóstico de incongruência de gênero adotados no país, inclusive pela Sociedade Brasileira de Pediatria. É fundamental, portanto, uma reflexão sobre os efeitos e riscos destas políticas para crianças e adolescentes fora do padrão, resguardando o direito de pessoas adultas à sua autonomia corporal.
2 Histórico da questão
Tratar como uma condição médica comportamentos que fogem às normas sociais vigentes não é algo recente: no século XIX, a medicina e a psicologia já se empenhavam em corrigir o comportamento das mulheres e homens desviantes — inclusive sua sexualidade. A publicação do Psychopatia Sexualis, de Henrich Kaan, em 1846 inaugura um domínio médico-psicológico das chamadas perversões, que ocuparia o lugar das velhas categorias de devassidão e sodomia (FOUCAULT, 1978). Na tentativa de explicar o comportamento homossexual masculino, o jurista alemão Karl Heinrich Ulrichs, talvez o primeiro ativista gay, postulou que certos homens teriam “almas femininas presas em corpos masculinos”, afirmando assim o desejo por homens como essencial — e necessariamente — de ordem feminina (HERDT, 1993). Magnus Hirschfeld, médico e fundador da primeira organização pelos direitos homossexuais em 1897 na Alemanha, também teorizou sobre a homossexualidade a partir da ideia de uma “inversão sexual”, de homens “femininos” pertencentes a um “terceiro sexo” (STEAKLEY, 1997).
[…] de acordo com declarações de seus parentes, não era como os outros meninos. Sua indisposição para atividades masculinas e sua preferência por divertimentos femininos começaram bem cedo. Assim, ele evitava todos os jogos de menino e exercícios de ginástica, enquanto brincar de bonecas e outras ocupações femininas eram particularmente agradáveis a ele […]. Sexualmente, o paciente sentia como uma mulher para os homens, e tinha inclinações por pessoas de seu próprio sexo […]. Também sua aparência externa, hábito, formas, costumes e vestiários são notáveis, e decididamente lembram forma e características femininas. Essa impressão de uma mulher vestida de homem é ainda maior por um crescimento fino de pelos no rosto, que são raspados, com exceção de um pequeno bigode […]. Opinião: 1. Sr. V. H. é uma pessoa anormal e com um defeito de origem. Seu instinto sexual contrário representa uma parte de sua condição física e mental anormal; 2. Esta situação, na medida em que congênita, é incurável. Existe uma organização deficiente dos maiores centros cerebrais, o que o torna incapaz de viver uma vida independente. Seu instinto sexual perverso o impede de exercer as funções sexuais normais […]. (KRAFFT-EBING, 1892 apud SIMIÃO, 2015, p.189–191)
Nota-se, no relato acima, os processos de medicalização e patologização entrelaçando-se no diagnóstico. A medicalização da sociedade, ensina Ivan Ilitch, consiste num processo em que a área de atuação da medicina se alarga ao ponto de constituir uma forma de violência sobre o indivíduo (ILITCH, 1975). Coloca-se no campo da medicina a origem e a solução de um problema que não é — ou que, a princípio, não seria — médico. No exemplo acima, a homossexualidade, as preferências por certos brinquedos e jogos na infância e algumas características externas são apontadas como tendo origem numa suposta “organização deficiente dos maiores centros cerebrais”. O “tratamento” indicado, felizmente, não foi dos mais extremos: o médico entendeu que bastava que o sr. V.H. vivesse “sob o cuidado e conselho de indivíduos normais”. Há de se observar que o termo “medicalização” sugere um processo que pertence ao exercício da medicina, enquanto que essa perspectiva é, cada vez mais, difundida por psicólogos (as), psicanalistas, fonoaudiólogos (as), assistentes sociais e por toda a sociedade, de modo que é mais conveniente utilizar o termo “patologização”. O profissional que atendeu ao sr. V.H. patologizou — leia-se, entendeu como elementos caracterizadores de uma patologia, uma doença (física e ou mental) a ser curada — comportamentos que hoje consideramos, ou ao menos deveríamos considerar, normais: o desvio dos padrões impostos a cada sexo e a atração por pessoas do mesmo sexo. A patologização também sugere que haveria uma causa, em geral biológica, para aquele sintoma, que seria preciso se chegar a um diagnóstico e, finalmente, a uma cura (usualmente através da prescrição de fármacos e/ou de cirurgias). Esse processo, no sistema capitalista, está subjugado aos interesses da indústria médico-farmacêutica.
A partir dessa visão de mundo e de técnicas que se aperfeiçoariam ao longo dos anos, iniciam-se, então, experimentos científicos para corrigir o comportamento homossexual, utilizando-se de lobotomia, castração física e química, enxertos de órgãos, transplantes de testículos, terapia eletroconvulsiva e medicamentos hormonais (BLAKEMORE, 2019; OVERWHELMED, 2017). A história das intervenções médicas em homossexuais se confundiria com as daqueles que Magnus Hirschfeld nomearia de “transexuais”. Magnus participaria indiretamente das primeiras cirurgias de readequação genital, praticadas como uma cura para estes “doentes” (KHAN, 2016). No ano de 1952, três fatos acontecidos na Inglaterra e nos Estados Unidos marcam a continuidade da medicalização da homossexualidade: no primeiro país, a descoberta da orientação sexual do cientista Alan Turing ensejou sua condenação por “grave indecência”. Figura central para a vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial, ele foi obrigado a aderir ao “tratamento médico” com hormônios femininos, que visavam a diminuir seu desejo indevido e a modificar seu corpo para assemelhá-lo ao do sexo que é autorizado a se relacionar com homens. Turing ficou impotente, lhe cresceram seios e ele morreria dois anos depois envenenado — especula-se que por suicídio. No mesmo ano, nos EUA, a Associação de Psiquiatria Americana patologizou formalmente a homossexualidade listando-a como um transtorno mental e a mídia celebrou a primeira pessoa norte-americana a se submeter a uma cirurgia de “mudança de sexo”: Christine Jorgensen. Christine, que em alguns depoimentos se descreve como “um homossexual masculino” (JEFFREYS, 2014), se submeteu ao protocolo elaborado pelo médico dinamarquês Christian Hamburger (KHAN, 2016).
Influenciado por Hamburguer e por Hirschfeld, com quem havia convivido diretamente, e à vista da grande procura de norte-americanos pela nova “cura”, o endocrinologista Harry Benjamin começou a atender a este grupo e em 1967 publicaria o livro The Transexual Phenomenom, que se tornou referência para o que hoje se conhece como “´processo transexualizador” nos Estados Unidos e no resto do mundo. Nele, defende-se por princípio o uso de hormônios artificiais e cirurgias como possível cura para o “transexualismo” (BENJAMIN, 1967). O uso de hormônios como “tratamento” chegaria à África do Sul: durante o período do apartheid (1948–1994), homossexuais foram castrados quimicamente com doses massivas de hormônios e, entre 1969 e 1987, cerca de 900 homens e mulheres foram submetidos à cirurgia de redesignação de gênero em hospitais militares (KAPLAN, 2004). A patologização da desviância atingiria crianças e adolescentes, seja ao se considerara a infância fora do padrão dos pacientes como sintoma de uma patologia, como no citado caso do “sr. V.H”, seja para celebrar a “cura” de um menino “afeminado” através da terapia de modificação comportamental, como fez o psicólogo norte-americano George Alan Rekers (RECKERS, 1974).
Esses parâmetros guiariam não apenas médicos (psiquiatras, endocrinologistas, cirurgiões plásticos) mas também psicólogos — a medicalização, repita-se, não é um processo exclusivo de profissionais da medicina. À rigidez dos padrões de comportamento para o sexo do século XIX, o psicólogo John Money oporá a bebês intersexuais a plasticidade tecnológica do que ele denominará “gênero”. Money utiliza pela primeira vez sua noção de gênero em 1947 e a desenvolve clinicamente mais tarde com Anne Ehrhardt e Joan e John Hampson para falar da possibilidade de modificar hormonal e cirurgicamente o “sexo” dos bebês nascidos com órgãos genitais e/ou cromossomos que a medicina, com seus critérios visuais e discursivos, não pode classificar somente como femininos ou masculinos. O neozelandês, que viveria a maior parte da vida nos Estados Unidos, conceitua gênero para nomear o “sexo psicológico; pensa sobretudo na possibilidade de utilizar a tecnologia para modificar o corpo segundo um ideal regulador preexistente que prescreve como deve ser um corpo humano feminino ou masculino” (PRECIADO, 2008, p. 81).
Em 1973, após longa luta, a homossexualidade deixou de ser listada oficialmente como uma patologia pelo Manual de Diagnóstico e Estatística dos Estados Unidos. Contudo, sete anos depois, o mesmo documento passou a reconhecer o chamado “transtorno de identidade de gênero” (gender identity disorder, GID) na infância. Rapidamente, esse diagnóstico passou a ser aplicado a crianças cujos comportamentos não se enquadravam nas rígidas normas. A prescrição de medicamentos e cirurgias partem de diagnósticos médicos; assim, se ao longo do século XX quase não há registros de menores de idade sendo encaminhados para “terapia hormonal”, isso mudaria na virada do século. Em 2006, foi publicado o primeiro estudo acerca do uso de uma substância inibidora de hormônios gonadotrópicos, a triptorrelina, na inibição da puberdade de crianças e adolescentes fisicamente saudáveis que receberam diagnósticos de “disforia de gênero” (WAAL et al., 2006). A partir dessa experiência, outras substâncias com efeitos semelhantes seriam utilizadas com a mesma finalidade como a histrelina, a leuprorrelina e a goserelina. O bloqueio de puberdade para estes fins começou a ser recomendado e utilizado internacionalmente[3] e, em paralelo, iniciou-se também a prática de ministrar a menores de idade uma segunda categoria de hormônios artificiais que já era aplicada em adultos — os cross-sex hormones ou “hormônios cruzados”, que suprimem as características sexuais secundárias do sexo biológico e induzem características físicas do outro sexo.
A medicina e psicologia brasileira seguirão as tendências estrangeiras ao longo do século XX e XXI (TREVISAN, 2000). No alvorecer do XXI, John Green relata o caso de Marina:
Nascido com genitais masculinos, mas sexualmente atraído por outros homens, alguns pensavam que sua essência, alma, espírito, ou pensamento eram, na verdade, femininos, e estavam encarcerados erroneamente num corpo masculino. Nem sua provável formação católica, ou meio social em que foi criado no Brasil rural, nem o aconselhamento médico ofereceram a Marina um modelo alternativo para construir sua identidade sexual e social. Seu desejo de servir, de assumir o papel tradicional da mulher num relacionamento, parecia-lhe a única opção disponível. (2000, p. 136–137)
Em 2008 e 2013 o Brasil criou e ampliou o financiamento público do chamado “processo transexualizador” (Portarias nº 1.707/2008 e nº 2.803/2013 do Ministério da Saúde) estabelecendo a idade mínima de 18 anos para os pacientes se submeterem aos hormônios e 21 às cirurgias irreversíveis. No mesmo ano de 2013, o Conselho Federal de Medicina, baseando-se em estudos estrangeiros, emitiu o Parecer n.º 8/2013, sugerindo o bloqueio da puberdade de crianças diagnosticadas com o que denominava à época “transtorno de identidade de gênero” tão logo surjam os primeiros sinais de amadurecimento físico e recomendando a administração de hormônios cruzados para adolescentes a partir dos 16 anos. Em 2017, a adoção dos critérios internacionais para o diagnóstico de disforia de gênero na infância e adolescência foi sugerida pelo Manual para Disforia de Gênero da Sociedade Brasileira de Pediatria, critérios esses que incluem a preferência por brinquedos e roupas socialmente atribuídos ao outro sexo:
Em meninos (gênero designado), uma forte preferência por cross-dressing (travestismo) ou simulação de trajes femininos; em meninas (gênero designado), uma forte preferência por vestir somente roupas masculinas típicas e uma forte resistência a vestir roupas femininas típicas […] Em meninos (gênero designado), forte rejeição de brinquedos, jogos ou atividades tipicamente masculinas e forte evitação de brincadeiras agressivas e competitivas; em meninas (gênero designado), forte rejeição de brinquedos, jogos e atividades tipicamente femininas. Forte desgosto com a própria anatomia sexual. (SBP, 2017, p. 5)
Em 2018, o Conselho Federal de Psicologia, a exemplo de outros países, publica a Resolução n.º 1/2018, que penaliza profissionais que questionem identidades de gênero. Finalmente, em janeiro de 2020, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução nº 2265/2019, reiterando a sugestão de intervenções hormonais em menores de 18 anos e recomendando a redução da idade mínima para cirurgias de 21 para 18 anos.
3 O que os estudos nos mostram
A partir do final dos anos 1960, começam a ser publicados estudos de longa duração acerca de crianças e adolescentes atendidos para o que atualmente a Organização Mundial de Saúde e o Manual de Diagnóstico em Saúde Mental (DSM) denominam “incongruência de gênero”.
3.1 O aumento no número de diagnósticos
Dados do Brasil e do mundo vêm mostrando um aumento considerável no número de diagnósticos e atendimentos para as condições supracitadas em todas as idades.
No cenário internacional, destaca-se um aumento de 400% no número de diagnósticos para disforia de gênero em crianças e adolescentes entre 1980 e 2008 no Canadá (WOOD et al., 2013) e, também, lá, um aumento de 500% nos casos entre 1998 e 2011 (KHATCHADOURIAN, 2014).
Nos Estados Unidos, o número de crianças que se identifica como trans aumentou de 0,7% para 3% entre 2017 e 2018 (MEERWIJK et al., 2017; RIDER et al., 2018). Na Inglaterra, houve um aumento de 1000% (mil por cento) no número de diagnósticos entre 2009 e 2016 (DE GRAAF et al., 2018) e os casos quadriplicaram entre 2013 e 2018 (TURNER, 2018). Na Suécia, foi reportado um aumento de 900% entre 2011 e 2016 (FRISÉN; SÖDER; RYDELIUS, 2017).
No Brasil, foi registrado aumento de 32% nos atendimentos ambulatoriais para o protocolo transsexualizador, passando de 3.388 em 2015 para 4.467 entre 2015 e 2016, o número de cirurgias de transgenitalização do sexo masculino para o feminino cresceu 48% (de 23, em 2015, para 34 em 2016) e a chamada terapia hormonal também subiu de 52 para 149 procedimentos, num aumento de 187%. (BRASIL, 2017). Em 2017, o Ambulatório de Identidade de Gênero da USP informa aumento de 60% na procura e que “a busca é maior por parte de famílias de crianças entre 5 e 12 anos” (FARIAS, 2016). Finalmente, em 2019, após a flexibilização para mudanças em documentos, o número de pedidos para inclusão do nome social no Estado de São Paulo disparou: em menos de 30 dias da nova regulamentação, foram feitos quatro pedidos para crianças entre 5 e 10 anos, sete para a faixa etária de 11 a 16 e 45 com idades entre 17 e 21 anos (LEITE, 2019).
3.2 Sobre a persistência para os diagnósticos
Uma série de estudos indica que as taxas de persistência para este tipo de diagnóstico, historicamente, são baixas; a maioria dos casos se resolve após a puberdade. A exceção, conforme será apontado nas considerações finais, reside nas crianças e adolescentes que receberam bloqueadores de puberdade.
Em 2008, um estudo mostrou uma variação na persistência do transtorno de identidade de gênero após a puberdade de 2,5% a 20%, ou seja, na maioria dos casos, o transtorno desaparece antes da puberdade (KORTE, 2008).
No levantamento de Steensma et al., realizado em 2011, foram analisados 10 estudos realizados entre 1968 e 2008 que revelaram que, de um total de 246 crianças, apenas 39 delas mantiveram a disforia. A taxa geral de persistência foi de apenas 16% e variou entre os diferentes estudos de 2% a 27%. Ou seja, entre 73% e 98% das crianças acompanhadas pararam de se sentir disfóricas após a puberdade. O estudo ainda se colocou fortemente contra a chamada “transição social” (mudança de nomes, pronomes, documentos etc.) para crianças menores de 10 anos, argumentando que, a partir dos dados levantados, ela diminui as chances de desistência (STEENSMA et al., 2011).
A pesquisa de Singh (2012) mostra que apenas 12% dos nascidos meninos estudados tiveram persistência para identificação como transexual após seus 17 anos, o que endossa a afirmação de Steensma et al. (2013) de que a puberdade é um fator de resolução para os diagnósticos em 84,2% dos casos analisados.
Por fim, Steensma et al. (2015) revelaram que 70% das crianças diagnosticadas não retornaram à clínica e à transição.
3.3 A relação com a homossexualidade
Parece existir uma sobreposição entre a orientação sexual e estes diagnósticos. Em sua revisão, Nucci (2009) encontrou quinze artigos publicados entre 1977 e 2006 que estabeleciam uma relação entre a homossexualidade e a bissexualidade na vida adulta e a não conformidade de gênero na infância, destacando que as dimensões da orientação sexual e de gênero são, para parte significativa dos pesquisadores, interligadas:
Nesses estudos, o “comportamento atípico” em crianças é pensado pelos autores como um indicador, na infância, de uma possível homossexualidade na vida adulta. Tal teoria, como vimos anteriormente, está ancorada na associação entre gênero e preferência sexual, onde ser homem é igual a ser heterossexual, e a preferência heterossexual é signo de masculinidade. Como consequência, o homem homossexual seria de algum modo feminino (neste caso, seu comportamento na infância seria “feminino”) e a mulher homossexual, da mesma forma, seria masculina.
Também no ano de 2008, estudos longitudinais forneceram evidências de que o comportamento atípico de gênero na infância é correlacionado à orientação homossexual na idade adulta (KORTE, 2008).
Wallien (2008) afirmaria que “no que diz respeito à orientação sexual, o resultado mais provável da GID infantil seria a homossexualidade ou a bissexualidade na vida adulta e não a transexualidade”. Em um estudo, 70% das meninas diagnosticadas e 67,7% dos meninos foram classificados como homossexuais (WOOD et al., 2013).
Outra pesquisa mostraria que maioria dos indivíduos estudados exibiu atração pelo mesmo sexo na adolescência ou idade adulta (HEYLENS et al., 2012).
Numa outra ocasião, o percentual de pacientes que não se declaravam como heterossexuais foi superior a 60% (AITKEN et al., 2015; LITTMAN, 2018).
Reckers (1972) concentrou sua pesquisa de doutorado no tratamento de meninos “femininos”. Neste trabalho, ele cataloga uma série de “comportamentos femininos” como postura “feminina”, marcha, gestos de braço e mão, inflexão na fala e interesse em roupas, jogos e tópicos de conversação considerados típicos do sexo femininos.
Em 2005, Zucker e Spitzer argumentaram contra a ideia de que os diagnósticos para GID seriam uma forma de continuar a patologização da homossexualidade. Para os autores, a inclusão do novo diagnóstico teria sido feita pelos mesmos membros do comitê que lutaram pela remoção da homossexualidade do DSM-II e, portanto, não faria sentido que o intuito fosse esse. Apesar disso, eles reconhecem que, já em 2005, em alguns casos os diagnósticos para GID foram utilizados como argumento para “tratar” a homossexualidade precocemente (PLEAK, 1999; ZUCKER; BRADLEY, 1995; DE AHUMADA, 2003; NICOLOSI; NICOLOSI, 2002).
3.4 A disforia e as nascidas meninas
Um aumento no número de casos entre pacientes do sexo feminino também chama a atenção. Wood já apontava para um aumento de 400% no número de casos de disforia no sexo feminino (WOOD et al., 2013).
Em 2015, mais um estudo canadense mostraria um aumento local no número de diagnósticos em adolescentes do sexo feminino, assim como verificado em 2013 (AITKEN et al., 2015). Em 2018, no Reino Unido, dos 256 casos analisados, 83% eram meninas (LITTMAN, 2018).
No mesmo ano, um grupo finlandês que observou a mesma desproporção reconheceu uma prevalência de comorbidades psíquicas e psiquiátricas em seus pacientes, de ambos os sexos (KALTIALA-HEINO, 2015).
Observou-se, também, que mais meninas persistiram em seus diagnósticos e entraram de fato em transição: 38,5% das meninas contra 27% dos meninos (STEENSA; COHEN-KETTENIS, 2015).
Dos indivíduos que deixaram de apresentar o diagnóstico, uma porção significativa — todas as mulheres e metade dos homens — passou a expressar orientações não heterossexuais (VAN SCHALKWYK et al., 2015).
Milrod e Karasic destacaram, em 2017, que um número crescente de adolescentes do sexo feminino está recebendo hormônios análogos ao liberador de gonadotropina na infância e puberdade e, posteriormente, hormônios do sexo oposto, tendo a mastectomia e a faloplastia como possibilidades ao completarem 18 anos. Há registros de cirurgias transexualizadoras sendo realizadas antes dessa idade, violando os padrões de atendimento da própria Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero (WPATH) (MILROD, 2017).
A psicóloga Lisa Marchiano (2017) se posicionou criticamente à transição infantojuvenil denunciando que adolescentes de 14 anos estão passando por processos de mastectomia (ROWE, 2016) e que um médico prescreveu a uma menina de 12 anos hormônios do sexo oposto por ela se recusar a usar vestidos (LYONS, 2016).
Aitken et al. (2015) também apontam uma mudança na proporção entre meninos e meninas na busca por tratamento da incongruência de gênero. Até 2006, tinha-se uma maioria de meninos (sexo biológico), invertendo-se o cenário, de 2006 a 2013, para uma prevalência de meninas.
De Graaf e colaboradores (2018) encontraram um número ligeiramente maior de meninos, 50,6%, (2000–2017), mas esse número representa uma diminuição de 20% do período anterior (2000–2006)
3.5 Comorbidades
Estudos apontam que diagnósticos de incongruência de gênero têm sobreposição com outras comorbidades. No período da infância e adolescência destacam-se distúrbios alimentares, e também diagnósticos para o espectro autista.
Em 62% dos casos, a pessoa havia sido diagnosticada anteriormente com algum tipo de transtorno mental (LITTMAN, 2018).
Campo et al. (2003) revelam que 61% dos pacientes com transtorno de identidade de gênero tinham outras comorbidades psiquiátricas, sendo a identidade de gênero um problema secundário aos outros transtornos presentes.
Khatchadourian (2014) verificou que, dos pacientes com incongruência de gênero, 35% tinham algum distúrbio de humor (20 do sexo feminino e 9 do sexo masculino), 24% tinham transtorno de ansiedade (15 do sexo feminino e 5 do sexo masculino), 10% tinham TDAH (2 do sexo feminino e 6 do sexo masculino), 7% tinham um indicativo de que estariam no espectro do autismo (2 do sexo feminino e 4 do masculino), 5% tinham algum distúrbio alimentar (2 do sexo feminino e 2 do sexo masculino), 7% de seus pacientes tinham algum problema de abuso de substâncias (2 do sexo feminino e 4 do masculino), e 26% de seus pacientes tiveram dois ou mais diagnósticos de problemas de saúde mental (12 do sexo feminino e 10 do sexo masculino).
Embora disforia de gênero e distúrbios alimentares não sejam entendidos clinicamente como um mesmo fenômeno, a associação e sobreposição entre tais diagnósticos foi observada por Coutrier et al. (2015), Hepp et al. (2004), Khatchadourian (2014), Walter e Whitehead (1997), Nelson (2012) e Strandjord (2015).
Também foi encontrada sobreposição com o espectro autista por Williams et al. (1996), Vermaat et al. (2018), Abelson (1981), Landpen e Rasmussen (1997), Meyenburg (2014), van der Miesen et al. (2018), Mukaddes (2012) e Tateno (2015; 2008).
Em 2018, uma revisão mostrou que 35% dos pacientes atendidos na clínica de identidade de gênero londrina Tavistok — de um total de mais de 1000 menores atendidos lá desde 2001 — tinham traços de autismo (ADAMS, 2018).
Finalmente, o Guia da Sociedade Brasileira de Pediatria admitiu:
Sabe-se que os transtornos de humor, transtornos de personalidade, uso e abuso de drogas e ansiedade são mais frequentes entre sujeitos com o diagnóstico de disforia de gênero, quando comparados com a população geral. O comportamento suicida também é maior, independentemente da presença de qualquer comorbidade psiquiátrica. (2019, p. 4)
3.6 Sobre raça e etnia
Dados demográficos oficiais para esta população ainda são escassos, principalmente para o Brasil. Entretanto, nos EUA, Flores et al. (2016) encontraram que as pessoas adultas que se identificam como trans tinham maior probabilidade de pertencer a minorias étnicas e raciais, principalmente de origem latina, do que a população adulta em geral. Esses dados falam especificamente da população adulta; por isso, podem não representar a situação dos jovens e crianças medicalizados aqui retratada. Também nos EUA, Rider (2018) encontrou que jovens de minorias étnicas representavam 41,3% daqueles em desconformidade de gênero, contra 28,5% dos demais, o que sugere que o desconforto com a identidade de gênero possa ser agravado por questões étnico-raciais.
4 Possíveis causas e efeitos
4.1 Cobertura midiática
Os meios de comunicação são responsáveis por formação de opinião, direcionamento de consumo e influência no comportamento de crianças, adolescentes e adultos. A abordagem da questão da incongruência de gênero, cada vez mais frequente na mídia, não foge a essa regra, contribuindo significativamente para o aumento do número de casos observado. Littman (2018) destacou como fator importante a exposição à internet e também chamou a atenção para o fato de que 37% dos casos faziam parte de grupos de amigos em que havia mais de um caso de disforia de gênero. A cobertura midiática, inclusive no Brasil, costuma acatar acriticamente as falas de médicos das especialidades beneficiadas pelo processo transexualizador, reproduzir estereótipos sexistas e negligenciar aspectos fundamentais da questão como os efeitos colaterais dos hormônios (RODRIGUES, 2017).
4.2 As “regras do jogo”
As rígidas normas sociais para cada sexo biológico, as quais poderíamos aqui conceituar resumidamente como “gênero”, são uma gama de rituais e símbolos complexos. Seu entendimento por parte de crianças e adolescentes é parte de um processo de individualização e subjetivação. É esperável que existam períodos de desacordo e confusão acerca dos mesmos principalmente com as mudanças fisiológicas intensas da puberdade e a forma como isso afeta a percepção do próprio corpo pode ser decisiva. Em entrevista à revista Crescer concedida em 2019, a psicóloga Elaine Di Sarno afirma:
Atualmente, as crianças tendem a observar e perceber como as diferentes características físicas são vistas pela sociedade, o que pode resultar na construção de um ideal, à medida que abstraem conceitos do que é valorizado como atraente, bem como do que tende a ser “rejeitado” na aparência física. Essa percepção voltada aos corpos dos outros e ao seu próprio corpo podem vir a gerar a satisfação ou insatisfação corporal, desde a infância.
Em 2019, o Dr. Marcus Evans pediu uma supervisão externa da Clínica Tavistock, em Londres, na qual foi observado um aumento de 400% no número de casos de incongruência de gênero em crianças nos últimos 5 anos (2014–2019) . Ao expor a gravidade da questão, ele destaca que a adolescência e a infância são períodos em que as pessoas se desenvolvem social e biologicamente — um período em que os jovens se identificam com diferentes grupos e com aspectos masculinos e femininos de si mesmos:
Há pressão da criança em estado de angústia, pressão da família e do grupo de colegas e dos lobbies pró-trans — e tudo isso pressiona o clínico que pode querer ajudar o indivíduo a resolver seu estado angustiado, indo junto com uma solução rápida […] Há muita coisa em jogo aqui, pois essas decisões têm consequências de longo alcance. (apud IVES, 2019)
O bullying também é um fator determinante nessa percepção distorcida. Um estudo de 2017 mostrou impactos diretos do bullying homofóbico em crianças como fator decisivo para o surgimento posterior de disforia de gênero (DELAY et al., 2017). O processo de subjetivação que direciona esses jovens para a transexualidade parece, portanto, ter origem extrínseca, na socialização e nos agentes socializadores:
Nenhuma criança se define como transgênero. Ela recebe esse rótulo de adultos, que na maioria das vezes são os próprios pais e, posteriormente, especialistas. As crianças estão amplamente imersas em suas fantasias e podem ter identificações lábeis; é preciso respeitar os movimentos identificatórios delas para poder obter uma saída saudável. (JORGE; TRAVASSOS, 2018, p. 115)
4.3 Heteronormatividade e não conformidade
A tentativa de corrigir comportamentos homossexuais através de tratamentos médicos e psicológicos está pautada por uma visão heteronormativa de ser. Essa conexão entre estereótipos de comportamento de gênero e sexualidade é lembrada em:
As performances de gênero, a sexualidade e a subjetividade são níveis constitutivos da identidade do sujeito que se apresentam colados uns aos outros. O masculino e o feminino só se encontram por intermédio da complementaridade da heterossexualidade. (BENTO, 2010, p. 173)
Exemplos da imposição da heteronorma são trazidos por membros da própria comunidade LGBT. Conejo, por exemplo, relembra:
De fato a psicóloga que mencionei declarou que eu tinha um transtorno de identidade de gênero […] Eu não fui o único patologizado por estes professores, psicólogas e psiquiatras, o foram também meus pais, e especialmente minha mãe. Figuras como as do ´pai ausente´ ou ´mãe super protetora´ não tardaram a aparecer como explicações depois teria que ser explicado) meu afeminamento. (2011 apud RODRIGUES, 2017)
A heteronormatividade enquanto um ideal também é encontrada no relato de uma pai que ganhou notoriedade na mídia brasileira por ter uma “filha trans”, atendida no Hospital das Clínicas de São Paulo. Na matéria, ele parece aliviado por descobrir que seu filho não era homossexual mas sim “uma menina no corpo de um menino” (THERRIE, 2017). Vemos essa mesma conexão na obra do ativista trans João W. Nery (2011). No trecho, fica evidente como a construção de sua própria transexualidade residiu em conflitos com sua sexualidade e os estereótipos de gênero:
Adorava as brincadeiras consideradas de menino. Era reprovado. Gostava de me vestir como os garotos, tentando rivalizar e competir com eles. Era ignorado. Tremia e me apaixonava pelas meninas, mas era impedido de me declarar. Meus sonhos eram ser um super-herói, mais tarde casar com uma princesa e ser pai. Era incompreendido. (apud RODRIGUES, 2017)
História semelhante à de João Nery é contada por Jô Lessa, também homem trans. Na adolescência, relatou à mãe seu interesse em uma amiga. As consequências foram traumáticas:
Ela me levou a uma clínica, disse que eu seria atendido por um psicólogo e assim aconteceu. Só que o psicólogo que me atendeu já estava orientado por ela no que fazer, como fazer e fez. […] Eu pensava assim até entender que naquela época eu apresentava sintomas de “homossexualismo”, pois estou relatando acontecimentos entre o final da década de 70 e início dos anos 80, ou seja, ela não precisava orientar o psicólogo para que o mesmo me internasse, esse procedimento constava no CID — Código Internacional de Doenças. (LESSA, 2016)
Jô passou por duas internações em clínicas no Rio de Janeiro, sendo submetido a “tratamentos” degradantes. Amanda Guimarães, youtuber conhecida como Mandy Candy, relata:
Mas os adultos, minha mãe, por exemplo, percebiam que eu não era um menino como meus irmãos. Por mais que eu brincasse de tudo com eles, como subir em árvore, guerrinha, lutinha etc., meu jeito era muito diferente, eu sempre fui muito delicada, meu jeito era feminino. […] E pra piorar tudo na minha cabeça, além da negação do meu corpo masculino, eu também não sentia atração por meninas […]. (2016, p. 19, 30)
Não obstante a lenta e gradual aceitação de gays, lésbicas e bissexuais na sociedade, precisamos ficar atentos para as novas roupagens que a homofobia pode assumir na contemporaneidade. Pelúcio e Miskolci (2009, p. 152) alertam:
O “fantasma” que rondou os leitos lascivos das décadas de 1980 e 90 não perdeu de todo o seu poder de assombro, mas desdobrou-se em muitas fobias materializadas em monstros sociais. Se a homossexualidade foi higienizada, em boa medida controlada em suas expressões mais rebeldes no modelo monogâmico-familiar, agora se avança na patologização de outros comportamentos.
Alguns grupos gays também começaram a se posicionar criticamente a este processo:
Esse processo (de feminilização) parece intensificar-se quando fazemos um recorte socioeconômico dessa situação: quanto mais na periferia, mais o jovem gay é empurrado ao polo de comportamento feminino, ao ponto de muitas vezes ser levado a crer que ele é “uma mulher presa no corpo de um homem”. Feminizar-se é exatamente o que a sociedade espera de nós, para que ela encaixe qualquer discordância com gênero na categoria oprimida e possa perpetuar os dois polos de comportamento que sustentam o patriarcado e a heterossexualidade compulsória. A grande mídia se aproveita disso, ao vender personagens estereotipados em suas produções que só reforçam essa imagem da bicha (GAYS PELA ABOLIÇÃO DE GÊNERO, 2015).
Assim, a feminilidade não é algo natural, nem para mulheres e nem para homens. Para Judith Butler (1993) “a feminilidade não é, então, a consequência de uma escolha, mas a citação forçada de uma norma, cuja complexa historicidade é indissociável de relações de disciplina, regulação, punição” ( apud SALIH, 2002, p. 125).
Ainda faltam mais dados sobre o fenômeno conhecido como “destransição” ou a reversão do processo de “transição de gênero”, mas Charlie Evans, jovem destransicionada e ativista lésbica, fundou a “A Rede de Defesa da Destransição” (“The Detransition Advocacy Network”) e afirma que o grupo tem sido procurado por centenas de pessoas nessa situação (apud SCULLY, 2019). Segundo ela:
Jovens lésbicas são excepcionalmente vulneráveis a esse tipo de ideologia, particularmente porque muitas apresentarão inconformidade de gênero. Somada à opressão do sexo feminino como um todo, muitas jovens lésbicas satisfarão os critérios necessários para utilizarem bloqueadores de puberdade a partir dos dez anos de idade. Existe alguma surpresa em um mundo que oprime lésbicas e idolatra homens heterossexuais que tantas meninas queiram ser homens? (EVANS, 2019)
Evans, em outro texto, revela seu temor em relação aos direitos das mulheres:
Esta não é a única forma em que corpos femininos são alterados pelo bisturi a fim de ajustá-los. Há enormes violações de direitos humanos de mulheres e meninas pelo mundo assim. Porém, poucas são encorajadas, mantidas, ou mesmo prescritas, pelos serviços de saúde e escolas e política governamental. Eu suspeito que essa seja a única violação como tal que é celebrada como progressista e liberal. Por isso é tão aterrorizante. (EVANS, 2019)
4.4 Padrões corporais e as nascidas meninas
Embora o maior número de transexuais representados na mídia seja do sexo masculino (mulheres trans) (GLAAD, 2018), o que os dados revelam é que isso vem mudando. Todos os estudos supracitados apresentam um crescimento no número de indivíduos do sexo feminino diagnosticados com incongruência de gênero. Em seu trabalho, Aitken et al. (2015) creditam isso ao fato de que a transição seria mais aceita em fêmeas, já que, segundo eles, haveria um custo social menor em ser homem trans. Contraditoriamente, os autores também argumentam que homens são mais intimidados quando “afeminados” do que mulheres por serem “masculinizadas” e que isso poderia afetar as decisões de transição.
Em 2016, em sua revisão denominada Será que os diagnósticos para transgeneridade na juventude colocam gays, lésbicas e bissexuais adultos em risco de intervenção médica desnecessária?, Kreher destaca a permissividade de médicos e pesquisadores destes estudos para com a questão e levanta algumas possíveis explicações para o fenômeno:
Eu argumentaria que foi negligente por parte dos autores deste estudo sequer considerar essa mudança de contexto com o fato de que as mulheres experimentam significativamente mais ódio em relação ao próprio corpo do que os homens. Isso se manifesta em mais cortes, dietas, anorexia, bulimia e cirurgia plástica. Labioplastia agora está se tornando mais popular entre adolescentes e mulheres jovens, de modo que seus órgãos genitais possam estar em conformidade com representações da pornografia. Todos estes comportamentos no sexo feminino costumavam ser inexistentes ou raros, mas tornaram-se populares através do contágio social devido ao aumento da atenção da mídia. Eu não estou dizendo que anorexia é o mesmo que disforia de gênero. Há semelhanças e há grandes diferenças.
É importante destacar que os índices de dismorfia corporal em crianças é 7 vezes maior em meninas do que em meninos (NHS DIGITAL, 2017), o que indica uma maior vulnerabilidade do sexo feminino à pressão por normatizações em relação aos seus corpos. A organização australiana Pretty Foundation, que busca promover a autoestima em meninas, aponta dados preocupantes: 38% das meninas de 4 anos se sentem insatisfeitas com seus corpos, 34% das meninas de 5 anos sentem vontade de fazer dieta e 68% delas já sofreu bullying por sua aparência física (2019). Ao passo que traços dessa visão distorcida do próprio corpo são assimilados à construção da feminilidade, isso também afeta jovens não-heterossexuais em conflito com essas normas. Rapazes gays e bissexuais relataram três vezes mais problemas relacionados a distúrbios alimentares do que os heterossexuais, e o mesmo estudo ainda mostrou que não há diferenças significativas entre moças heterossexuais e lésbicas e bissexuais na prevalência de qualquer um dos transtornos alimentares (FELDMAN, 2017).
4.5 Medicalização e mercado
Os efeitos colaterais dos hormônios artificiais que conferem características do outro sexo são conhecidos há décadas[4]* e, em relação aos que bloqueiam o amadurecimento dos corpos infantojuvenis,
Os bloqueadores de puberdade são indicados para o tratamento da puberdade precoce, porém ainda não é possível afirmar se são seguros para a fisiologia de crianças com saúde normal que apresentam disforia de gênero. O estudo com hormônios antagônicos em adultos revelou uma propensão ao desenvolvimento de doenças cardíacas, hipertensão arterial, trombose, acidentes vasculares, diabetes e câncer. (JORGE; TRAVASSOS, 2018, p. 114)
Além dos efeitos adversos, é impossível não registrar que pacientes que emendem o bloqueio puberal com os hormônios cruzados e, obviamente, os que se submetam a cirurgias de redesignação sexual, ficam permanentemente estéreis. Retomando um olhar histórico sobre a eugenia, reconhecemos o padrão de impedir que indivíduos com determinadas características físicas, mentais e comportamentais deixem descendentes. Um trabalho de 2013 já chamava a atenção para as complexidades ofuscadas por essa narrativa “de salvar as crianças do iminente desastre da puberdade” (SADJADI, 2013).
Apesar de muitas vezes ter seu pensamento utilizado como forma de justificar a noção de transsexualidade, Judith Butler se manifestou sobre a “disforia de gênero” na infância, citando o psiquiatra Richard Isay, referência em sexualidade e ele mesmo homossexual:
O diagnóstico, por si só, ele escreve, “pode causar dano emocional por ferir a autoestima de uma criança que não tem nenhum transtorno mental”. Isay aceita o argumento de que muitos jovens gays preferem, quando crianças, o assim chamado comportamento feminino, brincando com as roupas da mãe, recusando-se a participar de atividades rudes e conturbadas; no entanto, ele afirma que o problema aqui não se deve às características, mas às “repreensões dos pais, […] visando a modificar esse comportamento, que teriam efeito deletério sobre a autoestima desses garotos”. A solução que ele propõe é que os pais aprendam a dar apoio ao que ele chama de “características atípicas de gênero”. (2009, p. 103)
Atualmente, as principais substâncias utilizadas com a finalidade de bloquear a puberdade são a histrelina e leuprorrelina. Dentre os medicamentos cujo princípio ativo é a histrelina, os mais vendidos nos EUA são o VANTAS® e o SUPPRELIN®, segundo a PharmaCompass (2018). De acordo com o relatório anual da companhia, a receita com as vendas do SUPPRELIN® aumentaram 800% entre o período de 2010 e 2018 (ENDO PHARMARCEUTICALS, 2010; 2019). Ou seja, o aumento da prescrição e venda destes medicamentos acompanhou o aumento do número de diagnósticos para “TIG”/”disforia de gênero”/”incongruência de gênero” no mesmo período. E embora bloquear a puberdade de crianças rotuladas como trans não seja o único uso previsto para tais substâncias, há uma publicidade massiva na mídia para estas intervenções, as quais no Brasil, são oferecidas gratuitamente nos ambulatórios de identidade de gênero.
A quem interessa diagnosticar a desviância? A quem interessa patologizar como “incongruentes” meninos e meninas com determinadas preferências de brinquedos, vestuário e amizades? A quem interessa medicalizar a homossexualidade, modificando, por vezes de maneira irreversível, os corpos de gays e lésbicas e esterilizando-os antes que cheguem à idade adulta? À erradicação da homossexualidade visível, para que estes indivíduos sejam vistos como heterossexuais? Quem protege o menino que brinca de ser princesa e a menina que se recusa a usar vestidos? A quem interessa a manutenção de homossexuais como nichos de mercado de profissionais de saúde e laboratório, sejam os homossexuais reais, sejam os assim presumidos na infância por conta dos comportamentos desviantes? Para Sheila Jeffreys e Lawrence Mass, através do diagnóstico de “transtorno de identidade de gênero” em crianças e adolescentes, a psiquiatria norte-americana continua sutilmente engajada em terapias de controle social e “cura” da homossexualidade (2003, p. 47).
Até que ponto interesses econômicos não estariam moldando a nossa forma de ver a questão, em especial os de quem detém o poder de prescrever fármacos e os que comercializam fármacos? Bilek (2018) observou a influência de interesses financeiros de conglomerados farmacêuticos, instituições filantrópicas e personalidades milionárias nas pautas do ativismo trans, inclusive, através do financiamento estratégico de universidades americanas e canadenses. Na política, como Hadfield (2019) relata, o grupo britânico Lib Dems recebeu do laboratório Ferring Pharmaceuticals, que fabrica bloqueadores de puberdade, mais de £300.000,00, entre 2018 e 2019, somando £1.454.258,27 entre 2012 e 2019 (BBC, 2019). O Lib Dems se comprometeu com reivindicações de grupos trans, inclusive para menores de idade. Em seu site, le-se: “O direito de pessoas transgênero — e especialmente crianças transgênero — de receber os cuidados médicos adequados está cada vez mais sob ameaça de múltiplas frentes” (LGBT+ LIBERAL DEMOCRATS, 2015).
5 Considerações finais
Os estudos indicam que sujeitos homossexuais e bissexuais são parte significativa dentre os que receberam e recebem diagnósticos do que se denomina atualmente incongruência de gênero. Apesar da despatologização formal da homossexualidade em 1973 pelo DSM, muitos destes sujeitos ainda são, na prática, medicalizados através desse diagnóstico e das intervenções corporais. A chamada “afirmação de gênero” vem acontecendo cada vez mais cedo, adequando menores de idade à heteronorma antes mesmo que eles tenham tempo para se perceberem, ou não, como gays, lésbicas e bissexuais. Isso nos faz pensar se o processo medicalizador que se desenvolveu a partir do século XIX com o objetivo de “curar” homossexuais — em vão, obviamente — continua vigente e também se não estaríamos individualizando em diagnósticos questões coletivas como a dificuldade de acolhimento por parte das famílias, escolas e sociedade em geral das meninas e meninos “fora da caixa”. Convidamos a comunidade acadêmica a refletir sobre este tema e se engajar em práticas que protejam a humanidade, a saúde e os afetos de crianças, em especial das que desafiam os padrões estabelecidos.
[3] Entre outras, as Diretrizes para os cuidados primários e de afirmação de gênero de pessoas trans e não-binárias de gênero, da Universidade da Califórnia (DEUTSCH, 2016), e o Parecer n.º 8 de 2013, do Conselho Federal de Medicina.
[4] Ver: <http://www.nocorpocerto.com/efeitos-colaterais/>.
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Olá, como vão vocês? Eu acompanho a página do Facebook e o portal já há algum tempo, e tenho refletido bastante sobre a necessidade de organização política dos gays abolicionistas de gênero. Penso que a organização política - para além dos grupos virtuais de disputa da própria comunidade gay. Desse modo, gostaria de saber se os organizadores têm indicações de grupos, coletivos, organizações ou comunidades, a fim de possibilitar troca de experiências e de organização política. Desde já agradeço!
Olá! Me desculpe a demora em responder.Infelizmente, não sei te dizer um grupo organizado onde vc possa ser acolhido.mas no nosso twitter talvez vc encontre outras pessoas q pensam como nós :)
https://twitter.com/GayAntiQueer
Querido, acredito que seja você o cara da foto que está viralizando. Primeiro, eu queria dizer que sinto muito por todo esse hate desnecessário que você está sofrendo. Em segundo, queria dizer que estou ao seu lado. Eu, como homem gay, fiquei muito feliz de saber que não estou sozinho nas ideias de abolição de gênero e ver sua foto com aquela placa fez meus olhos brilharem, pois admirei muito a sua coragem de expor seu ideal. É importantíssimo somarmos forças. Meu Twitter @_daardo. Um abraço
Oi querido <3 Estou bem! Foi um grande susto, mas to mais produtivo do que nunca!
estamos no twitter agora também https://twitter.com/GayAntiQueer
Tradução: Está na hora de 'LGB' e 'T' seguirem caminhos separados
Original: https://quillette.com/2019/10/26/its-time-for-lgb-and-t-to-go-their-separate-ways/
Publicada em 26 de outubro de 2019
escrito por Brad Polumbo.
A crescente brecha entre ativistas cada vez mais radicalizados pelos direitos dos transgêneros e as comunidades de lésbicas, gays e bissexuais (LGB) finalmente se tornou pública. Esta semana, a maior organização de direitos LGBT da Europa, a instituição de caridade Stonewall, com sede em Londres, foi acusada publicamente de subordinar os direitos LGB ao objetivo cada vez mais decidido do grupo de substituir sexo por gênero como um marcador de identidade. Como Helen Joyce escreveu recentemente no Standpoint, “Stonewall apostou na auto-identificação de gênero. Seu glossário on-line agora descreve o sexo biológico como "atribuído ao nascimento" (presumivelmente por uma parteira com um Chapéu Seletor no estilo de Hogwarts). "Gay" e "lésbica" agora significam atração pelo mesmo gênero, não pelo mesmo sexo. "Transfobia" é o "medo ou aversão a alguém com base no fato de ser trans, incluindo a negação / recusa em aceitar sua identidade de gênero." Em um golpe, qualquer um que se declara atraído exclusivamente por pessoas do mesmo sexo tornou-se um fanático. "
Como gay que mora nos Estados Unidos, não tenho participação direta na política intra-LGBT da Grã-Bretanha. (“LGB / T” agora pode ser um termo mais adequado.) Mas estou surpreso que tenha demorado tanto tempo para ocorrer uma violação tão formal. As mesmas pressões foram aumentando em todos os lugares, e foi apenas uma questão de tempo até alguém agir sobre elas.
Depois que a Suprema Corte dos EUA legalizou o casamento gay em todo o país na decisão histórica de 2015, Obergefell v. Hodges, muitos acreditavam que a luta pelos direitos dos gays começaria a diminuir. No entanto, isso não aconteceu. Em vez disso, o setor de advocacia LGBT simplesmente redirecionou sua equipe disponível, captação de recursos e retórica para outros projetos. Eu sei disso porque vi isso acontecer, tanto como estudante universitário, homem gay e defensor de igualdade de direitos.
Em um período relativamente curto, o movimento pelos direitos dos gays se fundiu com movimentos radicais de gênero e política de identidade no campus, para se tornar o movimento composto agora conhecido como "LGBTQ +" - lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer. e mais. Mesmo muitas pessoas dentro do movimento agora têm problemas para acompanhar todas as novas subcategorias contidas nesse sinal de adição. Uma versão da bandeira do arco-íris divulgada no ano passado tem 11 cores diferentes. O criador, Daniel Quasar, identifica-se como uma “semelhança não binária estranha”, cujos pronomes são “xe / xem / xyr”. Nenhum desses neologismos bizarros tem ressonância para aqueles de nós que ingressaram no movimento pelos direitos dos gays simplesmente para afirmar e proteger os direitos básicos das pessoas de serem quem são e amar quem elas escolherem sem estigma ou sanção legal. Fomos forçados a assistir à simples lógica moral da não discriminação ser transformada em uma sopa de alfabeto auto-paródica de identidades inventadas.
Nos últimos meses, um debate presidencial democrata focado em questões LGBT foi marcado por uma transgênero desonesta que gritou slogans sobre direitos trans, enquanto os candidatos e moderadores concordavam roboticamente. O candidato presidencial Joe Biden pediu prisões unissex, uma política que, se implementada, levaria ao estupro de mulheres presas. A senadora Kamala Harris, outra democrata concorrendo à presidência, chegou a ser criticada por ousar sugerir que a gravidez é uma questão de “mulheres” - já que agora está na moda destacar o fato de que homens trans e “não binários” também podem ter filhos. .
Em seu recente especial Sticks and Stones da Netflix, o comediante Dave Chappelle quase foi cancelado por apontar o crescente distanciamento entre as comunidades LGB e trans (a quem ele se referia coletivamente como "pessoas do alfabeto"). Sendo este um tópico proibido, a revista digital Vice de ultra-acordado, fez uma crítica contundente do especial, mais tarde ecoada por outros veículos progressistas, como Salon. Ativistas LGBT censuraram Chappelle por sua suposta transfobia no Twitter, apesar do fato de os próprios espectadores terem atribuído ao programa uma classificação de 99%. Agora, esse é um padrão típico: sempre que alguém entra em conflito com a ortodoxia de gênero, a classe oficial dos especialistas precisa fingir que está chocada, um conceito difícil de sustentar quando sites como o Rotten Tomatoes fazem das avaliações populares uma questão de registro público.
Chappelle usou a analogia de uma viagem de carro compartilhada pelos passageiros G, L, T e B. Os Gs estão dirigindo, com os Ls no banco do passageiro. Os Ts estão nas costas. "Todos no carro se ressentem dos Ts", diz Chappelle. "Os Ts estão fazendo a viagem demorar mais." Os comediantes e ativistas trans, que se acostumaram a ocupar um lugar de destaque na hierarquia interseccionalista, estavam em pé de guerra. Mas Chappelle deixou bem claro que ele não tinha animus em relação a ninguém na comunidade LGBT: o alvo de sua sátira não era um grupo único, mas o conceito cada vez mais ridículo de que todas essas "pessoas do alfabeto" são felizes companheiros de viagem. Os direitos LGB e o ativismo T revelaram ser companheiros de natureza não naturais, e é inevitável que, como está acontecendo na Grã-Bretanha, eles sigam caminhos separados.
Gays, lésbicas e bissexuais têm algo em comum óbvio: atração pelo mesmo sexo. Essa é uma orientação sexual alternativa que, pelo menos até certo ponto, molda nossas experiências e altera nossos resultados de vida. Normalmente, nos identificamos com nosso sexo biológico - e, de fato, às vezes passamos muitos anos nos sentindo presos a ele. Ser gay é entender que o sexo é definido no nascimento. Minha atração sexual, da mesma forma, é baseada em fatores conectados além do meu controle.
Transgenerismo é um conceito separado. Enquanto a homossexualidade leva a diferenças óbvias no comportamento da vida real, o transgenerismo oferece uma redefinição categorizada do que significa ser homem ou mulher. Como Joyce descreve, uma "identidade de gênero" é um conceito quase espiritual - quase como uma alma - que é "algo entre uma essência interna, conhecível apenas pelo seu possuidor, e aparência e comportamento estereotipicamente masculino ou feminino".
Os ativistas dos direitos dos gays simplesmente querem que a sociedade aceite seus diferentes modos de viver e amar - já que gays e lésbicas buscam interesses românticos e constroem famílias de maneiras que estão em desacordo com as expectativas heterossexuais convencionais. Os seguidores da teoria radical de gênero, por outro lado, exigem que todos rejeitemos nossa compreensão básica do sexo biológico em favor de uma noção abstrata recentemente conceitualizada de identidade humana.
Obviamente, a ideia de transgenerismo por si só não é nova - nem é (perfeitamente válida e justa) a exigência de que pessoas com disforia de gênero sejam tratadas com decência e respeito. Mas a forma original dessa demanda foi baseada na idéia muito mais razoável de que o gênero é uma construção social distinta do sexo biológico. Não foi contestado que uma mulher trans é um humano biologicamente masculino que se identifica com as normas sociais tradicionalmente associadas à mulher. Mas, nos últimos anos, ativistas transgêneros exigiram que sexo e gênero fossem confundidos e que a própria idéia de diferenças biológicas inatas fosse levada a segundo plano. No extremo mais absurdo, agora existem atletas e estudiosos que sugerem seriamente que o homem não oferece vantagens físicas competitivas em relação ao sexo feminino, uma proposição que mesmo as crianças pequenas sabem ser desequilibradas.
Um dos elementos perturbadores embutidos nessa defesa é a demanda de que as mulheres - lésbicas, mais especificamente - se tornem sexualmente disponíveis para mulheres trans, na teoria absurda de que a identidade de gênero, não o sexo, é a verdadeira fonte de atração humana. Como observa Jonathan Best, Stonewall agora definiu “homossexualidade” como se referindo a “alguém que tem uma orientação emocional e / ou sexual emocional em relação a alguém do mesmo gênero.
"Você viu o que aconteceu lá?", Escreve Best. “A atração pelo mesmo sexo se tornou uma atração pelo mesmo gênero. Isso pode parecer acadêmico. Mas reserve um momento para refletir sobre o que isso significa no contexto da afirmação de identidade de gênero de Stonewall. Stonewall está afirmando que as lésbicas são atraídas por qualquer pessoa com uma identidade de gênero feminina, seja ela biologicamente masculina ou feminina. Isso transforma o desejo de gays e lésbicas em transfobia. Sou gay, sou atraído por corpos masculinos, não pessoas que desempenham papéis de gênero masculino. E sim, isso significa que eu gosto de genitais masculinos. (Eu realmente gosto). Os ativistas trans argumentam que minha homossexualidade focada no sexo é transfóbica. Eu vi ativistas trans comparar o desejo gay não trans inclusive com o racismo e descrever a sexualidade gay como "problemas genitais". "
Nos Estados Unidos, a Câmara dos Deputados, controlada pelos democratas, aprovou a Lei da Igualdade, um chamado projeto de lei LGBT que proíbe a discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero. Esse é um objetivo nobre que parece estar de acordo com o maior legado de direitos civis da América. Mas a lei redefine explicitamente o sexo biológico sob a lei federal, de acordo com a identidade de gênero autodefinida - de modo que poderia facilmente permitir uma série de consequências adversas. E como vimos no Canadá, onde uma mulher trans tentou aproveitar a lei de direitos humanos para forçar esteticistas imigrantes a depilar seu escroto e pênis "feminino", as vítimas desse movimento tendem a ser mulheres.
Mesmo sob a legislação atual dos EUA, o Título VII da Lei dos Direitos Civis serve para proibir a discriminação com base em “raça, cor, religião, sexo ou origem nacional”. Os ativistas estão argumentando que a identidade transgênero é protegida sob a referência da lei a “sexo , "Mesmo que a" identidade de gênero "não seja mencionada em nenhum lugar da lei. Os ativistas trans também estão exigindo apoio do governo para políticas que sujeitem crianças confusas em relação ao gênero a hormônios potencialmente esterilizantes e outras terapias agressivas. Seus direitos também estão sendo sacrificados no altar da auto-identificação de gênero.
A redefinição de sexo como gênero é um passo que a maioria das pessoas - mesmo os membros mais bem-intencionados e humanos da sociedade – simplesmentes nunca aceitará, não importa quais leis os ativistas conseguirem aprovar. E o esforço para empurrar essa doutrina goela abaixo de pessoas comuns manchará qualquer movimento que insista em tais mantras. Enquanto ativistas autodeclarados “LGBT” exigirem que um homem com disforia de gênero seja “realmente” uma mulher, muitas pessoas que aceitam o contrário permanecerão contra ou pelo menos céticas em relação ao movimento mais amplo.
Como jornalista de centro-direita, conheço dezenas de jovens conservadores, particularmente mulheres, que são completamente abertos e aceitam seus amigos gays e lésbicas e apóiam os direitos dos gays; mas simplesmente não aceitará que um homem possa ser uma mulher, mesmo se forçado a dar um beijo de boca nesse mantra como condição para passar em cursos de treinamento de sensibilidade ou usar as mídias sociais. Muitos veículos de notícias progressistas ficaram horrorizados quando novas pesquisas mostraram que "os jovens estão ficando menos tolerantes com os indivíduos LGBTQ". Mas um olhar mais atento à metodologia da pesquisa revelou que, na maioria das perguntas, eles eram questionados sobre "pessoas LGBTQ", não pessoas gays. O apoio à “igualdade de direitos” permaneceu estável, mas o conforto em relação às pessoas “LGBTQ” diminuiu. Notavelmente, a pesquisa constatou que os níveis de conforto em torno de "um casal do mesmo sexo de mãos dadas" permanecem praticamente inalterados. Embora esteja na moda fingir o contrário, o T é o problema.
Para repetir o que escrevi acima, as pessoas transexuais merecem ser tratadas com dignidade e respeito. E me posicionei fortemente contra políticas anti-trans (como a proibição de soldados trans nas forças armadas dos EUA). Dizer que essas duas causas - LGB e T - devem se separar não significa que uma tenha valor e a outra não. Estou simplesmente observando que seus objetivos estão em desacordo. Como o escritor gay Andrew Sullivan escreveu recentemente na revista New York:
A verdade é que muitas lésbicas e gays estão bastante apegados ao conceito de sexo como uma coisa natural, biológica e material. E os gays são definidos por nossa atração por nosso próprio sexo biológico. Somos homens e atraídos por outros homens. Se o conceito de homem é desconstruído, de modo que alguém sem pênis é homem, então a própria homossexualidade é desconstruída. As pessoas trans não representam ameaça para nós, e a grande maioria dos gays e lésbicas apóia de coração as proteções para as pessoas trans. Mas a ideologia transgenderista - incluindo concepções pós-modernas de sexo e gênero - é de fato uma ameaça à homossexualidade, porque é uma ameaça ao sexo biológico como conceito.
O escritor canadense Sky Gilbert, um escritor gay, argumentou de forma semelhante em Quillette, observando que ativistas transgêneros estão cada vez mais dizendo às crianças pequenas que podem se tornar gays ou lésbicas que sua expressão efeminada ou butch é realmente um sinal de uma alma transgênero presa em o corpo errado: “Até as últimas décadas do século XX, se os pais pegassem o filho brincando com bonecas, eles poderiam suspeitar que ele era gay. E se ele crescesse e fosse adulto com desejo pelo mesmo sexo, iria a um psiquiatra em busca de ajuda. Agora que separamos sexualidade (espuriosamente) de gênero, um pai que pega seu filho brincando com bonecas fará uma viagem a um psiquiatra - mas desta vez por diferentes razões: o pequeno ele pode ser a pequena ela . ”
A idéia de sexo biológico está no cerne da identidade gay - da minha identidade gay - e das definições estereotipadas da expressão de gênero que o movimento transgênero ignora a existência de homens e mulheres que expressam seu gênero de maneiras não-ortodoxas sem realmente serem transgênero. A maioria dessas pessoas simplesmente cresceu e se tornou gay. Exigir que essas crianças sejam rotuladas como disfóricas de gênero é essencialmente uma forma de terapia de conversão acordada. Nós, homossexuais, experimentamos bastante desse comportamento fóbico da direita socialmente conservadora. Não temos interesse em sermos forçados a
nos alimentar com outra porção da esquerda progressista.
Tradução: Uma lição de Educação Sexual do Mississippi e da Nigéria
Rachel Sullivan Robinson
Original: https://theconversation.com/sex-education-lessons-from-mississippi-and-nigeria-96334
Baseado no artigo: https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/17441692.2018.1449000?journalCode=rgph20
A Nigéria e o Mississippi estão a um mundo à parte fisicamente, mas o estado rural americano e o país africano têm muito em comum quando se trata dos obstáculos que tiveram que superar para implementar a educação sexual em suas escolas.
Três lições sobre a superação desses obstáculos resultam da pesquisa que vários colegas e eu conduzimos sobre como a educação sexual surgiu na Nigéria e no Mississippi.
As lições são particularmente relevantes para lugares similarmente religiosos e conservadores, onde as pessoas freqüentemente se preocupam - como fazem em todo o mundo - de que ensinar os jovens sobre contracepção e preservativos os tornará mais propensos a fazer sexo. As lições também surgem quando os próprios Estados Unidos estão envolvidos em uma controvérsia sobre se devem financiar a educação sexual abrangente ou enfatizar a abordagem apenas da abstinência. Mais da metade dos estados dos EUA exigem que a educação sexual enfatize a abstinência. A educação sexual abrangente em países africanos e outros países em desenvolvimento é mais uma exceção do que a regra.
Educação sexual não causa mais sexo:
Embora as pessoas frequentemente se preocupem com o fato de a educação sexual levar à promiscuidade, as evidências não apóiam a noção de que a educação sexual torna os jovens mais ativos sexualmente - pelo menos não nos Estados Unidos ou na África.
Apesar do fato de que a educação sexual abrangente demonstrou proteger a saúde do adolescente, pode ser difícil dissipar os temores de que isso corrompa os jovens e reduza a autoridade religiosa e dos pais. Isto é particularmente verdade em lugares socialmente conservadores.
Abordagens diferentes:
Nem toda educação sexual é criada igual. O padrão-ouro de uma perspectiva de saúde é referido como educação sexual “abrangente”. O Conselho de Informação e Educação em Sexualidade dos Estados Unidos define isso como “informação medicamente apropriada, apropriada à idade, sobre um amplo conjunto de tópicos relacionados à sexualidade, incluindo desenvolvimento humano, relacionamentos, tomada de decisões, abstinência, contracepção e prevenção de doenças”.
Foi demonstrado que a educação sexual abrangente adia a idade do primeiro encontro sexual, aumenta o uso de preservativos e contracepção e reduz as taxas de gravidez na adolescência e infecções sexualmente transmissíveis.
A educação sexual abrangente é muito diferente da educação somente para abstinência. A educação somente de abstinência, nos melhores cenários, ensina as mesmas habilidades de vida, mas sem referência à contracepção. A maioria das pesquisas sobre educação somente para abstinência descobre que ela é menos eficaz do que a educação sexual abrangente em retardar o primeiro encontro sexual, aumentando o uso de preservativos ou reduzindo o número de parceiros sexuais.
Mesmos problemas, lugares diferentes:
Por que comparar experiências de educação sexual em um estado médio dos Estados Unidos com aquelas do país mais populoso da África? Acontece que o Mississippi e a Nigéria compartilham algumas semelhanças importantes.
O Mississippi está entre os estados dos EUA com as taxas mais altas de gravidez na adolescência. Na Nigéria, quase um quarto das mulheres começou a ter filhos aos 19 anos.
O Mississippi e a Nigéria também são altamente religiosos e rurais. Ambos também têm sistemas de educação e saúde subfinanciados. Apesar destas condições, a Nigéria mandatou o ensino de educação sexual em 2001. No entanto, a implementação não começou a valer até 2011 com o apoio de um subsídio do Fundo Global de Luta contra a AIDS, Tuberculose e Malária. Naquela época, o currículo havia mudado de abrangente para apenas abstinência. O Mississippi exigiu que os distritos escolares implementassem a educação sexual até 2012, mas sob condições igualmente restritivas.
O júri ainda está fora dos efeitos da educação sexual no Mississippi e na Nigéria. No entanto, existem algumas evidências positivas para ambos os lugares. Por exemplo, no Mississippi, mais de três quartos dos instrutores pesquisados em 2015 acreditavam que a educação sexual estava promovendo relacionamentos saudáveis. E em quatro estados da Nigéria, os pesquisadores concluíram que o currículo aumentou a confiança dos alunos para recusar sexo indesejado.
Três lições sobre a superação de controvérsias em torno da educação sexual surgiram da minha pesquisa na Nigéria e no Mississippi.
Organizações locais são cruciais:
Primeiro, organizações locais fortes são necessárias para promover a educação sexual. Em ambos os lugares, organizações locais se uniram, conectaram pessoas e deram legitimidade à idéia de ensinar educação sexual. Crucialmente, essas organizações foram apoiadas por financiamento de doadores privados ou do governo federal.
A Women's Foundation of Mississippi (Fundação das Mulheres do Mississippi) financiou e publicou um relatório mostrando o custo da gravidez na adolescência para os contribuintes. O Centro para a Política de Saúde do Mississippi apoiou uma pesquisa de 2011 que mostrou que os pais apoiavam maciçamente a educação sexual. O Mississippi treina primeiro seus professores em educação sexual abrangente. Isso também ajuda a canalizar recursos do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA para distritos escolares que ensinam currículos de educação sexual baseados em evidências.
Na Nigéria, a Action Health Incorporated liderou uma coalizão de ONGs, associações profissionais, organizações doadoras e ministérios federais para formar uma força-tarefa. A força-tarefa ajudou a redigir diretrizes para a educação sexual em 1996 que levou à adoção do currículo em 2001. A Associação para Saúde Reprodutiva e Familiar liderou a implementação nacional do currículo com o apoio do Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária. Uma cura para os males da sociedade:
Em segundo lugar, para promover a educação sexual, essas organizações apresentaram a educação sexual como uma solução para os problemas sociais. No Mississippi, o problema foi identificado como o custo do imposto de renda para adolescentes. Na Nigéria, foi a epidemia de HIV / AIDS. O Centro de Política Econômica do Mississippi descobriu em 2011 que o custo de gravidez entre condôminos para adolescentes dos contribuintes era estimado em US $ 155 milhões em 2009. Esse custo foi devido à perda de receita fiscal, assistência médica, assistência pública, assistência social e outras despesas. . Na Nigéria, os dados do final dos anos 90 indicaram que 2 a 4 milhões de nigerianos - aproximadamente 5% da população adulta - eram seropositivos. Muitos temiam que a epidemia da Nigéria se assemelhasse aos do sul da África. A educação sexual, que prometia reduzir a gravidez na adolescência e reprimir a transmissão do HIV, servia como uma solução para esses problemas. Compromisso é necessário:
Terceiro, aqueles que promovem a educação sexual são estratégicos. Os defensores estenderam-se aos líderes religiosos, funcionários da escola e pais, a fim de acalmar seus medos sobre ensinar seus filhos sobre sexo. E eles fizeram questão de enfatizar que a educação sexual era sobre saúde e habilidades para a vida. Ainda assim, no Mississippi e na Nigéria, os apoiadores tiveram que se comprometer com o conteúdo do currículo. Eles concordaram em mudar palavras e remover seções controversas. Consequentemente, no Mississippi, os distritos escolares podem optar por ensinar currículo somente de abstinência. Demonstrações de preservativos não são permitidas e o currículo deve ser ministrado em salas de aula separadas por gênero. Na Nigéria, o nome do currículo foi alterado de “National Comprehensive Sexuality Education Curriculum” (Currículo Nacional de Educação Abrangente em Sexualidade) para o mais eufemístico “Family Life and HIV Education” (Educação para Família, Vida e HIV). Além disso, vários estados mais conservadores removeram as palavras “sexo” e “peito”, como bem como imagens que mostram infecções sexualmente transmissíveis. Embora não haja uma maneira universal de garantir o acesso à educação sexual, as experiências na Nigéria e no Mississippi mostram que isso pode ser feito - mesmo em lugares que são mais resistentes à ideia.
Tradução: A complicada política do Twink
Brian O'Flynn
Texto original: https://i-d.vice.com/en_uk/article/evkdjp/the-complicated-politics-of-the-twink?utm_campaign=global&utm_source=idfbuk
16 DE MAIO DE 2018, 08:02
Se realmente entramos na Era do Twink, precisamos entender a dor que o corpo de Twink suportou e a dor que ela ajuda a perpetuar.
Esta semana, o New York Times relatou que havíamos entrado em uma nova época cultural - a Era da Twink. Eles citaram muitos exemplos de jovens esbeltos e brancos surgindo na cultura popular este ano como evidência do alvorecer dessa apreciação popular, incluindo Timothée Chalamet, Olly Alexander, Troye Sivan e outros. Mais curiosamente, eles distinguiram entre “twinks gays” e outros tipos de twink, incluindo atores heterossexuais do filme Dunkirk. Esta dicotomia é a-histórica - o twink é quintessencial e exclusivamente gay, tão fundamental para o nosso léxico quanto o fundo, e tão misterioso para a maioria das pessoas heterossexuais. Mas este não foi o único revisionismo na peça. Sua simplicidade obscurece a complicada política do corpo de twink no contexto da homossexualidade, a dor que ela suportou e, de fato, a dor que ela ajuda a perpetuar.
A origem do termo twink é atribuída ao lanche de pão de ló americano com recheio de creme - uma referência grosseira ao estereótipo de homens gays jovens e afeminados passivos e, portanto, cheios de porra. Embora a linguagem só recentemente tenha conseguido lidar com o Twink, o conjunto de relações sociais que ela encapsula é anterior à própria América. Na Grécia antiga, ainda mais crucial para a coesão social do que a relação reprodutiva entre homem e mulher, era a relação sexual e didática entre homem e adolescente. A pederastia ateniense foi formalmente reconhecida e até celebrada, mas foi estritamente policiada - esperava-se que o homem ficasse com seu filho entre as coxas, sem penetração anal. Receber sexo anal era profundamente estigmatizado e pensava-se em impedir a evolução do menino para a idade adulta. Os eromenos adolescentes da antiga Atenas foram talvez as primeiras encarnações do clichê de twinks na história registrada, e ainda perduram hoje, imortalizadas em relíquias decorativas.
A dicotomia grega do homem e do menino evoluiu, mas, como as relíquias, ela e seus estigmas sobreviveram. Pode ser rastreado até 2018, para as tribos que você pode selecionar no Grindr. Você é um twink ou você é um papai? O fato de que o aplicativo gay mais popular do planeta espera que você se classifique por um conjunto de arquétipos sexualizados revela muito. Esse policiamento social estrito ainda molda a vida dos homens gays hoje.
Desde quando primeiro tropeçamos nas águas turvas da pornografia na internet como adolescentes desajeitados, protegendo as telas de nossos computadores furtivamente dos olhos curiosos de nossos pais, ficamos impressionados com essa categorização de corpos. Pornhub Gay oferece categorias incluindo Bear, Daddy, Jock, Twink - invariavelmente, os homens musculosos, masculinos e peludos são escalados como ativos e os homens delgados, femininos e jovens como fundos. O masculino é dominante, o feminino é submisso - essa mensagem é perfurada e martelada (* piscadela maliciosa) em nossos cérebros a partir do momento de nossos despertares sexuais.
Homens gays jovens efeminados entendem que devem ser vistos como objetos sexuais - isso é, se tiverem a sorte de serem procurados. No Grindr, em uma tendência que agora é notória, homens gays masculinos usam a abreviatura Masc4Masc em seus perfis para indicar que eles estão apenas buscando sexo com “homens de verdade” - grandes, musculosos, cabeludos e heteronormativos. É comum encontrar homens orgulhosamente declarando-se "tops masc", como se para ser um fundo feminino é grotesco ou menor de alguma forma. A menor vergonha da Atenas antiga perdura. Essa desumanização e auto-ódio internalizado de dentro da comunidade gay agravam um sentimento de inutilidade visitado no corpo de twink pela sociedade homofóbica. Twinks são estereotipicamente caracterizados por traços femininos, e essa feminilidade é um pára-raios para o abuso homofóbico. Os twinks femininos são os alvos óbvios da violência - veja Matthew Shepard. Quando criança, ele era frequentemente “alvo de provocações devido à sua pequena estatura e falta de atletismo”. A brutalidade de sua tortura e assassinato nas mãos de bandidos homofóbicos é uma página de pesadelo na história gay.
Homens gays jovens afeminados buscam consolo nos clichê reducionistas que nos são oferecidos, na esperança de encontrar algum senso de lugar na comunidade gay, mesmo que isso signifique ser envergonhado e objetivado. A glorificação de topos de ação direta dentro da comunidade adiciona insulto à lesão de ser bodes expiatórios para a homofobia externa. Modelos cintilantes como Olly Alexander e Troye Sivan, que se apresentaram nos últimos anos e celebraram sua feminilidade, estão fazendo um trabalho positivo reduzindo o estigma da femmefonia. O recente single de Sivan Bloom foi saudado como um hino de fundo, e o Sanctify de Alexander insinua a submissão ao sexo, enquanto Olly zomba do clichê masc4masc: “Você não precisa ser direto comigo, eu vejo o que está por baixo do seu masc” .
É verdade que o corpo de twink historicamente tem sido um locus para a opressão da feminilidade e a violência da homofobia, e que atualmente estamos vendo alguns modelos maravilhosos de Twink começarem a dissipar a femmefobia no mainstream - talvez seja isso que o Times buscou. para representar com o conceito da Era do Twink. Mas deixou um gosto ruim em muitas bocas gays. Embora reconhecendo alguns aspectos da política gay, essa declaração reducionista apaga uma estrutura de poder muito mais complicada, muitas camadas, que está por trás do corpo de twink - o twink ocupa uma posição de poder abaixo de certos corpos, mas crucialmente, acima de outros.
O problema vai além dos fundos femininos sendo envergonhado como uma extensão da misoginia do patriarcado. O problema é que assumimos que os homens femininos são os primeiros. A necessidade que tudo consome de se conformar aos arquétipos pune todo homem gay - por que, milhares de anos depois da Grécia Antiga, nós ainda nos curvamos a um ideal heteronormativo de um ativo masculino e um passivo feminino? Isso é um mimetismo do determinismo biológico que dominou o pensamento acadêmico e que, desde então, foi invalidado pela teoria queer - sua presença prolongada nos prejudica e alimenta a transfobia. Os papéis sexuais não precisam estar associados ao tipo de corpo. Por que nós assumiríamos automaticamente que um jovem esbelto quer levar um pau? A suposição de que as características sociais de um gênero determinam a posição sexual de uma pessoa é uma heurística tóxica e um absurdo imortal. Nós não precisamos pensar em binários. A dupla daddy-twink também não é unidirecional em sua opressão. A masculinidade tóxica que procura impor ao macho de passagem direta é traumatizante para ele também.
Mais crucialmente, a existência dessa díade assume apenas dois tipos de corpos. O macho magro, feminino, branco e o macho branco musculoso e masculino. Todos os outros tipos de corpos são completamente apagados do panteão sexual. Como inúmeros usuários do Twitter ecoaram em indignação ontem: “Sempre tem sido a Era do twink” - o que eles querem dizer é que, embora o corpo de twink tenha sido oprimido por sua feminilidade, pelo menos foi reconhecido. Tantos outros tipos de corpos gays existem que são apagados pela glorificação dos twink - corpos gordos, corpos negros, corpos velhos. Se é realmente a idade de alguma nova liberação para o jovem, o avanço desta nova forma de adoração é um ônibus sob o qual todo tipo de corpo é jogado. Ainda mais comum do que a femmefobia no Grindr é o racismo, a fobia e o ageismo. Não é apenas "sem femmes", é "sem gorduras, sem rendas, sem asiáticos, ninguém com mais de 30 anos". O Grindr ainda oferece opções para filtrar por etnia, peso e tipo de corpo. O resultado é que inúmeros homens gays são aleijados com sentimentos de inadequação, precisamente porque eles não são twinks, porque eles não vivem de acordo com o ideal do corpo construído. As consequências dessa vergonha são de longo alcance - basta olhar para as taxas de transtornos alimentares, abuso de substâncias e tendências suicidas em homens gays. Até mesmo homens homossexuais magros que vivem de acordo com o ideal são forçados a se perguntar quando vão "envelhecer" - sob o paradigma dos twink, os humanos aparentemente têm datas de validade.
O filósofo Michel Foucault argumentou que a opressão da sexualidade nunca morreu. Embora parecesse evaporar depois dos tempos vitorianos, para ser substituído por uma cultura altamente sexualizada, essa nova cultura era, na verdade, apenas uma mutação da mesma velha regulação do corpo. Opressão, disse Foucault, se disfarça. Isso nunca foi mais evidente do que no suposto surgimento da Era da Twink - a glorificação do ideal de twink oprime simultaneamente aqueles que o incorporam, e todos os outros que não o encaram.
Tradução: Estereótipos rígidos de gênero estão ligados ao aumento da depressão, violência e suicídio em crianças
Texto original: http://www.marketwatch.com/story/rigid-gender-stereotypes-tied-to-increased-depression-violence-and-suicide-in-children-2017-09-20 Nova pesquisa em 15 países examina os efeitos do precoce de gênero
Publicado: 20 de setembro de 2017 às 02:03
Meninos são ensinados a ser agressores, enquanto as meninas são ensinadas a ser passivas.
Por KARIPAUL
Em todo o mundo, as expectativas específicas de gênero são colocadas em crianças de uma idade jovem - indo muito além do rosa para meninas e azul para meninos, criando danos duradouros na idade adulta, sugere uma nova pesquisa,.
Os meninos são ensinados a ser fortes e independentes enquanto as meninas são ensinadas a ser vulneráveis e educadas, um estudo publicado na quarta-feira no Journal of Adolescent Health encontou. Os pesquisadores realizaram entrevistas com 450 crianças, bem como seus pais ou responsáveis na Bolívia, Bélgica, Burkina Faso, China, República Democrática do Congo, Equador, Egito, Índia, Quênia, Malawi, Nigéria, Escócia, África do Sul, EUA e Vietnã .
Mesmo entre esses países mais distantes do estudo, os estereótipos permaneceram os mesmos, disse Robert Blum, diretor do Global Early Adolescent Study (Estudo Global do Início da Adolescência), baseado na Universidade Johns Hopkins, que realizou a pesquisa em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
"O mito de que as meninas são fracas e os meninos são fortes, que as meninas são vulneráveis e os meninos são agressivos, foi tão globalmente penetrante que a vimos jogar repetidas vezes em 15 países e nos cinco continentes", afirmou.
Os papéis de gênero são primeiro aprendidos em casa dos pais e depois são reforçados por outros guardiões, irmãos, colegas de classe, parentes, clérigos e treinadores, disse ele. Em quase todos esses países, os meninos foram ensinados a ser os agressores nas relações sexuais e românticas. Essas normas se fortaleceram no início da adolescência, levando a um maior número de meninas que abandonaram a escola ou sofreram violência física e sexual, casamento infantil, gravidez precoce, HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.
Os meninos também foram afetados negativamente pelos papéis de gênero, experimentando mais violência e maior risco de não se adequarem aos papéis masculinos estereotipados em comparação com as meninas, por não se conformarem com papéis femininos. "Os meninos também sustentam muitas conseqüências negativas - eles são mais propensos a beber álcool, se engajar em violência interpessoal e fumar cigarros", disse Blum. "Isso machuca a todos".
O estudo foi intitulado "Começar aos dez: como as expectativas de gênero formam a adolescência precoce em todo o mundo". No entanto, Deborah Best, uma professora de psicologia que estuda estereótipos de gênero na Universidade Wake Forest, disse que sua própria pesquisa sugere que crianças de até cinco anos já têm papéis de gênero determinados.
"As meninas recebem a mensagem de que não deveriam estar em papéis de liderança e os meninos recebem mensagem que precisam ser mais assertivos e agressivos". Diororah Best, professora de psicologia estudando estereótipos de gênero na Wake Forest University
Desta forma, as normas aprendidas cedo das crianças, mesmo antes de começar a escola, podem contribuir para problemas maiores na vida, como a diferença salarial entre os gêneros, que ainda persiste nos EUA e a violência interpessoal. Os pais devem ser informados sobre o impacto de seu comportamento e criar filhos com menos normas de gênero, disse ela. A educação também deve começar em uma idade mais jovem, disse Kristin Mmari, professor associado e pesquisador principal da pesquisa qualitativa no Global Early Adolescent Study.
"Os riscos para a saúde dos adolescentes são moldados por comportamentos enraizados em papéis de gênero que podem ser bem estabelecidos em crianças no momento em que têm 10 ou 11 anos", disse ela. "No entanto, vemos bilhões de dólares em todo o mundo investidos em programas de saúde para adolescentes que não começam até os 15 anos e então, provavelmente, é tarde demais para fazer uma grande diferença".
Dias de Hoje
Hoje em dia, ser Gay ou Lésbica não basta mais.
Afinal, todo mundo devia ser bissexual. Todo mundo nasce bissexual. "você tem desconstruir sua bifobia". "Você é um monossexual privilegiado". Afinal, um pouquinho de heterossexualidade compulsória nunca fez mal a ninguém.
Hoje em dia, ser Gay não basta mais.
Afinal, todo gay devia ser afeminado e lacrar muito. E escutar tal e tal música. E vestir a roupa assim. E usar maquiagem. E ser Drag Queen. Não, melhor: ser mulher! Mulher trans não binária, porque travesti é coisa de pobre. E quanto mais abraçar a feminilidade melhor. Afinal, se um pouquinho de heterossexualidade compulsória nunca fez mal a ninguém, um pouquinho de perpetuação de papéis de gênero também não há de fazer.
Hoje em dia, ser Lésbica não basta mais.
Afinal, você tem que escolher entre o sapatão e a sapatilha. Se escolher o sapatão, se prepara pra ser esquecida. Se escolher a sapatilha, se prepara pra ser comida viva. Ta desconfortável com seu corpo? Não se vê sendo uma mulher? Não tem problema. Nós temos a solução! Toma testosterona, amarra seus peitos, começa a se comportar 'que nem homem". Se comportar não. Você é um homem. Afinal, se um pouquinho de heterossexualidade compulsória e um pouquinho de perpetuação de papéis de gênero nunca fez mal a ninguém, um pouquinho (mais) de misoginia também não há de fazer.
Esse é lugar que o Capitalismo quer pra nós dentro de si: Diluídos, assimilados, invisíveis. Silenciados, maquiados, casados e bem comportados. Ignoradas, fetichizadas, maquiadas, depiladas e bem comportadas.
Ou assumimos que nossa sexualidade é um ato político de contestação e resistência que ameaça todo o sistema, ou estamos fadados sermos engolidos por ele.
Tradução: Juntos Sozinhos - A Epidemia da Solidão Gay
Original: http://highline.huffingtonpost.com/articles/en/gay-loneliness/ Por Michael Hobbes “Eu ficava tão feliz quando a metanfetamina acabava.”Esse é meu amigo Jeremy,“Quando você tem”, ele diz, “você tem que continuar usando. Quando acaba é tipo ‘Que bom, posso voltar à minha vida agora.’ Eu ficava acordado o fim de semana todo e ia em festas de sexo e me sentia uma merda até quarta-feira. Uns dois anos atrás eu mudei para a cocaína porque eu podia trabalhar no dia seguinte.” Jeremy está me contando isso de uma cama no sexto andar de um hospital em Seattle. Ele não conta as exatas circunstâncias da overdose, apenas que um estranho chamou uma ambulância e ele acordou aqui. Jeremy não é o amigo com quem eu esperava ter essa conversa. Até algumas semanas atrás, não fazia ideia que ele tomava qualquer coisa mais pesada que martinis. Ele é esbelto, inteligente, livre de glúten, o tipo de cara que usa a camisa do trabalho não importa o dia da semana. Quando nos conhecemos, há três anos, ele me perguntou se eu sabia um bom lugar para fazer CrossFit. Hoje, quando eu lhe pergunto como estão as coisas no hospital, a primeira coisa que ele diz é que não tem Wi-Fi, e que ele ficou bem atrasado com os emails do trabalho. “As drogas eram uma combinação de tédio e solidão,” ele diz. “Eu costumava ir para casa exausto depois do trabalho numa noite de sexta e pensar ‘E agora?’ Então eu fazia um corre de metanfetamina e checava na internet se estava rolando alguma festa. Era isso ou assistir um filme sozinho.Jeremy não é meu único amigo gay passando por dificuldades. Tem o Malcolm, que mal sai de casa exceto para trabalhar por causa de sua ansiedade. Tem o Jared, que graças à depressão e dismorfia corporal teve sua vida social resumida a mim, à academia e encontros com caras da internet. E tinha o Christian, o segundo cara que eu beijei, que se matou com 32 anos, duas semanas após seu namorado terminar com ele. Christian foi a uma loja de festas, alugou um tanque de hélio, começou a inalar e mandou uma mensagem para seu ex pedindo que fosse encontrá-lo, para que encontrasse o corpo. Há anos tenho notado a divergência entre meus amigos héteros e os gays. Enquanto metade do meu círculo social desapareceu devido a relacionamentos, filhos e subúrbios, o outro enfrenta isolamento, ansiedade, drogas pesadas e sexo arriscado. Nada disso se encaixa na narrativa que me foi contada, a narrativa que conto a mim mesmo. Assim como eu, Jeremy não cresceu sofrendo bullying de seus colegas nem foi rejeitado por sua família. Ele não lembra de ter sido chamado de bicha. Ele foi criado num subúrbio na Costa Oeste por uma mãe lésbica. “Ela saiu do armário para mim quando eu tinha 12 anos,” ele diz. “E duas frases depois disse que ela sabia que eu era gay. Nem eu sabia naquele momento.” Jeremy e eu temos 34 anos. Ao longo de nossa vida, a comunidade gay fez mais progresso com aceitação social e legal do que qualquer outro grupo demográfico na história. Na minha adolescência, casamento gay era uma aspiração distante, algo que jornais ainda colocavam entre aspas. Agora, ele é consignado na legislação pela Suprema Corte. O apoio público ao casamento gay aumentou de 27% em 1996 para 61% em 2016. Na cultura pop, fomos de Parceiros Da Noite para Queer Eye e agora para Moonlight. Personagens gays hoje em dia são tão comuns que é até permitido que tenham falhas. Ainda assim, enquanto comemoramos a escala e a velocidade desta mudança, as taxas de depressão, solidão e abuso de drogas dentro da comunidade gay continuam no lugar que estão há décadas. Homens gays são 2 a 10 vezes mais suscetíveis a tirar a própria vida do que heterossexuais, e têm o dobro da probabilidade de ter episódios graves de depressão. E assim como a última epidemia que enfrentamos, o trauma parece estar concentrado entre homens. De acordo com um levantamento sobre homens gays que chegaram recentemente a Nova Iorque, três quartos desses sofrem de depressão ou ansiedade, fazem abuso de drogas ou álcool ou fazem sexo sem proteção - ou alguma combinação dos três. Apesar de toda a conversa sobre nossas “famílias de escolha”, homens gays têm menos amigos próximos do que heterossexuais e lésbicas. Em um estudo de profissionais da saúde em clínicas de HIV, um dos entrevistados disse aos pesquisadores: “Não é uma questão de eles não saberem como salvar as próprias vidas. É uma questão de eles saberem se vale a pena salvá-las.“
Não vou fingir ser objetivo quanto a nada disso. Eu sou um cara gay perpetuamente solteiro que foi criado numa cidade linda por pais da PFLAG (Pais, Amigos e Famílias de Lésbicas e Gays). Nunca conheci ninguém que tenha morrido de AIDS, nunca experienciei discriminação direta e saí do armário para um mundo onde casamento, cercas de estacas e um golden retriever no quintal não são apenas possíveis, mas esperados. Também já passei por terapia mais vezes do que já baixei e deletei o Grindr. “O casamento entre pessoas do mesmo sexo e as mudanças no status legal foram uma melhora para alguns homens gays,” diz Christopher Stults, um pesquisador da New York University que estuda as diferenças na saúde mental de homens gays e heterossexuais. “Mas para muitas outras pessoas, foi uma decepção. Temos esse status legal, e ainda assim há alguma coisa não preenchida”.Esse sentimento de vazio, aparentemente, não é um fenômeno apenas estadunidense. Na Holanda, onde o casamento homossexual é permitido desde 2001, homens gays continuam três vezes mais suscetíveis a sofrerem transtornos do humor do que homens heterossexuais, e 10 vezes mais suscetíveis a envolverem-se com “automutilação suicida”. Na Suécia, que autoriza uniões civis desde 1995 e casamento integral desde 2009, homens casados com homens têm o triplo da taxa de suicídio de homens casados com mulheres.Todas essas insuportáveis estatísticas levam à mesma conclusão: Ainda é perigosamente alienante viver a vida enquanto homem que se atrai por outros homens. A boa notícia, porém, é que epidemiologistas e cientistas sociais estão mais perto do que nunca de entender o porquê. Travis Salway, um pesquisador do BC Centro de Controle de Doenças em Vancouver, passou os últimos cinco anos tentando entender porque homens gays continuam se matando. “A característica definidora dos homens gays costumava ser a solidão do armário,” ele diz. “Mas agora temos milhões de homens gays que saíram do armário e ainda sentem o mesmo isolamento.” Estamos almoçando num restaurante de macarrão. É novembro, e ele chega vestindo jeans, galochas e uma aliança. “Gay-casado, é?” Eu digo. “Até monógamo,” ele diz. “Acho que vão nos dar a chave da cidade.” Salway cresceu em Celina, Ohio, uma pequena cidade industrial de talvez 10.000 pessoas, o tipo de lugar, segundo ele, no qual o casamento disputa com a faculdade pelos jovens de 21 anos. Ele sofreu bullying por ser gay antes mesmo de saber que o era. “Eu era afeminado e fazia coral,” ele diz. “Era o bastante.” Logo, ele ficou cuidadoso. Ele namorou uma menina pela maior parte do ensino médio, e tentava evitar meninos - tanto romântica quanto platonicamente - até que pudesse sair de lá. No final dos anos 2000, ele era um assistente social e epidemiologista e, como eu, foi atingido pela crescente distância entre seus amigos héteros e amigos gays. Ele começou a se perguntar se a história que ele sempre ouvira sobre homens gays e saúde mental estaria incompleta. Quando a disparidade foi trazida à tona nos anos 50 e 60, médicos pensavam se tratar de um sintoma da homossexualidade em si, apenas uma das várias manifestações do que era, na época, conhecido como “inversão sexual”. À medida que o movimento pelos direitos gays ganha força, porém, a homossexualidade é tirada do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, e a explicação muda para trauma. Homens gays estavam sendo expulsos de suas próprias famílias, suas vidas amorosas eram ilegais. Claro que as taxas de suicídio e depressão eram alarmantes. “Foi o que eu pensei também,” Salway diz, “que o suicídio gay era produto de uma era passada, ou estava concentrado entre adolescentes que não viam outra saída.” E então ele viu os dados. O problema não era apenas suicídio, não eram apenas adolescentes aflitos e não estava acontecendo apenas nas áreas marcadas pela homofobia. Ele descobriu que homens gays no mundo todo, de todas as idades, tem taxas mais altas de doença cardiovascular, câncer, incontinência, disfunção erétil, alergias e asma - o que você disser, nós temos. No Canadá, Salway logo descobriu, mais homens gays morriam de suicídio do que devido a AIDS, e assim é há anos. (Pode ser que este seja o caso dos EUA também, ele diz, mas ninguém se deu ao trabalho de estudar o assunto.) “Vemos homens gays que nunca foram sexualmente ou fisicamente agredidos com sintomas de stress pós-traumático similares aos de pessoas que estiveram em combate ou sofreram estupro,” diz Alex Keuroghlian, um psiquiatra do Centro para Pesquisa Populacional na saúde LGBT do Fenway Institute. Homens gays são, como Keuroghlian coloca, “preparados para esperar rejeição”. Estamos constantemente examinando situações sociais, em busca de razões para que talvez possamos não nos encaixar nelas. Temos dificuldade de nos impor. Repetimos nossos fracassos sociais em loop. A coisa mais estranha sobre esses sintomas, porém, é que a maioria de nós não os vê como sintomas. Desde que viu os dados, Salway começou a entrevistar homens gays que tentaram se suicidar e sobreviveram. "Quando você pergunta a eles por que eles tentaram se matar", diz ele, "a maioria deles não menciona nada sobre ser gay". Em vez disso, ele diz, eles dizem que estão tendo problemas de relacionamento, problemas de carreira, problemas financeiros. "Eles não sentem que sua sexualidade é o aspecto mais saliente de suas vidas. E ainda assim, eles são uma ordem de grandeza mais propensos a cometer suicídio. " O termo que os pesquisadores usam para explicar esse fenômeno é o "estresse das minorias". Em sua forma mais direta, é bem simples: ser membro de um grupo marginalizado exige esforço extra. Quando você é a única mulher em uma reunião de negócios, ou o único negro em seu dormitório da faculdade, você tem que pensar em um nível que os membros da maioria não pensam. Se você confronta seu chefe, ou não, você está perpetuando estereótipos de mulheres no local de trabalho? Se você não tira 10 em uma prova, será que as pessoas pensarão que é por causa de sua raça? Mesmo se você não experiencia estigma evidente, considerar essas possibilidades produz seus efeitos com o tempo. Para gays, o efeito é aumentado pelo fato de nosso status de minoria estar escondido. Não apenas temos que lidar com todo o trabalho extra e responder diversas indagações internas quanto temos doze anos, como também temos de fazê-lo sem a possibilidade de conversar sobre o assunto com nossos amigos e pais. John Pachankis, um pesquisador de stress da Universidade de Yale, diz que o verdadeiro dano acontece nos cinco anos ou mais entre perceber a sua sexualidade e começar a contar para outras pessoas. Até estressores relativamente pequenos nesse período acabam por ter um efeito desmesurado - não apenas por serem diretamente traumáticos, mas porque começamos a esperá-los. “Ninguém precisa te chamar de bicha para que você ajuste seu comportamento para evitar ser chamado assim,” Salway diz. James, agora um garoto assumido de 20 anos, me diz que na sétima série, quando estava com 12 anos e dentro do armário, uma colega lhe perguntou o que pensava de outra garota. "Bem, ela parece um homem," ele disse, sem pensar, "então sim, talvez eu transasse com ela." Imediatamente, ele diz, entrou em pânico. "Eu estava tipo, será que alguém ouviu isso? Será que ela vai contar a mais alguém que eu disse isso assim? " Foi assim que passei minha adolescência também: sendo cuidadoso, escorregando, me estressando, compensando demais. Certa vez, num parque aquático, um dos meus amigos do ensino fundamental me pegou olhando para ele enquanto esperávamos nossa vez no escorregador. "Cara, você acabou de me dar uma olhada?" Ele disse. Consegui desviar - algo como "Desculpe, você não é meu tipo" - então passei semanas depois preocupado com o que ele estava pensando sobre mim. Mas ele nunca falou sobre isso. Todo o bullying ocorreu na minha cabeça. "O trauma para homens gays é a natureza prolongada dele", diz William Elder, um pesquisador de trauma sexual e psicólogo. "Se você experiencia um evento traumático, você tem o tipo de estresse pós-traumático que pode ser resolvido em quatro a seis meses de terapia. Mas se você experimentar anos e anos de estressores pequenos - pequenas coisas em que você pensa, isso foi por causa da minha sexualidade? - isso pode ser ainda pior." Ou, como diz Elder, estar no armário é como ter alguém lhe dando leves socos no braço, repetidamente. No início, é irritante. Depois de um tempo, é irritante. Eventualmente, é tudo que você pode pensar. E, em seguida, o estresse de lidar com isso todos os dias começa a crescer em seu corpo. Crescer gay, ao que parece, é ruim para você em muitas das mesmas maneiras como crescer na pobreza extrema. Um estudo de 2015 descobriu que os homossexuais produzem menos cortisol, o hormônio que regula o estresse. Seus sistemas foram tão ativados, tão constantemente, na adolescência que eles acabaram lentos como adultos, diz Katie McLaughlin, um dos co-autores do estudo. Em 2014, pesquisadores compararam adolescentes heterossexuais e gays com relação a risco cardiovascular. Eles descobriram que os jovens gays não têm um maior número de "eventos estressantes da vida" (ou seja, heteros têm problemas, também), mas os que eles experienciaram infligiram mais danos em seus sistemas nervosos. Annesa Flentje, pesquisadora de estresse na Universidade da Califórnia, em São Francisco, é especializada no efeito do estresse das minorias na expressão gênica. Todos esses pequenos socos se combinam com nossas adaptações a eles, diz ela, e se tornam "formas automáticas de pensar que nunca são desafiadas ou desativadas, mesmo 30 anos depois". Quer reconheçamos ou não, nossos corpos trazem o armário com a gente para a idade adulta "Nós não temos as ferramentas para processar o stress quando crianças, e não o reconhecemos como trauma como adultos", diz John, um ex-consultor que deixou o seu trabalho há dois anos para fazer cerâmica e conduzir tours de aventura em Adirondacks . "Nossa reação instintiva é lidar com as coisas agora como quando crianças." Mesmo Salway, que dedicou sua carreira a entender o estresse das minorias, diz que há dias em que se sente desconfortável andando por Vancouver com seu parceiro. Ninguém nunca os atacou, mas uns escrotos já gritaram insultos para eles em público. Isso não tem que acontecer muitas vezes antes de você começar a esperar, antes de seu coração começa a bater um pouco mais rápido quando você vê um carro se aproximando. Mas o estresse das minorias não explica completamente por que os homens gays têm uma variedade tão ampla de problemas de saúde. Porque enquanto a primeira rodada de danos acontece antes de sairmos do armário, a segunda, e talvez mais grave, vem depois.Ninguém nunca disse a Adam para não ser afeminado. Mas ele, como eu, como a maioria de nós, aprendeu de alguma forma. "Eu nunca me preocupei com minha família ser homofóbica", diz ele. "Eu costumava fazer essa coisa onde eu embrulhava um cobertor em volta de mim como um vestido e ficava dançando no quintal. Meus pais acharam fofo, então eles filmaram e mostraram para meus avós. Quando eles todos assistiram a fita, eu me escondi atrás do sofá de tanta vergonha. Eu devia seis ou sete anos. Quando chegou ao colégio, Adam aprendeu a administrar seus maneirismos tão bem que ninguém suspeitava que ele fosse gay. Mas ainda assim, ele diz: "Eu não podia confiar em ninguém porque eu tinha essa coisa que eu estava escondendo. Eu tive que operar no mundo como um agente solitário. " Ele saiu do armário aos 16 anos, depois se formou, depois se mudou para São Francisco e começou a trabalhar na prevenção do HIV. Mas o sentimento de distância de outras pessoas não desapareceu. Então ele tratou o problema, ele diz, "com muito e muito sexo. É o nosso recurso mais acessível na comunidade gay. Você se convence de que, se estiver fazendo sexo com alguém, está tendo um momento íntimo. Isso acabou sendo uma muleta". Ele trabalhava por longas horas. Ele chegava em casa exausto, fumava um pouco de maconha, se servia de uma taça de vinho tinto, e então começava a mexer nos aplicativos de pegação em busca de alguém para convidar. Às vezes, eram dois ou três caras seguidos. "Assim que eu fechava a porta para o último cara, eu pensava 'não é isso' então eu procurava outros".Foi assim por anos. No último dia de Ação de Graças, ele estava de volta para casa para visitar seus pais e sentiu uma necessidade compulsiva de fazer sexo porque estava tão estressado. Quando ele finalmente encontrou um cara próximo que estava disposto a transar, ele correu para o quarto de seus pais e começou a varrer suas gavetas para ver se eles tinham algum Viagra. "Então esse foi o seu pior momento?", Pergunto. "Essa foi o terceiro ou quarto, sim", diz ele. Adam está agora em um programa de 12 passos para o vício do sexo. Faz seis semanas desde que ele fez sexo. Antes disso, o maior tempo que ele ficou sem foi três ou quatro dias. "Há pessoas que fazem muito sexo, porque é divertido, e tudo bem. Mas eu continuava tentando esmiuçar o sexo como um trapo para conseguir arrancar algo dele que não estava lá - apoio social, ou companheirismo. Era uma maneira de não lidar com a minha própria vida. E eu continuei negando que era um problema, porque eu sempre tinha dito a mim mesmo: "Eu saí do armário, me mudei para São Francisco, estou pronto, fiz o que tinha que fazer como pessoa gay". Durante décadas, isso foi o que os psicólogos também pensaram: que os estágios-chave na formação da identidade dos homens gays levavam à saída do armário, que uma vez que finalmente nos sentíssemos confortáveis com nós mesmos, poderíamos começar a construir uma vida dentro de uma comunidade de pessoas que passaram pelas mesmas coisas. Mas nos últimos 10 anos, o que os pesquisadores descobriram é que a dificuldade para se encaixar só fica mais intensa. Um estudo publicado em 2015 descobriu que as taxas de ansiedade e depressão eram maiores nos homens que haviam se assumido recentemente do que nos homens dentro do armário. "É como se você saísse do armário esperando ser essa borboleta e a comunidade gay simplesmente arranca o idealismo de você", diz Adam. Quando ele começou a se assumir, ele diz, "Eu fui para West Hollywood porque eu pensei que era onde estava o meu povo. Mas foi realmente horrível. É feito por adultos gays, e não é acolhedor para jovens gays. Você vai da casa da sua mãe para um clube gay onde muitas pessoas estão tomando drogas e é tipo, esta é a minha comunidade? É como se fosse uma selva." "Eu me assumi quando eu tinha 17 anos, e eu não vi um lugar para mim na cena gay", diz Paul, um desenvolvedor de software. "Eu queria me apaixonar como eu via pessoas heterossexuais fazerem nos filmes. Mas eu me sentia como um pedaço de carne. Chegou a um ponto que eu ia ao supermercado que estava a 40 minutos de distância em vez do que estava a 10 minutos só porque eu tinha tanto medo de andar pela rua gay ". A palavra que eu ouço de Paul, de todos, é "re-traumatizado." Você cresce com esta solidão, acumulando toda essa bagagem, e então você chega no Castro ou Chelsea ou Boystown pensando que você vai finalmente ser aceito pelo que você é. E então você percebe que todo mundo aqui tem bagagem, também. De repente, não é a sua homossexualidade que faz você ser rejeitado. É seu peso, ou sua renda, ou sua raça. "As crianças que sofriam bullying na nossa juventude", diz Paul, "cresceram e se tornaram bullies". "Homens gays em particular não são muito agradáveis uns com os outros", diz John, o guia de aventura. "Na cultura pop, drag queens são conhecidos por suas patadas e é tudo ha ha ha. Mas essa maldade é quase patológica. Todos nós estávamos profundamente confusos ou mentindo para nós mesmos por um bom pedaço de nossa adolescência. Mas não é confortável para nós mostrar isso a outras pessoas. Então mostramos às outras pessoas o que o mundo nos mostra, o que é maldade. " Todo homem gay que conheço carrega um portfólio mental de todas as coisas de merda que outros homens gays disseram e fizeram a ele. Cheguei a um encontro uma vez e o cara imediatamente se levantou, disse que eu era mais baixo do que eu parecia em minhas fotos e foi embora. Alex, um instrutor fitness em Seattle, ouviu de um cara em sua equipe de natação, "Eu vou ignorar seu rosto se você me foder sem um preservativo." Martin, um britânico que vive em Portland, ganhou talvez 4,5 quilos desde que ele se mudou E recebi uma mensagem da Grindr - no dia de Natal - que dizia: "Você costumava ser tão sexy. Pena que você estragou tudo." Para outros grupos de minorias, viver em uma comunidade com pessoas como eles está ligado a taxas mais baixas de ansiedade e depressão. Ajuda estar perto de pessoas que instintivamente nos compreendem. Mas para nós, o efeito é o oposto. Vários estudos descobriram que viver em bairros gays prevê taxas mais altas de sexo arriscado e uso de metanfetamina e menos tempo gasto em outras atividades comunitárias como voluntariado ou prática de esportes. Um estudo de 2009 sugeriu que os homens gays que estavam mais ligados à comunidade gay estavam menos satisfeitos com seus próprios relacionamentos românticos. "Homens gays e bissexuais falam sobre a comunidade gay como uma fonte significativa de estresse em suas vidas", diz Pachankis. "A razão fundamental para isso, diz ele, é que "a discriminação no grupo" faz mais mal a sua psique do que ser rejeitado pelos membros da maioria. É fácil ignorar, revirar os olhos e levantar o dedo do meio para as pessoas heterossexuais que não gostam de você, porque, qualquer que seja, você não precisa de sua aprovação de qualquer maneira. A rejeição de outras pessoas homossexuais, no entanto, é como perder a sua única forma de fazer amigos e encontrar o amor. Ser empurrado longe de seu próprio povo dói mais porque você precisa deles mais.  Os pesquisadores com quem falei explicaram que os homossexuais infligem esse tipo de dano um ao outro por duas razões principais. O primeiro, e o que eu ouvi com mais freqüência, é que os homens gays são uns merdas uns aos outros porque, basicamente, somos homens. "Os desafios da masculinidade são ampliados em uma comunidade de homens", diz Pachankis. "A masculinidade é precária, tem que ser constantemente decretada ou defendida ou recolhida. Vemos isso nos estudos: você pode ameaçar a masculinidade entre os homens e, em seguida, olhar para as coisas idiotas que eles fazem. Eles mostram postura mais agressiva, eles começam a assumir riscos financeiros, Eles querem socar coisas". Isso ajuda a explicar o disseminado estigma contra indivíduos femininos na comunidade gay. De acordo com Dane Whicker, um psicólogo clínico e pesquisador em Duke, a maioria dos homens gays relatou que eles querem namorar alguém masculino, e que desejavam agir de forma mais masculina eles próprios. Talvez isso seja porque, historicamente, homens masculinos foram capazes de se misturar à sociedade heterossexual. Ou talvez seja a homofobia internalizada: os homossexuais femininos ainda são estereotipados como passivos, o parceiro receptivo no sexo anal. Um estudo longitudinal de dois anos descobriu que quanto mais tempo homens gays passam fora do armário, maior a probabilidade que eles tornem-se versáteis ou ativos. Os pesquisadores dizem que esse tipo de treinamento, deliberadamente tentando parecer mais masculino e assumindo um papel sexual diferente, é apenas uma das maneiras pelas quais os homens gays se pressionam mutuamente para atingir o "capital sexual", o equivalente a ir ao ginásio ou a fazer as sobrancelhas . "A única razão pela qual eu comecei a malhar era para parecer um ativo viável”, diz Martin. Quando ele saiu do armário, ele estava convencido de que ele era muito magro, muito afeminado, que os passivos pensariam que ele era um deles. "Eu só comecei a fingir todo esse comportamento hiper-masculino. Meu namorado recentemente percebeu que eu ainda abaixo minha voz uma oitava sempre que peço bebidas. Esse é um resto de meus primeiros anos fora do armário, quando eu pensei que eu tinha que falar com essa voz de Batman do Christian Bale para conseguir encontros." Grant, um jovem de 21 anos que cresceu em Long Island e agora vive em Hell's Kitchen, diz que ele costumava ser auto-consciente sobre a forma como ele ficava de pé - mãos nos quadris, uma perna ligeiramente armada como uma dançarina. Então, em seu segundo ano na faculdade, ele começou a reparar nas posições corporais padrões de seus professores homens, deliberadamente de pé com os pés arregalados, os braços ao lado do corpo. Essas normas de masculinidade exercem um impacto sobre todos, até mesmo sobre seus perpetradores. Homens gays afeminados estão em maior risco de suicídio, solidão e doença mental. Homens masculinos gays, por sua vez, estão mais ansiosos, têm sexo mais arriscado e usam drogas e tabaco com maior freqüência. Um estudo investigando por que viver na comunidade gay aumenta a depressão descobriu que o efeito só apareceu em gays masculinos. A segunda razão pela qual a comunidade gay age como um estressor sem igual em seus membros não tem a ver com o por que nos rejeitamos uns aos outros, mas como. Nos últimos 10 anos, os espaços gays tradicionais - bares, casas noturnas, balneários - começaram a desaparecer e foram substituídos por mídias sociais. Pelo menos 70% dos homens gays agora usam aplicativos de conexão como Grindr e Scruff para se encontrarem. Em 2000, cerca de 20% dos casais homossexuais se conheciam online. Em 2010, isso era até 70%. Enquanto isso, a proporção de casais gays que se conheceram através de amigos caiu de 30% para 12%. Normalmente, quando você ouve falar sobre a primazia chocante dos aplicativos de pegação na vida gay - Grindr, o mais popular, diz que seu usuário médio gasta 90 minutos por dia no app - é em alguma história alarmante da mídia sobre assassinos ou homofóbicos escondidos neles buscando vítimas ou sobre as perturbadoras cenas "chemsex" que surgiram em Londres e Nova Iorque. E sim, esses são problemas. Mas o efeito real dos aplicativos é mais silencioso, menos comentado e, de certa forma, mais profundo: para muitos de nós, eles se tornaram o principal meio de interagir com outros homossexuais. "É muito mais fácil encontrar alguém para uma pegação com o Grindr do que ir ao bar sozinho", diz Adam. "Especialmente se você acabou de se mudar para uma nova cidade, é fácil deixar que os aplicativos de namoro se tornem sua vida social. É mais difícil procurar situações sociais onde você pode ter que fazer mais esforço". “Tenho momentos que eu quero me sentir desejado, então eu entro no Grindr, " diz Paul. "Eu coloco uma foto minha sem camisa e começo a receber essas mensagens dizendo que sou gostoso. É bom no momento, mas nada vem daí, e essas mensagens param de vir depois de alguns dias. Parece que estou só arranhando uma coceira, mas é sarna. Só vai espalhar.” A pior coisa sobre os aplicativos, porém, e porque eles são relevantes para a disparidade de saúde mental entre homens homossexuais e heterossexuais, não é apenas que os usamos muito. É que eles são quase perfeitamente concebidos para sublinhar as nossas crenças negativas sobre nós mesmos. Em entrevistas que Elder, o pesquisador de estresse pós-traumático, conduziu com homens gays em 2015, descobri que 90% disseram que buscavam um parceiro alto, jovem, branco, malhado e masculino. Para a vasta maioria de nós, que mal nos encaixamos em um desses critérios, muito menos todos os cinco, os apps de pegação meramente providenciam um modo eficiente de nos sentirmos feios. Paul diz que está "eletrizado à espera de rejeição" assim que os abre. John, o ex-consultor, tem 27 anos, 1,85m e tem um tanquinho que você pode ver através de seu suéter de lã. E mesmo ele diz que a maioria de suas mensagens não recebe respostas, que ele gasta provavelmente 10 horas falando com as pessoas no aplicativo para cada hora que ele passa em encontros ou em pegações. É pior para homens gays não brancos. Vincent, que faz sessões de aconselhamento com homens negros e latinos por meio do Departamento de Saúde Pública de San Francisco, diz que os aplicativos dão às minorias raciais duas formas de feedback: Rejeitado ("Desculpe, eu não curto caras negros”) e fetichizado (Oi, eu curto muito caras negros!”) Paihan, um imigrante taiwanês em Seattle, me mostra sua caixa de entrada do Grindr. É, como o meu, principalmente “ois” que ele enviou e não recebeu respostas. Uma das poucas mensagens que recebeu apenas diz: "Asiiiaaaatico”. Nada disso é novo, é claro. Walt Odets, um psicólogo que escreveu sobre o isolamento social desde a década de 1980, diz que os homens gays costumavam ser perturbados pelas casas de banho da mesma forma que são perturbados pelo Grindr agora. A diferença que ele vê em seus pacientes mais jovens é que "se alguém o rejeitasse em uma casa de banho, você ainda poderia ter uma conversa depois. Talvez você acabasse fazendo um amigo, ou pelo menos algo que se torna uma experiência social positiva. Nos aplicativos, você simplesmente é ignorado se alguém não percebe que você é uma conquista sexual ou romântica." Os homossexuais que eu entrevistei falaram sobre os aplicativos de pegação da mesma maneira que as pessoas comuns falam sobre Comcast: É uma porcaria, mas fazer o quê? "Você tem que usar os aplicativos em cidades menores", diz Michael Moore, um psicólogo em Yale. "Eles servem o propósito de um bar gay. Mas a desvantagem é que eles colocam todo esse preconceito lá fora. " O que os aplicativos reforçam, ou talvez simplesmente aceleram, é a versão adulta do que Pachankis chama de Hipótese do Melhor Menininho no Mundo. Quando crianças, crescer no armário nos torna mais propensos a concentrar o nosso valor próprio em tudo o que o mundo exterior quer que sejamos - bom nos esportes, bom na escola, seja o que for. Como adultos, as normas sociais em nossa própria comunidade nos pressionam a concentrar ainda mais nossa auto-estima em nossa aparência, nossa masculinidade, nosso desempenho sexual. Mas então, mesmo se conseguimos competir lá, mesmo se alcançarmos qualquer ideal de masc-dom-top que estamos procurando, tudo o que realmente fizemos é condicionar-nos a ser devastados quando inevitavelmente perdemos. "Muitas vezes vivemos nossas vidas através dos olhos dos outros", diz Alan Downs, psicólogo e autor de The Velvet Rage, um livro sobre a luta dos homens gays com vergonha e validação social. "Queremos ter homem após homem, mais músculos, mais status, o que nos traz uma validação passageira. Então nós acordamos em 40, esgotado, e nós nos perguntamos, ‘É isso?’ E então a depressão vem. " Perry Halkitis, professor da NYU, vem estudando a diferença de saúde entre gays e pessoas heterossexuais desde o início dos anos 90. Ele publicou quatro livros sobre cultura gay e entrevistou homens morrendo de HIV, se recuperando de drogas e lutando para planejar seus próprios casamentos. É por isso que, há dois anos, seu sobrinho de 18 anos, James, apareceu trêmulo à sua porta. Ele fez Halkitis e seu marido sentarem no sofá e anunciou que era gay. "Nós dissemos a ele: 'Parabéns, seu cartão de sócio e pacote de boas-vindas estão no outro quarto’, lembra Halkitis. "Mas ele estava muito nervoso para entender a piada." James cresceu em Queens, um membro amado de uma família grande, afetuosa, liberal. Ele foi para uma escola pública com crianças abertamente gays. "E ainda," Halkitis diz, "houve este tumulto emocional. Ele sabia racionalmente que tudo ia dar certo, mas estar no armário não é racional, é emocional ". Ao longo dos anos, James tinha se convencido de que nunca iria se assumir. Ele não queria a atenção, ou ter que lidar com todas as perguntas que ele não poderia responder. Sua sexualidade não fazia sentido para ele - como ele poderia explicar isso a outras pessoas? "Na TV eu estava vendo todas essas famílias tradicionais", ele me diz. "Ao mesmo tempo, eu estava assistindo muita pornografia gay, onde todo mundo estava super malhado e solteiro e fazendo sexo o tempo todo. Então eu pensei que aquelas eram minhas duas opções: essa vida de conto de fadas que eu nunca poderia ter, ou essa vida gay onde não havia romance. " James se lembra do momento exato em que decidiu entrar no armário. Ele devia ter 10 ou 11 anos, arrastado para uma viagem a Long Island por seus pais. "Eu olhei em volta para toda a nossa família, e as crianças correndo ao redor, e eu pensei, 'Eu nunca vou ter isso,' e eu comecei a chorar." Eu percebo, no segundo que ele diz, que ele está descrevendo a mesma revelação que eu tive com sua idade, a mesma tristeza. A de James foi em 2007. A minha foi em 1992. Halkitis diz que a sua foi em 1977. Surpreendido que alguém da idade de seu sobrinho poderia ter a mesma experiência que ele teve, Halkitis decidiu que seu próximo projeto de livro seria sobre o trauma do armário. "Mesmo agora, mesmo em Nova York, mesmo com os pais que aceitam, o processo de sair do armário é desafiador", diz Halkitis. "Talvez seja sempre assim". Então, o que devemos fazer sobre isso? Quando pensamos em leis de casamento ou proibições de crimes de ódio, tendemos a pensar nelas como proteção de nossos direitos. O que é menos compreendido é que as leis literalmente afetam nossa saúde. Um dos estudos mais marcantes que eu encontrei descreveu o pico de ansiedade e depressão entre homens gays em 2004 e 2005, anos em que 14 estados aprovaram emendas constitucionais definindo o casamento como sendo entre um homem e uma mulher. Homens gays nesses estados mostraram um aumento de 37% nos transtornos de humor, um aumento de 42% no alcoolismo e um aumento de 248% no transtorno de ansiedade generalizada. A coisa mais arrepiante sobre esses números é que os direitos legais dos gays que vivem nesses estados não mudaram materialmente. Não poderíamos nos casar em Michigan antes que a emenda fosse aprovada, e não poderíamos nos casar em Michigan depois que ela passou. As leis eram simbólicas. Eles eram a maneira da maioria de informar aos gays que não éramos desejados. O que é pior, as taxas de ansiedade e depressão não apenas saltaram nos estados que aprovaram emendas constitucionais. Eles aumentaram (embora de forma menos dramática) entre os gays em todo o país. A campanha para nos fazer sofrer funcionou. Agora multiplique isso com o fato de que o nosso país recentemente elegeu um Demogorgon laranja cuja administração está publica e ansiosamente tentando reverter cada ganho que a comunidade gay fez nos últimos 20 anos. A mensagem que isso envia para os gays - especialmente os mais jovens, apenas lutando com sua identidade - não poderia ser mais clara e aterrorizante. Qualquer discussão sobre saúde mental gay deve começar com o que acontece nas escolas. Apesar do progresso em torno delas, as instituições educacionais dos Estados Unidos permanecem lugares perigosos para crianças, cheias de aspirantes a frat boys, professores indiferentes e políticas retrógradas. Emily Greytak, diretora de pesquisa da organização anti-bullying GLSEN, diz que de 2005 a 2015, a porcentagem de adolescentes que disseram que foram intimidados por sua orientação sexual não caiu. Somente cerca de 30% dos distritos escolares do país têm políticas anti-bullying que mencionam especificamente as crianças LGBTQ e milhares de outros distritos têm políticas que impedem os professores de falar sobre a homossexualidade de uma forma positiva. Essas restrições tornam muito mais difícil para os jovens lidar com seu estresse de minoria. Mas, felizmente, isso não exige que todos os professores e todos os adolescentes hétero top aceitem homossexuais da noite para o dia. Nos últimos quatro anos, Nicholas Heck, pesquisador da Marquette University, tem dirigido grupos de apoio para crianças gays em escolas secundárias. Ele os acompanha através de suas interações com seus colegas de classe, seus professores e seus pais, e tenta ajudá-los a separar o estresse adolescente comum do tipo que recebem devido à sua sexualidade. Um dos jovens, por exemplo, estava sob a pressão de seus pais para estudar Artes na faculdade, e não Finanças. Seus pais significavam bem - eles estavam apenas tentando encorajá-lo a entrar em um campo onde ele encontraria menos homofóbicos - mas ele já estava ansioso: Se ele desistisse de Finanças, isso seria render-se ao estigma? Se ele entrasse em Artes e ainda sofresse bullying, ele poderia contar a seus pais sobre isso? O truque, diz Heck, é fazer com que as crianças façam essas perguntas abertamente, porque um dos sintomas do estresse entre minorias é a evitação. As crianças ouvem comentários depreciativos no corredor, então decidem tomar outro corredor, ou colocar fones de ouvido. Eles pedem ajuda a um professor e são rejeitados, então param de procurar adultos seguros. Mas as crianças do estudo, Heck diz, já estão começando a rejeitar a culpa que colocavam em seus próprios ombros quando sofriam bullying. Estão aprendendo que mesmo se não puderem mudar o ambiente em torno deles, podem parar de se responsabilizarem por ele. Logo, para crianças, o objetivo é localizar as causas e evitar o estresse das minorias. Mas o que pode ser feito para aqueles de nós que já o internalizaram? "Tem havido muito trabalho com jovens LGBT, mas não há trabalho equivalente com gays em seus 30, 40 anos", conta Salway. "Eu nem sei o que se faz.” O problema, diz ele, é que nós construímos infra-estruturas inteiramente separadas em torno de doenças mentais, prevenção do HIV e abuso de substâncias, embora todas as evidências apontem que não são três epidemias, mas uma. As pessoas que se sentem rejeitadas têm maior probabilidade de se auto-medicar, o que as torna mais propensas a ter sexo de risco, o que as torna mais propensas a contrair o HIV, o que as torna mais propensas a se sentirem rejeitadas, e assim por diante. Nos últimos cinco anos, à medida que a evidência desta interligação se acumulou, alguns psicólogos e epidemiologistas começaram a tratar a alienação entre homens gays como um "syndemic": um conjunto de problemas de saúde, nenhum dos quais pode ser corrigido por conta própria. Pachankis, o pesquisador de estresse, acabou de realizar o primeiro ensaio controlado e randomizado do país sobre a terapia cognitivo-comportamental de "afirmação gay". Depois de anos de evasão emocional, muitos homens gays "literalmente não sabem o que estão sentindo", diz ele. Seu parceiro diz "eu te amo" e eles respondem "Bem, eu adoro panquecas." Eles terminam com o cara que eles estão vendo porque ele deixa uma escova de dentes em sua casa. Ou, como muitos dos rapazes com quem conversei, eles têm relações sexuais desprotegidas com alguém que nunca conheceram porque não sabem como ouvir sua própria trepidação. O distanciamento emocional deste tipo é generalizado, diz Pachankis, e muitos dos homens com quem trabalha vão viver anos sem reconhecer que as coisas pelas quais eles estão se esforçando - ter um corpo perfeito, trabalhar mais e melhor do que seus colegas, organizar o encontro ideal com um cara do Grindr numa noite de semana - estão reforçando seu próprio medo de rejeição. Simplesmente apontando esses padrões produziu resultados enormes: os pacientes de Pachankis mostraram taxas reduzidas de ansiedade, depressão, uso de drogas e sexo sem preservativo em apenas três meses. Ele agora está expandindo o estudo para incluir mais cidades, mais participantes e um cronograma mais longo. Estas soluções são promissoras, mas ainda são imperfeitas. Eu não sei se nós algum dia veremos a lacuna de saúde mental entre pessoas heterossexuais e pessoas homossexuais perto, pelo menos não totalmente. Haverá sempre mais jovens heterossexuais do que jovens gays, estaremos sempre isolados entre eles e sempre, em algum nível, cresceremos sozinhos em nossas famílias, em nossas escolas e em nossas cidades. Mas talvez isso não seja de todo ruim. Nossa distância da normatividade pode ser a fonte do que nos aflige, mas é também a fonte de nossa sagacidade, de nossa resiliência, de nossa empatia, de nossos talentos superiores para vestir-se e de dançar e de karaoke. Temos que reconhecer isso, enquanto lutamos por leis melhores e melhores ambientes - e enquanto descobrimos como sermos melhores uns aos outros. Eu continuo pensando em algo que Paul, o desenvolvedor de software, me disse: "Para pessoas gays, sempre nos dissemos que quando a epidemia de AIDS terminasse estaríamos bem. Depois, quando pudermos nos casar, ficaremos bem. Agora é, quando o bullying parar nós estaremos bem. Continuamos esperando o momento em que sentimos que não somos diferentes das outras pessoas. Mas o fato é que somos diferentes. Já é hora de aceitarmos e trabalharmos com isso. "
Tradução: A DIALÉTICA IDEALISTA MASCARADA COMO DIALÉTICA MATERIALISTA
Original: https://medium.com/@zacharygeorgenajariannajafi/misogyny-is-revisionism-part-1-on-the-lefts-woman-problem-22984b49675b Por: Zachary George Najarian-Najafi
A esquerda Marxista tem se deparado com três enormes mentiras que ameaçam a fundação emancipatória e revolucionária do projeto Marxista, todas relacionadas com o desmantelamento da liberação feminina; elas são:
1. Mulheres trans são mulheres. 2. Prostituição é trabalho. 3. Feminismo é burguês.
A misoginia, em suas diversas formas, tem sido um desafio para a esquerda; não apenas a misogonia da direita reacionaria, mas também a misoginia vinda da própria esquerda. Mas é um fenômeno recente que a misoginia da esquerda tenha conseguido se dar ares de progressismo. Ao aplicarem revisionismo do tipo mais barato, elementos reacionários por entre a esquerda conseguiram se posicionar como agentes do progresso. Muito já foi escrito sobre os danos dessas três mentiras, mas ainda ha espaço para desmarcará-la a partir de uma perspectiva marxista solida. Isto é o que propomos alcançar aqui; demonstrar definitivamente que essas mentiras não apenas são regressivas, mas inerentemente revisionistas e anti-Marxistas.
A primeira dessas três grandes mentiras, a de que “mulheres trans são mulheres”, é provavelmente a mais danosa, porque ela contradiz a pedra angular do método marxista: a Dialética Materialista. Ha duas definições principais usadas por transativistas para explicar suas narrativas. A primeira é que o gênero é uma identidade; o estado de ser um homem ou uma mulher (ou qualquer outra das incontáveis “identidades de gênero”) derivam não do sexo biológico (até o ponto em que transativistas de fato consideram a existência do sexo biológico), mas de uma identidade inata, ou seja, sentimentos e auto-consciência. A segunda definição diz que pessoas trans não são de fato do seu sexo físico, mas do sexo que dizem ser, porque eles teriam cérebros “femininos” ou “masculinos”. Ambas definições são focadas em individualidades, não na materialidade. Um dos maiores nomes da teoria queer, Judith Butler, diz:
“Uma coisa é dizer que o gênero é performado e outra é dizer que o gênero é performativo. Quando se diz que o gênero é performado, queremos dizer normalmente que se atua um papel e que essa atuação é crucial para o gênero do qual somos e pro gênero que apresentamos pro mundo. Dizer que o gênero é performativo é um pouco diferente pois para que algo seja performativo, isso significa que ele produz uma série de efeitos. Nós agimos, andamos e falamos de formas que consolidam uma impressão de sermos um homem ou uma mulher.”[1]
Apesar da teoria queer ser uma filosofia pós-modernista, suas raízes vão muito mais além; aliás, essa citação de Butler é um exemplo da dialética do idealismo. O Marxismo, como uma filosofia, foi formado como uma resposta à dialética idealista dos Jovens Hegelianos. A dialética do idealismo propõe que a realidade flui da consciência. Marx, por outro lado, argumenta que “não é a consciência do homem que determina sua existência, mas sua existência social que determina sua consciência”.[2] Ou seja, não são nossos pensamentos que moldam a nossa realidade material, mas a realidade material que molda nossos pensamentos. De fato, o primeiro grande trabalho de Marx, A Ideologia Alemã, se dedica exclusivamente a explicar essa questão.
Então qual seria a definição materialista do gênero? E como que a adoção da definição idealista sob o pretexto do Marxismo prejudica o objetivo marxista de liberação da mulher? O texto fundamental do Marxismo que lida com a opressão da mulher é “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” de Engels. Segundo esta obra, sempre houve uma divisão sexual do trabalho nas sociedades humanas, mas é apenas a partir da ascenção da propriedade privada que essa divisão de torna hierárquica. Antes da ascenção da propriedade privada, as sociedades se organizavam de acordo com o que Engels chama de “direito materno”, ou seja, a linhagem de alguém era traçada a partir da sua mãe, dada a dificuldade de se identificar com precisão a paternidade em sociedades comunistas primitivas. Mas como a propriedade privada cresceu do trabalho masculino, e se tornou concentrada em mãos masculinas, o direito materno foi substituído pelo “direito paterno”. E para que sua propriedade passasse consistentemente para seus filhos, o pai passou a precisar ter certeza de quem eram seus filhos. Isso significou passar a controlar o trabalho reprodutivo do sexo feminino, e a sua subordinação à supremacia masculina; e eis o advento do patriarcado. No Capitulo II de A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado Engels chama a derrubada do direito materno de “... derrota mundial do sexo feminino. Homens tomaram comando também dos lares; a mulher foi degradada e reduzida à servidão, ela se tornou escrava da sua luxúria e um mero instrumento de produção de crianças.[3] Note que Engels aqui esta lidando com o sexo, com a biologia. Mulheres não são oprimidas por causa de uma identidade de gênero abstrata, mas por causa de seu sexo. A sociedade de classes e o patriarcado, ambos vivendo em simbiose, precisam controlar o trabalho reprodutivo pra se sustentarem. Para colocá-lo de forma mais clara, eles precisam controlar os meios de produção, função à qual o corpo da mulher, o seu sexo, é reduzido. E portanto, a opressão da mulher tem suas origens na realidade material.
Mas ainda não lidamos com o conceito de gênero. No discurso atual e dominado pela teoria queer, sexo e gênero estão sendo cada vez mais confundidos ao ponto que têm sido usados como sinônimos um do outro. A análise do patriarcado de Engels é em muitos aspectos incompleta, mas ela forma a base das futuras explorações materialistas do sexo e do gênero. Feministas de segunda-onda que desenvolveram a maior parte do pensamento em relação ao gênero não revisaram esses fundamentos, mas apenas os expandiram, o que é o oposto do que revisionistas tem feito hoje em dia. Gênero, de acordo com a feminista radical Rebecca Reilly-Cooper, é “o sistema de valor que prescreve e proscreve formas de comportamento e aparências para membros de diferentes classes sexuais, e atribui um valor superior a uma classe sexual ao detrimento da outra.”[4] O gênero não é, portanto, a mesma coisa que o sexo biológico, mas um tipo de parasita implantado sobre o sexo biológico para manter a hierarquia sexual vigente, e assegurar a continuidade do contrôle masculino sobre o trabalho reprodutivo das mulheres. Pessoas em não-conformidade de gênero, assim como homossexuais, homens e mulheres, são exiladas de comunidades patriarcais não por causa de alguma identidade de gênero abstrata, mas porque eles não executam as funções que lhes são prescritas como membros de determinada classe sexual; eles são, em essência, traidores de classe, defeitores. Pessoas intersexuadas, que formam uma categoria material a parte, também entram nessa categoria de “exilados” porque eles também são incapazes de preencher seus papeis na hierarquia sexual patriarcal. Tais comunidades de exilados existiram através da história, e continuam a existir até hoje em todas as partes do mundo, das hijras na Índia, aos “two-spirited” dos Ameríndios à contemporânea e vergonhosa violência direcionada a todos os indivíduos em não-conformidade de gênero. Mas para reiterar, nada disso tem a ver com identidade, mas com a estruturação material da sociedade de classes.
Enquanto transativistas começaram a se virar contra a explicação biomédica para a transgeneridade, esta continua bastante viva e forte na comunidade médica e psiquiátrica. Teorias da era Vitoriana sobre o “sexo do cérebro”, que vieram a ganhar a ira de Marx e Engels, estão ressurgindo novamente nos dias de hoje. Na melhor das hipóteses, essas teorias são pseudo-ciência quimérica que jamais chegaram sequer próximas de alguma prova conclusiva em nenhum estudo científico legítimo. Os padrões segundo os quais a disforia de gênero é diagnosticada sempre se baseiam nos conceitos de masculinidade e feminilidade discutidos anteriormente. Estas teorias correm o risco de representarem papéis de gênero de forma errônea, como sendo enraizados na natureza em oposição a construções que sustentam o controle de uma classe dominante.
Ao invés de ser vista como uma doença, a disforia deveria ser vista como um sintoma de uma hierarquia sexual. As pressões da socialização de gênero são terríveis, e começam logo após o nascimento. Na maioria das vezes, sequer nos damos conta das formas sutis em que a socialização nos é imposta. A todos que rejeitam essa socialização, a consequência é que sofrerão extremo desconforto e angústia. A socialização de gênero não é apenas um fenômeno abstrato. Ela é, novamente, implantada em nós. Neste Sistema de socialização, o pênis se torna mais do que apenas o orgão sexual masculino, mas o símbolo da agressão e da supremacia masculina, da mesma forma que a vagina se torna o símbolo da inferioridade e da subjugação feminina. Indivíduos sensíveis que sofrem com essa socialização frequentemente chegam a odiar seus corpos, não porque seus corpos são de alguma forma “errados”, mas pelo que são forçados a acreditar que seus corpos representam. Eles sofrem pela aparente impossibilidade de se puxar a cortina que lhes foi colocada à frente da realidade material e que os impede de vê-la de forma objetiva. Os campos da cência médica e psicológica não estão imunes à influência da classe dominante. Esse é sobretudo o caso no campo da psicologia, onde o método de análise empregado isola o indivíduo da sociedade que o rodeia, preferindo ver conflitos internos como o resultado de algum tipo de defeito ao invés de como o resultado de forças materiais e sociais exercidas sobre o indivíduo.
Apesar do capitalismo ter quebrado alguns elementos do patriarcado, e permitido às mulheres que obtivessem algum ganho, ele não o desmantelou completamente. O capitalismo, sendo um sistema de classes, ainda precisa manter o controle dos meios de produção. Por exemplo, leis que restringem acesso ao aborto e contraceptivos, enquanto tendo repercussões negativas para todas as mulheres, afetam sobretudo mulheres pobres e trabalhadoras. Essas leis podem vir cobertas de terminologia moralista, mas têm uma base muito mais lógica; elas asseguram a produção contínua de futuros proletários para o benefício da máquina capitalista.
Ao mudar a definição de “mulher” para longe do materialismo e aproximando-a do idealismo, perde-se a possibilidade de se definir e lutar pela causa da opressão das mulheres. Na sua forma mais extrema, isso apaga a mulher como classe e torna impossível que se fale do patriarcado como uma força existente. Por que, então, marxistas, que supostamente são dialéticos-materialistas, têm embarcado ideais que vão justamente no sentido oposto da dialética materialista? Para responder a isso, precisamos obervar a natureza do patriarcado; é um sistema anterior ao capitalismo. Como discutido acima, o patriarcado e a sociedade de classes existem em simbiose. Um não pode ser eliminado sem que o outro também seja eliminado. Derrubar o capitalismo não é o mesmo que derrubar o sistema de classes. Como apontado por Mao, a dinâmica de classes ainda existe na sociedade socialista, e requer contínua vigilância e combate por parte do revolucionários. É por isso que muitos estados socialistas ainda restringem os direitos das mulheres em diversos níveis, como por exemplo as leis anti-aborto draconianas da Romênia de Ceauscescu. Todos os homens (machos da espécie humana) se beneficiam de alguma forma do patriarcado, até homens em sociedades socialistas. Consequentemente, homens que lutam contra o capitalismo também se beneficiam do patriarcado. Apesar de que homens e mulheres possam ser solidários uns com os outros enquanto trabalhadores, homens da classe trabalhadora também pertencem à classe do sexo masculino, uma classe que antecede a existência da classe trabalhadora moderna. E a lealdade de classe está profundamente enraizada. É por isso que tantos homens socialistas e “feministas” não pensam duas vezes ao endossar as linguagens e ações violentas perpetradas por alguns homens em não-conformidade de gênero contra a classe do sexo feminino, independentemente de como esses homens em não-conformidade de gênero se identifiquem. Isso não é negar que homens em não-conformidade de gênero sofram discriminação, mas reconhecer que mesmo enquanto exilados da classe do sexo masculino, eles ainda recebem alguns privilégios conferidos a essa classe. Note que aqui eu não uso o conceito de privilégio da mesma maneira que a esquerda regressiva tem feito, ou seja, como uma noção abstrata que deva ser “checada”. Privilégio é, de um ponto de vista materialista, uma força existente e que deve ser combatida, assim como revolucionários brancos deveriam ativamente combater a supremacia branca, e revolucionários do primeiro mundo deveriam combater ativamente o imperialismo de “seus” estados.
O oportunismo e o “medo” de estar do “lado errado da história” são também importantes forças por trás da incorporação desse revisionismo. A esquerda Anglôfona, especialmente nos EUA, dada à sua fraqueza em toda a arena política, tem desde muito tempo buscado ser “aceitável” e “polida”, e está pronta a abraçar qualquer discurso que ela acredite poder avançar esse objetivo. Esse desejo de ser aceita também traz à tona o medo. É verdade que comunistas cometeram erros sérios em julgamentos passados, mas isso não é uma desculpa para nos rebelarmos contra filosofias centrais e abraçarmos cegamente ideias e movimentos sem analisarmos antes profundamente suas crenças e objetivos. Isso não significa dizer que comunistas não deveriam estar à frente da defesa de indivíduos em não-conformdiade de gênero. Uma revolução socialista coerente requer que estruturas opressivas existentes sejam eliminadas. Mas é possivel defender pessoas em não-conformidade de gênero sem abraçar pseudo-ciência misógina e revisionismo.
Mulheres não são apenas oprimidas, mas profundamente exploradas. A classe trabalhadora das mulheres compreende o que é provavelmente a seção mais explorada da sociedade humana. Ao abraçarmos filosofias que não apenas apagam sua capacidade de se definirem e explicarem sua exploração, mas também negam-lhes a agência para se organizarem como uma classe revolucionária, esses “Marxsta” têm provado que estão em direta contradição com a filosofia e ideias Marxistas. Estão engajados em revisionismo.
Na próxima parte, examinaremos a segunda grande mentira que infecta a esquerda de hoje: a noção de que “prostitução é trabalho”.
[1] “Judith Butler: Your Behavior Creates Your Gender.” YouTube. Big Think, 06 June 2011. Web. 29 June 2017. [2] Marx, Karl. “Economic Manuscripts: Preface to A Contribution to the Critique of Political Economy.” Marxists Internet Archive. Progress Publishers, n.d. Web. 29 June 2017. [3] Engels, Frederick. “Origins of the Family — Chapter 2 (III).” Marxists Internet Archive. N.p., n.d. Web. 29 June 2017. [4] Reilly-Cooper, Rebecca. “Gender.” Sex and Gender. N.p., 06 Sept. 2015. Web. 29 June 2017. Emphases present in original text.
Tradução: Rumo a uma crise Queer: sobre o capitalismo e a heterossexualidade compulsória
Texto original: http://novaramedia.com/2016/10/23/towards-a-queer-crisis-on-compulsory-heterosexuality-under-capitalism/
Por Sophie Monk e Joni Pitt (Cohen)
Qual é o papel da heterossexualidade compulsória no capitalismo global? Se entendermos o capitalismo como um sistema total, também devemos reconhecer as maneiras pelas quais todos os aspectos de nossas vidas - incluindo nossos desejos, nossas vidas românticas e nossas unidades familiares - são esculpidos e projetados para dar prioridade à incessante acumulação de capital. Se entendemos isso, talvez possamos vislumbrar uma visão de como esses processos podem ser interrompidos.
A heterossexualidade compulsória e a reprodução da força de trabalho.
O capitalismo precisa produzir uma força de trabalho para sobreviver; Pois depende da disponibilidade contínua de mão-de-obra barata e abundante. Isso significa várias coisas: primeiro, que deve fornecer algum tipo de salários para permitir que seus trabalhadores subsistam e, em segundo lugar, que deve garantir a reprodução intergeracional para garantir o futuro da força de trabalho. Uma certa taxa de procriação é, portanto, necessária para o florescimento do capitalismo. Aqui propomos que a heterossexualidade compulsória seja uma das técnicas do poder burguês implantadas para garantir esse futuro, assegurando que o proletariado se reproduza.
Por esta razão, a família heterossexual ocupa um lugar privilegiado na história das sociedades capitalistas, valorizada como a única forma virtuosa e tolerável de relacionamento romântico-sexual. Historicamente, o estabelecimento político tem sido nada menos que sincero ao admitir isso: Winston Churchill se gabou "não há dúvida de que é em torno da família e do lar que todas as maiores virtudes, as virtudes mais dominantes do ser humano, são criadas, fortalecidas e mantidas ". Contido nisto está a diretiva implícita de que a procriação heterossexual é natural e essencial para o florescimento da sociedade.
Olhando para o estabelecimento de uma ordem capitalista na Grã-Bretanha, vemos a heterossexualidade compulsória - embora nesta fase, dificilmente um conceito novo - assumir sua forma capitalista na legislação estadual. A heterossexualidade legalmente mandatória é cerceada em torno do mesmo tempo em que o capitalismo começa a assumir - portanto, quando os termos modernos da gestão da população se tornam uma característica fundamental do empunhar o poder. No século 16, enormes partes de terras britânicas anteriormente organizadas em terras arvenses não cultivadas e pequenas explorações foram combinadas e privatizadas, cercadas pelos camponeses que anteriormente gozavam de alguns direitos sobre seu uso. Esta política de "encerramento" expulsou os camponeses da terra em que eles subsistiram em comunidade, marcando o nascimento do que Marx chamaria o vogelfrei (livre de pássaros): uma classe duplamente liberada de sua servidão, mas também dos meios de sua subsistência. Muitos pensadores apontaram isso como um momento-chave na transição do feudalismo para o capitalismo; Privados da capacidade de sobreviver fora da terra, mais e mais pessoas foram forçadas a depender dos salários. Assim, nasceu o proletariado moderno.
Antes dessa mudança econômica, os níveis da população camponesa só importavam para a classe feudal, desde que pudessem se reproduzir e produzir o excedente pago em impostos aos seus mestres feudais. Mas este nível básico de substituição não é suficiente para sustentar o crescimento capitalista: para sobreviver, o capitalismo deve expandir-se constantemente. Embora os níveis de produtividade em um sistema feudal não precisassem aumentar, o modo de produção capitalista exige um aumento exponencial na eficiência não só capacidade produtiva global. Essa tendência expansionista da produção incessante exige que a população trabalhadora também esteja em constante expansão. No dogma da Igreja para o fim do feudalismo, a reprodução heterossexual era a única forma admissível de um elemento geralmente desprezível da vida humana: a carne era vista como base e suas fraquezas eram a origem do pecado original. Com o nascimento de uma economia capitalista, no entanto, não se trata apenas do estigma em torno da sexualidade por si - mas uma legislação que consagra uma heterossexualidade compulsória. Assim, vemos as demandas procriativas do capital que se afasta de um ideal anti-natalista sustentado pela Igreja, para moldar a legislação secular.
Se olharmos para o que estava acontecendo na lei de direitos dos homossexuais em torno desta época, vemos o Ato de Buggery de 1533 emergir como uma força jurídica disciplinar e punitiva para gerenciar as partes dos despojados que se deslocam para a esfera urbana. A definição histórica de sodomia foi esculpida durante um longo período de tempo por precedentes judiciais, geralmente usada para se referir às relações sexuais anais ou às relações sexuais orais por um homem com um homem ou um homem com uma mulher, ou seja, atividade sexual não-procriadora. Aqui, temos um dos primeiros exemplos de produtividade que se torna um problema para a governança, e com isso, a procriação e a gestão da população estão entrando no discurso estadual.
Até uma certa conjuntura histórica, portanto, as sexualidades não-normativas foram intoleráveis às necessidades reprodutivas do capitalismo, uma vez que não são propícias à procriação. Podemos traçar a criminalização do homossexualismo não para um conservadorismo social sem raízes que emerge do vazio, ou uma ressaca desatada do dogma da Igreja, mas às necessidades materiais do capital. Segundo o escritor Paul Preciado, "a heterossexualidade deve ser entendida como uma tecnologia de procriação politicamente assistida". O policiamento da sexualidade não é simplesmente uma repressão reativa dos instintos naturais; É a mobilização de certos comportamentos que levam à criação de futuros trabalhadores.
Mesmo a maneira pela qual as crianças historicamente foram disciplinadas fala com o mesmo impulso do capitalismo: fazer e dar forma aos seus trabalhadores para que possam cumprir seu destino como parte da força de trabalho produtiva. Há muito pouca diferença entre os modelos de castigos corporais adotados nas escolas da metade anterior do século XX e as formas de disciplina exercidas em fábricas da mesma época. A liberalização do sistema escolar e as técnicas de parentesco em geral, no entanto, nos apresenta uma imagem diferente de disciplina hoje. Desde a Lei de Justiça Criminal de 1948, o uso de castigos corporais passou a ser ilegal. Os corpos das crianças não são mais condicionados para o trabalho na fábrica, mas sim para o trabalho incessante de busca de emprego, auto-venda e o estado geral da vida como um Curriculum Vitae itinerante, mais frequentemente entre empregos do que neles. Claramente as estruturas disciplinares que cercam a reprodução social estão mudando, mas por quê?
Crise e liberação Queer.
A libertação queer começou como uma rebelião contra leis destinadas a promover a procriação. Em meados da década de 1960, viu o nascimento de organizações e movimentos de libertação gay com um alcance verdadeiramente global, como o nascimento da Conferência Norte Americana de Organizações Homófilas, o Compton's Cafeteria Riot de 1966 e a popularização do piquete como política tática entre os grupos de direitos LGBT. Podemos ver o início da libertação dos homossexuais como uma constelação de momentos importantes e fundamentais, a fim de gerar mudanças legislativas coletivamente e o crescimento exponencial dos movimentos LGBT, precipitando os distúrbios Stonewall de 1969 e na Grã-Bretanha, a formação da Frente de Libertação Gay e A Campanha pela Igualdade Homossexual.
Embora o lesbianismo nunca tenha sido explicitamente proibido na lei britânica, em 1967 se viu pela primeira vez a descriminalização do homossexualismo masculino na Inglaterra e no País de Gales. No entanto, isso parece inusitadamente precoce para as leis de descriminalização entre os principais países capitalistas, incluindo a Escócia e a Irlanda do Norte, e os EUA que se seguiram no início dos anos 80.
Claramente, é preciso entender o aumento da ação direta de libertação gay em torno desta época, como uma força motriz essencial por trás da consagração dos direitos LGBT. Mas, se aceitarmos o vínculo íntimo entre as demandas do capitalismo e o policiamento da sexualidade, devemos perguntar como o Estado poderia dar o luxo de revogar legislação que antes tinha sido tão comprometida e tão essencial para as necessidades procriativas do capital? Nossa sugestão: crise. Podemos tomar em 1973 o nosso momento de crise nas capacidades produtivas do capitalismo. O início da longa crise, em 1973, marcou uma crise econômica global a partir da qual a economia mundial nunca se recuperou. Joshua Clover observa alguns eventos importantes desse período: "o primeiro de uma série de choques de petróleo, a retirada formal dos EUA da sua aventura no Sudeste Asiático e o colapso final do sistema monetário de Bretton Woods preparando o cenário para aumentar o comércio e a atualidade Desequilíbrio da conta ". Com o declínio da economia da fabricação ocidental, a financeirização assumiu a economia britânica: enquanto outros setores diminuíram, o crescente setor financeiro começou a representar uma proporção cada vez maior da economia do país. As taxas de lucro caíram nas indústrias de manufatura, forçando os capitalistas individuais a buscarem outros meios para fins lucrativos. Eles conseguiram fazê-lo através da crescente eficiência do transporte e da circulação de commodities, e através da especulação sobre os lucros futuros. Essa mudança econômica teve um impacto profundo no grau de mão-de-obra exigida pelo capital e, portanto, na necessidade de relações procriativas heterossexuais obrigatórias do Estado.
Além disso, à medida que os lucros diminuíram nas indústrias de mão-de-obra pesada, essas indústrias eram menos capazes de pagar os salários ao serem competitivas. Com o vazamento da capacidade do capital de comprar força de trabalho, um espaço para relações não-procriadoras e especificamente homossexuais se apresentou. O estabelecimento legal respondeu às forças gêmeas dos movimentos de libertação homossexual e à conveniência econômica, permitindo que a vida queer existisse como parte da sociedade dominante. Em outras palavras, a descriminalização das relações homossexuais tornou-se passível, ou pelo menos tolerável, ao capital, não para que a vida queer pudesse florescer, mas para acelerar sua assimilação e tornar as diferenças invisíveis. Após a passagem da Lei da Ofenças Sexuais em 1967, Lord Arran pediu aos queers para "mostrarem seus agradecimentos, comportando-se silenciosamente e com dignidade", acrescentando que "qualquer forma de comportamento ostentoso agora ou no futuro ou qualquer forma de melhorias públicas seria totalmente desagradável”. Vemos aqui uma mudança nas técnicas de controle, desde a repressão direta até a tolerância ostensiva sob condição de cooperação.
É claro que a heterossexualidade e a procriatividade compulsórias não deixaram de ser do interesse do poder do Estado. Podemos olhar para a celebração anual da fecundidade da Itália, com o imperativo de procriação que acompanha na sua propaganda. No entanto, parece que isso serve um propósito diferente na manipulação da população da Itália. Em vez de exigir uma força de trabalho ampliada para o capital, o estado italiano deseja um aumento na proporção de italianos brancos para populações não brancas, refletindo uma volta para o nacionalismo em oposição à propagação de forças do mercado.
Nem podemos dizer que a homofobia na Grã-Bretanha - particularmente a homofobia do Estado - por qualquer meio tenha se dissolvido na crise de 1973. O virulento esmagamento dos homossexuais permaneceu no coração do consenso político socialmente conservador que se desenvolveu através dos anos Thatcher, evoluindo para uma permissão relutante do casamento gay sob o governo conservador de hoje. E, no entanto, parece além do domínio da coincidência que foi nesse momento histórico particular que certas exigências de libertação queer tornaram-se passíveis de ideologias de produção do capital. Quando o capitalismo prospera, a reprodução heterossexual é necessária. Quando o capitalismo entra em crise, suas habilidades para sustentar uma população diminuem, proporcionando um espaço dentro do qual a libertação queer pode ser possível sem antagonizar a acumulação de capital. Isso nos ajuda a reconhecer que essa história de libertação queer e a cooptação aparentemente total da vida LGBT, correlativa com o surgimento do neoliberalismo - uma era marcada por crises de produção sobrepostas.
Assimilação e Orgulho.
Longe de sugerir que os queers foram liberados pelo capitalismo, queremos examinar quais elementos da vida queer são toleráveis e assimiláveis no sistema capitalista global e quais não são. O fenômeno do Pinkwash corporativo pode nos dizer muito sobre a extensão em que pessoas LGBT foram incorporadas no rosto público do capital. No ano passado, a Financial Times e o Financial Times colaboraram em uma "lista de poder" de executivos LGBT notáveis, incluindo o CEO da Lloyds of London, Inga Beale e Mark Zuckerberg do Facebook como "aliado" destacado.
Da mesma forma, a evolução do Orgulho em um evento puramente festivo, anulado de sua política radical original, é indicativo da forma como a "representação" e a "inclusão" se tornaram as principais fronteiras principais da "libertação" queer. Exigir "representatividade" e "inclusão" fala de um desejo de não mudar a sociedade, mas de ser intrinsecamente incluído dentro dela. Embora o Orgulho tenha resultado da resistência à brutalidade da polícia sob a forma dos tumultos de Stonewall, os desfiles contemporâneos do Orgulho incluirão rotineiramente flutuadores de policiais gays que se celebram e, implicitamente, esse canal particular do poder estatal repressivo. Ao invés de uma celebração de vidas e lutas homossexuais, o orgulho parece pouco mais do que uma celebração da capacidade dos homossexuais de se assimilarem e terem, sucesso sob o capitalismo. Essa forma de visibilidade queer oculta convenientemente às histórias interseccionais de classe e raça, que tradicionalmente problematizaram a facilidade de assimilação. O sucesso no capitalismo não está disponível para todos. A verdade do Orgulho é um desfile do capitalismo queer e, portanto, a capacidade de uma forma de vida queer - predominantemente rica, predominantemente branca e predominantemente masculina - miserando e explorando os outros.
Da mesma forma, a preocupação com o casamento gay e o direito à adoção como a questão definitiva dos direitos civis queers de nossa geração, não só se distraiu das necessidades materiais e privações de pessoas queer sob o neoliberalismo, mas também reflete uma continuidade fundamental entre a casa nuclear heterossexual e novas estruturas familiares não tradicionais. As vantagens materiais que a legalização do casamento gay trouxe são inegáveis, especialmente diante da gentrificação e leis de imigração cada vez mais draconianas que privilegiam casais. No entanto, as motivações políticas por trás desse desenvolvimento são projetadas nuamente para incentivar e recompensar as formações participativas de relacionamentos que visam a reprodução das relações de propriedade burguesas. Novamente, isso é possível graças à mudança de ênfase da produção para a circulação e o consumo sob a ordem econômica neoliberal que nos encontramos hoje. O casal casado gay representa uma classe empresarial ideal e trabalhadora, que - sem exigência obrigatória de investir renda na reprodução de crianças - é deixada com uma renda considerável para ser reencaminhada de volta ao consumo e ao investimento especulativo. Uma estranha inversão de valores ocorreu, trabalhadoras lésbicas que optem por não se reproduzir provavelmente que ganham mais do que sua colega heterossexual para o mesmo trabalho, em virtude de não se esperar que tomem licença por maternidade ou que precise reduzir as horas para estar com os filhos. Uma celebração da não-procriatividade como condição de uma maior dedicação da vida ao trabalho entrou na lógica por trás da atitude cambiante da capital para as pessoas LGBT.
Libertação queer anticapitalista: um orgulho com o qual podemos nos orgulhar.
Em julho, a Parada do Orgulho LGBT de Toronto foi bloqueada por ativistas da Black Lives Matter (Vidas Negras Importam) que ocuparam a rota por aproximadamente uma hora e meia. A principal argumentação foi que o Orgulho está falhando nas comunidades LGBT - particularmente de cor - pela plataforma da polícia, sua reticência para financiar comunidades minoritárias e a escassez de representação negra. A interrupção foi um sucesso, terminando com os organizadores da Toronto Pride concordando em atender às demandas do grupo. O que é tão notável sobre este ato particular de protesto é a recusa em aceitar que ainda há algo para comemorar: como a ação obstruiu a procissão dianteira da marcha, suas demandas também complicaram a noção de libertação queer como uma trajetória progressiva em movimento.
Se falamos de libertação queer não como um horizonte a ser apontado, mas como uma conquista dos livros de história, traímos as realidades da vida queer hoje. As pessoas queer não devem ser vistas como uma categoria flutuante, puramente identitária. É constituído através de suas interseções fundamentalmente classificadas, corridas e desativadas; As pessoas vivem não simplesmente como queers, mas também como pobres, como femininas e como pessoas de cor. Devemos nos esforçar não apenas para uma libertação de pessoas como queers, mas uma libertação de pessoas queer. Para simplesmente eliminar o queer como um eixo de opressão, não constituiria a libertação queer, uma vez que a vida queer está inevitavelmente ligada a uma variedade de outras opressões. Não consideramos uma conquista levar pessoas queer ao mesmo nível de miséria de pessoas heterossexuais; Desejamos a erradicação da miséria de pessoas queer como um todo. Como tal, isso requer a libertação das pessoas queer desfavorecidas pelo capitalismo, das pessoas queer de cor do racismo e das pessoas queer com deficiências de uma sociedade capacitista.
Nossa tarefa agora é liberar os potenciais inerentes nas comunidades queer para formas de vida não-capitalistas. É significativo que as formas de vida queer que permaneçam marginais e não assassinadas são aquelas que mais se assemelham às comunidades das quais a Revolta de Stonewall e Compton entraram em erupção na década de 1960. Historicamente, o bar gay funcionou como um sítio de reprodução social, interno ou espaço dentro do capitalismo que, no entanto, se recusa a reproduzir as relações sociais exigidas por ele. Chamamos, então, a proliferação de movimentos de libertação queer que, como esses distúrbios históricos, emergem da comunidade e priorizam o bloqueio da circulação capitalista, que trazem o ambiente do bar gay para as ruas e antagonizam as forças que originalmente os levaram para as fogueiras. Enquanto anteriormente os policiais viriam a nós para encerrar nossos espaços e obliterar a formação de solidariedades, agora devemos trazer nossa luta para o que eles existem para proteger: propriedade privada. Também pedimos que os queers se unam sob a bandeira da classe dos imigrantes e - embora reconheçam a importância do discurso privilegiado para nossos próprios governos internos - resistam a solidariedades desintegradoras sobre a pontuação política e as variações sutis na facilidade de nossas vidas, como o Feminismo Diário nos faria. Estamos diferentemente fodidos, mas estamos todos desprezados, mas estamos todos, no entanto. Finalmente, pedimos um movimento de libertação queer anticapitalista que mude sua ênfase para longe da acumulação de direitos e privilégios e, em vez disso, busca a abolição do poder estatal guiado pelo capital, a força mais violenta em nossas vidas. A história da heterossexualidade compulsória nos mostra a dependência absoluta do capitalismo em sua capacidade de reproduzir um certo tipo de vida. Através disso, mostra-nos como a libertação queer pode ser, e de fato, deve ser.
Tradução: A Educação Sexual é muito importante para ser deixada para o Pornhub
Original: http://www.newstatesman.com/science-tech/internet/2017/02/sex-education-too-important-be-left-pornhub
O site pornográfico está promovendo um "centro de bem-estar" que vende idéias sexistas sobre desejo e anatomia. Infelizmente, está preenchendo uma lacuna no mercado deixada pelas escolas.
6 de Fevereiro de 2017
Sarah Ditum, jornalista do New Statement Mgazine
A pornografia e a educação sexual têm uma longa e desigual associação: leis de obscenidade têm sido usadas para anular informação sobre sexo e contracepção, e os filmes de exploração sexual têm sido enquadrados como educacionais para contornar as leis de obscenidade. É sempre a educação sexual que se da pior nesta parceria, seja banida por associações ou porcamente copiada. A última manifestação da última versão veio da Pornhub no fim de semana, quando o site de streaming de vídeos pornográficos lançou o seu "Centro de Bem-Estar Sexual".
A propósito, não se incomode de pesquisá-lo no Google. Apesar da grande cobertura para o lançamento, e apesar do Presidente do Pornhub ter feito o site ser o principal resultado e o número um para pesquisas do termo "porn", procurar de "pornhub + educação sexual" te trará apenas uma lista de resultados como "Veja a professora Latina tetuda ensinar seus alunos uma lição de educação sexual” ". O próprio Centro de Bem-Estar Sexual não aparece sequer na página um.
Ainda assim, isso não significa necessariamente que o site é uma coisa ruim. Olhando para ele, no entanto, suas deficiências são óbvias. O verbete sobre a anatomia reprodutiva feminina, por exemplo, nos informa que o clitóris é "o botão erógeno" para as mulheres "e declara que é" semelhante à ponta do pênis ". O que realmente não é verdade: o clitóris, assim como um iceberg, possui sua maior parte abaixo da superfície. Curiosamente, o verbete da anatomia masculina não diz que o pênis é "semelhante a" um clitóris. Os corpos masculinos, obviamente, ocupam a gloriosa posição do padrão do qual as mulheres são um desvio.
Os homens ficam duros, de acordo com o Pornhub, e as mulheres molhadas, "permitindo que o pênis (ou brinquedo) entre no corpo e se sinta agradável". Isto, novamente, é uma tomada distintamente sexista da biologia que se baseia em estereótipos sobre a atividade masculina e a passividade feminina. Os pênis eretos não são instrumentos secos de penetração, eles também produzem o fluido seminal lubrificante; Durante a excitação das mulheres, o clitóris interno incha com sangue. Como a escritora Emily Nagoski diz em seu livro “Venha como você é”: "Por que falamos sobre os homens" ficando duros "e as mulheres" ficando molhadas ", quando a partir de uma perspectiva biológica masculina e feminina ambas genitais ficam tanto duras e molhadas? É uma coisa cultural ... "
Pornhub não é muito bom com corpos, mas talvez seja melhor sobre a ética da relação sexual. Um artigo sobre o consentimento informa os leitores da necessidade de consentimento positivo, salientando com razão que "uma pessoa tem todo o direito de dizer NÃO em qualquer momento" e pedindo atenção aos sinais não-verbais de recusa. "Submissão também não é o mesmo que consentimento", diz, admiravelmente. É uma pena que este conselho esteja em total contradição com o principal negócio da Pornhub. Em 2015, o ator James Deen foi acusado de estupro, assédio e agressão sexual por 11 co-estrelas femininas. (Ele negou as acusações e não houve processos legais). Seus vídeos, nos quais as mulheres são "putas" para serem "destruídas" e "punidas", não parecem manter uma distinção atenta entre o consentimento e a submissão . E eles estão prontamente disponíveis para assistir no Pornhub.
O Centro de Bem-Estar Sexual não é um ato de caridade por parte da Pornhub. Enquanto o site de vídeo principal é um lugar escuro repleto de orifícios, o Centro combina com o "quarto bem iluminado e limpo" que a escritora Emily Witt identificou como o modelo para sites de encontros de namoro para mulheres: este é um lugar para pessoas que normalmente não Vá para Pornhub poderem se acostumar com a idéia de acessar o Pornhub. Não há nada sobre a aparência dessa parte do site que tornaria inadequado para um leitor adolescente curioso.
Mas se oPornhub está aproveitando a educação sexual para polir sua imagem pública, é só porque a educação sexual é um nicho que foi deixado lamentavelmente aberto à exploração. A educação sexual nas escolas britânicas não é obrigatória nem abrangente (e a situação na América é ainda mais sombria): questões como as relações LGBT, reconhecendo abuso e entendimento do consentimento são consideradas demasiado controversas para o currículo, e assim a pornografia enche a brecha.
Em uma pesquisa do Comitê de Mulheres e Igualdade, 60% dos jovens disseram ter visto pela primeira vez pornografia quando tinham menos de 14 anos. Na ausência de boas relações sexuais, a pornografia torna-se a base da cultura sexual. Ele define expectativas sobre como homens e mulheres devem se comportar - expectativas que fazem o prazer das mulheres apenas uma reflexão tardia para o negócio de realizar para o benefício dos homens.
Tradução: Quem adota as identidades queer e pansexual? Estudo analisa características sexuais e demográficas.
Original: http://www.psypost.org/2017/01/adopts-queer-pansexual-identities-study-examines-sexual-demographic-characteristics-47187 Estudo citado: https://drive.google.com/open?id=0B4Hy_IE15g68bHZuRHVEaGFpRjA
Psy Post. ERIC W. DOLAN 31 de janeiro de 2017
Pesquisa publicada no The Journal of Sex Research forneceu algumas respostas para a questão de quem se identifica como pansexual e queer.
O estudo de 2.220 adultos australianos comparou aqueles que identificaram como queer e aqueles que identificaram como pansexual com aqueles que adotam identidades sexuais tradicionais, como lésbicas, gays e bissexuais. Pansexualidade é uma identidade sexual que descreve os indivíduos que são capazes de se atrair por qualquer pessoa, independentemente do seu gênero ou sexo biológico, enquanto queer se tornou um termo guarda-chuva para as minorias sexuais e de gênero que não se identificam com categorias tradicionais como gay ou bissexual.
Os pesquisadores descobriram que os indivíduos pansexuais relataram de forma esmagadora padrões semelhantes de atração sexual, atração romântica, comportamento sexual e sexo de parceiro para indivíduos bissexuais. Os indivíduos queer, por outro lado, eram mais uma mistura de indivíduos monossexuais (isto é, atraídos por um sexo) e não-homossexuais (ou seja, atraídos por mais de um gênero) e essa mistura diferia por gênero. Homens queer tendem a demonstrar atração sexual e comportamento na faixa homossexual, enquanto mulheres queer eram igualmente susceptíveis de ser da faixa homossexual ou bissexual.
Os homens e mulheres pansexuais também tendem a ser mais jovens do que aqueles que adotam identidades sexuais como lésbicas, gays, bissexuais e queer. Além disso, rótulos queer e pansexual foram mais freqüentemente adotado por mulheres cisgênero do que por homens cisgênero.
As identidades queer e pansexual eram mais comuns entre indivíduos Transgênero do que indivíduos cis Participantes com identidades de gênero não-binário como gênero-fluido foram mais propensos a se identificar como queer ou pansexual. Mas as identidades queer e pansexual eram ligeiramente menos comuns entre homens e mulheres transexuais de mulher para homem e de homem para mulher, que eram relativamente mais propensos a adotar identidades sexuais tradicionais.
O PsyPost entrevistou o correspondente autor do estudo, James S. Morandini da Universidade de Sydney. Leia as respostas abaixo:
Por que você estava interessado neste tópico?
Os indivíduos não-heterossexuais parecem estar se identificando cada vez mais como algo diferente de lésbicas / gays ou bissexuais. Duas formas alternativas de rotular e conceituar a identidade sexual, "queer" e "pansexual", estão ganhando popularidade. De fato, nos últimos anos, grupos de defesa de minorias sexuais vêm adotando acrônimos ampliados (como "LGBTIQQPA"), que incluem o queer ("Q") e pansexual ("P") e figuras de alto nível como Miley Cyrus e até mesmo Um funcionário eleito dos EUA, saíram como pansexual ou queer.
Até este ponto, porém, pouco se sabe sobre quem exatamente adota identidades sexuais queer e pansexual.
Alguns argumentaram que o surgimento dessas novas identidades sexuais sinaliza uma era "pós-gay", em que os não-heterossexuais mais jovens estão cada vez mais rejeitando categorias rígidas de lésbicas / gays versus bissexuais versus heterossexuais.
No entanto, uma possibilidade alternativa é que, em vez de um movimento universal em direção a rótulos não tradicionais, essa mudança está ocorrendo predominantemente em subgrupos específicos de minorias sexuais / de gênero. Algumas evidências existentes sugerem que esses rótulos podem ser populares entre indivíduos transgêneros, uma vez que eles não assumem atrações para apenas homens e mulheres (mas também aqueles com gêneros não-binários) e porque os rótulos não vêm com suposições indesejadas sobre seu gênero. Além disso, dado que a sexualidade feminina parece ser mais fluida e baseada na pessoa do que a sexualidade masculina, é provável que estas emergentes identidades sexuais não categóricas sejam mais comuns nas mulheres do que nos homens.
O que o público em geral deve tirar de seu estudo?
Verificou-se que uma minoria significativa de não-heterossexuais pesquisados identificou como queer ou pansexual, mas que, como previsto, isso era muito mais comum entre indivíduos transgêneros (> 60%) do que em indivíduos cis – e mais comum em mulheres (~ 17%) do que homens (~ 4%).
Com relação à atração sexual, comportamento sexual e sexo do parceiro (isto é, índices de orientação sexual), os homens e mulheres identificados bissexuais parecem em grande parte idênticos aos homens e mulheres identificados por pansexual. Os pansexuais também tendem a ser mais jovens do que os indivíduos lésbicas / gays / bissexuais e queer - o que está de acordo com a pansexualidade sendo um rótulo de identidade emergente recentemente, mais comum entre os milenares.
Os indivíduos queer parecem ser uma mistura de indivíduos monossexuais e não-monossexuais. A maioria dos homens que se identificam como queer relataram índices de orientação sexual na faixa homossexual, com uma proporção menor (~ 20%) relatando atrações e comportamento na faixa bissexual, enquanto cerca de metade das mulheres queer relatou índices de orientação sexual na faixa homossexual, e cerca de metade indicou índices de orientação sexual na faixa bissexual.
Existem algumas grandes ressalvas? Quais questões ainda precisam ser tratadas?
É possível que aqueles que adotam identidades queer e pansexual difiramm daqueles que adotam identidades LGB tradicionais de formas que não foram avaliadas no presente estudo. Uma dessas diferenças é a fluidez sexual. Alguns indivíduos (particularmente mulheres) podem adotar uma identidade queer porque capta melhor o potencial de flexibilidade e mudança no seu sexo preferido do que as rígidas categorias de lésbicas / gays, bissexuais ou heterossexuais. Estudos futuros também podem tentar medir as atrações baseadas em pessoas ou sem gênero, às vezes relatadas por indivíduos pansexuais, pois a presença dessas atrações não pode ser avaliada com precisão utilizando medidas tradicionais de continuidade da orientação sexual (como a Escala de Kinsey). Para analisar o tipo particular de estigma e discriminação experimentado por indivíduos queer e pansexual, e como essas experiências diferem (ou são semelhantes) para que enfrentado por indivíduos lésbicas / gays e bissexuais. Além de Morandini, o estudo "Who Adopts Queer and Pansexual Identidades sexuais? "Foi co-autoria de Alexander Blaszczynski e Ilan Dar-Nimrod.
Tradução: O sexismo pode ser prejudicial para a saúde mental dos homens
Original: http://www.apa.org/news/press/releases/2016/11/sexism-harmful.aspx
Homens que aderem à normas masculinas também têm menos probabilidade de procurar tratamento, diz estudo
Os homens que se vêem como playboys ou como tendo o poder sobre mulheres são mais prováveis ter problemas psicológicos do que os homens que conformam-se menos às normas tradicionalmente masculinas, de acordo com a pesquisa publicada pela Associação Psicológica Americana.
"No geral, os indivíduos que se conformavam fortemente com as normas masculinas tendiam a ter uma saúde mental mais pobre e atitudes menos favoráveis em relação à busca de ajuda psicológica, embora os resultados diferissem dependendo de tipos específicos de normas masculinas", disse Y. Joel Wong, PhD, Indiana University Bloomington. O estudo foi publicado no Journal of Counseling Psychology®.
Wong e seus colegas realizaram uma meta-análise de 78 amostras de várias pesquisas envolvendo 19.453 participantes que se concentraram na relação entre saúde mental e conformidade com 11 normas geralmente consideradas pelos especialistas para refletir as expectativas da sociedade de masculinidade tradicional:
Desejo de ganhar.
Necessidade de controle emocional.
Tomada de riscos.
Violência.
Dominação.
Playboy (Promiscuidade sexual) .
Auto-suficiência.
Primazia do trabalho (importância atribuída ao trabalho).
Poder sobre a Mulher.
Desdém pela homossexualidade.
Busca de status.
Especificamente, eles focalizaram três tipos gerais de resultados para saúde mental: saúde mental negativa (por exemplo, depressão), saúde mental positiva (por exemplo, satisfação com a vida) e busca de ajuda psicológica (por exemplo, buscando serviços de aconselhamento).
Enquanto a maioria dos estudos norte-americanos se concentravam predominantemente em homens brancos, alguns se concentraram predominantemente em afro-americanos e alguns em asiático-americanos.
No geral, a conformação às normas sociais masculinas foi associada com resultados negativos de saúde mental em indivíduos, os pesquisadores descobriram que a associação é mais consistente para essas três normas - auto-suficiência, comportamento promíscuo e poder sobre as mulheres.
"As normas masculinas de promiscuidade e poder sobre as mulheres são as normas mais estreitamente associadas com atitudes sexistas", disse Wong. "A forte associação entre a conformidade com essas duas normas e os resultados negativos relacionados à saúde mental ressalta a idéia de que o sexismo não é meramente uma injustiça social, mas também pode ter um efeito prejudicial sobre a saúde mental daqueles que abraçam tais atitudes".
Ainda mais preocupante, disse Wong, era que os homens que se conformavam fortemente às normas masculinas não só tinham mais probabilidade de ter uma saúde mental deficiente, mas também menos propensos a buscar tratamento de saúde mental.
Houve uma dimensão para a qual os pesquisadores não conseguiram encontrar efeitos significativos.
"A primazia do trabalho não foi significativamente associada com qualquer um dos resultados de saúde mental relacionados", disse Wong. "Talvez isso seja um reflexo da complexidade do trabalho e suas implicações para o bem-estar. Um foco excessivo no trabalho pode ser prejudicial à saúde e às relações interpessoais, mas o trabalho também é uma fonte de significado para muitos indivíduos ".
Além disso, a conformidade com a norma masculina de tomada de riscos foi significativamente associada a resultados de saúde mental negativos e positivos, sugerindo que a tomada de risco pode ter tanto conseqüências psicológicas positivas quanto negativas, disse Wong.
Artigo: “Meta-Analyses of the Relationship Between Conformity to Masculine Norms and Mental Health-Related Outcomes,” by Y. Joel Wong, PhD, Shu-Yi Wang, MS, and S. Keino Miller, MA, Indiana University Bloomington, and Moon-Ho Ringo Ho, PhD, Nanyang Technological University. Journal of Counseling Psychology, published online Nov. 21, 2016.
Meu pequeno resumo do Primeiro Seminário Queer
10 de Setembro de 2015.
Nos últimos dois dias estive "infiltrado" no Primeiro Seminário Queer, realizado em São Paulo. Testemunhei de perto aquilo que já me assustava nos textos e nos discursos de "militantes" do meio universitário. Essa teoria não passa disso: uma teoria. Nenhum palestrando foi capaz de propor ações práticas, direções para movimentos sociais, nada.
O evento foi uma imensa masturbação acadêmica, de meta-citações entre os convidados, de novos-velhos conceitos subjetivos e vazios, cheios de pretensões. Houve momentos em que eu acreditei que o caminho dos discursos estava melhorando. Pontos como a questão da palestina, da violência policial, do genocídio negro passaram rapidamente pelas falas. Pena que eram seguidos por momentos de queda livre em direção ao nada.
A começar pelos palestrantes, que muito sabem sobre esse nada no qual a teoria queer está apoiada. Vi o feminismo - ou como dito "feminismos" - ser tratado como uma luta política ultrapassada, vi pessoas enchendo a boca pra cuspir na história das conquistas do movimento lésbico e gay, sem as quais essa teoria nem existiria, tratando essas questões, mais uma vez como ultrapassadas, superadas. Foi produzido um verdadeiro colar de tantas pérolas deixadas pelos palestrantes:
- Casais heterossexuais são compreendidos pelo movimento queer? - pergunta mandada a mesa. -Claro! Muitos teóricos queers são heterossexuais, inclusive.
A vá.
E ainda houve situações piores que essa. Críticas negativas à abolição da prostituição, por ser algo que "viola a autonomia dos corpos". BDSM sendo citado como mais uma prática sexual a ser abraçada pela diversidade, bem como uma defesa rasa da não-monogamia, que acompanhou a tendência dos debates, deixando de lado qualquer recorte de gênero, raça ou classe.
A defesa de uma liberdade individual de "performar" o gênero e viver a sexualidade "fluida" que ignora todas as estruturas nas quais se insere. Até mesmo a mutilação corporal e "Trans-deficiência" apareceram como pautas a serem abraçadas pela teoria, bem como um apoio cego às parafilias que flerta com a defesa da pedofilia.
O silêncio de ditas teóricas feministas a respeito das mulheres, afinal "precisamos expandir a categoria de mulher para incluir a todes".
E saibam, junto com o patriarcado, acabou o capitalismo! Vamos focar nossos esforços e lutas em "corromper a estética" em "libertar os corpos dos sujeitos".
Esse evento pavoroso só confirmou, ou talvez tenha até superado negativamente, minhas baixas expectativas. Pessoas brancas, ricas, muitas heterossexuais da alta academia fetichizando a opressão do gênero e a pobreza.
Dois dias tristes pra história do feminismo e da luta lésbica e gay ou mesmo "trans".
Tradução: Será que os diagnósticos para transgeneridade na juventude colocam Gays, Lésbicas, Bissexuais adultos em risco de intervenção médica desnecessária?
Original: http://www.thehomoarchy.com/do-youth-transgender-diagnoses-put-would-be-gay-lesbian-bisexual-adults-at-risk-for-unnecessary-medical-intervention/
Eu sempre pensei que a eugenia anti-gay, ou formas de terapia de conversão médica para gays e lésbicas, seria um problema que ativistas teriam de enfrentar no futuro desde que Simon LeVay discutia pela primeira vez as origens biológicas da homossexualidade em 1991. Naquela época, eu era uma pessoa estressada, do sexo feminino, com 22 anos de idade descobrindo a minha sexualidade. Desde então, tem havido uma procura pelo gene gay e médicos promovendo o uso perigoso e indevido de drogas para mães grávidas parcialmente motivados pela prevenção do lesbianismo. Mas recentemente, as preocupações em torno da erradicação de pessoas gays e lésbicas têm girado em torno de diagnosticar crianças e adolescentes como transgênero e prescrever-lhes bloqueadores hormonais. Há também um esforço para diminuir a idade de consentimento para hormonização cross-sexo, mastectomias e cirurgias de readequação genital. A primeira vez que tomei conhecimento destes medos foi durante a leitura de sites de mídia social de gays e lésbicas. As pessoas nestes locais têm esses medos, porque muitas crianças em não-conformidade de gênero crescem para ser gays ou lésbicas, não transgêneros. Existem também alguns estudos que mostram que os bissexuais são mais propensos a lutar com identidade de gênero quando jovens. Isto pareceu preocupante, mas a ideia de que crianças gays e lésbicas estavam sendo transformadas em heterossexuais pelo movimento trans e a psicologia/campos médicos soou como uma hipérbole da internet, possivelmente motivada pelo preconceito anti-trans. Alguns dos comentários soavam como transfóbicos. Isso me surpreendeu, eu que sempre fui apoiadora ferrenha da causa trans. Eu via a causa como a mesma que o nossa e queria que eles sempre fossem incluídos no nosso ativismo pelos direitos humanos. Comecei a ler estudos sobre a juventude transgênero e até agora li dezenas e dezenas deles. Os estudos sobre a juventude declaram que embora a maior parte das pessoas em não-conformidade de gênero na juventude cresça e supere a disforia provavelmente se identificando como gay ou lésbica, a maioria que persiste trans em seus anos de adolescência quase sempre terá uma identidade trans na idade adulta. Os poucos estudos realizados sobre os jovens apresentaram melhoria da saúde mental da juventude transicionada. Senti-me aliviada por esta informação, uma vez que parecia que os adolescentes trans se separavam durante a puberdade de lésbicas, gays, bissexuais ou heterossexuais em não-conformidade de gênero na juventude. E a juventude trans iria obter a ajuda que precisam para fazer a transição medicamente aos 18 anos, sem nenhuma razão para preocupação.
Eu não acredito mais que não há nenhuma razão para preocupação. Pessoas (especialmente as pessoas LGB) deveriam estar preocupadas com os novos protocolos precoces de transições sociais, bem como o uso de bloqueadores hormonais, poderia estar a atingindo alguns jovens que, de outra forma cresceriam para superar sua disforia (como a maioria dos jovens fazem cirurgias desnecessárias e dependência hormonal). Se melhores evidências vierem adiante no futuro, eu estou mais do que disposta a mudar de ideia. Mas há razões para pelo menos questionar que essas práticas podem não ser inofensivas e que somente isolam adultos verdadeiramente trans.
Em primeiro lugar, isso é o que está acontecendo agora e o que está rapidamente se tornando a norma para as crianças em não-conformidade de gênero, já que clínicas especializadas em jovens trans estão se proliferando rapidamente.
Crianças a partir dos três anos de idade estão sendo avaliados para a disforia de gênero por pais ansiosos com o número crescente de clínicas de jovens transexuais em todo o mundo ocidental.
Crianças a partir dos cinco estão sendo afirmados como sendo do sexo oposto e totalmente socialmente transferidas para a identidade do sexo oposto.
Crianças a partir dos 6 estão recebendo tuckers de genitália para nascidos meninos e próteses de pênis para nascidas meninas, reforçando a dissociação da criança com seu próprio corpo a partir de uma idade muito precoce.
Estas crianças frequentam grupos de apoio e acampamentos administrados por indivíduos na sua maioria transexuais e terapeutas heterossexuais que acreditam em um modelo de 100% de afirmação de identidade de gênero da criança. Nenhum desses grupos parece ter muitos modelos gays e lésbicas e de inconformidade de gênero, um fato infeliz considerando que é um resultado estatisticamente provável.
Foram aprovadas leis anti-”terapia de conversão" que tornam ilegal para qualquer terapeuta tentar ajudar a criança a se sentir confortável com o seu sexo de nascimento. Mesmo terapeutas relatam que eles não entendem o que se pode e não se pode dizer sob essas leis.
O Ativismo trans tem uma agenda de extrema censura, reforçada por ameaças, doxxing, acusações de fanatismo, acusações de assassinato, e campanhas de difamação que afetam qualquer profissional médico, profissional de saúde mental, jornalista, pai ou educador que se atreva a questionar essas práticas. Sites liberais ou até mesmo no meio do caminho recusam-se a expor quaisquer preocupações legítimas e comentários totalmente razoáveis por parte do público são rapidamente apagados.
Dado que a maioria das pesquisas mostra que a cirurgia de redesignação sexual ajuda a pessoas transexuais com disforia e melhora seus sintomas disfóricos o protocolo pode ser inteiramente justificado para crianças trans. O problema é que uma grande porcentagem de crianças não tratadas medicamente vai crescer e superar a disforia de gênero. O protocolo acima nestas situações, embora muito favorável aos jovens trans, seria potencialmente prejudicial para alguma crianças confusas que acabariam por se alinhar eventualmente com seu sexo de nascimento. Ele pode até mesmo colocá-las em perigo físico ao submetê-las a bloqueadores hormonais que podem afetar sua desistência de disforia. Alguns homossexuais adultos, que se sentem isso poderia colocar a eles próprios ou a seus parceiros em risco, acham que esta é uma violação dos direitos humanos contra a comunidade gay e lésbica, cujos membros são mais propensos a serem afetados negativamente por falsos positivos, e são uma pequena minoria da população. Os falsos positivos resultariam em pessoas homossexuais desfiguradas, convertidas em heterossexuais, que nunca poderiam saber como a vida teria sido para elas se tivessem sido permitidas a amadurecer naturalmente.
À luz destes novos protocolos de tratamento parece razoável discutir possíveis perigos. Todo o debate em torno de transições infantis seria de pouco interesse para mim ou até mesmo para os negócios da comunidade LGB se fosse fácil identificar jovens verdadeiramente trans. Dessa forma, crianças que crescem para ser não-trans LGB, ou mesmo heterossexuais, ainda experienciam disforia grave como crianças? Parece que sim.
Há fortes evidências de que a maioria das crianças com disforia de gênero (incluindo aqueles com um diagnóstico de transtorno de identidade de gênero oficial) superam a disforia e são significativamente mais propensos a serem gays, lésbicas ou mesmo adultos bissexuais. Aqui estão alguns exemplos de pesquisas em publicações revisadas por pares.
"No que diz respeito à orientação sexual, o resultado mais provável do TIG (transtorno de identidade de gênero) na infância é homossexualidade ou bissexualidade." "As questões éticas levantadas pelo tratamento de crianças pré-púberes com o género discordante". "Os estudos citados pelos autores seguiram um total de 246 crianças; apenas 39 deles tinham disforia de gênero após a puberdade, assim, a taxa de persistência global para a disforia foi de 16%. "As taxas de persistência variaram entre os diferentes estudos de 2% a 27% (ou seja, 73% -98% das crianças pararam de ter disforia de gênero)." - "Desistir e persistir na disforia de gênero depois da infância: um estudo de acompanhamento qualitativo"
"Este estudo forneceu informações sobre as histórias naturais de 25 meninas com transtorno de identidade de gênero (TDIG). Dados padronizados de avaliação na infância (idade média de 8,88 anos; intervalo, 3-12 anos) e em acompanhamento (idade média de 23,24 anos; dos 15-36 anos) foram utilizados para avaliar a identidade de gênero e orientação sexual. Na avaliação na infância, 60% das meninas se encontraram na definição de transtorno de identidade de gênero do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, 40% eram subliminares para o diagnóstico. Em seguida, 3 participantes (12%) foram classificadas como tendo disforia ou transtorno de identidade de gênero. Em relação à orientação sexual, 8 participantes (32%) foram classificadas como bissexuais/homossexuais na fantasia, e 6 (24%) foram classificadas como bissexual/homossexual no comportamento. As demais participantes foram classificadas como heterossexual ou assexuais. - "Um estudo de acompanhamento de meninas com transtorno de identidade de gênero"
Dr. Diane Ehrensaft e outros aliados e ativistas da causa trans apresentam transições infantis como totalmente seguras, pois a taxa de desistência é inflada pelo agrupamento de jovens em não conformidade de gênero que não são tão disfóricos com aqueles que são muito disfóricos. Mas com base no que outros profissionais dizem, isso não está claro.
Mesmo entre as crianças que manifestam um grande grau de desconforto com seu próprio sexo, incluindo uma aversão à sua própria genitália (TDIG no sentido literal), apenas uma minoria segue para um desenvolvimento irreversível de transexualismo (6). A irreversibilidade das manifestações, no entanto, é considerada um requisito indispensável para que o diagnóstico de transexualismo possa ser realizado, ou quaisquer tratamentos que alteram o corpo sejam iniciados. - "Transtornos da Identidade de Gênero na Infância e Adolescência"
"Não há consenso entre os profissionais de saúde mental sobre uma intervenção adequada, ou mesmo objetivos de intervenção adequados, para as crianças diagnosticadas com TDIG" Dr. Norman Spack
"Das crianças com disforia de gênero grave e identificação com o sexo oposto, cerca de 85% não desenvolvem uma identidade transexual persistente na adolescência" ... "Ainda não estão disponíveis indicadores confiáveis sobre quais crianças com disforia de gênero deixam de tê-la e quais desenvolvem uma identidade transsexual."-" Dois anos de serviço identidade de gênero para menores de idade: super-representação de nascidas meninas com problemas graves no desenvolvimento na adolescência "
"Não houveram diferenças no comportamento infantil entre o grupo que perdeu a sua disforia de gênero e o grupo que não o fez." "Disforia de gênero desistente e persistente depois da infância: Um estudo de acompanhamento qualitativo - Análise”.
Alguns profissionais de saúde fizeram declarações fortes contra transições sociais precoces.
"Para ser franca, acho a conceitualização de gênero de Ehrensaft cheia de inconsistências e sua ideologia não se apoia em evidências." - Claudia Lament, PhD
"Dadas nossas descobertas de que algumas meninas, que estavam quase (mas não ainda totalmente) vivendo como meninos em seus anos de infância, enfrentaram grande dificuldade quando quiseram retornar ao papel de gênero feminino, acreditamos que os pais e responsáveis devem reconhecer plenamente a imprevisibilidade do desfecho psicossexual da criança... Eles podem ajudar a criança a lidar com sua variação de gênero de uma forma encorajadora, mas sem tomar medidas sociais muito antes da puberdade, que são difíceis de reverter." "Disforia de gênero desistente e persistente depois da infância: Um estudo de acompanhamento qualitativo"
"Hill et al. [17] defendem uma intervenção afirmativa, ajudando os pais a apoiar o sexo declarado da criança em vez de tentar que ela se conforme com seu sexo de nascimento. Há um crescente apoio dos pais às crianças que vivem como seu sexo desejado; no entanto, dissidentes podem ter dificuldades com ao retornar a viver como seu sexo natal quando o seu desejo original de viver como o sexo oposto tinha sido tão fortemente apoiado e incentivado pelos pais e provedores, e até mesmo aceito pelos colegas."-"A gestão atual de transtorno de identidade de gênero na infância e adolescência: diretrizes, barreiras e áreas de controvérsia"
"E da criança variante de gênero, cujo ambiente social tanto aceita e incentiva uma transição precoce mas pode não estar ciente de que a criança, não querendo desapontar, teve uma mudança de ideia?" - Jack Drescher, MD
Estas declarações parecem contradizer a analogia das "maçãs e laranjas" para se referir a juventude trans em oposição a outros jovens em não conformidade de gênero promovida por Diane Ehrensaft, Kristina Olson, e outros que defendem que as pessoas devem afirmar 100% a identidade de gênero da criança em qualquer idade. Ainda assim, especialistas em gênero, ativistas trans, sistemas escolares, os meios de comunicação, e até mesmo organizações LGBT continuam a promover este protocolo como seguro e não controverso.
Aqui está um artigo revisando estudos sobre desistência por Jesse Singal em "O Que Está Faltando na Conversa Sobre Crianças Trans."
Bloqueadores hormonais podem realmente causar um desfecho transgênero ao impedir uma puberdade normal. O mesmo pode ser verdade sobre colocar uma criança nos ambientes de afirmação 100% das clínicas de gênero modernas.
Às crianças são prescritos bloqueadores hormonais que detém a puberdade tão cedo quanto aos 10 anos de idade. Eu não fui capaz de encontrar quaisquer estudos que mostrem que crianças superam a disforia após receberem bloqueadores hormonais. Assim, parece haver uma taxa de desistência próxima de zero nos estudos que estão disponíveis. Ou as clínicas para jovens trans nesses estudos têm uma taxa de 100% de precisão ao determinar as crianças verdadeiramente trans tão cedo quanto aos 11 anos de idade, ou estas clínicas estão encaminhando para a cirurgia de redesignação sexual crianças que superariam a disforia. Pode-se argumentar que negar atendimento aos jovens trans é abuso infantil, mas também pode-se argumentar que conduzir uma criança por um caminho de procedimentos médicos graves e dependência hormonal é abuso infantil nos casos de falsos positivos. Mesmo que houvessem alguns casos de desistência, sem controles não há qualquer prova de que haveriam mais.
Da clínica da VU University Medical Center em Amsterdã, "Nenhum adolescente se afastou da repressão de puberdade, e todos começaram o tratamento hormonal cross-sexo, o primeiro passo da mudança de real gênero." Como é possível, com as altíssimas taxas de desistência anteriores, que das 70 crianças usando bloqueadores hormonais, nem uma única criança tenha desistido.
"É incrivelmente raro. Existe realmente apenas uma criança que se tenha sido relatado na literatura que passou a usar bloqueadores e não foi para hormonização do sexo oposto, ou hormônios de afirmação de gênero. "Dr. Johanna Olson-Kennedy.
Já que os anos da adolescência são importantes para que crianças trans e outras crianças em não conformidade de gênero descubram sua identidade de gênero, é completamente lógico preocupar-se com a ideia de que impedir a afluência de testosterona ou o estrogênio nos corpos e cérebros dessas crianças possa vir a torná-las em adultos transgêneros. Se não são esses mesmos hormônios que causam a desistência, então qual seria a causa? Esta prática está a sendo comercializada ao público como completamente reversível e fisicamente segura, sem controles ou provas concretas que sustentem essas declarações em relação aos efeitos psicológicos. A utilização de drogas como Lupron estão fora da etiqueta e têm possíveis efeitos colaterais graves.
Médicos holandeses afirmam que fatores complicados durante a adolescência ajudam a criança a compreender a si mesma. "Recomenda-se a abordar especificamente os sentimentos dos adolescentes sobre os fatores que surgiram como relevantes em nossas entrevistas (ou seja, os efeitos do ambiente social em mudança, a resposta à puberdade antecipada ou real, e os sentimentos românticos/sexuais emergentes e a escolha do parceiro sexual), antes que quaisquer passos médicos sejam tomados (por exemplo, para suprimir o desenvolvimento posterior da puberdade)." Como isso pode acontecer quando todas as crianças disfóricas terão sua puberdade suprimida aos 11 anos no futuro.
Segundo o site Transgendertrend, que participou de uma reunião pública sobre a juventude trans, Dr. Wren de Tavistock, fez em Londres uma declaração que 12- 27% das crianças com variação de gênero persistem em suas disforias de gênero; esse percentual sobe para 40% entre aqueles que visitam clínicas de gênero. Esta é apenas uma constatação aleatória. Mas implica numa identidade trans que pode ser influenciada pela cultura. Uma cultura que não pensa em enfatizar que uma criança se ajuste ao seu sexo de nascimento, mesmo que com alguma dificuldade, é de qualquer valor.
Houve um aumento dramático, inexplicável de fêmeas comparecendo à clínicas de gênero, com mulheres adolescentes solicitando a cirurgia de mudança de sexo em números significativamente maiores do que homens, fato historicamente inédito. Isto é verdade no Canadá, nos Estados Unidos, Finlândia, Inglaterra e Holanda.
O número de crianças sendo diagnosticadas como transexuais têm aumentado dramaticamente em geral. A maioria das primeiras transições foram do tipo mulher-para-homem, com a proporção equilibrando-se recentemente com ainda mais "mulher-para-homem" na maioria dos países. Mas nada antes chegou perto destes aumentos de mulheres em relação a homens em crianças e adolescentes. De acordo com os autores deste estudo, "em amostras de adultos [transicionistas], em quase todos os casos, o número de nascidos homens tanto excede o número de fêmeas natais ou a proporção de sexo está perto da paridade."
Aqui está um gráfico da reversão razão sexual que tem acontecido nos últimos anos para as clínicas que acompanham isso:
Puberdade hormonal precoce foi descartada como causa para o aumento de fêmeas nas clínicas holandesas e canadenses. Além disso, substâncias que imitam hormônios no ambiente parecem ser uma explicação improvável. Essas substâncias são estrogênio em maior parte e, no máximo, estaríamos tendo um efeito de feminização em machos e não um masculinizante um em fêmeas. E muitos desses produtos químicos estão ao nosso redor há um longo tempo.
Pensei que pudesse haver uma explicação razoável para essa extrema reversão nos índices sexuais em tão curto período de tempo. Pessoas trans são diversas, mas existem diferentes tipos de pessoas nascidas homens que transicionam. Um tipo são muito afeminados quando crianças pequenas e são quase exclusivamente atraída por machos. O outro tipo geral são considerados de "início tardio", como eles tendem a se assumir mais tarde e geralmente são atraídos para as mulheres ou são bissexuais ou assexuais. Supus que o tipo de início tardio, que na verdade formam uma grande porcentagem da comunidade trans, podem estar sendo sub-representadas nos grupos de adolescentes. Mas não é o caso nestes estudos. Eles estão se assumindo em idades mais jovens também.
1976-2005 - 67% atraídos principalmente para os homens, 33% outros
2006-2013 - 44% atraídos principalmente para os homens, 56% outro-
Transresearchinfo.com
Há um aumento significativo de mulheres com uma atração bissexual ou heterossexual com relação ao seu sexo de nascimento procurando tratamento para disforia de gênero. A clínica canadense analisou a orientação sexual dos jovens. A epidemiologia conhecida desta condição mudou rapidamente. O tema de transições na juventude é cada vez mais relevante para a comunidade bissexual e não apenas gays e lésbicas.
1976-2005 - 89% principalmente atraídas para as fêmeas; 11% de outros
2006-2013 - 64% principalmente atraídas para as fêmeas; 36% outro-
Transresearchinfo.com
A explicação fornecida por médicos no estudo Aitken mostra que mais pessoas estão se assumindo. Mas eles admitem que isso não explica por que isso afetaria apenas o sexo feminino em números tão grandes em relação ao sexo masculino. Isso também não explica por que a população adulta feminina não estaria mostrando essa mesma inversão drástica. Se ser trans é uma realidade biológica programada e não influenciada pela cultura, porque não há o dobro das mulheres mais velhas se assumindo e transicionando em relação aos homens, finalmente capazes de tirar proveito da nova tolerância social?
Outra explicação proveniente destes médicos é que é apenas mais aceito que fêmeas transicionem e há custo social menor em ser homem trans. Mas isso tanto seria uma realidade há 10 atrás anos quanto é hoje e deveria estar refletido na população adulta também. Os autores também argumentam que os machos natais foram intimidados mais por serem efeminados do que as fêmeas por serem masculinas e isso pode afetar as decisões de transição. O problema é que pode-se tão facilmente argumentar que meninos femininos gostariam de transicionar se forem intimidados por serem homens efeminados, pois poderiam se conformar às expectativas de gênero como mulheres. E as mulheres seriam menos propensas a sentir essa pressão.
Eu argumentaria que foi negligente por parte dos autores deste estudo sequer considerar essa mudança de contexto com o fato de que as mulheres experienciam significativamente mais ódio em relação ao próprio corpo do que os homens. Isto manifesta-se em mais cortes, dietas, anorexia, bulimia e cirurgia plástica. Labioplastia agora está se tornando mais popular entre adolescentes e mulheres jovens, de modo que seus órgãos genitais possam estar em conformidade com representações da pornografia. Todos estes comportamentos nas fêmeas costumavam ser inexistentes ou raros, mas tornaram-se populares através do contágio social devido ao aumento da atenção da mídia. Eu não estou dizendo que anorexia é o mesmo que disforia de gênero. Há semelhanças e há grandes diferenças.
O estudo finlandês, com a maior lacuna entre fêmeas e machos indica que a consciência trans está aumentando os casos de disforia de gênero em adolescentes do sexo feminino. Pode-se argumentar que este é apenas o caso de mais pessoas estarem se assumindo, mas estas são as mulheres com problemas graves de saúde mental.
"Na maioria das candidatas, a disforia de gênero se apresenta no contexto da ampla confusão de identidade, psicopatologia grave e desafios consideráveis no desenvolvimento do adolescente. Neste momento não é possível prever como a disforia de gênero neste grupo irá se desenvolver: "
"As comorbidades registradas foram, então, graves e raramente podiam ser consideradas secundárias em relação à disforia de gênero. Isto contradiz totalmente as descobertas no serviço de identidade de gênero da criança e adolescente holandês, onde dois terços dos candidatos aplicantes para cirurgia de mudança de sexo não tinham comorbidade psiquiátrica "
A Dr. Wren, de Tavistock, tem uma visão geralmente positiva sobre jovens criando uma cultura trans online através das mídias sociais e uma quantidade crescente jovens buscando serviços de transição. Mas já que a clínica de Tavistock também se depara com mais e mais mulheres procurando cirurgia de mudança de sexo, apresentando comorbidades graves, ela mesma é forçada a pelo menos considerar que este aumento de mulheres que odeiam seus corpos tem um contexto cultural.
"Pode-se argumentar que vivemos em uma sociedade onde há uma ênfase desproporcional na aparência física e uma pressão enorme para atingir um tipo de corpo ideal. Neste contexto, pode ser que um número considerável de mulheres jovens odeiem seus corpos ao sentirem que não podem atingir esses ideais, e que desejam atuar em seus corpos de alguma forma, por exemplo através de dieta restritiva e modificação corporal. No entanto, seria especulativo e simplista - e do nosso ponto de vista, prematuro - sugerir que esta é a principal razão para o aumento de encaminhamentos de nascidas mulheres ao nosso serviço." Porque houve um aumento tão substancial no número de indicações ao longo dos últimos anos?
Outro médico aqui está estudando esta nova categoria de disforia de género entre os pré-adolescentes e adolescentes. "Disforia de gênero de início rápido, mídia social, e grupos de pares."
Geralmente, quando há uma rápida mudança na epidemiologia de qualquer condição, cientistas a examinam. A resposta a este fenômeno por ativistas trans e alguns na comunidade psicologia e médica é simplesmente abaixar a idade de consentimento para mastectomias, hormonização, e cirurgia genital.
Que há um ambiente universal de gatekeeping rigoroso, com normas claras de cuidados, é uma falsidade que está sendo promovida pelo ativismo trans, alguns profissionais da disforia de gênero e os meios de comunicação. A versão apresentada por clínicos e ativistas trans de que apenas jovens persistentes, insistentes, e disfóricos estão sendo transicionados já não é verdade.
Atualmente, há clínicas pulando bloqueadores hormonais e administrando hormônios do sexo oposto em jovens de 12 anos de idade. Mesmo a puberdade, o processo que ajuda os jovens a superar a disforia de gênero, deixará de acontecer. Mais e mais jovens em não conformidade de gênero no futuro próximo serão colocados em hormonização do sexo oposto imediatamente. "Médico britânico prescreve hormônios do sexo oposto para crianças a partir dos 12 anos"
Há uma nova categoria de pessoas com disforia de gênero chamada de "não-binária" que pode apenas querer a cirurgia superior (remoção das mamas) ou menos hormônios para um visual mais andrógino. Não há estudos sobre. Este link é gráfico e de uma pessoa com mais de 18 anos. Os adultos devem ser livres para tomar essas decisões. Eu apenas sou cética sobre medicalizar estas novas identidades que proliferam em sites como o Tumblr entre menores.
Crianças sem histórico de disforia de gênero estão subitamente anunciando que são trans, geralmente do sexo feminino, e são apoiadas na transição. Linkado acima mas novamente aqui: "Disforia de gênero de início rápido, mídia social, e grupos de pares."
Até mesmo Tavistock, que segue padrões que clínicas privadas nos Estados Unidos ou Grã-Bretanha não precisam seguir, realiza apenas 3 ou 4 sessões para avaliar se um adolescente deve ser colocado em bloqueadores hormonais. Ninguém sabe se isso afeta ou não a persistência da identidade trans. Na minha opinião, não desenvolver uma relação psicológica de longo prazo com uma pessoa de 12 anos, antes de lhes fornecer produtos químicos que podem interferir com o seu desenvolvimento é irresponsável.
Há casos documentados em que jovens estão sendo diagnosticados erroneamente como trans por profissionais com excesso de zelo e protegidos de más decisões apenas pela recusa de seus pais em prosseguir com estes protocolos. Pessoas assim são pintados como vilões.
4thwavenow, um site que ativistas trans e aliados tentam considerar um site de ódio, vem documentando situações que colocam jovens que superaram a disforia de gênero em risco. Vários dos pais dizem coisas semelhantes. Seus filhos não tinham sinais anteriores de disforia até os anos da pré-adolescência após exposição à mídias sociais trans; seus filhos foram basicamente diagnosticados como transgênero por telefone, e foi muito difícil para seus filhos decepcionar os amigos trans optando por não transicionar. Todos eles têm de permanecer no anonimato por medo de danos aos seus filhos e tornando-se vítimas de ameaças e caça às bruxas. Há sentimento intenso de juventude anti-transição neste site. Mas eu espero que as pessoas possam ter compaixão pelo fato de que ver profissionais tirando conclusões perigosamente erradas sobre o seu filho, assistindo o corpo saudável de seu filho ser posto em risco, e sendo ameaçado pode deixar pessoas transtornadas. Ninguém se preocupa com histórias dessas pessoas nos meios de comunicação, saturados com histórias felizes de jovens trans.
Eu sigo pessoas nas mídias sociais e vários deles fizeram transição ou estavam perto de transicionar e se arrependeram. Alguns deles eram menores de idade quando isso aconteceu. Portanto, este processo põe em perigo pelo menos alguns jovens, isto é um fato. A questão é, "isso vai ser algo raro agora que as dinâmicas mudaram tanto, ou vai se tornar mais comum?"
Declarações públicas de defensores do modelo afirmação 100% são muitas vezes desprovidas de qualquer preocupação com os impactos dessas práticas sobre jovens em desconformidade de gênero que podem superar a disforia. A ética de algumas das práticas desses médicos é discutível. Artigos online também estão carentes do mais básico ceticismo jornalístico.
É razoável que a sociedade como um todo debata a ética da médica Johanna Olson-Kennedy, que:
Tem um parceiro FtM que arrecadou fundos para uma mastectomia e testosterona para uma fêmea com síndrome de Down.
Defende mastectomias e cirurgias genitais para menores de idade, incluindo aqueles com dificuldades de aprendizagem. Vejo o apoio entusiástico de cirurgia genital em menores como algo problemático. Vaginoplastias podem entrar em colapso, exigir dilatação contínua ao longo da vida, são propensas à infecções, e a cirurgia pode afetar a resposta sexual em alguns pacientes. A maioria dos MtF e FtMs, tendo tomado a decisão como adultos racionais, optam por não realizar a cirurgia de mudança de sexo. Um estudo mostra que 15% dos adultos MtF não são capazes de experienciar orgasms após a cirurgia. Faloplastias para FtMs pode falhar ou levar a infecções graves. Adultos devem ter o direito de realizar essas cirurgias, se desejarem. Um adolescente pode realmente avaliar esses riscos?
Aqui está um exemplo de declarações públicas por uma encorajadora da transição infantil isenta de preocupações sobre falsos positivos pela Dr. Kristina Olson em "Os pais estão se apressando para transformar seus meninos em meninas?"
Essas conclusões são usadas para argumentar que as transições sociais não devem ser encorajadas, porque de acordo com a lógica, cerca de 80 por cento dessas crianças que são identificadas como disfóricas não acabará por ser transexual se deixadas sozinhas ou dadas o tratamento adequado. Aqui, mais uma vez, é fundamental reconhecer a distinção entre as crianças transexuais e crianças no resto do espectro de não-conformidade de gênero.
Como já referido, mesmo as crianças que têm um diagnóstico oficial de disforia de gênero ao ponto de odiarem seus próprios órgãos genitais, podem não ser adultos trans. Há muitas citações problemáticas neste artigo e sua própria pesquisa só prova que alguns desses jovens dizem que são do sexo oposto. Sua pesquisa não prova que crianças que dizem ser do sexo oposto não superam a disforia de gênero. E neste artigo, não há menção da dificuldade e confusão da transição de volta à vida como seu sexo natal, já documentado acima. Não há preocupação sobre o fato de que as transições sociais podem levar ao uso precoce de Lupron, o que pode, eventualmente, causar persistência. E não há nenhuma menção da comunidade gay e lésbica, que seriam afetados por falsos positivos. Eu acredito que esta omissão é intencional. Ativistas trans e especialistas em gênero não querem supervisão da comunidade gay sobre a experimentação que estão fazendo com crianças em não-conformidade. Eles insistem continuamente que "gênero e orientação sexual são duas coisas totalmente diferentes." A razão pela qual tantas pessoas gays não confiam isso é que nós sabemos que isso não é verdade. Muito se apresenta a não-conformidade como um espectro, de forma muito parecida com a bissexualidade, diferente da dualidade entre homossexualidade e heterossexualidade. Nós todos conhecemos gays e lésbicas em não-conformidade que são quase trans ou eram tal quando crianças. E as pessoas homossexuais preocupadas com isso querem que esta juventude seja criada em uma cultura de aceitação do corpo em vez de receberem pílulas aos 11 anos de idade. Para que essas decisões complicadas possam ser feitas por pessoas mais maduras.
Dr. Wren declarou que não está preocupada com o grande aumento no número de mulheres que frequentam sua clínica. Ela fez declarações semelhantes ao lado os pais que choravam durante entrevistas sobre adolescentes em transição.
"Não é uma preocupação para nós como tal. É uma tendência notável que exige reflexão e investigação."
Aqui está uma citação que avalia o viés do Dr. Spack a partir deste artigo no Journal of Homosexuality.
"Dada a incerteza do prognóstico, é significativo que a apresentação dos prós e contras de supressão puberal de Edwards-Leeper e Spack, uma intervenção primária em seu protocolo e sua recomendação frequente após o diagnóstico, está desequilibrada. Eles oferecem sete benefícios fisiológicos para supressão pubera (em sua maior parte, é apenas uma lista de efeitos físicos) e nenhuma desvantagem. Da mesma forma, eles glorificam as vantagens psicológicas, mas não fazem menção de potenciais desvantagens."
Parece haver evidências de que alguns médicos estão realmente incentivando a transição de menores. Do artigo recente, "O aumento repentino de Adolescentes Transgênero".
"O filho de 14 anos de idade de um outro amigo começou a se identificar como uma menina trans ano passado, mas se não apresenta como mulher - não usa roupas femininas, não tem amigas, nem mesmo raspa, hm, seu bigode. Então, quando vários terapeutas em Los Angeles pediram a eles que iniciassem a terapia de reposição hormonal, os pais resistiram... "Todos eles estão empurrando o nossa filha por esse caminho, e nossa criança não está nos mostrando que ela quer ir por esse caminho. É muito perigoso ", diz meu amigo - que é tão progressiva como eles vêm. "Quero dizer, nós nem mesmo a deixamos comer frango com hormônios!"
Os vários artigos pró transição mundo fora quase sempre deixam de fora o fato de que essas práticas esterilizam as crianças, enquanto ao mesmo tempo os adultos trans estão defendendo seus próprios direitos reprodutivos. Muitos ativistas MfF tem filhos. Homens trans que transicionaram como adultos estão optando por ter filhos. Isso parece bastante relevante, mas raramente é discutido.
Ativistas trans, bem como aliados, criaram um ambiente extremamente hostil em torno deste debate. Qualquer um que questione essas práticas como 100% seguras, arrisca receber ameaças, assédio e difamações contra seu caráter.
Há uma abundância de exemplos de indivíduos que estão sendo ameaçados, virando alvo de doxxing (a prática de se pesquisar informações sobre alguém online), difamados e agredidos por ativistas trans por se afastarem da ideologia trans.
Michael Bailey, que apoia plenamente os direitos trans, foi desacreditado virou e alvo de uma campanha de difamação por apresentar uma teoria da expressão MtF como sendo similar a uma orientação sexual. Não estou defendendo sua teoria controversa. Mas ele foi tratado atrozmente.
Alice Dreger, especialista em bioética, escreveu sobre isso e foi perseguida sem piedade. Ela documentou isso em "Galileo's Middle Finger". Ela é uma defensora fervorosa dos direitos trans, acredita que as pessoas trans devem ter acesso a todos os espaços, e devem ser capazes de mudar o seu gênero em documentos do governo. Mas porque ela escreveu sobre as teorias de Blanchard/Bailey e questiona a segurança das transições na juventude (às quais ela nem sequer se opõe), é tratada como intolerante e teve publicações recusadas em websites "feministas" ou sobre temas não-relacionados.
Esta afirmação é de uma assistente social que não sentia que seu filho autista trans tinha a capacidade mental para dar o seu consentimento para a realização da cirurgia de mudança de sexo e tratamento hormonal. Seu filho FtM agora experiencia sérios efeitos colaterais por uso de testosterona. "Mulheres que questionam publicamente [a transgeneridade] recebem ameaças de morte, ameaças de estupro para nós e nossos filhos, ameaçam queimar-nos até a morte com gasolina, decapitar-nos, e assim por diante." Este artigo é também um exemplo de como os liberais estão tendo que recorrer a sites conservadores porque a mídia liberal ou mesmo moderada recusa-se a expor as suas histórias ou levantar questões sobre estas práticas.
Dr. Kenneth Zucker é desprezado por ativistas trans, pois por mais que ele transicionasse jovens, ele defendia que se deve ajudar crianças a estarem confortáveis com seus corpos, algo profundamente ofensivo à comunidade trans. Eu não concordo com o que li sobre algumas de suas práticas. Mas uma suposta mentira sobre ele foi inventada para que fosse demitido. A acusação, aparentemente falsa, era de que ele chamou de um jovem trans FtM de "pequeno verme peludo." Isso está documentado em "Uma Acusação Falsa Ajudou a Derrubar Kenneth Zucker, um Controverso Pesquisador do Sexo"
Jesse Singal, que também escreveu o artigo acima, foi continuamente acusado por ativistas trans e seus aliados (a maioria dos quais não sabem absolutamente nada sobre a pesquisa sobre este tema) de causar a "morte das pessoas trans" por meio da publicação deste artigo, "Como a Briga por Crianças Transgênero Causou a Demissão de um Importante Pesquisador do Sexo".
Se alguém fizer uma afirmação factual como "a juventude transicionista necessita de mais pesquisa", eles serão acusados de serem tão ruins quanto um nazista ou o KKK. Eu já vi isso acontecer muitas vezes. Comentários razoáveis em artigos sobre transição infantil em sites que supostamente promovem notícias imparciais são deletados imediatamente.
Esta é parte da realidade da política de identidade moderna combinados com a dinâmica da Internet, então não estou criticando apenas pessoas trans por se comportarem dessa maneira. Gays, cristãos, pessoas brancas com raiva, e minorias étnicas mandarão ameaças de morte através da Internet, quando ofendidos. E eu entendo que a comunidade trans veja o questionamento do seu acesso a cuidados médicos como uma afronta aos seus direitos, e na verdade eu não os culpo. No entanto, censurar debate em torno de algo tão grave como mudança de sexo em adolescentes não deve ser tolerado em uma sociedade livre.
Parece razoável temer que as leis de terapia anti-conversão que estão sendo passadas poderiam ser usadas para criar um ambiente hostil e para abafar o debate por parte de pesquisadores e terapeutas praticantes.
O suicídio trans é usado como argumento para silenciar qualquer discussão sobre alternativas de tratamento.
Suicídios na juventude devem ser levados muito a sério. Se a transição médica evita que um jovem se suicide, acredito que o jovem deve receber tal tratamento. Mas a ameaça de suicídio precisa ser observada de forma crítica. A questão do suicídio não está relacionada apenas com a capacidade de se transicionar medicamente sendo um menor de idade.
Vários suicídios notórios por parte de jovens trans que não apenas a tragédia de Leelah Alcorn (que viveu com os pais homofóbicos/transfóbicos) foram cometidos por jovens que tinham o total apoio das suas famílias e faziam parte de grupos de apoio.
Diversos estudos indicam que as taxas de suicídio permanecem altas após da transição. "(Moskowitz 2010, http://www.lauras-playground.com, etc.) sugere que mais de quarenta por cento dos transexuais tenta o suicídio ou tem sucesso em matar-se após a cirurgia. Alguns na comunidade 'trans' (por exemplo http://www.lauras-playground.com) atribuem isso à intolerância da sociedade. Mas seria de esperar que este quadro fosse reduzido após a cirurgia, uma vez que se torna mais fácil se passar como uma pessoa do sexo escolhido." Esta pesquisa mostra que o suicídio ainda é um problema após a transição.
Em alguns estudos sociológicos, jovens gays, lésbicas e bissexuais tem taxas de ideação suicida e até mesmo tentativas quase tão altas quanto a de jovens trans, indicando que existem outros fatores tais como a intolerância e rejeição sem relação com apenas o acesso a intervenções médicas.
Proporcionar um ambiente de apoio para jovens em não-conformidade e encorajá-los a não apressar a transição não é o mesmo que transfobia. Os dois não devem ser confundidos, porém sempre são. Independentemente disso, todos precisam ser aceitos por serem quem são, pois a rejeição é uma causa de suicídio e depressão entre seres humanos em geral.
É ingênuo acreditar que estas práticas de transição médica não serão utilizadas de forma antiética em crianças em não-conformidade de gênero em países não-ocidentais.
Eu entendo que médicos ocidentais não podem e não irão alterar seus padrões de cuidados com base em abusos em outros países. Mas pessoas em não-conformidade em outros países serão submetidos a essas práticas por causa do sexismo e da homofobia. Estes preconceitos já estão medicalizados. Os abortos de fetos do sexo feminino são um excelente exemplo. É difícil para os heterossexuais entenderem a paranóia gay que revolve em torno de transicionar crianças. Comecei este artigo descrevendo o meu medo da eugenia anti-gay porque eu li livros de história e sei como os indesejáveis são tratados.
Aqui estão os mapas da legalidade do transgenerismo em relação à homossexualidade.Não posso levar o crédito por esta comparação pois vi alguém postar esses mapas em um quadro de mensagens. Mas acho que são esclarecedores. Em muitos destes lugares, a transição e até mesmo o casamento de pessoas transexuais é legal. O Paquistão é um exemplo de país extremamente conservador onde este é o caso. O transgenerismo é mais aceitável do que a homossexualidade em mais partes do mundo.
Homossexuais já são forçados a realizar a cirurgia de mudança de sexo no Irã, "As pessoas homossexuais sendo pressionadas a mudar seu gênero."
Pais em algumas culturas aparentemente já estão dispostos a mutilar suas crianças do sexo feminino para que pareçam homens. Esta história não parece ser falsa. "Índia investiga cirurgias de mudança de sexo feitas a pedido dos pais para transformar meninas bebês em meninos"
Até mesmo alguns pais ocidentais podem preferir um menino trans a uma filha lésbica masculinizada, a forma menos célebre de feminilidade em todo o mundo, ou uma menina trans a um vergonhoso menino maricas. Não é totalmente irracional temer que atitudes dos pais possam afetar os resultados.
Conclusão
Eu não quero que ninguém impeça qualquer criança trans de ter seus direitos respeitados e de receber o melhor cuidado possível. Estou simplesmente questionando se este movimento está tendo um efeito minha própria comunidade, mesmo em pequenas quantidades, uma vez que a literatura científica revisada por pares afirma que muitos jovens em não-conformidade se tornam adultos LGB. Homens gays e lésbicas, podem estar sendo desproporcionalmente afetados por falsos positivos. Bissexuais parecem ser mais suscetíveis a serem jovens em não-conformidade, tanto quanto mais jovens bissexuais parecem estar buscando a cirurgia de mudança de sexo. A comunidade trans e seus aliados argumentam que forçar jovens trans que passar pela puberdade errada é abuso infantil. Mas não permitir que uma pessoa em não-conformidade de gênero, mesmo uma que está tendo uma infância difícil, amadureça e se torne uma pessoa com uma relação saudável com seu corpo, que não requeira contínuas injeções de hormônio, vaginoplastia, dilatações vaginais, faloplastia cicatrizes, mastectomia, histerectomia, e os riscos de câncer desconhecidos também é abuso infantil. Um dos jovens em um dos estudos apontado como detentor de bons resultados de saúde mental para os jovens que realizaram a cirurgia morreu. Então se os médicos e ativistas que fazem declarações como "os riscos pode valer a pena" mantém a opinião de que desfigurar alguns jovens em não-conformidade que não são trans é um lado negativo aceitável para que se possa apoiar a saúde mental e uma melhor estética trans, então eles devem ao público e à comunidade gay e lésbica a honestidade de assumir que é isso o que estão fazendo. Ou fornecer alguma prova sólida de que não é o que está acontecendo.
Para resumir a partir do estudo finlandês,
"Durante a puberdade e o desenvolvimento adolescente pode haver alguma sobreposição entre a testagem normativa da sexualidade e papéis de gênero de um lado, e disforia de gênero como um distúrbio no outro extremo do espectro. Isto implicaria que a disforia de gênero em adultos e na adolescência pode não ser a mesma questão em geral. Por estas razões, é mais difícil avaliar se a identidade de gênero de um adolescente está tão firmemente estabelecida que a intervenção física é indicada do que avaliar isso entre adultos."
Embora tenhamos um movimento que ofereça um alívio muito bem-vindo e apoio para jovens trans, também temos agora mais disforia, mais mulheres que odeiam seus corpos e mais condições comorbidas. E mais e mais jovens, cujos cérebros imaturos não são capazes de avaliar os riscos adequadamente, fazendo decisões drásticas e permanentes sobre seus corpos. Isso tudo combinado com a falta de conhecimento dos riscos do uso de hormônios a longo prazo e intensa censura por parte da comunidade trans, organizações LGBT e os meios de comunicação. Não sou categoricamente contra transições infantis nem sinto que tenho o direito de priorizar o meu grupo sobre qualquer outro. Eu não sei a extensão de quaisquer consequências negativas. No entanto, parece que os profissionais também não. Estou apenas fazendo perguntas que médicos, bioeticistas, profissionais de saúde mental, e outras pessoas LGB e até mesmo T também estão fazendo.