A voz familiar fez com que um arrepio corresse pela espinha de Marco. Não estava prestando atenção no resto além da pessoa que fazia o favor de importuná-lo e por um único tom de voz, tudo pareceu perder importância. Se virou bruscamente para a direção do som e mal pôde acreditar que estava mesmo vendo Juno, ao vivo e em cores. Não sabia se queria tocá-la, abraçá-la, xingá-la em qualquer motivo ou simplesmente sair correndo, mas seus pés pareciam ser parte da terra que sustentava o terreno. Piscou várias vezes e, por fim, fez o que era mais a sua cara e que provavelmente renderia mais drama do que ele esperava — de qualquer forma, ele nem havia pensado duas vezes antes de abrir a maldita boca. “Que merda que você está fazendo aqui?” perguntou com a fala saindo mais trêmula e assustada do que o esperado. “Quer dizer… Oi?”
A fala de Marco ainda ecoava em sua mente e em uma fração de segundos, tudo ao seu redor pareceu parar; o som das pessoas cantando foi abafado por um ruído agudo que martelava em seus tímpanos e aos poucos sua visão ficou turva. “E como assim o que eu estou fazendo aqui? O que VOCÊ está fazendo aqui?!”. Sentiu o sangue ferver quando o sentimento de surpresa deu lugar à raiva. Seu tom de voz estava um tom acima do normal, ela deu mais alguns passos a frente e, quando falou, sua voz demostrou toda sua irritação. “Você desaparece durante ANOS e só fala ‘oi’, como se nada tivesse acontecido?!”. Desde o dia em que Marco foi embora ela imaginava o dia em que iria encontrá-lo – mesmo que na sua mente aquilo era praticamente impossível –, e agora que estavam frente a frente, Juno simplesmente não sabia o que fazer, seu corpo estava paralisado, era como se estivesse vendo um fantasma. Com um suspiro, Juno secou as lágrimas que começavam a escorrer pela pele alva. Ela não ia chorar. Não ali, não na frente dele.