Para você, um mar de palavras molhadas. Tentei escrever mas a umidade era tanta que só haviam borrões. Para mim, o plano era fugir do lugar onde senti sua falta. A sua presença ausente não bastou para preencher e eu corri atrás de mais. Para você, isso quis dizer que te usava. Não discordei porque, das infinitas coisas que poderíamos ser, essa também me olhava. Sua mágoa ecoa entre as paredes da minha carne. Volto a pensar nisso e a sentir o calor daquela tarde, o cheiro de maresia, a areia das minhas mãos. Nada faz sentido nessa paisagem e o que é que cê via então? Haviam trovoadas em meu peito e me derramei como enchente, atropelando seus passos. Se cê parar para pensar mesmo, é isso que eu sempre faço. Mas não hoje, não agora. É sempre novo este mesmo roteiro. Nossas retas paralelas e uma nova construção. Eu não podia te pedir nada e mesmo assim desejei por inteiro. Consegui apenas fazer meu aguaceiro, sujar seu chão, tirar a sua paz. Na língua que em decorei sua fita, cê foi aquela reza bonita e eu a maldição de querer sempre mais.











