Soltou um suspiro para a pergunta dele, aquilo mesmo tinha passado na cabeça de Felicity inúmeras vezes, não podia negar. Sempre que pensava que precisava contar para os pais, para os amigos e paras as pessoas que nem a conheciam direito e o que todas elas pensariam de si, a ideia de manter era sempre a última. Uma garota de 20 anos que não tem idade para beber legalmente sendo mãe ainda mais de uma pessoa com a qual havia dormido uma noite sequer, apenas de pensar nos inúmeros julgamentos que receberia já lhe dava uma pequena dor no peito. Sempre se fez de uma pessoa forte, mas no fundo, ela era mais fraca do que realmente demonstrava, principalmente quando vinha de julgamentos alheios, por isso ela era tão boa m guardar segredos, sempre pensava no que os outros pensariam de si com tal situação. — Eu não sei ainda, Lyn… Eu não pensei 100% sobre isso ainda, estou no processo de prós e contras e, sinceramente, tem mais contras do que prós, mas no fundo eu quero manter… — soltou um suspiro e se virou para ele com um sorriso mínimo. — Essas pequenas roupinhas me fazem querer mantê-la, mas ao mesmo tempo… Eu só tenho 20 anos e um futuro inteiro pela frente, você tem 25, mas tem uma pessoa que te ama muito e que são quase namorados, sempre indo e voltando. Cada um tem suas vidas, além disso, não acho que uma criança seja a melhor coisa agora — soltou outro suspiro, mas olhou para baixo. — Eu tenho medo.
Foi só preciso ouvir aquelas poucas palavras vindo da boca da garota para que Lyn sentisse toda a animação o deixar, os ombros caírem e o olhar desviar para as roupinhas do bebê. Poderia não saber o sexo, poderia não saber o nome, ou mesmo tê-la visto ainda, mas já amava aquela criança, passou a fazer no momento em que Felicity disse que estava grávida. Parecia loucura, e talvez fosse, mas era um pedacinho de si crescendo dentro da menina, era sua criança, seu bebê, tinha todo o direito de amá-lo sem saber de nada. E o aperto na garganta ao ouvi-la confessar que seria mais fácil dar um fim aquilo, tirar a vida do pequeno... foi inevitável de sentir. “Eu… eu sei que não tenho direito de opinar em muitas coisas, em nada, talvez. E que a culpa disso é minha por não ter checado direito o preservativo, mas agora é um pouco tarde e… e essa criança é minha também.” ele murmurou, erguendo os olhos para a mais jovem. Devlyn deu alguns passos a frente para encará-la de perto e pegou uma das roupinhas que havia trazido. “Eu quero isso, Felicity, eu quero essa criança. Sei que existem muitos contras e todos eles caem em seus ombros… mas é um bebê, é nossa criança, nossa responsabilidade. Pelo menos enquanto ela estiver dentro de você… depois pode ser apenas minha responsabilidade, se for o caso. E-eu entendo, okay? Você está começando tudo agora e é injusto pedir isso, mas, por favor, não tire essa criança de mim. E eu estou com medo também, apavorado.” soltou um riso nervoso, sugando uma respiração trêmula pelo esforço de conter as lágrimas. “Mas eu não posso, não consigo me imaginar daqui há nove meses sem estar segurando essa coisinha pequena nos meus braços.”