Suas bochechas certamente queimaram com o elogio, mesmo que não fosse exatamente a primeira vez que ouvia um elogio. Apenas não estava acostumada a escutá-los tão… amplamente. Deslumbrante. Lou nunca usaria uma palavra daquelas consigo mesma. Deslumbrante era o nascer e o por do sol. Era os campos de girassóis na sua fazenda, ou o nascimento dos bezerros. Num bom dia, ela se diria no máximo bonita. Nunca teve nenhum sentimento de grandeza em relação a sua beleza, mas também sabia que não era uma moça feia. As pessoas falam… Mas aquilo soava muito para ela. Talvez devesse mandar lhe examinar a cabeça em algum momento ─ ele deveria estar batendo em algum lugar no alto. “Aiii── o senhor não pode ficar falando essas coisas não, que eu fico mais vermelha que pimentão,” ela falou de uma só vez, quase sem respirar entre as palavras, algo bem característico quando ficava nervosa. Era quase como se o mesmo sangue que corria em suas veias fizessem as palavras saírem ainda mais afobadas. Ela teve que parar e respirar fundo. “O senhor gosta de pimentão? Não que eu esteja falando que vosmecê gosta de mi── quer saber, esquece tudo que eu falei,” e, novamente, não eram mais que uma grande enxurrada de palavras que passavam-lhe os lábios e faziam com que o rubor da sua face ficasse ainda mais marcante. Deveria detestar a sua falta de filtros. Principalmente num momento como aquele, teoricamente de cortejo. Bom, talvez fosse melhor pensar que ele estava sendo apenas educado. Assim, não ia ficar tão sem-graça se ele lhe dirigisse um elogio. Porém, aquilo não havia funcionado anteriormente. “Lá na fazenda, a gente cria muitos deles,” ou, como sua mãe gostava de falar, ela acolhia muitos deles e transformava qualquer lugar em um celeiro, “então eles sempre foram meus amigos… Mas acho que estou falando bobagem,” Lou complementou, balançando uma das mãos junto ao rosto, quase como quem espanta o assunto. “Ah, mas não se preocupe que uma hora aparece, seu Gale── ‘tá vendo só, já tem um apelido pra chamar de seu,” ela riu ao perceber que tinha dado algum apelido, de certa forma, para seu tão distinto nome. “Já conheci alguns deles,” falou se aproximando do cercado, mas passando na frente dele. “Está falando das crianças, dos pintinhos ou dos dois?” Perguntou em um sussurro, olhando sob seu ombro para ele, como se fosse um grande segredo. Seu sorriso se alargou ao olhar para frente e ver um dos pintinhos mais gordinhos que já tinha visto. Conhecia aquele senhorzinho, “o gordinho é o Matthew,” falou empolgada, apontando e ficando na ponta dos pés.
🥊 Galahad desviou os olhos brevemente para um ponto acima da cabeça de Louisa para que ela pudesse se recompor, embora estivesse se controlando bastante para não dar uma risada divertida diante daquela cena – visto que o ocorrido apenas serviu para que a ruiva ficasse ainda mais bonita do que já era – sem contar que, não entendia os motivos de um simples elogio terem-na deixado tão sem graça, visto que apenas disse a verdade e sinceramente, era a palavra mais adequada que encontrou para descrever tamanha beleza da mais nova – Não entendo o porquê ficaria, Lou, apenas disse a verdade sobre sua aparência. E me atrevo a dizer que a senhorita fica ainda mais linda quando está corada – novamente teve de segurar o riso, pois estava apenas provocando-a de modo que pudesse ver um pouco daquelas bochechas rosadas que achou tão lindo, suas palavras, é claro, continham não apenas provocação como também sinceridade em cada letra. Gostava de mostrar as jovens o quão lindas elas eram, pois acreditava que aquela sociedade apenas servia para pressioná-las acerca de sua aparência – algo tolo, na visão do boxeador – Gosto de pimentão… e também gosto da senhorita, embora a tenha conhecido a pouco tempo. Impossível de esquecer, Lou – acabou não contendo a risada em uma nova tentativa e apenas deixou que o som escapasse pelos seus lábios. Realmente, não poderia ter par melhor com quem a rainha lhe colocar, Louisa era tão agradável de se ter por perto que tinha uma ideia de que gostaria de ter mais encontros com ela para que pudessem conversar por mais tempo e se divertir – Na minha também os crio, no entanto, ficam somente ali. É apenas para que tenham animais, eu os deixo soltos para que aproveitem sua vida em paz – contou calmamente para ela. Sabia que algumas pessoas perguntavam porque ele simplesmente não vendia os animais como outros fazendeiros faziam, mas o boxeador não queria levar os animais que criara com tanto carinho para um destino horrível apenas para satisfazer o ser humano, era algo que ele não conseguia nem mesmo imaginar – Louisa, é claro que não está dizendo bobagens. Eu fico imensamente satisfeito em saber disso, pois partilho do mesmo pensamento de que os animais são meus amigos – deu um sorriso para a ela, mostrando que ela poderia ficar tranquila com aquele pensamento porque não havia nada que ele achasse mais belo, do que o respeito por todas as criaturas vivas – Gale? Olha só, é extremamente criativo… eu gostei, começarei a usá-lo! Embora, é claro, somente você possa me chamar dessa forma – piscou divertido para ela, mas incrivelmente feliz por ter um apelido – nunca tivera um antes, seu nome não era fácil de pensar em algum apelido ou jeito mais simples e rápido de ser dito, seu agente reclamava daquilo com um pouco mais de frequência do que seria esperado – Os dois… e também da senhorita – acrescentou em um tom de voz um tanto baixo, quase como se estivesse um tanto sem graça em explanar aquelas palavras. Os olhos de Galahad não conseguiam desgrudar da garota que ficou na ponta dos pés para poder falar sobre o pintinho, acabando por se aproximar dela com as mãos nos bolsos e olhar com facilidade para o animalzinho que ela apontava – Matthew… ele está bem alimentado. Estão vendendo? - indagou ao homem que expunha a galinha e seus pintinhos e ele respondeu afirmativamente – Vou levá-los… todos eles. Meus homens virão buscá-los mais tarde – anunciou ao homem que ficou surpreso e um tanto sem reação quando o homem simplesmente lhe atirou a bolsinha de dinheiro para deixar claro que falava sério – Como se chamam os outros? - perguntou voltando a atenção para sua companhia, sorrindo divertido ainda com a reação do vendedor.