a sensação era diferente de tudo o que já tinha sentido. estava preparando o almoço especial em que havia convidado alexander — queria um paladar parisiense e ele parecia ser a pessoa perfeita para experimentar seus pratos. porém tudo começara a girar e a ruiva precisou interromper o que estava fazendo pois sentia que, se não se apoiasse, cairia. havia durado apenas alguns segundos, mas foi o suficiente para que o homem percebesse e lhe oferecesse suporte. agora, estava deitada no sofá da sala tentando manter os olhos fechados para que a sensação enjoativa não voltasse. “ água está ótimo, obrigada. “ o tom era doce, apesar de baixo. ficava até feliz dos filhos não estarem em casa, não queria ter que dividir a preocupação com eles também. “ você passava muito mal? por quê? “ os questionamentos vinham como uma forma de tentar se distrair, porque não conseguia achar alternativas para os sintomas. havia experimentado tantas coisas novas no último mês que o estômago poderia sim estar reclamando, mas não era a primeira vez que tentava ser experimentalista então por quê? “ estão na escola, ainda falta bastante pro turno acabar então deixemos eles lá. mas… acho que aceito o hospital. “ a destra que pairava sobre a testa, denunciando uma dor de cabeça, agora era direcionada para a região da barriga. estava tão acostumada com a rotina de fazer testes e receber negativas que não considerou um resultado positivo da inseminação, não de primeira, mas tinha medo de ser otimista e se frustrar ainda mais. não aguentaria uma nova frustração, principalmente após a última conversa com o médico: as últimas tentativas estavam acontecendo pois, devido a idade, cecelia se encaminhava para a menopausa. havia então sido sua última tentativa? estava grávida ou entrando em menopausa, afinal? “ alex. “ o chamou, permitindo-se sentar no sofá ao invés de continuar deitada sobre o mesmo. queria a atenção do rapaz, os olhos dele nos seus. “ me diz que vai ficar tudo bem. “ geralmente era ela quem mentalizava essas palavras, todos os dias, sem precisar da voz de terceiros, mas estava vulnerável demais pra tentar ser a mulher forte e independente de sempre. não tinha forças pra tentar se mascarar. era seu sonho começando ou terminando, pra sempre.