“isso vai parecer o questionamento mais aleatório do mundo, mas...” começou, comprimindo os lábios antes de continuar. “como que os pombos correios sabiam para onde deveriam ir?”
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“isso vai parecer o questionamento mais aleatório do mundo, mas...” começou, comprimindo os lábios antes de continuar. “como que os pombos correios sabiam para onde deveriam ir?”
gracesoult:
Era difícil olhar nos olhos da pessoa enquanto aquelas palavras, naquela ordem, eram ditas. Grace se esforçou para manter o tom comedido e calmo, algo que anos lecionando para turmas de universitários não-exorcizados a ensinou de forma pouco gentil, "Eu estou procurando... Uma ovelha. Ela tem o pelinho branco-amarelado. E um lacinho rosa na cabeça... de crochê".
as palavras fizeram com que charlotte franzisse o cenho, tentando entender exatamente o que a moça estava dizendo. “a ovelha é de crochê? ou o laço é de crochê?”
bcekhywn·:
“não ruim.” balançou a cabeça em discordância. “não tava bom. só parado? sabe quando o dia não é bom, mas isso não significa que ele é ruim?” arqueou o cenho, trazendo pra perto do corpo as mãos que não tinha percebido gesticular, enquanto tentava explicar. “o que eu quero dizer é que… meu dia estava meio parado. é isso.” deu de ombros, como se não tivesse quase, em seu ver, dado um monólogo sobre como o dia tinha sido calmo.
charlotte assentiu lentamente com a explicação dele porque, por mais estranha que houvesse soado, ainda assim fazia sentido. “acho que sei.” concordou, tentando resistir à vontade de desaparecer por ter sido pega dançando em público. “por mais que eu queira enfiar a cabeça num buraco agora, fico feliz de ter ajudado com isso.” sussurrou, comprimindo os lábios antes de estender uma das mãos. “eu sou a charlotte.”
ao perceber a movimentação que o filho havia feito, chamando alguém para ajudar com as luzes ao invés de lhe pedir diretamente, fez um carinho breve pelos fios negros do adolescente como em um agradecimento mudo. quanto à nova companhia, a ouvia falar com atenção enquanto organizava as guirlandas por pontos específicos do quintal, oferecendo-lhe sempre o mais gentil dos sorrisos. ainda mais sabendo que poderia compartilhar o espírito natalino com ela. “ que ótimo! vejo que se adiantaram bastante, terão um natal tranquilo. “ antes mesmo que pudesse responder a pergunta feita pela asiática, a filha mais nova aparecera para responder por si, expressando o quanto gostavam do natal naquela casa — e cecelia era culpada por isso, pois sempre incentivou os filhos a participarem das atividades relativas à data. “ como você pode ver… “ deixou uma leve risada se fazer presente. “ me atrasei um pouco com as decorações por causa do trabalho na prefeitura, mas também amamos o natal. não vejo a hora de distribuir os presentes que estão embaixo da árvore. “
“nós sempre nos adiantamos pra esses eventos, a gente se junta bastante pra arrumar tudo, principalmente porque minha mãe adora. é um jeito de manter a família unida, eu acho.” explicou. mesmo que houvessem se mudado bastante, charlotte ainda carregava boas memórias de final de ano com a família, pois eram naqueles momentos em que se sentiam como uma família comum, finalmente. “acho que não tem uma data exata para as decorações, o importante é fazer com quem nós gostamos, eu acho. pelo menos, para mim essa é a parte importante de verdade.” contou, se certificando de que tudo estava bem preso onde estava colocando, para que nada caísse ou se quebrasse. “acho que dar presentes é a minha parte favorita. fico feliz de verdade de ver as pessoas felizes recebendo.”
um dos grandes medos de cecelia era altura. vinha sendo o motivo pelo qual tentava decorar a frente da casa sem subir na escada que estava não muito longe de si — liam, um dos gêmeos, era quem ficava responsável por utilizá-la, mas não poderia dizer que dava altura para tudo o que queria fazer. o próprio adolescente chamou por muse, pedindo ajuda para ajustar o enfeite pois sabia das limitações da mãe. “ oh! olá, boa tarde. “ cecelia então cumprimentou a nova companhia, oferecendo-lhe um sorriso que ia além do amigável: estava animada, adorava o natal. “ como estão os preparativos? animado para as festividades? “
hcwardz·:
um dos grandes medos de cecelia era altura. vinha sendo o motivo pelo qual tentava decorar a frente da casa sem subir na escada que estava não muito longe de si — liam, um dos gêmeos, era quem ficava responsável por utilizá-la, mas não poderia dizer que dava altura para tudo o que queria fazer. o próprio adolescente chamou por muse, pedindo ajuda para ajustar o enfeite pois sabia das limitações da mãe. “ oh! olá, boa tarde. “ cecelia então cumprimentou a nova companhia, oferecendo-lhe um sorriso que ia além do amigável: estava animada, adorava o natal. “ como estão os preparativos? animado para as festividades? “
se havia algo que charlotte gostava, era de decorar as coisas para o natal. era uma de suas épocas favoritas no ano, especialmente por ser quando o pai aparecia para visitá-las e, portanto, aproveitava para fazer a maioria das coisas com a mãe e a irmã antes de sua chegada: decorar a árvore e a casa, embrulhar os presentes e todas as demais atividades que poderiam estar vinculadas à comemoração. por isso, quando foi chamava enquanto passava em frente da casa, não ficou nada além de feliz em ajudar. "boa tarde!” cumprimentou com um sorriso, olhando para a escada presente ali antes de subir nela, para poder prender as luzes propriamente. “estou bem animada esse ano. em casa já decoramos tudo, e já embrulhamos todos os presentes. faltam poucos dias pro natal, e a gente gosta bastante. e vocês?”
bcekhywn·:
o mau de passar o dia cercado por telas é que no tempo livre não suportava ver nada que fosse digital, até o kindle de tela fosca era o suficiente para irritá-lo. ficar em casa, no dia que tomou como folga, também parecia sufocante. ler um livro parecia ser a única opção, exceto que nenhum dos livros que tinha em casa parecia interessante, ou novos, alguns já desgastados demais, vítimas de mais de uma releitura. entrou na biblioteca, pela primeira vez depois de anos naquela manhã, sem lembrar de onde ficava nenhuma seção, ou qual seção gostaria de explorar. a movimentação fez com que tirasse os olhos dos títulos em sua frente, as sobrancelhas franzidas em curiosidade ao ver a outra dançando até ver os fones. “por que?” riu baixo, não dela, só da situação. “deixou meu dia uns quarenta por cento melhor.”
era embaraçoso, para dizer o mínimo. por mais que estivesse acostumada a passar vergonha publicamente pelo simples fato de estar sempre perdida no próprio mundo em sua cabeça, ainda assim não era como se soubesse lidar bem com aquele tipo de situação. pelo contrário, na maioria das vezes, a vontade que charlotte tinha era de cavar um buraco e se enfiar nele, sem nem sequer pensar duas vezes antes de fazer isso. apesar disso, as palavras do rapaz fizeram com que arqueasse uma sobrancelha. não estava esperando um comentário gentil, pelo contrário. estava mais acostumada com as pessoas rindo de si quando aquelas coisas aconteciam publicamente. “olha, eu quero me enfiar num buraco, mas fico feliz que fiz o seu dia ficar melhor. era um dia ruim?”
não era nenhuma mentira quando diziam que charlotte era atrapalhada. talvez não fosse algo tão notável nos primeiros momentos ao seu lado, mas após conhecê-la, era fácil de ver aqueles traços de sua personalidade. e ali estava, mais um dia, depois de perceber que havia esquecido a calça que prometera para @allyxbeaumont e ter que voltar todo o caminho para casa para buscá-la. “agora sim, desculpa pela demora.” fez um bico ao ver a outra mulher, com a sacola com as peças de roupas novas em mãos. “eu acho que você vai gostar dessas...”
por vezes, charlotte se via completamente imersa em seu próprio mundo, sem sequer se lembrar de onde estava ou sobre demais detalhes do que estava fazendo anteriormente. não sabia muito bem a explicação para isso, apenas sabia bem que era algo que acontecia constantemente quando estava sozinha em algum lugar. naquela tarde, não era diferente. havia ido até a biblioteca local para buscar um livro específico sobre cortes em vestidos. se lembrava de ter visto um que parecia interessante e ter informações que poderiam ser relevantes para uma nova peça que trabalhava. mesmo que houvesse ido até ali, a própria curiosidade a levou por entre as estantes, aproveitando para buscar algo que pudesse se tornar sua próxima leitura em seu tempo livre. com o fone nos ouvidos tocando uma música divertida e os olhos passeando pelos títulos, a garota nem sequer notou quando começou a dançar. e nem sequer sabia há quanto tempo havia começado quando notou um par de olhos desconhecidos, pertencentes a @bcekhywn, sobre si. rapidamente parou, encarando-o por alguns momentos e tirando os fones do ouvido. "você pode... fingir que não viu isso?"