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@hell-yeahnder-blog
Source
adamlambert: Malibu Beach
The Hell is cold, but your hands are warm enough || Lunder
Já fazia quase uma semana desde que começara a sentir-se tonto e com algumas tosses esporádicas, mas Ander não se lembrava de se sentir tão mal quanto se sentia naquele momento. Seu corpo inteiro doía, a cabeça pesava mais que todo o resto, impossibilitando-o de até mesmo encontrar uma posição mais confortável do que a que estava, encarando o teto. Tremia por inteiro, o frio consumindo-lhe a alma, o suor molhando todos os lençóis amarelos. Seu coração batia muito mais lentamente do que o recomendado. Contara: quatro vezes a cada minuto, batidas dolorosas que pareciam querer quebrar seu corpo, abri-lo e deixá-lo exposto às moscas. Já tentara se livrar daquele corpo humano, mas não tinha forças para fazê-lo, de forma que sua transformação estava incompleta, partes demoníacas mesclando com o hospedeiro. Sentia os dentes afiados rasgando-lhe a face do lado esquerdo, e a visão era aprimorada para o escuro em que se encontrava, entre outra mudanças. O demônio cerrou os olhos com força quando sentiu um forte espasmo percorrer o corpo, sua coluna arqueando inconscientemente e a sensação de que alguém tentava implodir sua cabeça o torturando. Mesmo de olhos fechados, algumas lágrimas lhe escaparam, traçando caminhos tortuosos nas bochechas deformadas pelos lábios e dentes que não as pertenciam. Ele arfou com a dor, tentando puxar o ar para dentro dos pulmões desesperados.
Suas mãos, vários tons de pele mais escura do que o habitual, apertaram os lençóis com força, as unhas negras e curvadas começando a abrir buracos no tecido. Estava tão frio... Ander tossiu pela centésima vez naquela hora, sentindo a garganta arranhar com o esforço. Um gemido escapou, o demônio resmungando por estar se sentindo tão mal. Sequer sabia que era possível ficar doente, jamais imaginaria que ficaria tão fraco ao ponto de sequer conseguir deixar seu corpo humano senão por um exorcismo. Mas nem um exorcismo havia trago tanto frio para sua alma. Deitado naquele escuro, Ander pensava que poderia morrer. Ele queria morrer. A forma como tremia não era natural, parecia estar sofrendo de convulsões constantes, todo o seu corpo arrastado pelo frio avassalador. Frio, tão frio... Você prometeu que nunca mais me faria sentir frio...
O demônio abriu os olhos, as pupilas já haviam sumido, dando lugar à imensidão dourada e elétrica que eram seus olhos demoníacos. Normalmente tão belos e poderosos, agora encontravam-se rodeados por olheiras roxas e profundas. O homem não queria ver um espelho, normalmente seu grande amigo. A parte dos lábios que não se esticara para dar lugar aos dentes pontiagudos estava trincada e pálida como todo o corpo do homem. Queria sair dali, precisava sair dali, tinha que arrumar um modo de se levantar, mas... Mas a cabeça era tão pesada, tudo rodava ao seu redor, e seus braços eram grandes, pesados e frios, tão frios. E antes que pudesse evitar, vozes invadiram sua cabeça. Muitas, até demais, gritavam e pediam atenção, riam, brincavam, pareciam se esconder dentro de cada espacinho vazio que encontravam. Não havia como escapar delas. Será que, se abrisse os olhos, seus donos apareceriam?
Ander não conseguiu mais se segurar, apenas curvou o corpo para o lado, vomitando toda a água que conseguira ingerir naquele dia junto com o sangue que estava empoçado em sua garganta após rasgá-la com a tosse incessante. Sem forças para retornar à posição que encontrava-se antes, ficou ali, um braço dependurado para fora da cama, o corpo na diagonal, sua cabeça apoiada do lado do colchão, tentando em vão respirar normalmente. Ele estava um desastre. Ainda naquela posição, escutou a porta de seu quarto ser aberta, o leão negro, que encontrava-se embolado ao seu lado na cama, ergueu a cabeça curiosamente, os pelos escuros roçando-lhe às costas cobertas por uma blusa de seda branca que já estava quase virando uma segunda camada de pele, de tão grudada em seu corpo que estava. Ander não tinha nada para falar para quem quer que tivesse chegado, senão um murmúrio triste, lágrimas caindo de seus olhos elétricos com a força dos soluços, e chegando à poça onde vomitara seu coração alguns segundos atrás.
- Está tão frio...
arriving in LA.
Deve ser a luz com a maquiagem, acontece muito, problemas desses cosméticos atuais. Não importa quão caro eu pague, sempre terão algum problema.
Oh, sim! A lindinha. Perdoe-me o esquecimento, ando tão distraído ultimamente, meu amor...