A verdade...
A verdade, é que eu nunca quis me apaixonar por você. Eu nunca quis me importar. Nunca quis te amar do jeito que eu estou amando hoje. Mas infelizmente, eu não escolho meus sentimentos. É o tipo de coisa que simplesmente acontece, sem mais nem menos, sem explicação ou motivo: eu comecei a te amar e nem reparei nisso.
Quando nossa história começou, eu devo confessar que não esperava que fosse durar muito. Eu pensava: “hoje a gente tá junto e amanhã ou depois ela me abandona, igual todas as outras.”. Sabe, eu levava isso tudo a cada dia, me escondendo ao máximo pra não me magoar, pra não me entregar, pra não perder o senso da razão e acabar ficando dependente de novo. No fundo do fundo, eu vivia cada dia esperando que fosse o ultimo... meu coração estava trancado e eu não queria que fosse destrancado.
Só que a cada dia que se passava mais você demonstrava afeto. Era sempre a primeira a dar bom dia e a ultima a dar boa noite, era sempre a garota que fazia de tudo para que eu me sentisse bem. E você conseguiu ser essa garota.
Agora, remoendo alguns momentos, eu me recordo de você me dizendo as seguintes palavras: “talvez seja cedo para eu dizer isso, talvez você não sinta o mesmo, talvez eu nem devesse te dizer isso, mas eu estou te amando e não quero esconder esse sentimento de você”. Sabe, aquilo tinha me desmoronado. Foi como se você estivesse me deixando um aviso: “eu estou com as chaves do seu coração e vou abri-lo aos poucos.”. Nesse dia então, eu comecei a gostar de você de verdade, porque até então, eu só via nosso relacionamento como mais um, qualquer um desses que se murcha como uma bexiga. Porém, você fazia de tudo pra manter essa bexiga sempre cheia e eu percebia isso a cada dia que passava.
Ah, e os dias foram passando-se... você dizia que me amava, implorava pra que eu prometesse que nunca iria enjoar de você, que nunca iria te abandonar. Às vezes parava e dizia “Eu te amo” e eu respondia “Eu sei disso.” E você retrucava “Mas eu amo muito... muito, muito, muito demais. Mais que eu.” E essas coisas iam me dominando e aos poucos eu ia me entregando. Até que brigamos pela primeira vez.
Lembro que eu tinha me sentido horrível, porque você tinha quebrado minha confiança e eu fui extremamente duro, somente pelo fato de que eu não queria sofrer do mesmo jeito que eu já tinha sofrido. Eu enlouqueci nas palavras, palavras rudes demais pelo motivo que ocasionou a briga, que eu disse sem nem ao menos pensar em você. Na minha mente, só eu importava, e eu não queria que ninguém fosse mais importante do que eu mesmo... e eu, estava só com medo de me machucar. Mas o que você fez em relação a tudo? Você chorou... chorou como uma criança quando perde um doce. Disse que não poderia viver sem mim e que não saberia o que fazer se eu terminasse nosso relacionamento. E esse momento fez com que eu caísse num vale desconhecido até então e me fez pensar mais em você do que em mim. Foi nesse dia que eu pensei “cara, eu não posso magoar essa garota. Eu não posso ser tão egoísta ao ponto de simplesmente chutar todos os sentimentos dela como se fossem latas amassadas. Eu não posso magoar essa garota, ela não merece isso. Não merece.”.
E eu me entreguei, quando você me colocou de uma forma mais importante do que você mesma na sua vida. Foi daí então, eu comecei a ter os mesmos sentimentos. Depois disso tudo, que você passou a ser mais importante pra mim do que eu mesmo. Um erro meu? Não sei. Só sei que foi o que aconteceu.
E nós vivemos momentos maravilhosos depois disso. Os melhores dias da minha vida. Cada dia contigo era o melhor que eu já tinha vivido e você me dava tanta certeza que nada iria nos separar que eu prometi, prometi que nunca iria enjoar de você e que nunca iria te abandonar. E eu o cumpri. Cumpri cada dia e mês que se passou, até nos momentos mais complicados, eu mantive firmeza no que disse em não magoar você e mantive firmeza nas minhas promessas.
Mas, em algum momento desse percurso todo, você, de certa forma, perdeu a excitação no nosso relacionamento... Era como se você tivesse perdendo, a cada minuto que se passava, todo aquele imenso sentimento que tinha feito com que eu me entregasse pra você. Falando o português falado, você estava broxando. E, por mais que isso me magoasse um pouco, eu não queria abrir mão de tudo, por causa de problemas tão simplórios. Eu não podia. Eu não iria conseguir quebrar algo que eu prometi e também não iria conseguir abandonar todo sentimento, entende? Já era tarde demais pra isso. Você já era muito mais importante pra mim do que eu mesmo àquela altura.
E agora, depois de tudo... onde estamos? Longe um do outro.
Você não aguentou... Você não me aguentou. Me abandonou.
Sabe, pareceu que tudo aquilo que você tinha dito antes era só uma historinha, dessas que se conta pra uma inocente criança dormir. Pareceu que todo aquele drama que fez com que eu autorizasse você a chegar no meu coração fosse apenas uma peça de teatro, numa fala programada de um roteiro, ensaiada e revisada várias e várias vezes. Uma boa atriz ou só uma boa mentirosa? Eu não sei... O que eu sei, é que você mostrou ser como todas as outras, como qualquer outra, que me faz amar e depois jogou esse amor no lixo como se fosse papel de bala.
Assim, mais uma vez, eu fico só, de coração partido e decepcionado. Chorando toda noite lembrando de nós e de como tudo está, da forma que está, esperando ser consolado pela pessoa que me abandonou. E tudo o que eu sinto agora é um vazio enorme... Eu sinto tristeza, infelicidade, indignação e pior de tudo, saudade. Muita saudade...

















