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            Permanecia sentado no sofå e só o fato de saber que não havia mais ninguém na casa, era um tanto reconfortante, talvez fosse por isso que estava muito mais à vontade do que nas outras vezes, inclusive nem preocupava-se muito com sua postura ou atos, muito diferente de quando havia sobre si a pressão de estar sendo observado por algum adulto, normalmente os pais de Delilah. Não que tivesse a intenção de fazer qualquer coisa indevida, mas saber que qualquer uma de suas açÔes pudessem ser interpretadas da maneira errada ou que para os mais velhos qualquer erro, por mais pequeno que fosse, poderia ser motivo suficiente para taxå-lo, normalmente deixava-o nervoso.
            Sua mĂŁo correspondente foi levada ao pote de pipoca, sentindo uma quantidade pequena dentro do mesmo, entĂŁo pegou uma porção consideravelmente menor do que as anteriores e certamente aquela seria a Ășltima, com certeza deixando o resto para a namorada. Seus olhos estavam muito concentrados na tela da televisĂŁo quando uma cena quente se instalou aos poucos, surpreendendo o rapaz que tentou reagir apenas com expressĂ”es, essas muito visĂveis apenas para quem estivesse prestando atenção em seu rosto, mas jĂĄ seu corpo, erroneamente paralisou. NĂŁo era muito comum tais tipos de cena na sĂ©rie que olhavam, provavelmente fazendo dela a mais adequada para ambos, que nunca haviam tocado no assunto.
            A voz alheia atingiu seus ouvidos, fazendo com que voltasse a respirar no ritmo certo. â â I donât know. Maybe theyâll catch the public by the mystery. â Respondeu, mas ainda estranhando a reação inesperada da garota, que aparentemente demonstrava muito mais desconforto em relação Ă cena, deixando isso bem claro com suas atitudes um tanto desesperadas ao mencionar personagens que nĂŁo apareciam na tela. â â Yeah, that sucks. But, hey baby, you gonna miss this episode. We can do that later. â Afirmou, evitando entrar no assunto da cena; nĂŁo era como se tivesse muita pressa, jĂĄ fazia um ano que deixava aquilo nas mĂŁos da namorada, entretanto, tudo fazia parte do episĂłdio e nĂŁo queria perder ou talvez no fundo sentia que estava na hora do assunto vir Ă tona. â â Are you okay? You know, I think youâre weird with this scene⊠â Comentou, ainda vendo a cena na tela, dando a sensação de que a mesma nĂŁo tinha fim.
             Primeira coisa que fez foi assentir com a cabeça em respeito Ă primeira frase dele, com um breve e sutil sorriso nos lĂĄbios. Estava tensa demais para agir naturalmente, ainda que tivesse certa intimidade com Bernard e pudesse ser ela mesma quando estavam juntos. Ele parecia muito mais tranquilo naquele dia, sem os pais em casa, e ela imaginou que faria bem a ausĂȘncia de seu pai, o homem que vivia o fitando, provavelmente na expectativa de vĂȘ-lo dar algum pequeno vacilo para poder criticĂĄ-lo. Consequentemente, a loira ficava mais Ă vontade tambĂ©m, mas depois da fatĂdica cena da sĂ©rie, os dois pareciam ter ficado estranhos, sendo Delilah, provavelmente, a que mais aparentava o nervosismo.Â
             Talvez nervosismo nem fosse a palavra que o definisse, afinal. Sabia que ele a conhecia o suficiente para estranhar suas reaçÔes, e sua mente viajou em alguns pensamentos que andou evitando no Ășltimo ano enquanto namoravam. Bernard era um garoto incrĂvel, muito respeitador e carinhoso com ela. Delilah reparava atĂ© nos pequenos atos, como deixar o final da pipoca para ela por saber que ela adorava. Valorizava o namorado que tinha, e com toda a confiança que tinha nele o suficiente para sentir bastante confortĂĄvel em sua presença, nĂŁo imaginou nenhuma grande justificativa para evitar, ao menos, a conversa sobre o assunto.Â
            â â  Yeah, Iâll check that later. â Foi sua resposta sobre ele ter dito que esperasse para verificarem informaçÔes sobre a sĂ©rie na internet depois. Ă claro que, se a situação fosse outra, ela jamais largaria a sĂ©rie que estava adorando para procurar por spoilers, mas estava tĂŁo desconcertada naquele momento que atĂ© aquilo que detestava pareceu uma ideia aceitĂĄvel. E entĂŁo ouviu Bernard fazer a pergunta. Aquela que dava abertura para ela se abrir e dizer a verdade, embora ainda estivesse incerta. Depois de pouco pensar, nenhum bom motivo veio Ă sua cabeça para lhe impedir de falar sobre, e antes que pudesse desistir, começou a falar. Ou tentar. â â  I know I started acting weird after we watched that... that scene. Itâs just because I donât actually feel really comfortable watching that kind of scene. â Começou a explicar, repetindo mentalmente todo o tempo que estava pronta para falar sobre, e que discutir o assunto nĂŁo significava de forma alguma que teriam de praticĂĄ-lo, e tinha confiança de que o namorado soubesse disso. Esperava nĂŁo se decepcionar. â â  Would it be weird if we talked about that? â Perguntou, cogitando entĂŁo a possibilidade de aquilo um tabu para ele tambĂ©m, e talvez esse fosse o motivo de que o mesmo nĂŁo tenha sequer tentado tocar no assunto desde que se conheceram.Â














