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Ele começou mentindo por necessidade.
Não foi uma mentira grandiosa — nada de identidades falsas ou golpes elaborados. Foi pequena, quase banal. Disse que já tinha experiência num trabalho que nunca teve. Disse que conhecia pessoas que nunca conheceu. Disse que estava bem, quando claramente não estava.
E funcionou.
As portas não se abriram completamente, mas cederam o suficiente para ele passar de lado, meio envergonhado, meio aliviado. A mentira não era só um recurso — era uma ferramenta. E como toda ferramenta que resolve problemas, começou a parecer indispensável.
No começo, ele ainda distinguia o que era verdade do que não era. Havia um certo desconforto, uma tensão interna, como se duas versões dele coexistissem: a que vivia e a que narrava. Mas, com o tempo, algo mudou. Não foi uma decisão consciente — foi mais como um desgaste.
Ele passou a contar as mesmas mentiras com tanta frequência que já não precisava mais pensar nelas. Elas vinham prontas, naturais, com detalhes, com emoção. E o mais perigoso: começaram a parecer memórias.
Certa vez, alguém perguntou sobre um episódio da infância que ele havia inventado meses antes. Ele respondeu com riqueza de detalhes — o cheiro da casa, o barulho da rua, a expressão da mãe. Quando terminou, ficou em silêncio por um instante.
Porque, naquele momento, ele acreditava.
A verdade não desapareceu de repente. Ela foi sendo substituída, camada por camada, como tinta sobre uma parede antiga. Ainda estava lá embaixo, mas inacessível, esquecida sob versões mais confortáveis, mais aceitáveis, mais úteis.
As pessoas ao redor passaram a confiar nele — ironicamente, pela consistência daquilo que nunca aconteceu. Ele se tornou convincente, não porque enganava bem, mas porque já não distinguia o engano.
Até que um dia, alguém tentou confrontá-lo.
Não com acusações, mas com fatos simples. Datas que não batiam. Lugares onde ele não poderia estar. Pequenas rachaduras.
Ele reagiu com indignação genuína.
Defendeu-se com firmeza, com emoção, com a convicção de quem está sendo injustiçado. E talvez, naquele instante, ele realmente estivesse — não porque era inocente, mas porque já não tinha acesso ao crime.
A mentira deixou de ser um ato.
Virou identidade.
E o mais inquietante não é que ele enganava os outros.
É que, no fim, foi o único que realmente acreditou.
Eu só quero ser oque sou, pois estou condenado a ser testemunha de mim mesmo por enxergar meus pensamentos.
Agora, em terreno clássico, sinto-me repleto de entusiasmo;
o passado e o presente falam-me com mais força e encanto.
Aqui, sigo o conselho, folheando as obras dos antigos
com mãos ágeis, diariamente com renovado deleite.
Mas, durante as noites, Cupido me mantém ocupado de outras maneiras;
embora eu me torne apenas parcialmente instruído, sou duplamente feliz.
E não me instruo
contemplando a forma de seu belo seio, guiando minha mão por seus quadris?
Então, compreendo verdadeiramente o mármore: penso e comparo,
vejo com olhos sensíveis, sinto com mãos perspicazes.
Embora minha amada me roube algumas horas do dia,
ela me dá horas da noite em compensação.
Pois nem sempre nos beijamos, conversamos racionalmente; se
o sono a vence, eu me deito e penso muito.
Muitas vezes, cheguei até a compor poesia em seus braços
e, silenciosamente, contei os compassos do hexâmetro
em suas costas com uma mão delicada. Ela respira em doce sono,
e seu hálito aquece meu peito até a sua essência.
Enquanto isso, Cupido alimenta a lâmpada e se lembra das vezes
em que realizou o mesmo serviço para seus triúnviros.
Olhou apressadamente ao redor, procurava algo. Estava com vontade de sentar-se e procurava um
banco; naquela ocasião passava pelo bulevar K. Havia um banco à vista adiante, a uns cem passos. Ele
caminhou o mais rápido que pôde; mas a caminho meteu-se numa pequena aventura, que durante alguns
minutos lhe atraiu toda a atenção.
Ao olhar o banco ele notou à sua frente, a uns vinte passos, uma mulher a caminhar, mas de início não
fixou nenhuma atenção nela nem nos objetos que até então passavam todos fugazes à sua frente. Já lhe
acontecera, muitas vezes, por exemplo, voltar para casa e depois esquecer o caminho que estava acostumado a
percorrer. Mas na mulher que caminhava havia qualquer coisa de estranho que, à primeira vista, saltava aos
olhos, e sua atenção foi pouco a pouco se fixando nela — de início sem querer e assim meio por enfado, mas
depois se tornou cada vez mais forte. Súbito teve vontade de entender o que precisamente havia de estranho
naquela mulher. Em primeiro lugar, ela, provavelmente uma mocinha muito jovem, caminhava por aquele
calorão de cabeça descoberta, sem sombrinha nem luvas, agitando as mãos de forma meio engraçada. Trajava
um vestidinho sedoso, de tecido leve, e também colocado de um jeito muito esquisito, quase desabotoado e
rasgado atrás, à altura da cintura, bem no começo da saia; uma tira inteira desprendida balançava pendurada.
Um lencinho tinha sido lançado sobre o colo nu, mas aparecia meio oblíquo, de lado. Para completar, a
mocinha caminhava insegura, tropeçando e até cambaleando para todos os lados. Esse encontro finalmente
despertou toda a atenção de Raskólnikov. Ele cruzou com a mocinha bem junto ao banco, porém, ao chegar ao
banco ela acabou desabando sobre ele, numa ponta, atirou sobre o encosto a cabeça e fechou os olhos, pelo
visto levada por uma excessiva exaustão. Lançando-lhe um olhar, ele logo adivinhou que ela estava totalmente
bêbada. Era estranho e aterrador olhar para semelhante fenômeno. Chegou a pensar se não estava enganado.
Tinha diante de si um rostinho jovem demais, de uns dezesseis anos, talvez até de apenas quinze — pequeno,
lourinho, bonitinho, mas todo afogueado, como se estivesse inchado. A mocinha, parece, estava atinando muito
pouco; cruzou uma perna sobre a outra, e a cruzou bem mais do que devia, e, por todos os indícios, tinha muito
pouca consciência de que estava na rua.
Raskólnikov não se sentou e, sem vontade de ir-se, ficou postado diante dela, atônito. Aquele bulevar
sempre estava deserto, e àquela altura, na casa das duas da tarde e naquele calorão, quase nunca havia
ninguém. Entretanto, à parte, a uns quinze passos, no meio-fio do bulevar, parara um senhor; e, ao que tudo
indicava, também estava com muita vontade de chegar-se à menina com certos objetivos. Provavelmente, ele
também a avistara de longe e a alcançara, mas Raskólnikov o atrapalhou. Ele lhe lançava olhares furiosos, mas
tentando evitar que o outro o notasse, e aguardava pacientemente a sua vez quando o deplorável maltrapilho se
fosse. A coisa estava clara. O tal senhor era homem de uns trinta anos, corpulento, gordo, rosto de bela cor,
lábios rosados e bigode, e vestido com muito janotismo. Raskólnikov ficou tomado de uma fúria terrível; de
repente esboçou ofender aquele almofadinha gordo. Deixou a menina por um instante e aproximou-se do
senhor.
— Ei, você aí, Svidrigáilov! O que é que está querendo? — gritou ele cerrando os punhos, sorrindo e
espumando de fúria.
— O que é que isso significa — perguntou o senhor com ar rigoroso, franzindo o cenho com uma
surpresa arrogante.
— Fora daqui, é isso!
— Como tu ousas, canalha?
E ele agitou a chibata. Raskólnikov investiu contra ele de punhos cerrados, sem ao menos considerar que
o corpulento senhor podia dar conta de dois como ele. Mas nesse instante alguém o agarrou fortemente por
trás, um policial se colocou entre eles.
— Chega, senhores, não ousem brigar em lugares públicos. O que os senhores desejam? Quem é o
senhor? — dirigiu-se severamente a Raskólnikov, observando-lhe os andrajos.
Raskólnikov olhou para ele atentamente. Tinha um galhardo rosto de soldado com bigodes grisalhos e
suíças e olhar inteligente.
— É do senhor mesmo que estou precisando — gritou, agarrando-o pelo braço. — Sou um ex-estudante,
Raskólnikov... Isso o senhor também pode ficar sabendo — dirigiu-se ao outro. — Quanto ao senhor, vamos ali,
vou lhe mostrar algo...
Agarrando o policial pelo braço, arrastou-o até o banco.
— Veja isso, está completamente bêbada, agora mesmo caminhava pelo bulevar: sabe-se lá quem é, de
que meio, mas não parece que estava exercendo o ofício. O mais provável é que a tenham embebedado e
enganado em algum lugar... pela primeira vez, está entendendo? E nesse estado a botaram na rua. Veja a roupa
rasgada, veja como foi vestida: porque ela não se vestiu com as próprias mãos mas a vestiram mãos inábeis,
mãos de homem. Isso é visível. Agora olhe para cá: esse almofadinha, com quem há pouco eu queria brigar, eu
não o conheço, estou a vê-lo pela primeira vez; mas ele também a notou ao passar por aqui agora, bêbada,
esquecida de si, e ele está com uma terrível vontade de chegar-se a ela, agarrá-la — já que ela está nesse estado
— e levá-la para algum lugar... E com certeza é isso mesmo: pode acreditar que não estou enganado. Eu mesmo
vi como ele a observava e a seguia, só que eu o atrapalhei e agora ele só está esperando que eu me vá. Agora ele
está um pouquinho afastado, postado, como estivesse enrolando um cigarro... E se a gente não lhe permitisse?
E se a gente a mandasse para casa — pense nisso!
O policial compreendeu e considerou tudo num instante. O que o senhor gordo queria estava claro,
restava a menina. Curvou-se sobre ela para observá-la mais de perto, e seus traços esboçaram uma sincera
compaixão:
— Ai, que pena! — disse ele, balançando a cabeça — parece ainda bem criança. Pregaram-lhe uma peça,
está visto. Escute, minha senhora — começou a chamá-la —, onde a senhora mora? — A moça abriu os olhos
cansados de peixe morto, olhou atoleimada para os interrogadores e esquivou-se.
— Ouça — disse Raskólnikov —, veja (remexeu num bolso e tirou vinte copeques), tome, chame um
cocheiro e mande deixá-la no endereço. Só falta a gente descobrir o endereço!
— Senhorita, ô senhorita? — recomeçou o policial depois de receber o dinheiro. — Vou chamar um
cocheiro agora mesmo e levá-la pessoalmente. Para onde ordena? Hein? Onde a senhorita mora?
— Xô!... que amolação!... — balbuciou a menina e tornou a esquivar-se.
— Puxa, como isso está mal! Ah, que vergonha, senhorita, que vergonha! — ele tornou a balançar a
cabeça, com vergonha, lamentando e indignado. — Veja que trabalhão! — dirigiu-se a Raskólnikov e
incontinenti lançou-lhe de passagem um olhar da cabeça aos pés. Estranho, na verdade, foi o que ele lhe
pareceu: em semelhantes andrajos e dando dinheiro!
— O senhor os encontrou longe daqui? — perguntou-lhe.
— Estou lhe dizendo: ela ia à minha frente, nesse mesmo bulevar. Foi chegando ao banco e desabando.
— Ah, que vergonha está se espalhando pelo mundo, meu Deus! Tão verde e já bêbada! Pregaram uma
peça nela, vê-se! Veja o vestidinho rasgado... Ah, quanta depravação anda por aí!... Vai ver que é do meio nobre,
e pobre desse jeito... Hoje tem muitas assim. Pelo visto parece gente delicada, porque é como uma senhorita —
e tornou a curvar-se sobre ela.
Talvez ele tivesse filhas assim — “como senhoritas e delicadas”, com modos bem-educados e toda sorte
de modismos já assimilados...
— O principal — insistia Raskólnikov — é arranjar um jeito de não deixar para esse patife! Porque ele
ainda vai conseguir desonrá-la! Está na cara o que ele está querendo; que patife, não arreda pé!
Raskólnikov falava alto e apontava diretamente para ele. O outro ouviu e quis zangar-se mais uma vez,
porém mudou de ideia e limitou-se a um simples olhar de desdém. Depois se afastou lentamente uns dez
passos e tornou a parar.
— A gente pode não deixar com ele — respondeu o sargento meditabundo. — Se pelo menos ela
dissesse pra onde levá-la, mas assim... Senhorita, senhorita! — tornou a curvar-se.
De repente ela abriu inteiramente os olhos, olhou atentamente como se entendesse o que acontecia,
levantou-se do banco e caminhou de volta na direção de onde viera.
— Arre, descarados, me amolando! — pronunciou ela, mais uma vez se esquivando. Caminhou rápido,
mas como antes cambaleando fortemente. O almofadinha a seguiu mas por outra aleia, sem desviar os olhos
dela.
— Não se preocupe, não vou deixar — disse decididamente o policial bigodudo e saiu atrás dos dois.
— Sim, senhor, quanta depravação por aí! — repetiu em voz alta, suspirando.
Num instante alguma coisa pareceu picar Raskólnikov; num abrir e fechar de olhos ficou meio
transtornado.
— Ei, escute! — gritou atrás do bigodudo.
O outro olhou para trás.
— Deixe pra lá! O que o senhor tem com isso? Deixe que ele se divirta (apontou para o almofadinha). O
que é que o senhor tem com isso?
O policial não entendeu e ficou olhando para Raskólnikov de olhos arregalados. Raskólnikov começou a
rir.
— Ora veja! — pronunciou o policial, dando de ombros e saindo atrás do almofadinha e da menina,
provavelmente tomando Raskólnikov por louco ou por coisa ainda pior.
“Levou meus vinte copeques — pronunciou com raiva Raskólnikov, depois de ficar só. — Deixa pra lá,
vai pegar dinheiro do outro também e ainda deixar a menina, é assim que vai terminar... Por que eu me meti a
ajudar? Eu mesmo não estou precisando de ajuda? Tenho eu direito de ajudar? Que eles se engulam vivos — o
que é que eu tenho com isso? E como me atrevi a dar aqueles vinte copeques? Por acaso eram meus?”
Apesar dessas palavras estranhas, sentiu-se muito mal. Sentou-se no banco abandonado. Estava com os
pensamentos difusos... Além do mais, sentia dificuldade de pensar no quer que fosse nesse momento. Queria
cair no sono, esquecer tudo, depois acordar e começar tudo de novo...
“Pobre menina!... — disse ele, olhando para o canto vazio do banco.
— Vai voltar a si, chorar, depois a mãe ficará sabendo de tudo... Primeiro irá espancá-la, depois açoitá-la,
para doer e envergonhar, pode ser até que a expulse de casa... Mas se não expulsar, as Dárias Frantsievnas
acabarão farejando e a minha menina começará a correr pra lá e pra cá... Depois logo Irá bater com os costados
num hospital (e isto sempre acontece com aquelas que vivem com suas mães muito honestas e fazem
travessuras às escondidas delas), e depois... depois novamente hospital... vinho... botecos... e de novo hospital...
dois, três anos depois estará mutilada, aos dezoito ou dezenove anos de vida apenas... Por acaso não conheço
moças assim? E como chegaram aí? Foi assim que chegaram... Arre! Que seja! É assim, dizem, que tem de ser
Ao entrar em uma sala, a consciência não encontra números.
Ela encontra coisas.
Mesas, cadeiras, livros, corpos, superfícies.
Cada objeto se oferece já situado: ocupa um lugar no espaço, possui uma forma, um peso, uma altura, uma função. Alguns estão próximos, outros afastados; alguns se assemelham, outros se distinguem. Há uma ordem silenciosa que não foi criada pela consciência, mas que se impõe a ela como campo perceptivo.
Nesse primeiro momento, nada é contado.
Há apenas uma multiplicidade indeterminada.
Os objetos se relacionam entre si pela posição que ocupam, pela composição material, pelo gênero ao qual pertencem. Cadeiras se aproximam de cadeiras, livros de livros, mesas de mesas. Essa organização, porém, ainda não é numérica. Trata-se de uma articulação prévia do mundo percebido, anterior a qualquer operação intelectual de contagem.
O número não reside nas coisas.
Ele não está dado nos objetos como uma cor, um peso ou uma extensão.
Para que o número surja, é necessário um ato específico da consciência. Um gesto intencional que não altera os objetos, mas altera o modo como eles são apreendidos. A consciência pode simplesmente deixar que os objetos estejam ali, dispersos em sua multiplicidade vaga, ou pode reunir alguns deles sob uma mesma intenção.
Quando se diz “essas cadeiras”, algo novo acontece.
Não se trata mais de cadeiras isoladas no espaço, mas de uma unidade formada pelo ato de reuni-las.
Esse reunir não é físico.
É um ato de consciência que mantém presentes, ao mesmo tempo, vários conteúdos como pertencentes a um mesmo todo. Cada cadeira é apreendida como uma unidade singular, um “um”, e, ao mesmo tempo, essas unidades são mantidas juntas sob uma intenção comum.
É nesse ponto que o número começa a se constituir.
O “três” não está nas cadeiras.
Ele emerge do modo como a consciência mantém simultaneamente três unidades idênticas enquanto tais. O número é, portanto, uma estrutura intencional: resulta da maneira como a consciência organiza e sustenta uma multiplicidade.
Enquanto se percebe apenas “muitas cadeiras”, o número ainda não se apresenta. A multiplicidade permanece indeterminada. Para que se possa dizer “três cadeiras”, é preciso que a consciência retenha as unidades anteriores, reconheça cada uma como idêntica às outras e as unifique em um mesmo ato. Essa operação exige tempo, memória e identidade. O número nasce, assim, no fluxo temporal da consciência, não no espaço externo.
Contar não é descobrir algo que já estava escondido nas coisas.
É realizar um ato estruturado que confere forma à multiplicidade.
Com isso, Husserl procura mostrar que o número não é um dado sensível nem uma ideia abstrata flutuando fora da experiência. Ele surge de atos psíquicos rigorosos, descritíveis, dotados de estrutura própria. A aritmética, longe de ser arbitrária, repousa sobre modos fundamentais de apreensão do mundo.
Esse exercício não pretende reduzir a matemática à psicologia vulgar, mas revelar o solo experiencial a partir do qual o sentido do número se torna possível. O que está em jogo não é explicar o número por estados mentais empíricos, mas compreender as condições intencionais que tornam possível qualquer contagem.
Assim, ao entrar em uma sala, não encontramos números.
Encontramos o mundo.
E é somente quando a consciência intervém, reunindo, mantendo, identificando e unificando, que o número, silenciosamente, se deixa constituir.