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Pois é… Desde que eu cheguei, parece que todos sumiram. -coça a cabeça- Qual o seu nome?
Costumava ser mais animado quando cheguei...
Anastasia, e o seu?
Shoot to thrill, play to kill ~||~ Ciel&Anastacia
Aquela noite estava de fato interessante. O céu estava nublado, embora não houvessem quaisquer vestígios de chuva. Uma brisa gelada inundava a cidade, e a umidade no ar reforçava a ideia de colocar um casaco. A cidade de Nova York continuava deserta, sem qualquer indício de que ficaria diferente. O lado de fora do Empire State era, agora, tão silencioso quanto um necrotério aguardando pacientemente para receber mais uma pobre carnificina para transformar em pó. O garoto Ciel vez ou outra permitia-se abrigar todo aquele silêncio e monotonia, como se fossem amigos distantes. Sempre gostou de ficar sozinho, embora acreditasse que a solidão pelo resto da vida certamente levaria a insanidade. Era este o motivo por estar ali… Talvez. Ou era orgulhoso demais para admitir que estava tremendamente assustado com todo o ocorrido.
Deviam ser duas da manhã quando caminhava pelo hall de entrada do prédio, deixando que sua curiosidade e vontade de explorar o ”Novo Mundo” lhe guiasse, levando-o para fora. Não era novidade que se entediava facilmente, por isso, não viu problemas em sair. Todos já deviam estar dormindo, o que era uma vantagem. Respirava pesadamente enquanto caminhava pelas ruas desertas da cidade, franzindo levemente o cenho para espantar a ansiedade que ameaçava lhe atingir. Não muito longe do Empire State, avistou um pequeno centro de compras, um tanto decaído e gasto, como se já estivesse daquela maneira antes mesmo de ser atingida pela destruição. O garoto hesitou um pouco antes de adentrar o local, à procura de qualquer coisa para ajudar o grupo - ou lhe distrair.
Caminhava em passos lentos pelos corredores do local, segurando com firmeza a arma presa no cinto. Antes que pudesse cogitar a ideia de ser atacado por mais alguém, sentiu um leve pânico correr por suas veias ao ouvir algo. Um objeto cair no chão e ecoar um tanto alto demais. O mesmo rolou na esquina de um dos corredores, revelando ser uma lata. Cie abaixou-se, correndo os olhos de um lado para o outro, aflito. Obviamente, não estava sozinho e, de certa forma, preparou-se para o pior. Contudo, ao avistar a sombra pelo canto do olho, não hesitou em sacar a pistola e atirar em sua direção.
Mais uma noite, mais um pesadelo. Desde que chegara ao Empire State, Anastasia demonstrava estar sempre de bom humor, transmitindo palavras otimistas para os outros e até para si mesma, ela queria acreditar que tudo ficaria bem, queria acreditar que podia levar uma vida normal. Mas Anastasia não era normal. Sonhava constantemente com a mesma cena: ela matando Chace. O estranho é que, por mais que fosse sempre o mesmo sonho, não era o mesmo sonho. Algumas vezes atirava nele, outras, o espancava até que ele parasse de respirar, houve vezes que ela continuava a bater nele mesmo depois dele já estar morto, o que parecia muito pior, muito mais doentio e assustador. Sabia que nenhuma das cenas eram reais porque sabia que não o tinha matado, quer dizer, ela não podia matá-lo, ela o amava, certo? Quanto mais o tempo passava, mais Ana começava a duvidar de si mesma, talvez os psiquiatras estivessem certos, talvez ela só tivesse reprimido a memória, talvez ela... — Não Anastasia, você não é louca e muito menos uma assassina. — disse para si mesma, se sentando na cama.
O quarto estava um breu, era um pouco mais de meia-noite quando ela se levantou e se encaminhou para o banheiro. Lavou seu rosto com água gelada e se olhou no espelho. Sua blusa estava molhada de suor, seu rosto carregava uma aparência péssima, aparentando ser bem mais velha do que realmente era. Sua mãe costumava dizer que pessoas que passavam noites sem dormir envelheciam mais rápido, antes Ana pensava que sua mãe só falava aquilo pra que ela não virasse noites acordada no computador, mas agora, começava a acreditar ser verdade. Tomou um banho rápido e se vestiu com literalmente a primeira roupa que encontrou, pôs um casaco e saiu do quarto.
Estava com medo de voltar a dormir, com medo de voltar a sonhar, então resolveu fazer uma caminhada pela cidade, se ela ficasse perambulando pelo prédio talvez desse de cara com alguém e no momento ela não estava afim de encontrar ninguém, só queria caminhar para esvaziar a mente. Em algum momento da pernada, uma fome a atingiu lembrando-a que ela fora dormir sem jantar, algo que raramente acontecia, Anastasia nunca se esquecia de comer. Entrou em um estabelecimento comercial, não sabia o que tinha lá dentro mas pelo tamanho do lugar, haveria de ter alguma comida, nem que fosse de máquina. Seus instintos estavam certos, no centro do local havia algo como uma cafeteria, as comidas estavam estragadas mas haviam coisas industriais intactas como pacotes de salgadinhos e latas de refrigerantes. Se sentou em uma das mesas carregando um salgadinho e uma lata de refrigerante e começou a comer.
Era meio triste comer sozinha e quando olhava ao seu redor, o lugar parecia um tanto quanto assustador. Ouviu alguns barulhos, provavelmente culpa da paranoia que a estava atingindo, quando se estava com medo em um lugar escuro e silencioso, a mente de uma pessoa tinha a capacidade de transformar uma simples sombra num serial killer, por isso resolveu ignorar tais sons, provavelmente eram coisas da sua cabeça. Ao terminar de comer, se levantou para poder se encaminhar de volta para as ruas de New York, mas quando o fez, sua perna bateu na mesa fazendo-a se balançar, derrubando a lata vazia que rolou para longe. A garota bufou, apesar de estar em algo que estava sendo considerado o fim do mundo, achava que precisava manter hábitos antigos, como o de não deixar lixo no chão, por isso foi atrás da lata para que pudesse jogá-la no seu devido lugar, mas foi surpreendida por um barulho e logo em seguida, uma dor no braço. Havia acabado de receber um tiro.
Hi, I'm a nurse and this is a lie. || Anastasia & Lucretia
Lightning a fitou com um pequeno sorriso. Ainda se divertia ao ver as reações tão diversas das pessoas ao chegar naquele lugar. Algumas se desesperavam, outras choravam, algumas ficavam extremamente felizes e ouve até uma que desmaiou. A moça a sua frente, fosse quem fosse, era muito discreta, ela pode perceber. - Sinto muito. Eu ando por aqui diariamente, e nunca te vi. E para completar, está olhando para todos os lados como se procurasse alguém, então… - Deu de ombros, sorrindo. - Conclui que havia acabado de chegar. Se esse for o caso relaxe. Você não está sozinha. - Piscou para ela, em gesto de boa vontade.
- Anastasia… me siga, moça! - Disse, achando que seria bom fazer um tour pelo local, e lhe explicar as coisas principais. - É um nome russo… só de origem, ou há alguma descendência? - Era sempre curiosa. Sabia que jamais conseguiria superar aquela característica. - Hum… não exatamente. Lightning é apelido. Meu nome real é Lucretia. Meu pai gostava tanto do Megadeth que me batizou como o nome de uma música. Eu gosto da música, adoro a banda e odeio meu nome, então… pode ser Lightning. Ou Light. - Deu de ombros, se perguntando quantas vezes já havia dado aquela explicação. Seu pai era realmente louco por aquele tipo de coisa. Sua irmã se chamava Kayleigh e seu irmão, o bebê Jax, havia recebido aquele nome por conta de um jogo estúpido no qual o velho se viciara.
Ela lhe mostrou rapidamente o local onde era guardada a comida, e os quartos. Cruzaram com umas poucas pessoas, pelos corredores, mas não muitas. - Bem… isso termina o tour. E não, não estou hospedada aqui. Eu preferi ficar em um apartamento há três quarteirões. Sabe… viver em sociedade, num mundo como esses é bom… mas ainda não tenho certeza se confio 100% nessas pessoas.
Colocou sua bolsa nos ombros e começou a seguir a loira, ela parecia ser uma boa pessoa e até mesmo acolhedora, esperava que os outros ali fossem do mesmo jeito. — Só de origem. Na verdade ele vem do latim e significa ressurreição. — até então, Ana não havia parado para pensar no verdadeiro significado do seu nome e em como ele se encaixava perfeitamente na situação em que se encontrava. Ela estava ressurgindo, estava prestes a viver uma nova vida. Uma vez seu pai comentou que quem carregava esse nome eram pessoas que estavam sempre prontas para novas aventuras e cheias de energia. Ousadia, independência, força de vontade e entusiasmo também estavam ligados ao nome. Até o presente momento, ele estava se encaixando perfeitamente com ela.
Um sorriso orgulhoso surgiu em seus lábios ao lembrar do pai, mas logo o fez desaparecer, não queria que Lightning o percebesse. — Não conheço essa musica mas achei o nome bonito, porém, já que não gosta... Posso lhe chamar de Light? — apesar de preferir chamar pessoas por apelidos e até mesmo inventar novos para eles, costumava sempre pedir permissão antes. Era algo que nunca entendia, o ódio de algumas pessoas pelos seus nomes, acreditava que eles faziam parte de suas personalidades e que foram escolhidos por algum motivo pelos pais. — E de onde veio esse apelido? — perguntou tanto por curiosidade quanto pra puxar assunto.
Quando esteve no Empire, não o conheceu muito bem, só pegou os elevadores que levavam até o andar mais alto de onde pôde ver toda a cidade de New York com Chace. Agora que tinha oportunidade de conhecê-lo, conseguia reparar na beleza e grandeza dele, conseguia se imaginar morando ali tranquilamente. — Não se sente sozinha? — desde o acontecido, tudo o que Anastasia tem procurado é não ficar sozinha, conhece a sensação de não ter ninguém por você e ela não gostava dela, nem um pouco.
Que silêncio.
Eu não apostaria nisso.
Qual é? Há um monte de pizzas congeladas por ai. Para que o trabalho?
Ahn... Porque estão estragadas?
E quero uma pizza fresca.
Sem muita certeza do que estava fazendo, Elle pegou a farinha de trigo, despejando o conteúdo dentro de uma vasilha. - A internet faz tanta falta agora. - Suspirou, enquanto derramava um pouco de leite dentro da farinha. - Okay! Agora misturamos com a mão ou uma batedeira mas não antes de por um… Dois ovos inteiros. - Quebrou os ovos dentro da vasilha. - Prontinho! Eu tenho certeza de que é assim que se faz a massa.
Observava os movimentos da loira com atenção. - Faz mesmo... - concordou. - Eu sempre via receitas pelo youtube e tentava fazer em casa, nunca davam muito certo... - admitiu. - Eu posso ir misturando com as mãos enquanto você faz o molho.
cora-j:
Será que tem pizza de frigideira no mercado? É mais fácil de fazer.
Só precisaríamos dos ingredientes do recheio.
Será? Eu topo dar um pulinho lá.
Eu posso ajudar com isso! Okay, eu acho que… Não, eu tenho certeza que se mistura a farinha de trigo com um pouco de leite.
Então vamos misturar o leite com a farinha...
Acho que ainda sei. Mas não faço faz muito tempo…
É melhor que nada. A unica pizza que já fiz na vida era aquela super difícil que você precisa colocar no microondas e apertar os botões, sabe... Dá muito trabalho fazer isso.
Eu ouvi a palavra “Pizza”?
Ouviu, mas como eu sou um desastre na cozinha, estou apenas encarando os ingredientes e tentando fazer com que eles se misturem sozinhos como mágica... Mas isso não está dando muito certo.
E o que eu não sei fazer nessa vida?
Provavelmente muitas coisas...
Mas se sabe fazer pizza, poderia ser um bom cavalheiro e me ajudar porque estou morrendo de fome de pizza.
Alguém sabe fazer pizza?
Hi, I'm a nurse and this is a lie. || Anastasia & Lucretia
Lucretia andava encucada. Os últimos dias haviam sido estranhos. Aquela garota chamada Lara Friederich, havia desaparecido a dois dias, e não voltara mais. Ninguém parecia se importar, ou ao menos lembrar da jovem. E Lucretia realmente queria saber o que havia lhe acontecido, se é que ainda estava bem. Pareciam haver tantos assassinos naquele lugar. Já havia desistido de formular teorias. Era hora de ir para a parte prática. Precisaria ir ao Empire State, perguntar para as pessoas locadas ali se alguém sabia de alguma coisa. Vestiu sua mochila e saiu rapidamente do apartamento próximo que havia escolhido.
Chegou ao lugar, procurando alguém familiar. Mais e mais pessoas chegavam a cada dia, e Lucretia já não reconhecia todas elas. Havia uma moça novata, aparentemente perdida no meio do saguão, que estava vazio, para o costume. Caminhou lentamente até ela, tentando reconhecer seu rosto. Inútil. Era uma completa anônima
Lucretia ainda tinha a esperança de encontrar um rosto familiar, no meio da multidão que chegava a cada dia. Mas, aquela sensação era frustrada a cada dia, fazendo a garota se sentir muito sozinha. Não havia feito muitos amigos, e sentia muitas saudades de casa.
- Hey moça… - Disse, fitando-a. - Parece perdida… acabou de chegar? - Perguntou, se colocando diante dela. Era muito bonita e, aparentemente, pacífica. Tudo que não precisavam eram de mais assassinos ali. - Eu sou Lightning. Já está locada em algum lugar? - Se fazer de anfitriã não faria mal, pensou.
Apesar da confusão e dos apesares, Anastasia estava se acostumando com tudo o que estava acontecendo, uma parte dentro dela até estava gostando. Era como uma chance de um recomeço, ninguém sabia sobre seu passado, ela podia ser quem quisesse e agora estava finalmente livre. Ficar trancada num sanatório não é exatamente o que uma pessoa planeja para o futuro. As sessões com seu psiquiatra não estavam tendo progresso e consequentemente ele não estava feliz com os resultados, provavelmente ela passaria mais um bom e longo tempo naquele lugar, isso ela não poderia suportar.
Agora, estava livre, porém não da forma que desejava, sempre imaginou que sairia daquele lugar vista, finalmente, como inocente, sendo levada de volta para a casa dos seus e recuperar o tempo perdido nos estudos para então, finalmente entrar na tão desejada faculdade. Mas estava sozinha. Não sabia o que havia acontecido com os pais, até onde sabia, eles estavam passando alguns dias na Europa quando tudo aconteceu, não pôde nem mesmo voltar para casa e ver se estavam bem porque seria inútil. Só lhe restava procurar novas pessoas e tentar levar uma vida normal, ou pelo menos, o mais perto disso que possa conseguir.
O saguão estava vazio, Anastasia ficou com medo da mensagem ouvida ser falsa, ao menos, não havia encontrado ninguém ainda, nem mesmo alguma pessoa chegando. Porém, quando estava concluindo isso, ouviu uma voz atrás de si, se virou imediatamente e se deparou com uma loira. — Oi, está tão na cara assim? — deu uma risada. Se perguntou se ela seria Edwiges, mas essa pergunta foi logo respondida pela própria garota ao se apresentar. — Nome bonito. Me chamo Anastasia e... Não, cheguei faz pouco tempo e não havia encontrado ninguém ainda, estava começando a pensar que o lugar estava vazio. Você mora aqui? — a loirinha parecia familiarizada com o local e também simpática, talvez pudesse ajudá-la.
Tente não conhece-lo, é só mais um babaca
Tentarei.
Eu ainda acho que isso é um apocalipse zumbi…
Acho que se fosse o caso, alguém já teria dado de cara com um.