Resumo e Análise do documentário “Pro Dia Nascer Feliz”, dirigido por João Jardim.
[2]Tatiana Soares da Silva
O filme “Pro dia nascer feliz” é um documentário que trás para nos informações sobre como é visto pelos alunos, professores, diretores e pais a escola nos dias atuais. O filme relata depoimentos de todos estes a cada minuto, mostrando a nos a realidade em que eles vivem. Logo de inicio a cena a ser apresentada é a cidade chamada Manari que fica localizada no estado do Pernambuco, nordeste do Brasil. É considerada a cidade mais pobre do país. Com base no relatório de Labov, a dificuldade começa quando pessoa de instituições de classe media acabam não se envolvendo, não compreendendo, não ajudando esses adultos ou crianças que precisam de apoio.
Em exemplo dado por Labov, temos os estados Unidos onde sempre existiram tanto pobres de renda média, quando absolutamente considerável pobre. São privados de se relacionar ou usufruir os mesmos direitos que os ricos têm na sociedade, quanto ajuda dos demais. A criança que nasce em lares pobres acaba não tendo esperança de oportunidades de modalidades social ascendente. A causa que faz com que a maioria das crianças se encontre com dificuldades de aprendizagem é reflexo da privação, do direito de se integrar a sociedade. Essas crianças tendem a serem carentes de aprendizagem e muitas das vezes são indisciplinadas, por estarem em um convívio precário de educação, e muitos professores não sabem lidar com esses tipos de alunos, pois não foram devidamente capacitados para lhe dar com esses problemas educacionais.
A Escola Manuel Cel. De Souza Neto, segundo o depoimento de um senhor, recebe pouca verba para a infraestrutura da mesma. Ele diz que, R$ 1.200,00 são enviados para a escola, mas que é retirado desse dinheiro, R$ 200,00 para o INSS, outro INSS que ele desconhece do que possa se referir, cobra 11% do dinheiro, R$ 50,00 vai para a prefeitura onde paga o contador e nisso só acaba sobrando no Maximo R$ 600,00 para a infraestrutura, alimentação, material escolar para a escola. A seguir relatamos o depoimento de Clicia, 13 anos, “Os banheiros não tem pia para lavar as mãos, não tem papel higiênico, e quando tem merenda as pessoas jogam na parede, falam que é podre e não querem comer, acho que eles estão desvalorizando a si mesmo”. Segundo as pesquisas do documentário, existem aproximadamente 210 mil escolas no Brasil, em relação a infraestrutura, 13,7 mil não tem banheiros e 1,9 mil não tem água (Fonte: Censo escolar 2014/MEC-INEP).
A privação sensorial e o isolamento podem levar ao individuo comportamentos inadequados. O ambiente que contem necessidades biológicas, psicológicas e sociais, faz com que o individuo se sinta melhor. O individuo de classe baixa, esta sujeita a ambientes nocivos onde acaba se desfavorecendo e trazendo consequências indesejadas ao ambiente. Jovens e adultos que diferenciam de classes baixa e média vivem em diferentes correntes de informações.
Muitas crianças, adolescentes e jovens, tem o apoio dos pais nos estudos, as motivações, mesmo sendo pobres, com renda baixa e sem condições, eles depositam aos seus filhos toda a confiança, toda a esperança de que um dia eles terão uma vida melhor do que a que os pais tiveram. Depoimento do senhor, José Zito, “Eu tenho vontade que minha filha estude para se formar, crescer e ser uma pessoa de alto nível de estudo”.
A falta de reconhecimento do professor com o aluno é vergonhoso em meio a alguns acontecimentos, em relato da aluna Valéria, de 16 anos, que é apaixonada por literatura, e compõe versos, poemas, musicas... É triste o fato de ela dizer que o professor a julga por plagio ao fazer redações na escola, e acaba dando a ela a nota desmerecida. Quanto à desvalorização do professor, é fatalmente trágico, pois a mesma reclama de perdas de aulas, por falta dos professores, e muitas das vezes nem avisam que vão ausenta-se da aula.
Em Manari PE, não existe escola de ensino médio, são mais ou menos 300 alunos que necessitam do transporte publico para conduzi-los a uma cidade vizinha chamada Inajá, distancia de 31 km da cidade de Manari. No dia em que foi filmada essa parte do filme, o ônibus que conduziam eles de Manari a Inajá estava quebrado, e levou se horas para que concertassem. A Escola Estadual Dias Lima apresenta grande precariedade enquanto presença de professor em sala de aula. Muitas são as faltas dos mesmos, sem explicação, sem comunicação, e, às vezes, para que haja aula, outros professores acabam fazendo a parte destes que se ausentam. No depoimento de Dona Nenê ela diz que muitas das vezes alunos em momento de recuperação não recebem auxilio do professor, eles estudam sozinhos.
Em estimulação do enfoque pela divulgação dos trabalhos realizados por economistas (Schultz, 1963; Beacker, 1964.), teve sua aceitação rápida em países como o Brasil, que propões metas para certas reformas educacionais, inspirando-se na preocupação de fazer com que a escola seja um instrumento de desenvolvimento econômico. A desconsideração do professor é inacreditável em certas escolas, a realidade de ascende em Duque de Caxias, a 15 km da cidade do Rio de Janeiro, Colégio Estadual Guadalajara, turmas vão embora por falta de professores, ou seja, ausência dos mesmos. Em seu blog, Simon Schwartzman diz o seguinte, "o dinheiro faz muita diferença quando os recursos são muito poucos, e as escolas mal podem funcionar". Considerando o Brasil um país de numerosas pessoas, não existem escolas o suficiente para todos, ou quando existe são pequenas e acaba não podendo incluir todos.
O aluno que vive num ambiente pobre, a chamada periferia, não tem apoio dos pais, os pais se fazem ausentes na vida estudantil e cognitiva do adolescente, o único refugio que ele vai ter para querer mudar o mundo é ir para a escola, mas, as vezes nas escolas eles são desmotivados, são desrespeitados por professores, alunos e diretores, são julgados, e o que sobra para a vivencia dele é o que o mundo ensina la fora, a bandidagem, o crime, as drogas... E é isso que a sociedade tem que ter cuidado saber lidar com a criança, jovem e até mesmo o adulto. São pessoas que precisam de pessoas, necessitam de ajuda no caso o apoio, o conselho, a palavra amiga, a ajuda financeira e etc.
Podendo se destacar as cidades do norte e nordeste do país são as menos favorecidas quanto à educação, saúde e lazer ao povo. Os alunos não têm recursos na escola, muitas das vezes não vão à escola por falta de professores, e professores que não conseguem aplicar a matriz curricular aos alunos por falta de tempo ou desvalorização com a educação do aluno.
Algumas escolas trazem para si, projetos de dança, arte e cursos para alunos. Esse projeto é feito no intuito do aluno se descobrir-se e poder fazer o que gosta, o livrando de 50% de influencias que veem fora da escola. Segundo o depoimento do Deivson Douglas, ele admite ter usado drogas em festas e baladas, e sendo jovem acha “maneiro” em ambientes deste tipo o porte de armas. Estes tipos de alunos, como o Deivson, tem meio período de aula, e o outro período ele ficam em casa sem fazer nada. A escola desenvolveu esse projeto para que seus alunos não fiquem nas ruas sem o que fazer. Esses alunos que participam desses projetos reconhecem, valorizam e utilizam características étnicas a serviço de projetos educacionais, econômicos e políticos. A ascensão do poder negro e demonstrações de culturas africanas na escola são exemplos de reconhecimento e paixão pela própria cultura.
Escola Estadual Parque Piratininga II localizada em Itaquaquecetuba, a 50 km da cidade de São Paulo. No depoimento da professora Celsa diz que, a escola fica na periferia da periferia, aonde eles não passeiam, nem vão ao cinema por falta de dinheiro. Mas a escola ela é bem estruturada, e desperta curiosidade nas pessoas da comunidade, sempre que podem vão a escola observar a fonte de peixes da escola, e muitos alunos se sentem bem estudando nesta escola, para eles o conforto, a comodidade, o ambiente escolar trás alegria para eles.
O problema caracterizado nas escolas é também a desvalorização da matéria inglesa, aprendem o básico do básico não trazendo benefícios aos alunos. Nesta escola acontecem o mesmo em relação a professores que se ausentam sem dar explicações, e novamente alunos vão embora sem mais um dia de aula. Para alguns professores, eles faltam por cansaço, por sentirem desvalorizados enquanto professor, da falta de retorno e compreensão por parte dos alunos e de xingamentos. Muitos não se sentem a vontade e nem são capacitados para lidarem com alguns tipos de alunos, procuram psiquiatras e psicólogos para a o tratamento do psicológico dos mesmos.
A diretora ao se referir à ausência de professores relata que, eles faltam, pois eles sabem que isso não prejudicara a sua carreira profissional. Tudo bem que eles pensam assim, mas como os alunos pensam sobre isso? É complicado para eles enxergarem com a lente dos alunos. Para eles, o estado deixa a escola de lado, não se preocupa com o bem estar do aluno, professor e diretor, deixa tudo a desejar. Todos reclamam dos problemas da educação, mas ninguém faz nada para que isso mude. A escola acaba não cumprindo seus deveres de educação e ensino e o aluno encontra essas vantagens la fora, e se integram a sociedade que contem informações que desperta o interesse do jovem.
Professores acabam adoecendo nas condições que eles trabalham. Podem-se achar professores desmotivados, enraivados, procurando um motivo para não desistir do seu trabalho. Alguns encontram outros recursos para se livrar de certas dificuldades que acarretam no trabalho, como se ausentar da aula, mudar de escola, escolher as melhores classes para dar aula, livrar de alunos que precisam de mais atenção e compreensão dobrada, etc.
Para os alunos da Escola Alto de Pinheiro-SP, que discutem sobre a diferença do pobre e o rico, acham dificuldade em sair do seu lar de conforto e ir enxergar a realidade do outro, relacionar-se com eles e ajudar. Para eles isso seria um sair da bolha.
Alguns alunos reclamam da falta de atenção dos pais. Muita das vezes, eles nem conhece seus próprios filhos, não o conhece completamente, não sabe o que esta acontecendo o filho. Alguns destes não sabem quem são seus pais, ou sentem vergonha do pai por não ter aquele afetivo amoroso de pai para filho. Ou talvez, outro problema que surge é a separação dos pais, com quem eles começam a se relacionar fora do casamento, onde deixa confusa a cabeça do jovem adolescente.
O papel dos pais em acompanhar a vida escolar do filho trás para si muitas vantagens. O filho que recebe o apoio, a compreensão, o auxilia afetivo tem mais rendimento na escola do que os filhos que não recebem influencia dos pais em casa. Em estatística na OCDE (Organização que reúne os países mais ricos), em média 64% dos pais se dizem presentes no decorrer da vida escolar do filho, já no Brasil esse dado varia entre 30% a 20%. Muitos pais pobres dizem que não teve chance de estudar quando era nova, a vida para eles sempre foi difícil, e às vezes não conseguem interagir com o filho o que ele tem a dizer sobra a escola, a matéria, os professores. E isso não acontece só com pessoas de escolas publicas essa estimativa esta presente também nas escolas particulares.
O pensamento que às vezes afasta os pais dos alunos é a que, os pais acham que a escola é encarregada de educa-los, ensina-los e entregarem prontinhos para a sociedade, um cidadão formal. Então eles acabam deixando por conta somente da escola e se afasta dos deveres como pai. Outros se preocupam somente com a nota que o filho vai tirar, e às vezes nem o elogia pelo feito. Se sentem desmotivados, pois os pais acabam não reconhecendo o valor do seu próprio filho.
"A situação piorou na sociedade em geral, com ações de gangues e grupos armados e disputas entre traficantes que afetam diretamente a escola", relata a socióloga Miriam Abramovay, de Brasília. No documentário, uma menina conta um fato que ocorreu na escola entre ela e uma amiga, em um momento de desentendimento uma dessas colegas ficou furiosamente brava com a colega e queria vingança, ela a deteve no corredor da escola e deu duas facadas na colega, matou-a. O fato mais preocupante é essa colega dizer que “Matar não da em nada sendo menor de idade”. Pensando somente no hoje essa adolescente não consegue enxergar um futuro melhor para ela, são tristes certas atitudes que acontecem nas escolas.
Às vezes não sabemos qual a causa na verdade de certos comportamentos violentos de alunos na escola. Só conseguiremos saber através de pesquisas e muitas das vezes, a resposta passa bem longe e o que deveria ser julgado acaba passando batido. E o que acontecem bastante decorrentes de percepção é a que alunos acabam sendo julgados por feitos que às vezes nem foram eles. E julgar um adolescente por coisa que ele não fez todo mundo sabe a consequência que pode acontecer. Todos devem saber lidar com esses alunos que são especiais, nem todos são problemáticos, violentos e desinteressado, a única coisa que eles precisam é de um dialogo saudável, de um acompanhamento, de ajuda e compreensão, pois ao longo desse texto vimos que existem muitas variáveis que podem acarretar os problemas nas escolas.
http://gestaoescolar.abril.com.br/espaco/infraestrutura-situacao-escolas-brasileiras-681883.shtml
http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/violencia-nas-escolas-426392.shtml
http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/licao-casa-pais-489351.shtml
GOUVEIA, A. J.; A escola, objeto de controvérsia. In PATTO, Maria H. S. – Introdução à Psicologia Escolar – São Paulo: Queiroz, 1997, pág. 24-33.
Conceitos de Privação e de desvantagem. In PATTO, Maria H. S. – Introdução à Psicologia Escolar – São Paulo: Queiroz, 1997, pág. 85-96.
PATTO, M.H.S.; Violência nas escolas ou violência das escolas? In PATTO, M.H.S. – Exercícios de indignação: escritos de Educação e Psicologia. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2005, pág 29- 40.
[1] Marcelly Souza. Graduando do Curso de Psicologia na Faculdade Brasileira (Multivix). Vitória, ES.
[2] Tatiana Soares da Silva. Graduando do Curso de Psicologia na Faculdade Brasileira (Multivix). Vitória, ES.