me sinto cansada da vida, da rotina, de acordar, de ter que comer, beber água, cansada de tomar banho, de cumprir horários, cansada de existir
todo dia sinto como se alguém socasse meu estômago, minha pressão cai, minha cabeça dói e me vem a ânsia de vômito, passo mal o dia todo, penso em tudo o tempo inteiro, tudo me dói, me deixa triste, descontente, tudo me faz querer desistir e ir embora, não de casa ou do trabalho, mas do mundo, só fechar os olhos e não abrir mais, dormir e não acordar, parar de respirar
não queria mais me sentir assim, fiz muitas coisas para conseguir controlar minhas emoções, tenho me cercado de boas pessoas, cuidado mais de mim, mas nada disso adianta, porque não fim do dia o problema não são os outros, não é o mundo, sou eu, eu e apenas eu, meu maior inimigo sou eu mesma, minha mente que não para, as culpas que carrego, os traumas que vez ou outra insistem em retornar.
me sinto mal pela vida que levo, por ser quem eu sou, por ter sofrido tanto e não ver punição pra nada do que passei, me sinto mal por estar o tempo todo tão deprimida, por ser sem ambições, sem pensamentos pro futuro, por ter tanto medo da vida e me privar de coisas boas.
minha cabeça tá pesada, meu peito tá apertado, meu estômago se revira o tempo inteiro, meus olhos ardem de vontade de chorar, a boca sempre seca, a garganta dolorida como se tivesse algo entalado que insiste em não sair, meu corpo inteiro dói, minha mente vagueia o tempo todo como quem não sabe onde quer chegar, como quem não entende o que precisa fazer.
queria não ser eu, só por um dia me sentir outro alguém, abrir os olhos e ver que tudo o que tenho, o que sei e o que sou são coisas de verdade, só uma vez queria não me sentir uma fraude, um peso, uma perda de tempo, queria sentir que mereço ser amada e cuidada, sentir que apesar do que me disseram a vida inteira eu não sou um atraso de vida ou um peso morto.
pago pelas minhas próprias coisas há tantos anos e mesmo assim não sinto que são minhas, nada parece me pertencer, tudo que seguro escorre pelos meus dedos, foge da minha vida, tudo que tenho se perde, tudo que amo se vai.
cansada desses sentimentos, desse maldito transtorno, de tanta tristeza, de não saber quem sou, o que quero, de não me sentir pertencente, que droga.






















