Este ano completam-se 11 anos desde que eu renasci para cumprir o meu propósito.
Ao longo da vida, passei por muitas fases. Carrego histórias, lembranças e também cicatrizes que o tempo deixou.
Muitas vezes me questionei por ser quem sou, por passar pelo que passei e por sentir tudo da forma intensa que sinto. Em tudo o que faço e em tudo o que sou, sempre me entreguei por completo, de alma aberta e coração exposto.
Já me diminuí para caber em lugares e na vida de pessoas. E isso doeu muito mais do que simplesmente tentar ser eu mesmo.
Também existiram capítulos da minha vida em que tudo poderia ter terminado ali. Eu poderia ter desistido, poderia simplesmente ter deixado as coisas acontecerem. Mas, por mais que eu seja uma pessoa medrosa em muitos aspectos, também tive medo de desistir. Nunca tive coragem suficiente para abandonar a vida.
Passei por muitas coisas. Vivi extremos: do céu ao inferno, do alto ao fundo do poço. Ainda assim, nunca deixei de ser quem sou.
Tenho meus defeitos. Às vezes sou explosivo; em outros momentos, sou tão silencioso que meu silêncio chega a ser ensurdecedor. Sou tudo e nada ao mesmo tempo — água e pó.
Quase todos os dias as pessoas testam a minha bondade. Testam quem eu sou. Tentam me diminuir, me calar e me dão inúmeros motivos para seguir o mesmo caminho que muitos seguem: o erro, a maldade, a indiferença.
Mas eu não sou isso. Eu não quero ser assim.
Ainda busco entender completamente o meu propósito, mesmo em meio aos erros e ao caos. Porém, nunca deixei de enxergar a vida com o coração. Nunca deixei de viver com a alma. Nunca me entreguei sendo menos do que Deus me fez para ser.
Eu ajudo mesmo quando a pessoa não merece. Mesmo quando não valoriza. Mesmo quando não reconhece. Isso diz mais sobre quem a pessoa é do que sobre mim. Cada um colhe aquilo que planta.
Houve dias em que eu não sabia se acordaria no dia seguinte. Dias em que eu não sabia o que seria de mim. Houve momentos em que a dor não estava na pele, mas na alma.
Olhar para mim mesmo naquele estado era assustador. Era doloroso. De uma semana para outra, eu me tornei outra pessoa.
Durante alguns anos eu vivi um verdadeiro inferno. Mas Deus nunca desistiu de mim. E além dEle, colocou um anjo ao meu lado para me proteger e guiar: minha mãe.
Ver o sofrimento dela por me ver naquele estado doía mais do que qualquer agulhada ou qualquer dor física que eu sentisse. Foi um período de muito aprendizado, autoconhecimento e lições para a vida.
Hoje percebo que fui um instrumento de aprendizado não apenas para mim, mas também para outras pessoas. Na época doía em muitos sentidos, mas hoje só sinto gratidão a Deus e a todos que fizeram parte dessa trajetória: médicos, enfermeiros, auxiliares e até pessoas das redes sociais que, de alguma forma, estiveram presentes.
Sempre tive muitas perguntas. Minha mente sempre foi muito inquieta e, muitas vezes, sofri além do necessário por pensar demais em muitas coisas ao mesmo tempo.
Mas, com o tempo, venho me conhecendo melhor. Venho me redescobrindo, entendendo minha força, meu valor, meu lugar no mundo, minha energia e minha alma.
Se estou aqui hoje é porque mereci estar. Porque lutei para estar. E somente Deus tem o direito de me tirar do meu lugar ou de dizer quem eu sou.
Talvez eu ainda não tenha descoberto completamente o motivo pelo qual estou aqui. Talvez ainda precise aprender mais com meus erros e escolhas para finalmente compreender o meu propósito.
Mas uma coisa eu posso afirmar com certeza: eu sou o tipo de pessoa que você raramente encontra duas vezes na vida.
Eu não entro na vida de ninguém para ser problema ou solução. Eu apenas gosto de ser quem eu sou. Gosto de ser luz para quem amo, de ser o bem para quem me tem.
Mesmo tendo defeitos e mesmo tendo motivos para seguir caminhos errados, eu escolho olhar o mundo com o coração. Prefiro viver sentindo profundamente do que viver vazio.
Eu quero me tornar uma pessoa melhor. Para mim, tudo é mais difícil porque coloco minha alma em tudo o que faço. Por isso, muitas coisas me causam medo ou dor. O caminho acaba sendo mais longo. No começo sinto muito medo, mas no final sorrio ao olhar para toda a trajetória.
Eu não tenho valor para pessoas vazias. Apenas me enxerga quem também vive com o coração e sente a vida com intensidade.
Talvez por isso eu ande mais sozinho, fale pouco e tenha poucas pessoas ao meu redor. Eu busco nos outros o mesmo sentimento que existe dentro de mim.
Sei que isso é raro. Sei que é difícil. Mas não posso aceitar menos do que aquilo que eu sou ou menos do que aquilo que eu ofereço.
Se meu dom é sentir com a alma, não posso me entregar a quem não sente nem na pele.
O câncer me salvou de mim mesmo. Ele abriu os meus olhos.
Eu sou um milagre. Uma segunda chance.
Somente Deus pode dizer se eu mereço isso ou não.
Hoje escrevo tudo isso com muita gratidão. Carrego luz na alma e muitas experiências no coração. Mas nunca me entreguei a nada que não venha dEle.
Cada dia é um novo começo. Uma nova história.
E estou aqui para dizer que Deus vê, ouve e está presente em tudo o que fazemos, falamos e pedimos.
Eu sou a prova viva disso.
Faça a sua parte diante daquilo que você pede. E perceberá seus pedidos sendo atendidos quando menos esperar.
Bem-vindo ao novo eu:
mais sensível, mais sentimental, mais verdadeiro, mais grato, mais forte e mais iluminado.
Renascido.
Por dentro, mais vivo do que nunca.
Mesmo entre medos, ansiedades e desmotivações, eu escolho viver.
Escolho existir com alma e coração, independentemente das consequências.
— Motoshima.











