Amor na cidade cinza
Voluntários trabalham a serviço do amor aos animais abandonados em São Paulo
por Gláucia Serinhano
Entre os arranha-céus e trânsito caótico de São Paulo, demonstrações de afeto com os animais abandonados pelas ruas são percebidas na frieza de Sampa. O trabalho de muitas pessoas e instituições é dar mais uma chance de vida àqueles que desconhecem o significado de carinho e alegria. Muitos animais são deixados pelos donos nas mãos do destino, passando fome e, principalmente, sem um lar para viver. Essas pessoas têm uma relação de amor com os animais e a cidade onde vivem, tentando sempre ajudar a quem precisa. Dessa forma, inúmeras ONGs trabalham para salvar os cães e gatos da realidade cruel das ruas. Voluntários saem em busca de animais abandonados pela cidade para lhes oferecerem abrigo. Vários locais são disponibilizados para amparar esses bichos, dando-lhes socorro médico e uma boa alimentação. Esses locais funcionam com apenas um propósito: amor aos animais. Eles sobrevivem através de doações, não têm fins lucrativos e não recebem nenhum tipo de financiamento ou ajuda governamental. Os abrigos são temporários. O grande objetivo é cuidar desses bichinhos para prepará-los para a adoção. O trabalho e esforço desses “anjos humanos” são muito grandes. Eles dedicam grande parte de suas vidas para tratar desses cães e gatos, e muitas vezes, acabam levando-os para dentro de suas próprias casas. Gabriela, voluntária da ONG UIPA SP (União Internacional Protetora dos Animais), a ONG mais antiga da cidade, diz que os animais esperam meses dentro do abrigo, e que se não fosse pela ajuda das pessoas, nenhum deles sobreviveria. “A Ong funciona na base de doações, não temos nenhuma ajuda da prefeitura ou governo. E os gastos são muitos. São produtos, alimentos, jornais. Tudo para o cuidado dos cães e gatos”. Muitos animais chegam nessas Ongs assustados e doentes, vítimas de maus tratos e da contaminação do ambiente poluído das ruas. Eles passam por um tratamento com acompanhamento veterinário, para depois poderem ir para a adoção. E, felizmente, muitas pessoas, assim como os voluntários, se sensibilizam e levam esses animais para casa, dando a eles uma chance de iniciar uma nova vida. Deise Hattum, professora de piano, é uma dessas pessoas que enche de esperança o coração de milhares de cães e gatos. Ela, desde criança, tem uma relação de amor com os animais, são vários animais adotados até hoje, entre cães e gatos. Deise sempre incentivou seus filhos a cuidarem e zelarem pela vida dos bichinhos. “Minha relação com os animais é de respeito. Aprendo coisas da vida com eles, o amor incondicional principalmente. Sou contra comercializar animais, pois levo a vida muito à sério. Aqui em casa todos adoram bichinhos e procuro alertá-los sobre ter alguém sob sua guarda, a responsabilidade que isso traz, os deveres e cuidados com a limpeza e alimentação, passeios, brincadeiras e o tempo para toda essa dedicação. Eu digo que quem é capaz de cuidar bem de um animal é capaz de cuidar da própria vida, ter família e conquistar amigos...é alguém que se ama, capaz de ser feliz!”. Assim como Deise, muitos ao redor de São Paulo tentam, mesmo com a correria do dia a dia, salvar vidas e compartilhar um pouco de seu carinho com essas criaturas que tanto precisam. Amar os animais é ter compaixão por todos os seres vivos. É demonstrar respeito pela natureza e o ambiente que vive. Pessoas como os voluntários de Ongs trabalham a serviço do amor e da compaixão. Atitudes como essas mostram que esses cidadãos amam a cidade onde vivem e querem transformá-la num lugar melhor de se viver para todos, inclusive para os nossos amigos de quatro patas.













