Don't try to make me stay or ask if I'm okay | Woodlove | PT1
Luke gostava da sensação de ser alguém famoso, de ter pessoas que lhe reconhecessem nas ruas ou lugares. Gostava daquela atenção toda das fãs, dos holofotes sobre ele, de ser alguém que era reconhecido nas mídias e jornais. Gostava, ou melhor, amava jogar Quadribol, amava sua profissão e tudo aquilo que ela lhe proporcionava, as festas que participava, as entrevistas que ele dava. Tudo aquilo que englobava aquele mundo que ele descobrira depois de Hogwarts, depois que entrou para um time famoso, e mudou-se para outro, onde fez sua fama, e transformou-se num ótimo Chaser no Montrose, ele gostava de tudo aquilo. Sentia-se bem com aquelas coisas a sua volta, como se todo o seu mundo, toda a sua vida estivesse o preparando para aqueles momentos, aqueles instantes, e Luke amava, amava em todos os sentidos o rumo que sua vida tomara. O modo que ele a construira. Era ótimo, e sempre que acordava agradecia por ter tido uma oportunidade dessas, pois não eram todos que conseguiam, mas ele havia conseguido.
Contudo, uma das coisas que ele não se sentia bem, na realidade, não gostava, era a falta que ela lhe fazia. Ela realmente fazia falta, aquele, aquilo que ele vivia diariamente era para ser o sonho deles, as vitórias, as derrotas, tudo, tudo aquilo deveria ser e acontecer entre os dois, e não havia um dia que ele não pensava nisso. Que ele não pensava em como tudo seria diferente se Ryan estivesse junto dele, se jogasse junto com ele, se não tivesse sofrido aquele acidente. Tudo seria diferente. Seriam selecionados para os mesmos times, jogariam juntos, não como em Hogwarts sendo rivais, cada um lutando por sua casa, por sua taça, mas estariam num mesmo time, buscando o troféu e a glória juntos. E isso, isso sim ele sentia falta, mesmo que nunca tivesse acontecido. A falta da loira durante todos aqueles anos não era algo que Luke conseguia lidar muito bem, mas nunca revelara isso para ninguém. Tentara esquecer, claro, mas nunca de fato conseguiu. Ele estava, e sempre esteve, infectado por Ryan Wood, sua melhor amiga, ou melhor ex melhor amiga. Mas não era algo que se apagava da noite para o dia, ou escolhia não ter. A saudades sempre batia, querendo ou não. E aquele reencontro imprevisível que estavam tendo no Festival dos Fundadores fazia Luke sentir ainda mais a saudades daquele tempo que tinha em Hogwarts, onde não havia mentiras, brigas ou coisa parecida.
— Algumas coisa mudaram, isso é verdade. Seu cabelo, por exemplo, cresceu um pouco, e está ótimo — sabia que aquilo deixaria ela um pouco incomodada, mas precisava dizer, tinha que dizer. — Apenas Daisy e Greta continuam em Hogwarts, os outros seguiram com a vida, assim como nós dois — apontou para ela e em seguida para ele, indicando que não estava nem um pouco incomodado com aquilo que estava acontecendo ali, era ótimo revê-la. — A vida as vezes nos ensina algumas coisas, sabe, se não aprendemos quando pequenos, aprendemos na raça quando crescemos — sorriu ao explicar para Ryan, o que era verdade, havia muita coisa que tinha aprendido depois que se formara, e muitas vezes levou na cabeça por ter feito coisas erradas e claro, depois de muito apanhar, acabou aprendendo. — Que bom que achou algo que goste, Ryan, sério. Acho que é melhor do que aquela minha ideia de trabalharmos no Ministério e termos que andar engravatados, e com aquelas roupas que você sempre disse que eram exageradas — não pode deixar de comentar sobre aquilo. Por mais que tentasse, as memórias de como eles eram antes ainda estavam ali, e Luke não conseguia, não conseguia lidar com aquilo tudo sem relembrar do que eles tinham antes.
No mesmo instante em que Luke falou do cabelo, Ryan levou sua mão às mechas e um estranho impulso de sorrir lhe tomou. Ele havia notado. Ela havia deixado crescer de propósito - bem, no começo era mais uma coisa de eremita de querer se esconder atrás do cabelo e se isolar do mundo - mas depois ela se acostumara. Se acostumara em fazer todas as coisas que o Quadribol não permitia (maquiagem porque borrava com o uniforme e escorria nos jogos, roupas mais curtas porque elas eram desconfortáveis nas partidas, o cabelo longo porque podia acabar tampando sua visão no meio de alguma jogada importante), e permitia a si mesma apreciá-las. Não que elas fossem compensar a falta do jogo, mas certamente eram algumas das pequenas coisas que a alegravam. E Luke havia notado. Ninguém havia notado, nem mesmo seus pais que a viam à cada mês haviam notado. "E está ótimo". Seu Luke nunca fazia elogios. Não assim. "Boa jogada" e "Seu uniforme está cheiroso" foram os dois grandes momentos em que ele havia ressaltado as qualidades dela, e nenhuma das duas envolvia sua aparência ou sua personalidade ou qualquer uma dessas merdas que seus namoradinhos elogiavam. E de repente, um ano e alguns meses depois... O cabelo dela supostamente estava ótimo.
Ryan não sabia quais eram as diretrizes de Luke com aquilo. Porque todo mundo tinha diretrizes e interesses quando fazia alguma coisa como aquela. Talvez Luke estivesse buscando um perdão por entre os elogios. Bem, se era isso, ele definitivamente não ia ganhar. Mas com certeza havia causado um efeito - Obrigada - Ela disse, com a ponta de uma mecha girando entre seus dedos e tentando não parecer tão estarrecida pelo elogio quanto realmente estava - O seu também está diferente. Mais... - Tossiu, tentando esconder a falta de palavras. Luke a deixou (ou ela o deixou? Bem, a ordem dos fatores não alteravam o produto ali) quando ele ainda era um garoto, e apareceu... Mais alto, mais forte, mais velho. Definitivamente não um garoto. Ela já havia notado, já havia visto nas fotos, mas na sua frente era bem mais atraente. Piscou confusa quando a palavra que surgiu em sua cabeça foi atraente. Ela quis dizer surpreendente, chocante, impactante! Não atraente. Não que ele não fosse. Não, ele não era. A mente de Ryan estava dando loopings e só fazia dez minutos que havia esbarrado em Luke.
- Enfim, está bonito. O cabelo - Apontou, dando um sorriso sem mostrar os dentes e se sentindo uma garotinha idiota, quando na verdade tinha que estar sentindo ódio, raiva e um apocalipse dentro de si. Sempre imaginou que no reencontro dos dois, Luke sairia pelo menos com um olho roxo e pelo rumo da conversa e a fraqueza dela, era capaz de sair com um abraço e isso não. Era. O plano. Não era o plano ele lembrá-la da família incrível que ele tinha e de como ela sentia falta deles, não era o plano que ele trouxesse a memória de tantos dias que passaram discutindo o futuro. O futuro, como se fosse uma grande e vasta imensidão de oportunidades e possibilidades. E na verdade, o futuro era aquilo, uma conversa estranha no meio de um festival - Ok! Isso não é estranho pra você? Porque sério. É estranho pra mim. É muito estranho. Eu não- Eu- Quer dizer- Nós não- - Era algo que a contecia frequentemente quando Ryan tentava discutir com algum juiz em algum jogo. Ela começava a gaguejar de tanta raiva e tantos sentimentos e mesmo quando estando no outro time, Luke colocava a mão no ombro dela até que ela se acalmasse e parasse de passar vergonha. Não tinha ninguém pra colocar a mão no ombro dela ali, então a gagueira persistiu até que ela finalmente conseguiu dizer - Eu estou brava com você! - Exclamou, engolindo em seco. Ela não sabia bem porque tinha dito aquilo. Era algum tipo de sabedoria universal, Ryan estava brava com Luke. Fechou os olhos, balançando a cabeça negativamente. Aquela discussão estava a esgotando. Estava até a fazendo alucinar, ouvir sons altos demais, explosões... Abriu os olhos novamente e olhou para trás, dando de cara com várias pessoas correndo e gritando como se o mundo estivesse chegando ao fim em Hogsmeade - Mas que porcaria tá acontecendo?












