A ideia de ir visitar a mãe naquele fim de semana, não foi bem dele. Não fazia ideia de como Paula havia descoberto sobre seu último encontro com seu pai, mas a mulher insistiu e insistiu, e por fim, não querendo a deixar mais preocupada do que já estava, Jake acabou topando. Fazia muito tempo que não voltava lá, sempre acabava preferindo passar feriados e datas comemorativas com o pai, já que após o divórcio e após a guarda ter sido passada para a mãe, o garoto ficou bons anos sem ter contato com o homem. Agora que já era maior de idade, dono de suas próprias decisões e mesmo que essas acarretassem em magoar sua mãe, acabava por sempre escolher a casa do Sr. Blackwood do que aquela que estava naquele instante. Jogado sobre a cama do seu quarto antigo, olhando os velhos posteres de bandas que costumava gostar aos quinze anos, sentindo seu estômago revirar com o cheiro do bolo que sua mãe preparava no andar inferior. Como o bairro estava calmo naquele dia em questão, naquela hora em particular, conseguiu ouvir alguns barulhos vindo do lado de fora da casa, curioso e sem nada melhor para fazer, caminhou até a janela. Franziu o cenho ao vislumbrar um amontoado de fios dourados andando de um lado para o outro, logo na casa do lado. O que Isobel estava fazendo ali?
Havia passado semanas a evitando, em Hogwarts, no Acampamento, mesmo que por algumas vezes falhando nisso, já que ela sempre parecia o encontrar. Agora ele teria que evita-lá até na própria rua? Foi inevitável que passasse pela cabeça do moreno que talvez isso fosse algum tipo de sinal divino ou qualquer baboseira envolvendo destino. Bom, se tudo estava se encaminhando para que no fim Jake falasse com ela, então era isso mesmo que ele faria. Colocou o tênis que havia tirado assim que adentrou o quarto e se apressou a descer as escadas, mas foi impedido por sua mãe na metade do caminho, o questionando sobre onde estava indo. Respondeu rapidamente, apenas inventando que ia dar uma volta e logo estava de volta e sem esperar uma resposta, saiu da casa. Caminhou calmamente até a casa ao lado e assim que alcançou a garagem onde Izzie estava, encostou-se na parede enquanto a observava, sem falar nada. Novamente o destino pareceu brincar com a sua cara, porque não deu nem vinte segundos que estava parado ali e pode notar Isobel tirando algumas coisas de uma caixa, que lhe eram extremamente familiares. Mas foi quando a loira retirou uma peça de roupa da caixa, que rapidamente a reconheceu. Era sua. Observou de forma atenta cada expressão no rosto da garota, até cogitou a possibilidade de anunciar sua presença, mas permaneceu quieto por mais um tempo. Quando a camiseta foi devolvida e a caixa fechada, sendo deixada de lado, não pode deixar de sentir uma leva ponta de de tristeza. Era isso mesmo que a relação deles havia se resumido? A uma pequena caixa de lembranças. Chacoalhou a cabeça, afastando tais pensamentos antes que os mesmos o impedisse de fazer o que tinha ido ali fazer, pigarreando em seguida para anunciar sua presença. - Espero que você esteja planejando me devolver aquela camiseta. Costumava ser minha favorita.
A Diggory estava pronta para abrir outra caixa quando ouviu a voz dele, se sobressaltando. Tinha total certeza de que estava sozinha ali. O susto foi tão grande que ela acabou derrubando a caixa no chão, e colocou a mão no peito, de forma até um tanto dramática, enquanto trazia a respiração ao normal, depois de se recuperar do susto. Os olhos claros o fitaram com uma confusão evidente, era muita sacanagem do universo fazer com que exatamente no mesmo momento em que ela e estivesse mexendo numa caixa toda relacionada à ele, o dito cujo simplesmente aparecesse na sua garagem. Respirou fundo, encostando-se no carro da mãe e o olhando, depois de ter se recuperado do susto. “Isso não se faz! Você quase me matou do coração! Faz quanto tempo que você está parado aí?” Seu tom de voz quase saiu ofendido, mas estava tão surpresa que não saiu da forma que planejava. Não perguntou o que ele estava fazendo ali, porque sabia que se estava ali era com um motivo e não tardaria a falar, conhecia-o o suficiente para saber disso, entretanto depois dos dias em que ele passara a evitando, era de se surpreender que tivesse tomado iniciativa para alguma coisa que envolvesse os dois. “Já faz tanto tempo, provavelmente nem te serve mais.”