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@jardimdeeden
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entrevista realizada a 4.5.2017
Capitão
1ª Entrada Estamos em mar aberto. Deixo aqui a foto da minha amada mulher Amélia, as chances de a voltar a ver são tão escassas... Ainda hoje de manhã vi o seu acenar a desvanecer-se no horizonte. As crianças agarravam-se às suas saias para não serem levadas pelas fortes rajadas de vento. Já à muito tempo que não via os meus marinheiros a chorar numa despedida. Normalmente seriam só os cadetes, mas todos tinhamos perfeita noção que poderíamos nunca mais voltar a ver as nossas famílias, e vice-versa. Nunca pretendi esconder o eventual rumo da viagem, não me cabe a mim, só a Deus. Deus irá escolher o rumo desta viagem, Ele escolherá se nos dá a conhecer a realidade.Mas porquê ir à procura de uma lenda?É a nossa fé que nos guia, é a crença em algo que nunca ninguém viu que nos move à procura de uma antiga história. Por outro lado procuramos o conhecimento. Procuramos dar paz ao mundo, e Deus queira nos dar esse conhecimento que muitas são as mortes agonizantes dos nossos dias.
2ª Entrada Hoje, durante o jantar um pajem veio à minha procura. Aparentemente havia uma discussão qualquer no deque entre dois marinheiros de serviço. Tive que intervir para aquilo não tomar maiores proporções. Ao início pareceu-me ser uma discussão como qualquer outra, entre duas pessoas que simplesmente discordam de algo. O homem gritou “Eu não quero estar aqui!”. De alguma maneira, a violência acabou por ali. Todos os outros ficaram a olhar com cara de parvos para ele. Agarrei no gajo e levei-o para os meus aposentos. Pedi para ele repetir aquilo que havia dito no convés. Repetiu o mesmo e dei-lhe um estalo. Bem merecido. Depois de tantos avisos, de tantas conversas e argumentos dados, ainda tinha um homem a bordo que não estava consciente da nossa missão das consequências que a mesma acarreta Expliquei-lhe tudo novamente. Não me canso de repetir qual é o objetivo. Queremos encontrar as sementes. Queremos encontrar o jardim. Custe o que custar. Este marinheiro afirmou que conhecia as regras e que no início teria embarcado porque um padre lhe tinha dito que era única maneira de redimir os seus pecados . Loucura! Prometo que o mando embora assim que atracarmos nos Azores.
3ª Entrada Já nos livramos daquele paspalho e estamos novamente a partir dos Azores. Tenho que admitir que não sou um grande apreciador de arte, mas aquele quadro de Bosch é realmente maravilhoso. Fui buscá-lo e dá o dei ao padre para ele descifrar. Sinceramnte não sei bem como é que isso vai acontecer, mas zarpamos em direção ao norte. Depois vemos que rumo tomar.Morro de medo dos ventos que nos começam a apanhar, parecem-nos estar constantemente a tentar mudar de rumo e sinto que fico completamente sem controlo. Vamos ter que contornar os países do norte e o eventualmente poderemos encontrarmos-nos com icebergues. Nunca andei pelo norte, pelas águas geladas. Tenho imenso receio de como a experiência irá ser, mas a verdade é que teria de pelo menos ir lá uma vez antes de morrer.
4ª Entrada Passamos muito tempo sem vento, muito tempo parados em alto mar. Os meus marinheiros começaram a queixar-se, a render-se ao desgaste e à desidratação. Acho que já faz duas semanas que não sei dos meus aposentos. Tenho aqui todos os oficiais e o capelão. Debruçamos-nos no quadro de Bosh e tentamos decifrar aqueles enigmas. Tenho de confessar que já não consigo olhar para ele, pode ser realmente belo, mas já me queima os olhos. Encontrámos o caminho.
5ª Entrada Vermelho. Laranja. Amarelo. Verde. Azul. Anil. Violeta. MILHARESEram milhares de cores no céu do norte. O padre chamou-a de aurōrae septentrionalem, Eu chamo-lhe de aurora boreal. Nunca vi algo tao deslumbrante e posso dizer, com toda a certeza, que é a coisa mais bonita que vi em toda a minha existência, e espero que isto seja um vislumbre do reino de Deus.Todos os dias penso na probabilidade que temos de morrer gelados, podemos cair na água, podemos gelar a dormir…
Cientista
1ª Entrada Já perdi a conta aos dias passados em alto mar. Nunca tinha viajado. O meu trabalho é dentro de quatro paredes, junto dos meus goblés e químicos, porém era impossível recusar a proposta submetida pelo Papado.Sou um homem da ciência e vivo pela descoberta da verdade, mas a realidade é que nunca esperei que esta viagem fosse tão cansativa…A vida em alto mar é desconfortável, insalubre e perigosa. Até agora ninguém morreu em, mas pressentimos que possamos vir a acontecer uma catástrofe para breve. A verdade é que a vossa viagem infringe as regras estabelecidas por Deus. Nós estamos a desafiar aquilo que outrora foi imposto pelo mesmo, aquilo que o grande poderoso estabeleceu como destino para nós míseros mortais.A realidade é que a ciência e a verdade falam mais alto, elas gritam e apelam por serem descobertas. É impossível resistir a tal tentação, quando ela se coloca à nossa frente e seduz-nos de tal forma…
2ª Entrada A procura das sementes começa a tornar-se cada vez mais difícil... As pessoas têm frio e fome, a revolta começa a instaurar-se no barco... Todos já temos consciência do nosso destino, mas ninguém o quer admitir, ninguém quer encarar a fatalidade que se segue...Os humanos são pessoas demasiado emotivas. Criaturas que são capazes de reformular a rota das suas vidas por alguém. Essa é a vantagem de estar sozinho no mundo, vivo dentro do meu escritório, controlo a minha vida, controlo o meu sucesso, eu sou a única pessoa que desenha a fortuna da minha vida.Já não é a primeira vez que o capitão vem falar comigo, que vem desabafar sobre histórias da sua vida. Mulheres, amores, inimigos, amigos, desgraças... Às vezes não o consigo ouvir, outras, por breves momentos, fico a pensar sobre como teria sido se me tivesse envolvido mais com as criaturas humanas, mas passa-me rapidamente. Sou uma pessoa lógica e fria, difícil de lidar. Prefiro estar entre quatro paredes descansado, saber que estou a contribuir para a ciência, saber que estou a fazer uma mudança na humanidade.
3ª Entrada A chegada ao polo norte foi difícil. Depois de meses no mar a tentar decifrar o enigmático quadro de Bosh, finalmente chegamos a uma resposta.O hemisfério norte é silenciosos… o único som que conseguimos ouvir é a proa do barco a partir as pequenas camadas de gelo que cobrem o oceano ártico.Todos os homens estão espantados. Ninguém da tripulação outrora tinha feito uma viagem como esta… ou com este destino…Todos sabemos os riscos que estamos a tomar, ninguém é desconhecido do rumo final, mas é difícil de não pensar em qual será o rumo final… se as encontraremos, ou se teremos de ir atrás delas de um outro modo. Não gosto de pensar sobre tal assunto. não dúvido que seja das pessoas mais sãs e racionais neste convés, e se eu próprio começar a pensar nestes assuntos, não sei do que será feito dos restantes navegantes.Simplesmente observo e usufruo da experiência. É um prazer saber que algo nos aguarda. Eu sinto-o.
4ª Entrada Estamos prontos para morrer. Deitamos-nos todos juntos na proa do barco. Observamos e ouvimos a Aurora Bureal. Relaxamos, fechamos os olhos, não pensamos... Não vale a pena, daqui a uns minutos ficaremos inconscientes, não iremos sentir os músculos, não iremos sentir o batimento cardíaco, deixaremos de respirar, a nossa pele ficará com uma camada de gelo cristalino sobre a nossa pele.Tento conter a minha ansiedade, quero morrer. Quero encontrar as sementes, quero saber a verdade, vê-la com os meus próprios olhos. Vivo pela verdade, vivo pela ciência, vivo pela descoberta. E hoje consigo senti-la, consigo cheirar o paraíso, as suas rosas a sua leveza.
5ª Entrada Qual é o significado da vida? Só isso é que me passa pela mente, essa pequena e simples questão. Questão essa que tende em fechar-se durante diversos anos, mas acaba sempre por acabar por surgir nos piores momentos.A grande revelação face esta questão, talvez nunca tenha chegado. Pelo contrário, terão existido pequenas iluminações (ou até mesmo milagres) que me fizeram refletir sobre a mesma e apreciar melhor aquilo que tenho. Pensar. Ou não pensar. Ser silencioso, estar sozinho. Todo o ser e o fazer, expansivo, brilhante, vocal, evaporado. E um encolhido, com uma sensação de solenidade, ser um eu mesmo, um núcleo de escuridão em forma de cunha, algo invisível para os outros... derramei as sementes, agora sou livre para mais aventuras estranhas.
Vigia
1ª Entrada Pedem-me que aqui escreva enquanto olho para o alto mar. É suposto relatar tudo o que vejo enquanto fico no caralho. Mas eles lá sabem que tudo o que vejo é uma manto de ago e um raro pico de terra.Acabamos de sair de Lisboa portanto hoje não irei encontrar nada. Final do dia: 0 ocorrências
2ª Entrada Hoje finalmente consegui cumprir o meu trabalho. Vi um ilheuzito dos azores. E atracámos. Não sei o que mais escrever. Ah! Hoje vi de um lugar privilegiado o João e o Zé do Peixe andarem à porrada. A verdade é que o Zé puxou do peixe e deu umas boas bofetadas ao gajo. Final do dia: 1 ocorrência
3ª Entrada Largámos bom porto e julgo que foi a última terra que irei ver durante muitissimo tempo. o capitao conyinua a gritar a perguntar se vi algo, mas mais facilmente fico doente com o sol do que vejo terra. Final do dia: 0 ocorrências
4ª Entrada Encontrei um iceberg, um pouco mais à frente um ajuntamento de icebergs. acho que vamos acertar num e morrer. ou entao eu morro congelado aqui em cima. o manel até foi simpático e trouxe-me mais um casaco e um pouco de óleo de atum para esfregar a pele, a ver se não queima Final do dia: 56 ocorrências (icebergs)
5ª Entrada Deixei de sentir os dedos hoje e tive que trocar com um companheiro. não sei se vou aguentar esta viagem até ao fim se o tempo continuar assim tão gelado.o capitão pediu para ser o Antonio (o que me substituiu) a escrever mas eu nao deixei porque isto é uma tarefa minhaele avistu varios icebergs e varios animais que o padre acha que são focas, pelo menos parecem-se como tal. capturamos uma para comer, soube melhor que o atum. Final do dia: 32 ocorrências
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TRIPTICO DO JARDIM DAS DELICIAS, BOSH
Na primeira Fase da Parte 2 do projeto “Aos Peixes: Uma Viagem Imaginada”, é solicitado aos alunos que criem um MAPA ou CARTA de navegação com as rotas possíveis e imaginárias da viagem.
Desta forma, através de um suporte digital com recurso à animação, evidenciamos os aspetos essenciais da informação contida no mapa estático, expondo assim cinco pontos marcantes da expedição.
Assim, para a conceção deste projeto, tiramos partido do quadro Jardim das Delicias de Hieronymus Bosh para formulamos o mapa da nossa expedição marítima.
Horários/Tarefas/Manuntenção: O dia de um membro da tripulação era dividido em vigias, com cada membro da tripulação alternando quatro horas de trabalho e quatro horas de folga. Uma parte da guarnição descansava enquanto que a outra trabalhava. As vigias noturnos pesavam nos marinheiros, que muitas vezes tinham problemas para permanecer acordados. Quando não estavam a navegar, os marinheiros tinham que ajudar a manter o navio: O equipamento tinha de ser reparado, e os mastros tinham de ser oleados; As velas de linho também tinham de ser reparadas e mantidas. Cada navio, não importa o quão bem construído, ainda deixava entrar água, assim o navio tinha que ser bombeado todos os dias. E, pelo menos uma vez por ano, o navio era re-calafetado, alcatroado e pintado. A manutenção da embarcação estava também encarregue aos marinheiros. Estes tinham que proceder à substituição de madeiras das vergas, do mastro, do casco e do convés. Os marinheiros tinham que estar sempre atentos a estes pormenores.
Higiene: A maioria dos barcos apenas tinha um nível de higiene rudimentar. Como o papel higiénico ainda não havia sido inventado, farrapos de tecido eram encharcados em vinagre e pendurados na parte de trás da casa-de-banho para serem usados por todos. Este “objeto” causava graves epidemias de febre tifóide.
Salvamento: O Éden só tinha a bordo um bote de salvamento. Toda a tripulação tinha plena consciência que uma das hipóteses para encontrarem o Jardim de Éden era através da morte. Assim, eles não sentiam necessidade dum instrumento para serem salvos. O bote era para aqueles que se arrependiam da sua decisão. O capitão não sentenciava ninguém à morte, era uma escolha pessoal. Aquele que face ao seu destino quisesse sobreviver tinha pelo menos uma hipótese.
Disciplina e Punições: Não havia nenhum sistema de prisão, ou penalidade financeira, embora a ração da água ardente e de vinho pudesse ser parada. As punições formais eram sempre infligidas em público, usando métodos conscientemente teatrais para garantir o máximo efeito dissuador. A tripulação seria formada no convés, com os fuzileiros separando os oficiais dos marinheiros, enquanto a punição era levada a cabo de acordo com o costume estabelecido. Alguns crimes eram manipulados pela tripulação - os ladrões eram forçados a "correr o desafio", permitindo que seus companheiros os golpeassem com pontas de corda. Este era um meio altamente eficaz de dissuadir um homem de cometer qualquer rutura fundamental da confiança que teve de subsistir entre os homens que literalmente dependiam uns dos outros para suas vidas. Os homens podiam ser presos a bordo – deixavam de ter direito á água ardente e o vinho, não podiam desembarcar e podia haver uma perda de vencimento de acordo da gravidade da falta cometida. Havia a repreensão, a repreensão agravada, prisão, e prisão disciplinar agravada. Durante a prisão poderia estar ativo durante o dia e preso a noite, na prisão agravada estava preso todo o dia e toda a noite. A bordo destes navios a disciplina era algo muito duro – a condução de qualquer coisa que tivesse fogo era feita com um rigor extraordinário. Fumar só era permitido em cima de tinas com água para evitar incêndios , estes seriam a destruição do navio porque haviam mercadorias espalhadas para todo o lado. Uma falha que implicasse as medidas de segurança era fortemente punida.
A ROTA
Nesta viagem imaginada, a tripulação do HMS Beagle, navega rumo ao Polo Norte à procura de uma lenda que pode determinar o fim do processo de determinação do homem (encontro do livre-arbitrio), tal como o fim da maldade (pecados humanos).
//PREPARAÇÃO DA VIAGEM
Nesta Fase os coletivos preparam tudo o que for necessário para zarpar: o equipamento, a tripulação, o navio, e a rota. O pormenor é uma exigência, pelo que terão de estabelecer prioridades e limites para um conjunto vasto de itens.
A TRIPULAÇÃO