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@jiinyoungl
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( hxninna )
um sorriso doce surgiu nos lábios de inna devido ao conforto do maior, as palavras que este lhe direcionava pareciam ser o suficiente para lhe fazer se sentir um pouco melhor em relação as lembranças de seu filho, e ela não poderia agradecer mais por isso. considerava impressionante, até mesmo surreal, a forma como apenas algumas poucas palavras, uma troca de carinhos ou até mesmo a visão do sorriso do outro eram o suficiente para lhe mostrar a luz até mesmo em seus piores momentos, em que sentia-se perder a esperança e deixar-se abater. era um dom único este que ele possuía, tinha plena certeza disso, e esperava que tivesse um efeito semelhante nele também. “ficar ao lado dele novamente seria mais do que um sonho… um final feliz assim seria mais do que eu poderia pedir.” murmurou, nem sequer conseguindo imaginar como seria ter em seus braços novamente o seu tão amado filho, mesmo que por apenas alguns poucos segundos. “mas obrigada, jin, por me confortar.” as vezes ela pensava que, se o seu final acabasse por ser aquele ao lado dele, ainda poderia ser considerado um tipo de final feliz.
“ela era a sua mãe… você não precisa se sentir culpado por sentir falta dela, de forma alguma. é natural se sentir assim, além de que… você era muito novo quando tudo aconteceu.” ao terminar de falar, mordeu o interior da bochecha em um leve nervosismo, sentindo-se ser aos poucos tomada por um sentimento de culpa por não saber como consolar melhor ele. a situação era muito complicada e, mesmo não tendo acompanhado os acontecimentos de perto, se lembrava vagamente de ter lido artigos e de ouvir seus pais falando na época sobre o terrível caso. o que acontece é que ela nunca imaginava que viria a encontrar o filho da tal família algum dia, muito menos no pós morte. lhe partia o coração ver o quanto jinyoung havia sofrido não só com a perda da mãe e com saber o que esta havia feito, mas com todos os acontecimentos que haviam se desencadeado após isso, e que haviam culminado em sua morte. “eu sinto muito que você tenha passado por isso, jin… que tenha se sentindo dessa forma. você merecia mais do que qualquer um que sua vida tivesse sido melhor, que você não tivesse sofrido tanto.” se aproximou um pouco mais e, com uma certa cautela, encostou os lábios de leve no ombro do rapaz em seguida, deixando ali um beijo delicado.
os olhos castanhos da han se arregalaram em surpresa com o beijo em sua bochecha, mas não de uma forma ruim, tanto que logo estava com um sorriso radiante estampado em seu rosto só de pensar nas coisas doces que o lee lhe dissera antes daquilo, e em como gostava dos contatos físicos e das carícias que trocavam entre si. mas por que uma parte de si sempre parecia ansiar por mais? e por que outra parte de si insistia em lhe dizer que não deveria se sentir daquela forma por aquele que deveria ser apenas o seu melhor amigo? eles não deveriam ser destinados, não – ou será que era uma peça do destino almas tão compatíveis terem sido propositalmente afastadas? “eu também nunca tive ninguém que fosse para mim o que você é… que se importasse tanto comigo, que me deixasse feliz dessa forma, ou que sequer tentasse entender como me sinto e me ouvisse sempre. você é um em um milhão, jin.” beijou-lhe uma das bochechas duas vezes como retorno, encostando a cabeça em seu peito em seguida para estar mais próxima dele. “eu que deveria te agradecer por nunca sair do meu lado. sabe que eu te amo, né?”
Em sua vida relativamente curta, amor sempre tinha sido um conceito abstrato, confuso demais para seu entendimento. De certa forma pensava que tudo sempre voltava a morte da mãe - sua carta de confissão aos assassinatos & o momento que tirou a própria vida. deus, ele nunca esqueceria aquele momento. tinha a sensação de ser psicométrico cada vez que a lembrança das portas do quarto de hospital abrindo-se vinha a mente, pois não estava presente quando a mulher deu seu último suspiro, mas o ambiente ainda tinha o cheiro do perfume dela, dos lírios brancos que amava & da agonia que havia sentido. Mais tarde, quando tornou-se médico, viu em muitos olhos a desesperança que falhou em notar na própria mãe, pacientes que jamais melhoravam ou recuperavam suas antigas vidas ; como devia ser solitário, ele apenas imaginava, ver o mundo continuar enquanto seu tempo permanece parado. porém não inventava desculpa para encobrir o que a mãe tinha feito, e nem os danos que suas ações tinham causado a famílias inocentes e ao próprio filho. desaprendeu a amar no momento que o sentimento nutrido pela sua favorita pessoa no mundo transformou-se em um tipo odioso de ressentimento. sentia falta dela, era verdade mas preferia enfiar os dez dedos na garganta e vomitar a saudade do que esquecer-se da pessoa danificada em que tinha se transformado por sua culpa.
Quando o pai vendia seu precioso arrependimento inocente por poder barato, jinyoung sentia dor. apenas dor - crua e ondulante - , com o tempo qualquer resquício de afeto pelo patriarca foi apagado por todas as lesões que o pequeno corpo carregava devido a madrasta, abuso com qual o pai nunca se importou. a tia e o primo tinham sido exceções em sua vida, pessoas que nunca lhe desejaram mau, porém sentia-se demais como um fardo para dizer que os amava. no final, restava apenas a garota com quem havia prometido morrer ; as existências que realmente o impactaram poucas e nem sempre gentis. porém inna era diferente de tudo que ele havia conhecido, o carinho que nutria pela outra algo real que ele podia sentir florescendo entre as costelas - como seria, ele sempre se perguntava, caso tivesse alguém que amasse ? como cuidaria deles ? com a lembrança de lavar & lavar a pele, mas sempre ver sangue nas mãos, toques ardilosos que o corromperam e um passado que o condenava, como poderia tocar algo puro & simples sem deixar que lhe escorresse pelos dedos? “ — você merece um final feliz.” — sussurrou, desfrutando do momento de proximidade. “ — você merece tudo o que quiser.” — complementou, maravilhado por seu toque obsequioso, sua voz melódico e suas palavras doces.
“ — não sinta muito,” — assegurou, trazendo-a para mais perto com uma das mãos ao redor de sua cintura. “ — no final, o meu caminho, indiferente de qual foi - me trouxe até aqui.” — sorriu, jovial e amável, envolvendo o outro braço ao redor da mulher e a abraçando completamente, deixando sua cabeça descansar no topo da dela, enquanto a mesma ficava aninhada ao seu peito. “ — estou feliz aqui.” — afirmou com certeza. “ — com você.” — completou, levemente relutante, como se as palavras fossem íntimas demais para a luz do dia e o outono no ar.
engoliu em seco, se afastando da Han gentilmente para que pudesse fixar seus olhos nos dela novamente. “ — também te amo.” — mais do que posso entender, mais do que jamais vou admitir, foram as palavras que omitiu. com a ponta dos dedos, tocou sutilmente os queixo da outra, os olhos perdendo-se levemente nos traços perfeitamente esculpidos e demorando-se no contorno dos lábios. “ — já teve a sensação-” — sussurrou com voz de veludo. “ — já se perguntou, se por acaso - o sistema estivesse errado?”
(( - hxninna ))
“ele vai ser muito feliz, sim.” concordou com um breve aceno de cabeça, um sorriso levemente forçado surgindo em seus lábios, o suficiente para que pudesse disfarçar o que se passava em sua mente para o outro, não querendo o deixar preocupado ou até mesmo se sentindo culpado por trazer tal assunto a tona. falar sobre seu filho era difícil, sim, mas parecia ser pior ainda ter de falar sobre os efeitos de sua ausência na vida dele, o sentimento de culpa por se sentir assim era extremo, porém não conseguia impedir que seu coração doesse somente ao imaginar que não estaria ali para vê-lo crescer e enfrentar os obstáculos que o futuro guardava para si, ou que não veria os seus sorrisos felizes por tirar notas boas na escola, as expressões alegres ao ver um bichinho na rua, ao ter a sua primeira paixão correspondida; que não o veria viver de forma alguma. lágrimas se acumulavam nos olhos castanhos da jardineira, que voltou o olhar na direção da paisagem a sua frente, não querendo que jinyoung notasse aquilo.
“também espero que ela esteja feliz. era uma boa pessoa, não?” a expressão distante de momentos antes foi substituída por uma mais suave e serena, até mesmo um sorriso de canto surgindo e permitindo que pudesse voltar para como estava anteriormente. esperava poder tornar um pouco mais tranquilo para o rapaz poder desabafar o que tinha em sua mente sem que acabasse ficando desconfortável, nem que fosse apenas oferecendo um sorriso gentil, pois só a repentina tensão em seus músculos fora o suficiente para que notasse que ele não deveria estar totalmente à vontade falando sobre aquele assunto. doce como sempre, levou a mão que anteriormente brincava com os fios de cabelo de jin até sua bochecha, acariciando-a com toda a delicadeza que possuía em seu corpo, querendo demonstrar um pouco do afeto que nutria em relação a ele. “eu acredito que todos merecem o perdão, além de que, não estou lá em lugar de julgar as ações de pessoa nenhuma. na verdade, ninguém está, todos cometemos erros e fazemos coisas erradas, todos somos pecadores, como alguns diriam.” falou, um tanto quanto pensativa sobre aquilo. “tenho fé de que ela será perdoada.”
suspirou baixinho, deixando mais um carinho na bochecha alheia ao que seu olhar encontrava com o dele - adorava quando tal coisa acontecia, nunca cansaria de poder admirar os belos olhos do lee. “eu gosto de poder falar essas coisas com você, poder desabafar sem me sentir estranha por fazer isso. não tenho intimidade com praticamente ninguém mais por aqui e… bom, eu me sinto bem tendo alguém assim.” adoraria poder dar um beijo na testa do outro naquele momento, mas a posição em que estava a deixava um tanto impossibilitada de fazê-lo, para a sua infelicidade. “sinceramente, eu não sei o que estaria fazendo aqui se não tivesse você comigo. provavelmente estaria ainda mais perdida… acho que eu deveria te agradecer por ter me encontrado por aqui, né?” ele fazia tanto por ela, e provavelmente nem fazia ideia disso, embora inna sempre tentasse deixar claro a importância que jin tinha para si.
atentamente, ele correu os olhos pela delicada face da han, imediatamente se arrependendo de aproximar o assunto delicado com tão pouco cuidado. a ironia de tê-la por completo como ele acreditava ter, era que a mulher não podia esconder de si nem mesmo as mais fracas batidas do coração cansado. ainda sim, o rapaz não escolheria ou saberia existir de outra maneira. enquanto vivo, jin nunca conheceu alguém tão profundamente; a triste verdade é que ele nunca experienciou o profundo desejo de fazer alguém imensuravelmente feliz até o dia que a escuridão engoliu tudo e suas mãos ficaram atadas. " — sabe," — ele começou silenciosamente, tentando seu melhor não quebrar o momento roubado de paz que eles estavam vivendo. " — minha tia costumava dizer isso," — levantou-se do colo da outra, sentando-se ao seu lado e buscando seu olhar. " — ela dizia que no final de uma longa vida existe um final feliz." — a mulher contava para o menino jovem e impressionável que sentia-se sufocando nos corredores da clínica enquanto o mundo todo fazia um carnaval nas ruas; nenhum culpado, nenhum inocente, apenas pessoas perdidas em felicidade simples no momento que seus pulmões enchiam com sangue. ele morreu sem realmente acreditar nas palavras da guardiã. porém agora no outro lado da vida, de certa forma, parecia fazer mais sentido do que nunca. " — talvez esse não seja o fim 'pra nós. estamos aqui, não é?" — tentou confortá-la, aproximando-se de modo que os joelho se roçaram, e a mão dele pode colocar uma mecha solta de cabelo por trás da orelha da outra sem muito esforço. " — talvez tenha um final realmente feliz ainda por vir, onde você possa ficar ao lado dele. de uma foma ou outra."
riu levemente, apertando a mão dela na sua uma vez, contemplando o paradigma da mãe. suas vítimas com certeza não pensavam que ela merecia perdão. era doente de uma forma inexplicável a forma como foi criado - desculpando-se pela mãe, desculpando-se mesmo quando rejubilavam na sua perda. 'assassinos não merecem ser velados, vão direto pro inferno', disse o pai, com um olhar frio que jin jamais esqueceu & de certa forma as palavras também nunca lavaram de sua alma. agora sabia que o inferno era real, e sentia-se egoísta por pedir que a mãe não estivesse enfrentando punição eterna. " — a vida toda me senti miserável pensando na minha mãe. parte de mim sentia-se culpada por sentir falta dela, e todas as outras partes insistiam que ela era minha mãe - eu não podia evitar sentir falta dela." — confessou, agora com as duas mãos agarrando o banco em que descansavam, os olhos focados nas cores a sua frente mas sem realmente ver nada além das tortuosas memórias de seu tempo vivo. " — eu esperava a morte 'pra poder viver. tinha dezoito anos a primeira vez que tentei," — a voz falhou e um suspiro o deixou, engoliu em seco, baixando a cabeça e apertando ainda mais os dedos ao redor da superfície. " — eu queria minha mãe, mas não a pessoa que todos diziam que ela era. eu queria viver, eu acho - só não daquela forma." — riu nasalado, um som derrotado queimando o peito e quase se perdendo nos lábios. " — foi minha tia quem disse isso também. que eu era jovem e inocente, porque escolheria morrer."
" — também sou muito grato por ter você." — realmente, sinceramente e honestamente, ele era & queria que ela pudesse sentir - queria que ela pudesse saber de tudo. a forma como o coração acelerava quando ele ouvia sua risada, como tombava a cabeça para direita na soleira das portas do hospital só para vê-la ler aos pacientes, como sonhava acordado ao encarar as poucas fotografias que tinham juntos na sala de estar do grande apartamento - queria que ela soubesse. " — nunca tive alguém assim," — afirmou quieto e calmo, saindo do transe que estava para olhar novamente o belo rosto da outra. " — alguém que," — balançou a cabeça, rindo juvenil, procurando as palavras certas como um adolescente recentemente descobrindo o amor. " — alguém que conhecesse tudo e ainda...” — riu novamente, o coração pulando algumas batidas de uma maneira a qual ele tinha se acostumado. invés de concluir o pensamento, ele se inclinou e plantou um beijo gentil na bochecha alheia, sussurrando sem se afastar. " — obrigada. obrigada por estar aqui." — ele não sabia oque era o amor, não ainda, mas talvez fosse aquilo - ' obrigada por não me deixar sozinho. '
(( - hxninna ))
ㅤ ㅤ ㅤ Um sorriso sereno se mantinha nos lábios rosados da Han ao que ela observava a cabeça do rapaz caindo de uma forma quase que preguiçosa em seu colo, deixando escapar uma risadinha antes de levar os dedos de sua mão livre até os cabelos dele para mexer nestes carinhosamente, do jeitinho que tanto gostava. O dia estava realmente lindo e não conseguia ver uma forma de ficar melhor, não quando estava na companhia daquele que era tão especial para si, e torcia para que pudessem permanecer mais um pouco na paz em que se encontravam naquele momento - sinceramente, ambos mereciam isso. “Vovó Park está melhor? Isso é ótimo! Ela é uma senhorinha muito simpática e cheia de vida, muito forte também, não admiro que tenha dado um jeito de se escapar das garras do hospital em menos tempo do que o esperado.” deu mais uma risada ao se recordar da idosa, esta que conhecera durante uma das suas visitas surpresas para Jinyoung. O sentir dos lábios alheios em sua pele foi o suficiente para que um peculiar arrepio percorresse a sua espinha, este que nem teria sido notado por si se já não o tivesse sentido nos últimos dias, em uma situação semelhante a essa e mais uma vez envolvendo aquele que chamava de melhor amigo. Se limitou a aumentar o sorriso com sinceridade, uma parte de si secretamente desejando que não fosse o último carinho daquela forma que receberia do homem naquele dia. Céus, o que estava acontecendo consigo? Não era bem o tipo de coisa que deveria estar passando pela sua cabeça somente por causa do outro - no fim das contas, ele não saber ler mentes era uma excelente coisa, ou estaria mais do que lascada. “Como eu poderia ficar brava? Oras. Me pergunto de onde foi que tirou essa ideia, tsc… Claro que eu não vou ficar brava. Só quero que você fale comigo e me confirme que tudo ‘tá indo bem, ou vai acabar me matando de preocupação.” me matando de novo, acrescentou mentalmente, não achando que valeria muito a pena dar relevância para aquilo. “E um dia desses eu posso ir lá com você, numa das minhas folgas do trabalho. Nada impede, huh?”
ㅤ ㅤ ㅤ “O mais importante é que ela está feliz! Realmente espero que continue assim, mas ainda bem que ela tem alguém tão incrível como você para estar com ela quando precisar.” Inna simplesmente não evitava ver Jin da melhor forma possível, afinal, mesmo que soubesse de todos os defeitos dele, também conhecia suas qualidades e sabia que estas eram ainda mais incríveis e que deveriam ser valorizadas. E a forma como cuidava e se importava com aquela adorável senhorinha era uma delas, assim como a forma com que se preocupava e se importava consigo desde o começo de sua amizade - palavra esta que não sabia mais se era a melhor para descrever sua relação, mas não tocaria nesse assunto com ele. “Sobre o que eu rezo?” franziu de leve o cenho, o olhar se movendo do rapaz para o céu, uma expressão pensativa tomando conta de seu delicado rosto. “Não sei se vai te surpreender ou não a minha resposta, mas… Bom… Pelo meu filho. Para que ele viva bem e, de uma forma ou de outra, alcance a felicidade um dia. É tudo o que eu espero, sabe? Que o Sehwan seja feliz e aproveite os seus dias muito bem, que faça as escolhas certas…” para que não tenha um fim como o meu, a parte de sua mente que parecia estar sempre prestes a sabotá-la acrescentou sem demoras, mas Inna optou por não se pronunciar por acreditar que não deveria trazer um assunto tão triste naquela hora. “Mas e você? Pelo que reza, Jin?”
ㅤ ㅤ ㅤ " — sim, nada nos impede de visitá-la juntos." — ainda com os olhos fechados, o rapaz riu levemente e dócil, cada palavra que saiu dos lábios alheios um presente para si - poderia ouvir ela falar por todo um dia, por toda uma vida, pois nunca sentia tanta paz quanto nesses breve momentos que roubavam para si mesmos. " — imaginei que fosse dizer isso." — jin respondeu com um balanço leve da cabeça, uma concordância com o óbvio. " — tenho certeza que ele vai viver a melhor e mais feliz vida possível." — abrindo as pálpebras e recebendo visão da luz do sol e do belo rosto da garota, seu sorriso era apenas um fantasma lhe puxando o canto direito dos lábios, mas tinha tanto afeto ali que ele não poderia jamais colocar em palavras. " — eu tenho fé que irá." — era quase uma surpresa para si mesmo ouvir aquelas palavras, pois a muito não acreditava em nada maior que eles. contudo, tinha a certeza que inna merecia uma vida muito melhor & diferente da qual viveu, e se não pode achar tal felicidade antes, certamente a parte mais pura de si, seu filho, seria deixado com tal graça.
ㅤ ㅤ ㅤ " — eu?" — os músculos tornaram-se tensos com o questionamento, algo que ele tinha certeza que a outra poderia sentir - não era que ele tinha medo de contar, mas sim do que ela pensaria. o que falar de um menino que passou a vida rezando pelo demônio? " — não rezo muito, não tenho muita convicção." — não acredito que nem eu, ou qualquer um que tenha esse sangue podre correndo pela veias mereça misericórdia, foi o que impediu-se de dizer. " — mas sempre penso na minha tia, que me criou. espero que ela tenha tido filhos e esteja feliz." — deixou outro leve carinho na parte de trás da mão alheia, um olhar distante preenchendo suas feições - tinha mais do que gostaria de admitir. " — e também," — começou quase que de forma inaudível, parte de si desejando nem ser ouvida. " — rezo por minha mãe." — confessou com um suspiro, como se um grande fardo tivesse deixado seus ombros.
ㅤ ㅤ ㅤ " — sei que ela fez coisas horríveis," — era uma assassina, não adicionou. " — mas ainda gostaria que ela tivesse a chance de ser perdoada um dia." — o melhor desta existência intermediaria & também a parte mais assustadora era que ela talvez duraria para sempre - ele podia escolher sentir-se culpado por erros que não eram dele ou podia por perdoar-se. perdoar-se por ser uma criança obtusa aos sofrimentos maiores daqueles a sua volta, até o dia em que colocou os pés num quarto de hospital & viu um corpo sem vida. perdoar-se por esta cede de perdão, deixá-la morrer e enterrá-la - como fez com a mãe.
Seus olhos estavam apenas meio abertos quando a cabeça dele caiu no colo da garota e então ficaram pesados demais, fazendo com que as pálpebras se fechassem mesmo que o sol ainda estivesse claro por trás da escuridão. O menino se perguntava sobre metáforas, se isso era algum tipo de piada, o céu colorido e as folhas de outono cobrindo o chão em uma camada grossa de felicidade simples. Tudo era um sinal? Ou nada nunca foi? “ — Vovó Park deixou o hospital hoje, ela está indo para um abrigo naqueles lados da cidade. Vou ter que visitá-la lá a partir de agora. ” — Jin levou suas mãos entrelaçadas à boca e plantou seus lábios macios na conjunção de todos os nós dos dedos dela, beijos cuidadosos e gentis como se viessem de uma pena e não um belo jovem. " — Você não vai ficar brava?"
Virando-se de lado, passando um braço sobre os joelhos alheios, respirando o aroma das flores que começavam a entrar em estação. “ — Ela me disse que estava feliz - feliz porque era por isso que ela havia orado. Um lugar tranquilo com pessoas como você, eu e Jun. ” — Seus olhos se abriram, orbes escuros brilhando com o mais puro tipo de agonia, embora um sorriso frágil insistisse em pintar seus traços suaves de uma maneira triste. “ — Todos rezam no final, certo? Mesmo que seja apenas por um momento de paz - pelo que você reza?”