@axlnotrose
Bufou mais uma vez, com um claro mal humor com o pedido do pai. Sentia como se fosse alguma afronta, embora ele não soubesse seus motivos para negar algo que seria tão simples, não podia deixar de ficar irritado. — Olha eu até ajudaria, se não fosse… — Começou e, pelo olhar que viu se formar da feição de seu progenitor não continuou. Ainda não entendia como ele podia gostar tanto de Axl, confessava que se sentia meio traído. “Eu não vou te obrigar filho, mas me faria muito feliz te ver saindo com pessoas novas, além de que estaria ajudando por um tempo.” E foi com essa frase que Joshua foi convencido.
Logo após o intervalo não foi difícil achar o “grupinho punk” da escola, como costumava chamar. Andou até eles sentindo o sangue ferver levemente ao se aproximar dos meninos. Possivelmente seria uma cena tanto quanto inusitada, não era conhecido como uma das pessoas sociáveis na escola, na verdade tinha noção de que era bem fechado comparado aos seus colegas.— Olá. — Começou chamando a atenção dos meninos, tentou não olhar diretamente para nenhum deles, em especial o mais alto e moreno conhecido como o Axl. — Meu pai me disse que precisam de um tecladista substituto e me convenceu a ajudar. — Estendeu um papel com seu número de celular para um dos meninos, se estivesse certo era o baixista da banda. — Me passem o que for preciso… Ah e se precisar, eu posso levar meu teclado… — Dito isso se despediu e tratou de sair rapidamente do local tentando evitar qualquer comentário desnecessário. Sabia que não era a pessoa mais bem quista da escola e não queria dar motivos para mais fofocas. Depois de algum tempo percebeu que estava em um grupo de whatsapp novo, aparentemente sua “oferta” havia sido aceita. Sentiu-se um pouco nervoso em pensar que logo teriam que marcar algum tipo de ensaio onde teria que realmente falar e participar de algo, isso porque não queria pensar nas apresentações… Tentou não pensar demais nisso o resto da tarde.
Lucien olhou para o garoto a sua frente sem saber ao certo como reagir, era uma situação muito delicada e não queria piorar. Levantou-se de seu local se aproximado do garoto devagar e se sentou ao seu lado. "Está tudo bem, vou ligar para a sua avó." Respondeu ainda mantendo uma distância de respeito e que não causasse nenhum desconforto para o menino. Não era estranho que tivesse o número da avó de seu aluno, uma vez que sabia de tudo que o menino havia passado. "Vai ficar tudo bem Axl, sua avó está vindo." Era uma medida de segurança, acima de tudo. Depois de alguns minutos, quando desligou o telefone era apenas questão de esperar. O homem estava divido no momento, ao mesmo tempo que queria subir o andar para ver o filho, não sabia como deixar o aluno sozinho. Conhecia Joshua bem o suficiente para saber que ele queria alguns minutos para se recuperar do que tivesse acontecido, mas ainda estava preocupado.
Depois de alguns minutos a avó de Axl estava frente a sua casa, garantiu que ela poderia deixar um dos carros em sua garagem e estava mais tranquilo em saber que ele ao menos estava em boas mãos. Logo que Axl foi embora, subiu ao segundo andar batendo algumas vezes na porta do quarto do filho sem resposta. Não gostava de invadir a privacidade de Joshua, mas estava preocupado. "Filho, eu vou entrar." Uma vez dentro do quarto viu o mais novo na cama, já com um pijama enquanto olhava para um livro. "Josh, você não me respondeu." Ao entrar no quarto não teve muita resposta, apenas podia ver o filho enquanto passava os olhos pelas páginas do livro sem realmente ler algo. Sabia que quando ele estivesse pronto falaria algo, por isso apenas esperou.
Joshua podia dizer que teve uma crise interna por vários motivos, mas preferiu apenas se ater a parte que seu pulso doía. Thomas havia conseguido machucar sua articulação, teve que ir ao médico e enfaixar. Se sentia mal vendo seu pai tentar se comunicar de alguma forma, mas não conseguia ser tão aberto. Tudo que pode fazer a ele era garantir que estava bem o suficiente para voltar para a aula, e assim fez. Apesar de ser mais difícil do que pensava guardar seus materiais no armários apenas com uma mão. Não havia tido muito contato com Axl depois do ocorrido e estava com um pouco de vergonha de falar com ele, como se tivesse o colocado em uma situação complicada de propósito. Era complicado, mas mesmo assim não deixou de procura-lo com o olhar de forma discreta pelos corredores, apenas queria saber com ele estava.
Não se lembrava de absolutamente mais nada dos acontecimentos que se seguiram à crise na casa de seu professor. Sua lembrança seguinte era a de ser acordado na sexta-feira para que tomasse o café da manhã, e em seguida fez questão de repetir a dose de calmantes do dia anterior, o que foi o suficiente para fazê-lo apagar mais um pouco. Tinha vagos flashes de ser despertado para se alimentar e tomar duas medicações, e no sábado foi surpreendido com uma visita extra ao terapeuta. Em momento algum vovó questionou o que realmente havia acontecido, ela nunca botava pressão nele, sabendo que quanto mais forçasse a barra, mais ele tentaria esconder tudo, pois a vergonha ainda era um dos sentimentos que o acometiam ao falar sobre o passado.
Foi em algum ponto do domingo que teve coragem de contar, e viu os lábios da mulher se franzirem ao mencionar Thomas. Sabia que ela discordava de sua decisão de não fazer uma denúncia, ao mesmo tempo que entendia seus motivos. Vovó era a melhor pessoa do mundo e Axl agradecia eternamente por ter sido enviado para ela depois da verdade vir a tona. Ele passou o fim de semana longe do celular e das redes sociais, manteve a mente o mais ocupada possível afim de evitar novas crises que pareciam prestes a ocorrer a qualquer segundo. E mesmo sob os protestos contrários da avó, Axl decidiu que queria ir a aula naquela segunda-feira. Inventou a desculpa de que tinha matérias importantes, porém seu foco era Joshua. Será que o outro garoto iria? Estaria ele bem? Não se lembrava do que aconteceu após chegarem na casa de Lucien, Josh havia explicado tudo ao pai?
Nos primeiros horário não o viu pelos corredores, sequer teve tempo de procurá-lo, foi apenas no horário do almoço, quando se aproximou da mesa onde seu grupinho sempre sentava que pôde voltar a focar em sua atividade. "Você está com uma cara horrível." Disse Matthew assim que depositou a bandeja com o almoço sobre a mesa. "Sua avó nos disse que você teve uma crise muito feia na quinta, está se sentindo melhor?" Dessa vez foi Kate quem perguntou, colocando a mão sobre a do amigo. — Estou. — Não era uma mentira completa. — Vocês viram o Josh por aí? — Estava tão concentrado em olhar ao redor que não reparou na troca de olhares espantados dos amigos. "Não vimos." Disse Clary, desconfiada. Axl comeu de forma distraída e fingiu não ouvir os questionamentos dos amigos quando se levantou da mesa, iniciando uma caminhada lenta pela escola.
Mal percebeu onde havia ido parar até estar de frente com o local familiar, e também não imaginou que o encontraria ali, mas sua silhueta era inconfundível através do vidro da porta. Ele bateu delicadamente antes de entrar, e por alguns instantes foi incapaz de dizer qualquer coisa. Deixou o olhar vagar pelas expressões de cansaço que se assemelhavam às suas até pousar na mão alheia enfaixada. Uma fagulha de raiva se acendeu em si, sentindo que um único soco havia sido pouco. — Eu... — Suspirou, se aproximando. — Eu só queria saber como você está. — Sentiu as bochechas corando e timidamente enfiou as mãos nos bolsos da calça. — Fiquei preocupado. — Admitiu.
Parou de imediato assim que escutou as batidas na porta e observou Axl entrando. Podia perceber a feição de cansaço, ambos estavam. Podia dizer que não fora um final de semana fácil para nenhum dos dois. Ainda encarava o outro sem saber o que dizer, talvez devesse tentar ser gentil, afinal, fora salvo por ele de algo bem pior, entretanto não sabia o quanto seria indelicado retomar o problema. Respirou fundo esperando, torcendo, que o mais velho se pronunciasse. Manteve os olhos em Axl até que ele começasse a se aproximar. — Obrigado, mas estou bem. — Respondeu. Não imaginaria que poderia deixar Axl preocupado, tentava se convencer apenas que era algum tipo de culpa pelo fato de, indiretamente, ele ser o motivo que fora atacado. Embora o mais velho não tivesse culpa das atitudes do ex, Thomas ainda parecia determinado a voltar com seu lugar na banda e no coração de Axl. Isso fazia seu estômago revirar um pouco, não por algum tipo de competição, mas por que sabia bem como seria para Axl olhar na cara de uma pessoa como Thomas o resto da vida. — Isso não é nada... — Disse percebendo o olhar fixo do mais velho em seu pulso. — Só uma torção, logo passa. Meu avô disse que é uma torção apenas, não vai impactar nos ensaios.
Não teve muito tempo para a resposta, algum tempo depois pode ouvir a porta sendo aberta novamente. Matthew, Katy e Clary logo entraram, fazendo mais barulho do que Joshua imaginava ser possível. Não demorou muito para que Kate reparasse em seu pulso e lhe enchesse de perguntas. — Não é nada... Apenas uma torção. — Respondeu olhando pra Axl brevemente. Não entraria em detalhes pois isso queria dizer contar o ocorrido aos amigos. — Não vai atrapalhar o ensaio. — Respondeu e logo percebeu o olhar de desaprovação de Clary. "Sem chance de ensaiar assim, pode piorar seu estado." Ela disse e embora tentasse discutir, os amigos não pareciam dispostos a ceder.













