Abraçou-se ainda mais a Ashley, tentando conter os soluços e se focar no que ele dizia. A voz dele lhe ajudava a se acalmar. Assentiu as palavras alheias. O choque havia sido grande, mas ela precisava pensar de uma forma positiva. “Faz pouco tempo…” Murmurou ainda em meio ao abraço, sem sentir vontade alguma de soltá-lo. “Resolvi levar um amigo no escritório porque ele precisava de ajuda e… Antes ele havia me contado sobre ter ficado com um homem e quando chegamos lá ele falou que meu pai era o tal homem, mas ele não sabia e…” A história saiu toda confusa, já que Katherine não estava em muita condição de contar tudo nos mínimos detalhes. “E eu descobri. Tivemos uma briga feia, onde eu disse que ele era sem caráter e ele falou para que eu parasse de me fazer de santa, porque nunca teria condições de cuidar dos negócios, sempre fui uma vergonha e não tinha educação…” Lembrar dar palavras ainda lhe doíam. “Meu amigo saiu em minha defesa, mas de nada adiantou. Então eu disse que ele tinha perdido a filha para sempre.” O choro voltou com mais força ao lembrar de suas próprias palavras. Por mais duro que seu pai havia sido durante toda a sua vida, Katherine não conseguia encontrar justificativas para a sua atitude. Ela sempre pensava ser o problema da situação. “E agora eu soube do acidente e estou me sentindo péssima… E minha mãe o quanto não deve ter sofrido todos esses anos? Argh… Por que tão burra Katherine?” Todos os sentimentos ruins pareciam estar lhe tomando naquele momento. Raiva, decepção, tristeza, culpa. “Eu estou me sentindo tão mal…” Disse de maneira simples, encolhendo os ombros. “Não sei o que fazer.”
Cada soluço vinha como uma faca afiada para atingir seu coração. Ashley não estava acostumado a lidar com pessoas chorando, mas Katherine fazendo isso? Ele simplesmente parava de funcionar. Os óculos escuros foram retirados e deixados de lado no sofá, podendo assim apoiar a testa no ombro da amiga com a face pressionada contra a mesma. Não existia nada ao seu alcance que pudesse ser feito para que a menina melhorasse, para que ele tirasse toda a dor de dentro do peito alheio; Ash encontrava-se de mãos atadas e este parecia ser o pior dos sentimentos. A história contada não fazia muito sentido, no entanto, também não podia focar nisso pois mais perguntas sobre o assunto a faria sofrer mais ainda por ter que reviver aqueles detalhes, então o Mark-Miller calou-se. Ele apertou-a contra si antes de puxá-la um pouco mais em sua direção. ‘ --- Vem cá. ‘ murmurou baixo. Oferecer-lhe o colo e abraçá-la eram as duas únicas coisas atingíveis para si. ‘ --- Kath… é impressão minha ou você está se culpando por não ter descoberto a traição de seu pai antes disso? ‘ indagou, o cenho sendo franzido. ‘ --- Meu anjo, quando as pessoas fazem esse tipo de trapaça, elas não querem que as pessoas descubram e, geralmente, cuidam de fazer isso bem. Não é sua culpa você não ter tido essa informação antes, os problemas que seus pais passam são deles, eles que precisam resolver. Se a sua mãe sabia disso e mesmo assim continuou com ele, foi uma opção dela. Se ela não lhe contou, foi uma opção dela também. ‘ continuou com a voz baixa, beijando-lhe o topo da cabeça. ‘ --- Você disse aquelas coisas porque viu que naquele momento em específico, ele não merecia seu amor, apesar de você dá-lo mesmo assim pois não adianta apenas dizer que não iria mais amá-lo, Kath. O amor não… não funciona assim. Não dá para decidirmos a quem dá-lo ou não. A raiva, de certo modo, faz parte do amor também. Quem ama e não sente raiva às vezes por algo que a pessoa faz, não ama de verdade… pois só queremos o bem para eles, e quando eles escolhem um caminho errado que não irá trazer o bem, isso nos deixa com raiva. ‘ concluiu, soltando um suspiro pesado. ‘ --- Então sentir-se mal agora, faz parte. Mas não deixe culpa tomar conta de si pois não faz sentido. Não foi sua culpa que o acidente aconteceu, que vocês falaram desavenças, então relaxe. Por agora, não tem o que fazer, amor. Só tem mesmo que esperar, infelizmente. Nada está ao seu alcance, nem ao meu. E acredite, se houvesse algo que eu pudesse fazer para deixá-la livre dessa dor, eu faria. ’ não importava o que isso lhe custasse. Porém, simplesmente não havia.