"I'm Dorothy Gale from Kansas"

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@juliemaia
Incrivelmente eu adorei pegar o metrô hoje, logo que o vagão abriu na Barra Funda, os assentos estavam com livros. Juro mesmo. Cada banco tinha um livro. O melhor de tudo é que era realmente pra pegar e usufruir da leitura durante a viagem de metrô. Não é incrível? Eu ganhei esse livro aqui do Machado. Eu definitivamente amo essa cidade.
Claro que é incrível! Semana passada eu peguei Dom Casmurro, pra mim é o melhor do Machado e era meu preferido no colégio. Mas deixa eu ver se eu entendi, você ama essa cidade por causa disso? E a parte da poluição, trânsito e assaltos? Não te faz repensar esse amor por causa dos livros não?
Prosseguiu o beijo de modo entusiasta, esquecendo até mesmo de que aquilo não se passava de uma brincadeira. Quando a morena quebrou o beijo, Igor soltou um baixo rugido de insatisfação, voltando ao clima de brincadeira entre eles. “Ótimo. Uma namorada esfomeada. Tudo que eu, estudante de nutrição, precisava.” Provocou ela e ergueu-se quando ela deu o leve empurrão em seu ombro. Igor então voltou para o seu local, mas não antes sem fitar o grupo de garotas, que logo desviaram o olhar. “Agora eu quero o suco de laranja. Troca comigo.” Testou-a, com um largo sorriso, ao se sentar na cadeira de frente para ela. “Ju, se eu soubesse que ‘cê beijava bem eu teria fingido ser seu namorado bem antes, armaria.”
Você já pensou.. - interrompeu a frase ao colocar uma batatinha na boca - que ter uma namorada esfomeada é um ótimo jeito de treinar sua profissão? É sério, sou uma ótima ajuda. - Ela disse de forma séria, mesmo sendo brincadeira - Eu posso no máximo te dar um golinho do meu suco, mas trocar? - Ela deu uma falsa risada, sarcástica - Não troco mesmo. - Deu uma piscadinha pra ele. Sentiu as bochechas queimarem, envergonhando-se da fala do amigo, o que era raro devido a intimidade concebida a eles - Para de gracinha, mané. Nem vem tirar onda com a minha cara. Aposto que 'cê tava pensando no beijo bomzaço da Vic.
“Eu não acho que ‘cê é burra não Jujubinha!” Se defendeu, rindo ao final quando deixou escapar o apelido, mas se conteve rápido para que continuasse a encenação. “Amor, eu gosto de morenas! Você acha que eu iria me importar com essas meninas que pintam o cabelo com água de 10?” Brincou fingindo seriedade, franzindo o seu cenho. Entrelaçou seus dedos aos dela, assim que permitido e alargou um sorriso quando ela brincou, o chamando de ‘lindinho’. Quando os lábios alheios tocaram os seus, Igor não ficara surpreso. Uma vez ou outra já deram selinho antes. “Exagerou, mas não é assim que beija seu namorado não.” Sussurrou assim como ela, levando sua mão para a nuca dela e puxando-a novamente para seus lábios. Projetou a sua língua, pedindo passagem para a sua boca.
Julie desceu as mãos, apoiando-as no peito dele e entreabriu os lábios permitindo a passagem da língua do garoto, logo fazendo o mesmo para corresponder ao beijo, sem hesitar. As mãos de Juliana brincavam com a camiseta dele, num ato de puxar levemente o tecido e soltar, repetidamente.
Um suspiro fraco escapou dos lábios dela contra os de Igor, ao ouvir a voz do garçom e o som dos pratos sendo colocados na mesa, rompendo o beijo com um último selinho. Olhou para o amigo a sua frente, mordiscando o próprio lábio inferior e sorrindo em seguida - Vai se sentar, namoradinho, eu estou morrendo de fome. Não é fácil manter o corpinho. - Deu um leve empurrão em seu ombro - O suco de cupuaçu não vai ser tomado sozinho. - Disse e já virou o corpo pra frente, pegando uma das batatinhas.
Tenho que aprender a ter controle, então estou treinando ao te ouvindo falar. Mas fica de boa, até que estou gostando de conversar contigo. Já que está pedindo, não custa nada ir contigo.
Minha voz te ajuda a ter auto controle, interessante. Sabe que não precisa ir se não quiser, certo?
Acho que estou amolecendo um pouco e isso não é legal. Tanto que você que tem uma voz um pouco irritante não tá me irritando. Eu não trouxe dinheiro, mas se quiser ir, tô tranquilo aqui.
Como você pode achar minha voz irritante e não se irritar com ela? Ela já te irritava antes? ‘Cê não é a primeira pessoa a falar isso não. Já me mandaram calar a boca pela minha voz ser ligeiramente chatinha. A lanchonete é aqui pertinho, você espera aqui ou vai comigo?
“E vou continuar colocando, é melhor ‘cê virar sapatão, Ju.” Brincou, imitando a atitude dela, mandando língua também. “Ótimo, até lá ‘cê morre de glicose antes de eu te levar lá pra Bahia, viu?!” Avisou com a feição de desgosto que ela bem conhecia. “Seis?? Ok, ok. Vou olhar melhor depois. Vixe, mas eu me ferro até nas brincadeiras?” Deu risada da situação. “Está bem, está bem.” Murmurou, logo levantando-se da cadeira. ”AMOR, EU JÁ DISSE QUE NÃO ESTAVA OLHANDO PRA NINGUÉM!” Falou em um tom de voz alto para chamar a atenção dos outros, logo caminhando para o lado dela, onde deixou que um dos joelhos se apoiassem ao chão. “Me perdoa, eu não ligo pra’ ninguém! Meus olhos são só pra você.” Disse teatralmente, e assim, pegou as mãos alheias que estavam por cima da mesa. “O que eu posso fazer? Eu nem conheço aquelas garotas, meu amor. ’Cê me desculpa?” Pediu, fitando os olhos da amiga, ignorando os vários olhares dos outros na lanchonete. “Se eu pudesse, faria que nem aquele cabra lá do filme e te trazia a lua, mas eu não posso não, ‘cê só pode acreditar em mim e ignorar o que não é eu e você.”
Isso não vai acontecer, Igor. Nunca. - Balançou a cabeça, fazendo careta com a ideia - Você não me deixaria morrer, eu sei disso, não tenho amigo nutricionista à toa. - Piscou pra ele - A ideia foi sua, nada mais justo que o seu mico ser maior. - Riu bem baixinho, colocando a mão sobre a boca e assim que ele começou, engoliu em seco para segurar a risada e manter a feição fechada - ‘CÊ ACHA QUE EU SOU BURRA? - Respondeu ele usando o mesmo tom de voz, virando o corpo para o lado para continuar o olhando. - Você fica dizendo essas coisas, mas olha pra primeira loira que encontra na rua, você quer que eu fique loira? É isso? Eu posso pintar o meu cabelo hoje mesmo. - Segurou as mãos dele e sustentou seu olhar, sem desviar os olhos do amigo - Essa vai ser a última vez, amor. Eu falo sério. Da próxima vez estamos terminados e jogaremos todos esses anos de namoro no lixo! - Suspirou fundo, como se estivesse aliviada em ouvi-lo - Oh, meu lindinho, eu tenho certeza que você traria, por você eu bebo o mar de canudinho. - Subiu as mãos até o rosto dele e segurou nas laterais, aproximando o rosto do dele e selando seus lábios. Um selinho pouco demorado foi o suficiente para ela soltar seu rosto e rir meio sem graça. - Exagerei, né? - Ela sussurrou, com um sorriso brincalhão nos lábios.
Não vou entrar numa discussão contigo.
E não são mesmo,estou bem aqui conversando com você e não quero nem pensar em pessoas chatas me perturbando.
Não temos que discutir sobre isso. Isso quer dizer que eu não sou uma dessas pessoas chatas que te irritam? Olha, eu tava indo comer alguma coisa porque não comi o dia todo, se ‘cê quiser ir também...
“É mesmo? E é esse dia que ‘cê passa longe do meu quarto, né? Só lava a porta dele. ‘Tá, ‘tá, é um saco mesmo sair de casa e ficar falando nisso.” Deu de ombros e logo riu da cara de nojo que ela fez. “Eu? ‘Tá louca que vou te apresentar para esses moribundos lá da USP? Só tem cara idiota, que quer brincar com as meninas, espera deitadinha que eu vou te apresentar algum cara. Só espera.” Disse, fazendo uma careta de descontentamento ao final da frase. “O dia que ‘cê comer o açaí de lá da minha cidade não sei se tu vai gostar não, ‘cês tem um gosto estranho por aqui.” Completou, sem muito humor. “Claro que pareço com um famoso, aquele lá daquela série de adolescente lá, tenho que assistir ela ainda.” Apoiou as mãos no queixo, assim como os cotovelos na mesa. “Que vergonha? Ninguém mandou me falar, eu sou curioso!” Ele riu, quando a viu se indignar por tão pouco. “Ok? Eu daria nota oito para ela. Talvez elas não achem que ‘cê é minha namorada. Vamos fazer o teste. Quer beijar minha boca para fingir que é minha namorada?”
Se você fosse mesmo um bom amigo, acharia um cara bacana pra sua amiguinha aqui, mas você prefere colocar defeito em todos. Pode deixar que eu acho por conta própria. - Mostrou língua pra ele, fingindo estar brava - O dia que eu tomar o açaí da sua cidade nós conversamos sobre isso, até lá você vai continuar comprando o daqui pra mim. - Sorriu largamente, balançando os braços juntamente com o tronco de forma animada e totalmente desajeitada - Acho que ‘cê olhou muito rápido, cara. Ela não passa do seis. - Esforçou-se para mentir sobre a garota, encolhendo os ombros ao final da frase - Eu ‘tô mais pra irmã? Vamos fazer o teste. Eu sou a namorada ciumenta com raiva por você ter dado moral pra loira ali atrás. - Arqueou as sobrancelhas de modo desafiador, dando uma breve risada - Não posso beijar meu namorado estando com raiva, ‘cê teria que me mimar e essas paradas. Eu posso chorar, sabia? Minhas aulas de teatro serviram pra alguma coisa.
Ah, saquei. E com essa crise que passamos o preço está no alto e nosso dinheiro está no fundo, entendi. Não conseguimos comprar nada, é deprimente.
É, pode ser, é mais ou menos isso. O que é que estava pensando pra ter se desligado assim? Aconteceu alguma coisa, algum problema?
Eu bem te digo, se eu pudesse eu te dava ele de presente. É um saco ter um irmão, quem dirá gêmeo. Ele ainda da de querer me proteger sendo um imbecil… Serio, nunca de asa para ele, para sua segurança Jully…
Você diz isso porque não cresceu sozinha, duvido que daria ele pra alguém de verdade, irmãos sempre falam essas besteiras. Muito obrigado pelo aviso, mas acho que não faria isso, tive essa mesma impressão, mas posso estar enganada. E ele parece ser meio baixinho, não me lembro bem porque quase não nos falamos, mas parece ser. Mas me diz, o que vamos assistir?
Assim, eu andei mesmo sumido. É que eu dei uma passadinha no Rio pra vê os velhos. Mas tô de volta, até perdi a festa… Mas nem só de festa viverá o homem, não é mesmo? Mas conta aí as novidades. Falando nisso, você viu no spotted da USP? Te marcaram lá! Hum… arrasando os corações!
Não acredito que foi pro Rio. Cara, mó saudade de lá, estou pensando em ir final do ano agora, mas é tudo sempre tão corrido aqui. Ok, inveja. Pior eu que estava aqui e perdi a festa por comer salgadinho estragado, essa é a única novidade que tenho. Não acredito! É brincadeira, né? Não me marcariam nisso.
Claro que eu ‘tô prestando atenção em o que tu diz. Você tava falando sobre… A crise do país, não era?!
Cara, essa foi quase.
Eu estava falando sobre o preço do anel que eu quero de Natal, sabe, que eu vi na Morana. Mas como eu disse, foi quase, precisa se ligar só mais um pouquinho.
“Mas a casa é nossa, ué. Dever de todos limparem e coisa e tal, não é ‘cê mesmo que sempre fica falando essas coisas?” Estalou a língua, rindo em seguida também. “Ah, beijei. Foi um beijo bomzaço. Armaria que foi assim não Juju, foi só algumas poucas garotas, tenho certeza.” Disse as últimas palavras com um tom de voz duvidoso.”’Cê é maior mandona, ‘né sua marrenta? Eu vou começar a deixar as coisas lá sem fazer, daí quero ver ‘cê encher o saco da gente.” A provocou, enquanto seus dedos brincavam com o guardanapo em cima da mesa. “Acho que tem umas coisas que não dá pra mudar não, sabe? Os gostos e tal. É tipo açaí, eu nunca vou conseguir gostar dos que ‘cês comem aqui. ‘Cê ‘tá chamando minhas peguetes de burras?” Fez uma careta, se fingindo de ofendido. Assim que ela balançou a cabeça em reprovação e depois disse para não olhar para a área referida, de supetão, foi a primeira coisa que Igor fez. Assim, avistou um grupo de moças que não conhecia e que o olhavam com um sorriso. Igor devolveu o sorriso e se voltou para Juliana. “Foi mal. Juro.” Desfez o sorriso com a feição de descontentamento dela, provavelmente devido ao modo rápido em que ele se virou para olhar para as garotas. “Se eu fosse feio ‘cê não teria sido minha amiga.” Brincou. “A loirinha até que é bonitinha, não é?”
Por isso nós temos o dia da faxina, onde todo mundo limpa tudo, olha, não quero falar sobre minhas maninas de limpeza aqui, belezinha? Cortou assunto limpeza. - Ela fez de imediato uma cara de nojo ao ouvir falar sobre o beijo, rindo em seguida - Tava precisando dar uns beijos mesmo, mas sabe quem ‘tá precisando mais? Eu. Bem que você podia me arrumar uns beijinhos, sacolé. - Cruzou os braços sobre a mesa, mudando totalmente e expressão - Eu sou mandona sim, e você nem pense nisso, daí sim que vou ter que encher o saco. - Disse enquanto tamborilava os dedos sobre o braço ainda cruzado - Açaí é uma coisa maravilhosa, não importa onde seja. E é, eu estou chamando suas peguetes de burras, o que não é mentira, levando em conta aquela que achou mesmo que você era famoso. Você nem se parece com nenhum famoso, foi difícil fazer ela dar no pé. - Juliana foi obrigada a mudar de posição ao ver o amigo se virar para trás, afundando o rosto entre os braços, envergonhada. - Você ainda vai me matar de vergonha, você sempre consegue vacilar. - Ao voltar a olhar pro amigo, não disfarçou a expressão de indignação. - Não, Igor! Ela é no máximo ok. Por que elas sempre tentam quando você ‘tá comigo? E se eu fosse sua namorada? Seria bem feio pra elas, né não? Não está escrito melhor amiga na minha testa. Eu ‘tô com fome, que comida demorada essa. - Revirou os olhos ao perceber que havia falado as últimas frases um pouco mais rápido do que gostaria. - Aposto que elas vêm aqui.
Ai que péssimo. Mas agora você já tá melhor, né? Nossa, eu odeio vomitar! Claro que a sensação de alívio depois é boa, mas o durante é péssimo. Eu não fiz comida na sexta-feira, e tive que almoçar na rua. Péssima ideia, você já deve imaginar. Passei mal o sábado inteiro, e domingo um pouco também. Uau, peruca loira e collant? Qual era sua fantasia, então? Deve ter ficado super linda, uma pena que não conseguiu chegar na festa.
Eu melhorei depois de algumas vomitadas. É exatamente assim, algumas vezes que passei mal sabia que ajudaria colocar tudo pra fora, mas fazia de tudo pra evitar. Uhh, comer em lugares desconhecidos são sempre um problema, posso imaginar como ficou. Sim, da pra acreditar. Black Canary, sabe? Deve conhecer se assistir Arrow, mas aqui, eu tenho foto de como ficou. - Tirou o celular do bolso e logo procurou a foto de sua fantasia, mostrando-a para a loira - Fiquei bem chateada mesmo, mas não será a última festa, né? Aposto que você também teria ficado fantástica, apesar de nem precisar se esforçar pra isso.
Não estou generalizando, existem pessoas boas sim, mas pessoas boas que se calam tornam-se más.
Você está sim, está generalizando falando desse jeito.
Esquece isso, Magno, essas pessoas nem deviam ser motivo de gasto do seu tempo.
Você quem sabe… acho que lava a alma chorar um pouquinho. Eu sei lá como você não sabia. Achava que eu tinha te contado… Sabe o Eduardo de fono? Aquele que sempre ta andando comigo? É ele. Somos levemente diferentes mas é
Eu sabia que vocês eram irmãos, até porque como você disse, estão sempre juntos, mas eu realmente achava que ele era mais velho. Sempre quis um irmão gêmeo, na verdade, eu queria um irmão de qualquer jeito. Vida de filha única é tão chato.