Eu amei como quem invoca
algo que não sabe controlar.
Abri o peito feito domínio,
mas só encontrei eco e escuridão a me encarar.
Você dizia ser infinito,
que nada poderia te tocar…
Mas até o infinito falha
quando escolhe não ficar.
Eu me perdi no seu vazio azul,
no brilho frio do seu olhar,
achando que ser forte era suficiente
pra nunca me abandonar.
Mas aprendi que até o mais honrado
pode deixar alguém pra trás…
e que o orgulho de um rei
às vezes fere mais que mil cortes fatais.
Você sorriu como quem vence guerras,
como quem nunca vai cair.
Eu chorei como quem já sabia
que amar você era ruína por vir.
Entre o céu que tudo alcança
e o demônio que só sabe ferir,
eu fiquei no meio —
pequena demais pra fugir.
Se o amor é uma técnica amaldiçoada,
eu a usei contra mim.
E no fim,
nem o infinito me protegeu,
nem o rei das maldições
lutou por mim.
Agora caminho sozinha,
com cicatrizes que ninguém vê…
Porque às vezes o mais forte do mundo
é o que mais sabe
desaparecer.











