ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤㅤㅤㅤㅤ❪❪ ░ ˙˖ ✮ a mente tentava acompanhar o pensamento da outra, porém falhava miseravelmente diante tal tarefa. o olhar fixou-se por um momento na face da mais velha, e céus, sentia falta de ver através de seus outros sentidos que não a visão. leikela não conseguia completamente firmar-se de tal maneira, não era capaz de guiar-se e muito menos se confiar no que enxergava com os olhos que não eram dela.——— e-eu… é isso que eu gostaria de saber. ——— murmurou, mais para si mesma que para a irmã. o que ela lhe falava não fazia sentido, uma vez que tinha certeza de que estava acordada, ou ao menos acreditava que sim, e de que era real, e não apenas uma figura no sonho alheio.——— kaori… ——— o nome foi sussurrado, e leikela sentiu uma falta de ar diante a proximidade a qual estava tão desacostumada vinda da mais velha. seria mesmo um sonho afinal? porque parecia. aquilo não era comum a elas, e tinha ciência disso. talvez fosse seu sonho também? afinal, sempre quisera que o carinho fosse recíproco, e que não houvesse aquele distanciamento. especialmente após o que aconteceu à família. leikela precisava que aquilo fosse real, embora não soubesse se tal coisa pudesse ser. ❫❫
❛ ░ ✰ ˙˖ a reciprocidade existia, no temor do âmago de sakuragi kaori, em algum lugar não esquecido desde o momento em que precisou afastar-se, era inevitável. desde o primeiro encontro a mais alta a inquietou, a princípio o ciúme, a possessão sob a matriarca que era seu único apego tornou impossível a maturidade de uma nova irmandade nascer, esta que nunca surgiu, sobreposta pelo sentimento sujo e inesperado, ainda guardado em algum lugar onde ninguém possa ver a vergonha de kaori. importunar a “irmã” com a rejeição parecia o certo — mas magoava-a de uma forma incompreensível, que no primeiro namoro fracassado de kaori, se esclareceu. queria protegê-la como nos sonhos, mas o segredo não permitia. a castanha tinha o olhar distante, sorumbático, incomodado com a luz que emanava da mais jovem. ❛ ——— não seria ótimo se fosse outro mundo? longe daquela confusão, sonhos sabem exatamente pra onde nos levar. ——— ❜ o enigma fê-la declarar, num sonho, a vontade de estar por perto. era insano, kaori a amava, muito mais que a sua mãe, seu pai, que a si, e por ela precisou deixá-la. uma hora o tempo desapareceria com a ideia de amar e kaori aguardava o tempo consertar o que sua mente já bagunçava há anos. mas pra isso precisava se despedir de leikela, em qualquer mundo. apertava-se no afago daquele abraço enquanto fechava os olhos na tentativa falha de acordar, a voz esquecida sussurrando seu nome, preferia a realidade. ❛ ——— tem algo errado. ——— ❜ desvencilhou-se abruptamente do corpo de outrém, aquilo NÃO podia ser real, mas kaori não acordava, e se preocupava com tamanho enfado que a sua eu do mundo real. ❛ ——— será que a gente consegue sair daqui? ——— ❜ kaori então se tocou, se fosse um sonho leikela já teria desaparecido.