A cena com certeza deveria ser bizarra para quem olhasse de fora. Victor e Katrina, cada um gritando e reclamando que quem gritava era o outro. Uma belíssima confusão que havia surgido por conta de sua irmã mais nova. Naquele momento, quase podia sentir vontade de fechar suas mãos em torno do pescoço de Astoria e esganá-la com todas as suas forças por tê-lo metido naquela confusão. Não poderia ter ido se agarrar com o namorado de Daphne em outro lugar, bem longe dali? “Você está falando, não está? E só usou esse tempo para falar do maldito cigarro, então desperdiçou um tempo valioso procurando ele no chão!” Após as próximas palavras de Katrina, Victor congelou, observando a garota como se ela tivesse lhe dado um tapa. Ele sabia que podia ser um grande idiota na maior parte dos seus dias. Muitas pessoas já haviam lhe dito aquilo diversas vezes, e ele nem sequer se importava com suas opiniões. Mas a forma como Katrina falara lhe fez perder qualquer reação parecida com a que já tivera diante de outras pessoas.
Quando ela passou por ele, a expressão endurecida, pisando firme, visivelmente querendo arrancar algum membro do seu corpo, Victor agarrou seu pulso com a mão livre e a puxou para junto dele. “Por que você está tão irritada com tudo isso? Não sou eu aos beijos com Draco Malfoy, não precisa destilar toda essa raiva para cima de mim, Katrina. Nós vamos para casa sem esses berros todos e vamos conversar com Daphne quando chegarmos… Quer dizer, você vai conversar com Daphne, porque eu não tenho essa intimidade com ela. Mas gritar aqui não vai adiantar nada, a não ser que você queira ir atrás de Astoria e dar uma surra nela no meio da festa. Eu não vou julgar.” Deu de ombros, um sorriso no canto da boca e então soltou o braço de Katrina para recomeçarem a caminhar. “E você pode caminhar do meu lado, sabia? Não é porque estou bêbado que vou te morder ou algo do tipo.”
Katrina não se lembrava, nunca, de seus pés terem pesado tanto. Cada passo que dava parecia fazer o chão abaixo de si estremecer, sentia seus saltos ralarem no chão e não tinha a menor dó. Continuava marchando, com a cara amarrada e sem intenção nenhuma de parar. E não seria Victor e seu aperto que era quase um carinho que seriam capazes de freiá-la. Rapidamente, desvencilhou-se do aperto dele e deu uma cotovelada na região de suas costelas, sem responder à provocação -- Talvez se fosse você aos beijos com ele, eu estaria menos irritada, porque assim você estaria de boca calada -- Katrina respondeu, depois de algum tempo, com os olhos fixos no caminho à sua frente. A resposta havia vindo atrasada, mas tempo o suficiente para que ela não soltasse sua raiva num furacão. Sentiu as feições contraídas suavizarem com a graça sutil de Victor -- Eu gostaria. Acho que seria mais fácil explicar uma Astoria no hospital do que uma Astoria saindo com o Draco nas costas da Daphne -- Katrina suspirou, voltando a carranca de preocupação e deixando visível a importância do assunto, algo que estava sendo disfarçado pela raiva que ela emanava de todos os poros -- Daphne é maluca. Mas não merecia isso -- Adicionou, balançando a cabeça veementemente em negação.
-- Claro que você não vai me morder -- Disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo -- Posso ter muitas coisas de você, mas não tenho medo -- Completou como se fosse a segunda coisa mais óbvia do mundo. Apesar da aparência sempre tão hostil e a cara de poucos amigos, Katrina nunca se sentira ameaçada ou acuada perto de Victor. Ele sempre parecia... Se amansar, perto dela. Katrina atribuía isso ao seu jeitinho pessoal -- Sem contar que você é o maior fracote de Hogwarts, tirando meu irmão. Sua cara não me convence, até Henrietta te derrubaria -- Sorriu cínica, antes de recomeçar a andar, acelerando o passo e por pura afronta encompridando a distância entre os dois novamente.