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@katherine-mr
I’ll be waking up in the morning probably hating myself @Blackiller | Flashback
— Claro que consigo, estou um poço de seriedade. — Respondeu elevando as mãos para ajustar o nó da gravata que estava frouxo para apertá-lo conforme deveria estar. — Assim você chega até a me ofender. Caso eu não estivesse vindo aqui para conversar sobre, você até poderia me chamar de imaturo. Mas, não é o caso. — Complementou ao notar as reações mais do que naturais vindas da mais velha. Ela não matinha um contato ocular diretamente com ele, ela apenas o olhava de forma crítica e rígida. Nem por um momento deixou que os olhos claros cruzassem com os dele, nem mesmo quando ele se aproximara para segurar uma mecha de cabelo desta. E aquilo durara pouco tempo ao responder curtamente ele o deixando vagamente sem reações. A atitude arriscada dele resultara de um movimento bruto vindo da garota de cabelos dourados, que tirou a mão do sonserino em um tapa sobre esta. O sorriso cínico brincava ao lábios da ravina como se fosse a primeira vez que ele tivesse visto aquele gesto.
Ao continuar falando ela não fez com que fosse interrompê-lo, entretanto quando chegara ao ponto importante da conversa e a voz do mais novo cessou ela se fez presente, inicialmente com a voz carregada de deboche. Ele no entanto quando ela começou a falar e mesmo sentindo uma vontade imensa em retruca-la e interrompê-la guardou para si ao máximo, mostrando que sabia esperar a vez de falar. Talvez fosse um gesto maduro escondido dentro dele, mas se ele queria provar alguma coisa para ela teria que não só começar pelas atitudes e sim pelo que diria. — Sim, meu único interesse é você. E está custando um pouco para que você perceba isso, na verdade. E bom, neste caso é melhor que você tenha um pouco mais de fé no que eu digo. — Ao ver de forma que ela era articulada, ele ficou por um momento em silêncio pensando no que poderia dizer. — Anda sendo muito contraditória, sabia? Uma vez que pergunta o que quero da vida e depois diz que isso não tem nada a ver com você. Agora… respondendo a sua adorável pergunta, seria evasivo dizer que o que eu quero se encontra bem em frente a mim? Mas, se preferir algo mais direto… posso resumir que seja você. Só em nome de Merlin não pense que isso é uma brincadeira… — Começou a falar quase desenfreadamente ainda que fosse em tom calma e uma expressão bem séria, uma que era muito raro no rosto do moreno. — Pois não é uma. E eu agradeceria se me dissesse o que raios eu ando fazendo para que fique com isso na cabeça. Não confunda os meus pensamentos outra vez, Miller. Já fez isso com a minha vida e acredito que isso seja danoso o bastante.
O que Regulus advertiu sobre si mesmo, ao que parecia ser algo para uma leve descontração para o momento tão tenso que nutriam, mal causou reação na loira a sua frente; Katherine matinha o olhar sério e de puro desprezo, sem ao menos exibir um mínimo sinal sorriso nos lábios levemente tingidos de um rosa claro. — Não te ofendi?! Que pena. — Respondeu de forma irônica, ainda sem exibir qualquer reação. — Você é imaturo, Regulus, não é uma situação entre mil que vai mudar o que eu penso de você. Ainda mais nesse quesito. — Advertiu-o, mas deixando que o seu tom de voz não fosse tão alto. Ela estava cansada fisicamente e psicologicamente, e mais uma discussão desnecessária com o sonserino não a ajudaria. Aquilo, sem dúvidas, era uma das últimas coisas que a loira precisava para o momento, ela possuía problemas maiores e era possível afirmar com veemência que aquilo não era definitivamente um problema, e nem ao menos deveria ser.
Já não tão interessada no que Regulus dizia, Katherine deixou que seus olhos um pouco maquiados averiguassem o local sem muita pressa, observando que no escuro do corredor as chamas que iluminavam não tão bem o local ressaltavam a irregularidade das pedras na parede. — Você me tirou de um lugar muito interessante para dizer coisas não-interessantes. Parabéns. — Soltou simplesmente, quase ignorando o que o mais novo lhe dissera, o que deveria ser relevante para alguém, mas não para ela. — Como quer que eu tenha um pouco de fé em você? Por no final das contas quem acaba sendo contraditório aqui você. Uma hora está com sua coleguinha de casa e depois está correndo atrás de mim. Diz por aí que não vê a hora de eu me formar, assim não vai me ver nunca mais, mas agora está dizendo o que quer está bem na sua frente. — Respondeu de forma eloquente, deixando que seu ponto de vista fosse bem claro naquela situação. — Acho que não te contaram enquanto você tava no berço, mas se você quer uma coisa... você tem que fazer com que ela aconteça. — Alfinetou, exibindo por fim um sorriso que beirava ao sarcasmo. — Mas tanto faz, você teve seu tempo pra isso e para se explicar e ele acabou. E se baguncei tanto sua vida nem faz sentido estar aqui, acredito que deve saber o caminho de volta para as Masmorras.
Qual o tratamento para os traidores de sangue?
Para traidores de sangue eu não sei, mas para gente babaca conheço alguns.
Se sente em perigo depois disso tudo?
Me sinto incrivelmente em plena paz.
Ainda mais sabendo que uma quantidade considerável de pessoas idiotas desejam minha cabeça em cima da lareira delas, como enfeite. Fora isso estou tranquila.
Nunca foi um de nós!
Talvez eu realmente não seja mesmo. Mas se quer saber, nunca fiz questão de ser.
Se quer que eu seja claro, eu posso ser. Mas, garanto que você não quer que eu fique espalhando o que fica fazendo pelos corredores do castelo.
Se eu perdi o senso do ridículo, você andou perdendo o quê? Além das calças… é claro. Vá curar esse mau humor, você sabe com quem.
Não vou levar isso a uma discussão séria, não vale a pena.
Mas só faz um favor pra mim, cala a boca.
Ah cara… qual o problema? Nunca foi segredo que você curte as estrelas. Deixa de ser mau humorado você é bem melhor do que isso, Carter. Anda com estrelas em excesso na cabeça, huh?
Você realmente perdeu o senso do ridículo, se é que teve algum dia.
Você é uma negação para a sociedade com esses trocadilhos, Ian.
E a Black, hein?
Orgulho é uma qualidade ou defeito?
Vai de situação pra situação. Um pouco de orgulho não faz mal... Um pouco.
Você tem medo do futuro?
Não é como se eu tivesse medo, mas também não é como se eu estivesse totalmente tranquilo sabendo de tudo que pode e vai acontecer daqui para a frente.
Saudadezinha de você, Carter :)
Porque você teria saudade de mim? Mas tudo bem, estou aqui.
She Remains The Same @Blackiller
Depois do estopim da notícia e sem nem ao menos conseguir digerir o café da manhã propriamente ele ainda pensava em uma maneira de encontra-la. Ainda que a cada pensamento que tinha descartava boa parte por serem ideias tolas. O único jeito que se daria para conseguir algum sucesso seria procurar por alguém próxima à ela. Claro que nunca fora uma tarefa fácil, ao lembrar de alguns rostos tentava uma mínima possibilidade de diálogo com algum destes. Em saída do Salão Principal encontrou poucos alunos pelos corredores, o ponto ruivo indicando a quem ele pouco conhecia fora o primeiro a nem pensar em trocar míseras palavras. Nem que o quisesse não era uma pessoa maleável para conseguir a informação. Teria que no caso buscar por uma das amigas de Katherine, que julgava vencer pelo cansaço ou pela lógica de uma inevitável discussão.
Nem por um momento pensou em Mars que seria a primeira a negar tal informação e possivelmente ao não estar sobe o campo de visão dele, depois do acontecido obviamente estaria em proximidade da ravina. Outra possibilidade existente era McKinnon e por não ser da mesma casa que Robards não deveria ou ao menos tardaria um pouco mais em ligar-se a outra. Ainda que tivesse uma ínfima ligação com o irmão mais velho deste, ela ocasionalmente não lhe estenderia simpatia por Regulus. Ele estava certo disso, mais do que qualquer outra coisa. Porém, seguiu em frente ao mirar um pouco mais a esquerda do corredor a figura da grifana.
Depois de quase meia hora de coisas que ele realmente não queria ouvir, ao menos foi o tempo que lhe pareceu escorrer devagar enquanto ele tinha urgência em ir para um local desconhecido até então. Demorou para que McKinnon revelasse a posição de Katherine e mesmo que tivesse levado um pouco da paciência de embora, ao menos conseguira atingir o objetivo. No caso o primeiro deles. O segundo não dependeria só dele mais também como a abordagem que tomaria naquele caso. Rumou até o destino que era o Campo de Quadribol, uma escolha pouco usual ainda que pensasse que ela não escolheria um lugar tão comum como a Torre de Astronomia.
Caminho até o campo debaixo da chuva fina que caia e penetrava no casaco de Regulus que ainda usava o capuz em vão por sentir parte do topo da cabeça molhado e o cabelo minguando. A figura que tanto procurava estava quase ao topo da arquibancada ao ver dele alheia a tudo, até mesmo a chuva. — Não pode ficar o tempo todo aqui. — Concluiu de forma simples mirando o rosto de Katherine, ao notar o cabelo um pouco úmido devido as gotículas de chuva. — Katherine é mesmo o seu nome, ou tem mais algo a saber? — Questionou, não da forma ainda que soa um tanto rude a pergunta. Ele dissera de forma simples, enfim sentando-se ao lado dela.
Uma certa vez, Katherine havia lido em um livro trouxa que quando uma coisa pode dar errado, ela vai dar errado. A loira não levou muito a sério quando a citação foi lida, e nem ao menos refletiu sobre tal. Mas naquele momento, a frase ou lei, se provou verídica. Era isso, algo que havia sido levado e pensado minimamente nos detalhes havia acabado da pior forma. A mãe de Katherine havia sido descoberta em uma das suas missões, colocando a mostra todo seu histórico, status sanguíneo, e sua real família. As consequências não tardariam em bater na porta dos Robards, que talvez não estivessem tão preparados assim para tal acontecimento; o que era um erro, afinal eles não poderiam acreditar que aquilo se sustentaria para sempre. A família dos bruxos de temperamento forte e cabelos claros teriam de ser fortes pra enfrentar os olhares duros, o preconceito que era tão comum na época, e talvez... o pior.
O jornal caiu sobre os pés de Katherine a medida que sua respiração se tornava ofegante e descompassada. Seus olhos estáticos e abismados fitavam o tempo se fechar do outro lado da janela. Irônico. Sentia uma forte tontura e uma péssima sensação percorrer todo o corpo que se tornava fraco a cada segundo que passava. Totalmente em outra frequência, a loira saiu do quarto cambaleando, como se não possuísse força alguma nas pernas. Passava a mão nos cabelos de forma desesperada, a fim de retirar os fios louros sobre o rosto. Andava pelos corredores indo em direção ao campo de quadribol onde poderia ficar um bom tempo fora do campo de visão de qualquer um. O que era confortante, uma vez que sentia os olhares de julgamento a perfurando pouco a pouco cada camada de seu corpo. No meio do trajeto acabou encontrando Marlene, que parecia tão preocupada quanto ela. Sem forças ou sem raciocínio para explicar qualquer coisa, então em meio palavras sem sentidos e passos descoordenados e rápidos, avisou qual seria seu destino.
Como esperado, o lugar aberto estava vazio, a não ser pelo vento que soprava sem pudor, fazendo como que os cabelos loiros dançassem ao ar. Sua cabeça latejava com força, impedindo-a de pensar em algo inteligente ou concreto o bastante. Subiu vagarosamente até o topo da arquibancada, onde se sentou de forma displicente; deixando com que o peso do corpo fosse outro. A respiração continuava alta e sem ritmo, assim como as batidas fortes do coração da garota. A chuva fina não a intimidou. Muito pelo ao contrário, as gotículas de água gelada que caiam pouco a pouco sobre o corpo quente e desesperado de Robards a acalmavam. Jogou a cabeça para trás, fechando os olhos com força, desejando que tudo aquilo fosse um engano, um terrível engano que não causaria problemas a ninguém.
Com os olhos fechados, a alma de Katherine fazia uma espécie de viagem, voltando ao passado, onde as coisas pareciam ser mais simples. Porém tudo parecia um pesadelo. Em meio aos devaneios que pareciam não ter fim, a voz soou de repente, fazendo com que cada pelo do corpo úmido se eriçassem, mas ainda assim o estômago revirasse e um gosto amargo subisse para sua boca quando a voz voltou a soar com a pergunta que mais parecia com um tapa na cara. — A última coisa que eu preciso é de alguém me julgando. — Respondeu com a voz rouca, voltando com a cabeça ao normal e abrindo os olhos sem pressa. Permaneceu olhando para o campo, sem esboçar mínima reação quando o jovem se sentou ao seu lado. Não queria companhia, e Regulus não seria a melhor delas, ainda mais em tais condições.
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Ele prestou claramente atenção no movimento em que os olhos da ravina fizeram, era como se ela não acreditasse no que ele estava dizendo. Talvez realmente estivesse surpresa com tudo aquilo, mas ao julgar o conhecimento que tinha sobre o sonserino não deveria ficar daquele modo tão facilmente. — Um obrigado bastaria, você mesma já disse que não machuca dizer esse tipo de coisa. Aceite o elogio. — Disse inicialmente ignorando a revolta momentânea dela com ele, se fosse de fato ligar para as ações ou caprichos da loira acabaria por fim sem fazer nada, ou até mesmo dizer. — E eu sei exatamente com quem estou falando. Katherine Miller, popularmente conhecida como furacão… ok não tão popular assim. Acredito que tenha mantido esse gracioso apelido em segredo. Embora acredite que ele seja muito verdadeiro, sempre acaba devastando alguma coisa quando passa. — Se ele estava indo longe demais? Ele realmente já não ligava para os termos. Agora ele seguia o jogo cuidadosamente, deixando com que cada peça se movimentasse lentamente, assim como a mão que ia de encontro a uma mecha de cabelo solta rente ao rosto dela. Era um movimento arriscado, mas ao sentir a textura deste entre os dedos, nada mais importava. — Depois de todo esse tempo você ainda reage assim? Francamente, você bem sabe uma ótima maneira de me calar. Por quê não tenta?
Ao assentir brevemente o que ela dissera, esperou pacientemente ou não tanto assim ao ouvir dizer em tom claro suficiente que estava admitindo que o tinha o beijado, só tinha um grande problema em isso tudo. Ela não tinha explicado o porquê e dificilmente daria satisfações a ele, embora ele tivesse de início com o pensamento de descobrir o que a tinha motivado a fazer aquilo, ao poucos ficava mais claro. Ao mesmo modo que nada mais fazia sentido para ele. — Não exatamente, na verdade eu não precisava dizer isso em voz alta. Eu me lembro muito bem o que você fez naquela noite. Embora, não me oponha a ouvir isso outra vez. A grande questão é, por qual motivo? Certamente não é meu charme ou coisa parecida, mas se for eu tenho algumas coisas a lhe dizer. — Refreou ao deixar toda a ira sair pelos lábios escarlate de uma forma que ele mal pudera escutar tudo que ela dissera. — Se quiser podemos ir para a prática e é uma pena. Pois meu único interesse é você. Isso só mostra que no fundo você se importa. Katherine Miller e um desejo desconhecido, talvez Hogwarts desabe sobre mim. — Para ele parecia interessante aquele revolta, o que só mostrava e trazia mais indícios que tinha alguma coisa acontecendo, e não era só com ele.
Katherine só conseguia se questionar o porque de tudo aquilo. Será que a loira merecia mesmo tal sofrimento? Ou melhor dizer, merecia tanta tortura naquele momento? Não, com certeza não. Ela sentia um gosto amargo na boca, como se sentisse o sabor da raiva em meio aos lábios. — Você consegue ser menos tendencioso e levar essa conversa a sério? Ou é muito complicado para você e para seus hormônios isso? — Respondeu, não deixando de lado a provocação, um vez que sentia um imenso prazer em não deixar por menos suas respostas naquela discussão. Seus olhos o fitavam de cima a baixo primeiramente, julgando o Black mais novo. Quando não, preferia não olhar para tal, deixando que os mesmos olhos claros fitassem o nada, visualizando por pouco tempo o teto do corredor. Sempre cheia de razão, a mais nova da família Robards, não suportava ouvir os contra-argumentos vindos de Regulus. Não suportava ouvir os questionamentos dele, como se ela devesse alguma explicação para tal. Talvez devesse, mas não diria nada, seu orgulho era algo grandioso, e ela não o atropelaria simplesmente para responder Regulus. Seu estômago chegava a revirar com as palavras tão certeiras do mais jovem, que não perdiam, um segundo se quer a chance de provocar a loira. — Dispenso, Arcturus. — Respondeu em meio ao sorriso cínico que o sonserino deveria conhecer tão bem, uma vez que ela distribuía o mesmo em quase toda conversa que ela possuía com Regulus.
Não fez menção alguma em interromper o moreno a sua frente quando este se manifestou de forma tão autoritária. Cruzou os braços e permaneceu calada durante aquele curta pausa feita por Regulus antes que ele falasse o que sentia necessidade no momento. O olhar de Katherine sobre ele era crítico, como se duvidasse da capacidade mental de Regulus dizer algo que fosse o suficientemente bom para mudar a mente da loira. — Seu único interesse sou eu?! Ah, claro. — Debochou primeiramente. — Lembra do que eu sempre te disse? Guarde suas palavras pra quem acredita nelas. — Piscou, exibindo um largo sorriso onde os dentes branquíssimos eram exibidos. — Mas tudo bem, vamos falar "sério"... O que você realmente quer da vida, Arcturus? — Questionou gesticulando as mãos, como se estivesse generalizando muitas coisas. — Porque quem fala uma coisa e depois faz outra não deve querer algo muito concreto... Mas tanto faz, o que você faz da sua vida nunca foi e nunca vai ser de respeito a mim.
The blood remains the same {POV}
O tempo parecia fresco, ficando leve conforme o vento soprava sobre o gramado verde e cortado do jardim de Hogwarts. Nada mais era do que um dia normal, onde coisas normais, rotineira e usuais aconteceriam. O bom tempo agraciava as horas corridas do dia, assim como o leve humor - não tão usual assim - de Katherine.
Ainda era cedo quando a loira estava posta em frente ao espelho em seu dormitório, arrumando sem muita pressa a gravata azul e bronzeada em volta do colarinho da camisa branquíssima do uniforme do colégio. Os olhos azuis que eram sempre muito vividos e brilhantes observavam o reflexo do corpo esguio da loira, que por mais que fosse magro era forte o suficiente ara aguentar tanto peso emocional sobre os ombros. Aos dezoito anos, onde seria completamente normal viver sem grandes preocupações, Katherine vivia como alguém que possuía uma corda no pescoço, e qualquer momento de um deslize que nem ao menos fosse seu, o laço em seu pescoço apertaria. Ela vivia com cuidado, tudo o que fosse fazer deveria ser pensado duas vezes, para que assim pudesse ter a certeza que não se prejudicaria, e não colocaria em risco tudo o que sua mãe havia feito até o momento por ela.
Era algo complicado de se pensar, por mais que aquilo fosse tão rídiculo ao seu ver, ter de se "esconder" de outras pessoas somente por conta de seu status sanguíneo, como se aquilo fosse um problema para alguém. Porém aquilo era, infelizmente era. E Mary, como sempre, colocava o bem estar da família acima de qualquer empecilho, e então tudo aquilo começou.
E de repente, as palavras de Gawain invadiram a mente de Katherine. Ela havia feito tudo errado. Exatamente tudo o que ele havia dito para que ela não fizesse. Mas o que ela poderia fazer? Teria ela chegado em um ponto em que não conseguia controlar a própria lógica. Ela estava bem com alguém que não deveria chegar perto, e diga-se de passagem, ela havia chegado perto demais.
Soltou um suspiro imaginando que teria de tomar uma quantidade generosa de café para que ficasse ligada durante o resto do dia. Passou a mão pela nuca, retirando todos os cabelo que ali estavam desarrumados, fazendo com que esses se recaíssem de forma disciplinar sobre os ombros. Porém seu foco foi retirado quando ouviu um piar soar do lado de fora do quarto, junto com um pequeno barulho agudo. Franziu a testa, apertando a visão para que pudesse visualizar com veemência o que acontecia do outro lado da janela. Ela conhecia aquela coruja, era de sua mãe. E no mesmo momento em que a reconheceu sentiu seu estômago embrulhar e a garganta secar. Ela pressentia de alguma forma o que aconteceria, parecia muito óbvio. Com pressa, seguiu até a janela, abrindo-a de forma ágil para que pudesse pegar o que a coruja branca trazia. Retirou do bico da ave um pergaminho enrolado, e no mesmo momento a coruja se foi, voando rapidamente, como se tivesse sido ordenada para aquilo.
As mãos trêmulas desenrolam desenfreadamente o pergaminho, que se revelou em uma edição daquele dia do O Profeta diário em que letras grandes e chamativas davam o título de uma manchete bombástica. " FARSA. AUROR É DESCOBERTA, FINGIMENTO DE STATUS SANGUÍNEO". E como se não fosse o suficiente, logo abaixo uma foto trazia a figura de sua mãe.
Sua respiração havia ficado totalmente descompassada, os braços tremiam sem parar. Tudo havia ido por água a baixo, e aquilo significa consequências ruins, muito ruins. Não conseguia manter o foco na leitura, uma vez que sua mente estava cheia demais para aquilo e o desespero havia tomado conta de si por inteira. O jornal então caiu sobre seus pés, e os olhos arregalados da loira fitavam estáticos a paisagem a fora. Ela via o tempo fechar e o céu escurecer. Em pouco tempo começaria uma forte tempestade.
Já pensou em um mundo sem o Black?
Não penso em coisas referentes a ele. Mas desejo isso faz um bom tempo.