PROJETO SENTINELA // jean & kitty
O clima no Instituto estava coberto por pura tensão. No começo da semana o governo anunciou por meio de uma nota que no dia de hoje daria um pronunciamento sobre as medidas que seriam tomadas contra os tais mutantes. A palavra contra certamente não passou despercebida e logo vários ataques ditos como terroristas começaram a acontecer. Claro que estavam dizendo que era terrorismo, não queriam apavorar a população com algo que ainda não tinham como combater. Sentei-me a mesa do café, somente Charlie e Ororo estavam prontos para comer. - Bom dia. - Fui respondida com bom dia’s que mais pareciam murmúrios, os dois certamente estavam tão nervosos quanto o resto da casa. Peguei um copo de suco e uma torrada, nem o nervosismo era capaz de tirar a minha fome matinal. Na verdade, nada era capaz de tirar fome nenhuma minha. Logan entrou apressado na cozinha. - Hoje é o grande dia. Animados? Tem uma grande chance da nossa vida finalmente se animar. - Suas piadas nunca tinham graça, no geral sempre havia alguém que se sentisse ofendido por elas. Ele abriu a geladeira voltando à fechar sem retirar nada. Ele achava que uma garrafa de cerveja iria se materializar, ou que a água viraria vinho. - Nada irá mudar. Tenho certeza de que o governo tomará medidas razoáveis para ambas as partes. - O otimismo do professor as vezes irritava. Bufei alto antes que pudesse me controlar e recebi uma gargalhada de Wolverine como resposta. Não demorou muito até que os outros aparecessem para comer e o barulho pareceu se multiplicar como fungos. A conversa principal, claro, era sobre o anúncio. - A gente tá é ferrado, cara. - Pude ouvir Evan reclamar para alguém. Se estivesse no meio da conversa, não seria capaz de discordar. Scott não se encontrava entre os colegas, fechei meus olhos e forcei uma força invisível percorrer a escola até que encontrasse por ele. Ele estava na sala, sentado na poltrona e parecia ainda mais ansioso que todos na sala de jantar. Retirei minha louça suja e fui até a televisão que não parava em um canal por mais que poucos segundos. - Sabe, controles remotos não servem para acelerar o tempo, não adianta insistir em apertar os botões. - Brinquei sentando ao seu lado. Passei meus braços pelo pescoço do rapaz e encostei meu lábio no dele. Sem dúvida Scott Summers era minha pessoa favorita no mundo todo. - Só estou preocupado. - Uma ruga se formou em sua testa entre seus olhos, passei meus dedos por elas. - Eu sei, posso sentir. E não gosto de te sentir assim. - Suspirei encostando minha cabeça em seu ombro. - Nosso futuro poderá mudar definitivamente hoje. - Declarou como uma profecia. Concordei com a cabeça, ele havia mesmo conseguido me deixar sem palavras. Em pouco tempo a sala ficou lotada. No geral o Instituto para jovens super dotados (ou Instituto Xavier, como os humanos o conheciam) ficava vazio sábado já que todos tinham compromissos - que incluíam desde aulas extras até baladas com os amigos - mas esse sábado se mostrou diferente. Acreditava que todos, assim como eu, queriam receber a notícia com a família que entenderia e que nos apoiaria… A família X-Men. Segurava na mão de Scott acariciando seu braço, o rapaz estava ainda pior do que a alguns minutos atrás e pelo jeito não pararia de piorar. O senhor governador finalmente apareceu na televisão, metade do seu corpo coberto por um palanque e a outra metade mostrava vestimentas formais - terno e gravata. O silêncio que dominou quando o mesmo começou a falar poderia facilmente ser comparado com o silêncio de um funeral. “Caros cidadãos de Nova York, temos todos uma nova ameaça em comum…. Sabemos que os ativistas em pró da causa mutante tem tentado convencer a todos de que eles não são uma ameaça, que são seres como todos nós de carne e osso. A minha pergunta para esses ativistas é: Quem poderá nos defender deles? O que iremos fazer quando os mutantes que podem controlar nossa mente nos fizer roubar um banco ou pior nos fizer matar? O que faremos quando um deles que podem se transformar em qualquer pessoa se transformar no presidente e coordenar um ataque aéreo que começará uma guerra? O que iremos fazer quando uma garotinha que atravessa paredes entrar em nossa casa sem disparar alarmes e levar tudo? Temos que nos defender antes que eles se tornem mais forte! É por esse motivo que viemos por meio desta apresentar a nova criação dos Estados Unidos das Américas!” Neste momento a cortina que eu nem havia reparado que existia por detrás do homem se abriu revelando um imenso robô. - O que é isso? - Ororo foi a única capaz de falar. A continuação do discurso parecia responder exatamente a essa pergunta. “Este é o projeto sentinela. Elas foram projetadas para reconhecer mutantes de acordo com o DNA de cada um. Essa semana estaremos fazendo um teste em Nova York e se o mesmo der certo, o projeto será aplicado em todo o mundo. Duas sentinelas estarão percorrendo a cidade e capturando todos que forem reconhecidos como não sendo humanos. Não se preocupem! Essas pessoas serão levadas para um estabelecimento onde será feito uma ficha e será colocado um chip em cada um que a partir deste momento irá nos dar o paradeiro exato de tal pessoa. Precisamos manter o controle da situação! As sentinelas estarão nas ruas a partir de segunda-feira, todos os mutantes terão até amanhã para se entregar de livre e espontânea vontade. Volto a repetir que ninguém será ferido. O governo do estado agradece a compreensão.” A imagem do homem desapareceu e no lugar dela vídeos de mutantes em luta começaram a passar. Mutantes matando, mutantes roubando. Não podia dizer até que momento aquelas imagens eram reais ou estavam distorcidas…. Até que não havia mais imagem, estava tudo escuro. Charles havia desligado a televisão.














