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Sem dúvida alguma que Kwan estava demasiado confuso para conseguir entender o que de fato estava se passando consigo, especialmente entender o que seu coração parecia lhe querer dizer a todo e qualquer segundo. Cego, muito provavelmente o corvino o era, pois só um cego para não entender que seu ato impulsivo fora apenas movido pelos seus sentimentos para com a Hanui. Só um cego para não entender que aquele sentimento que ele nutria pela melhor amiga era muito mais que uma simples amizade. Afinal, o Dawson jamais seria babaca ao ponto de estragar uma amizade tão bela como aquela que ele tinha com a mais nova. Ele não era idiota ao ponto de estragar a ligação mais pura que ele conseguira ter em toda a sua vida. Ele não seria tão estúpido ao ponto de perder a única pessoa que nunca o abandonara. Porém, Kwan era demasiado cego para entender que todo aquele sentimento era o sentimento mais puro e sincero que ele poderia nutrir por alguém. Ele era cego demais para entender que amava de verdade a sonserina. Ou talvez ele apenas tivesse medo de realmente voltar a amar alguém. O Dawson sabia perfeitamente a dor que um amor poderia causar, especialmente se não fosse correspondido. E céus, mesmo que ele fosse seguro de si mesmo, o corvino não poderia negar que sempre tinha um certo receio de que a asiática não gostasse dele. Desde que a conhecera que esse medo era algo presente em si, como se a mais nova fosse uma espécie de Deusa, ou rainha que jamais estaria ao seu alcance. Muitos, provavelmente, chamariam aquilo de idiotice, contudo para Kwan Dawson tudo não passava de sua insegurança perante alguém que era perfeito demais aos seus olhos. Com toda a certeza que o beijo trocado no luau apenas viera conturbar ainda mais aquele lado inseguro do asiático, especialmente porque a outra parecia não ter gostado muito da sua atitude. De fato, ela merecia alguém bem melhor do que ele. As íris âmbar do corvino se volataram para aquele delicado rosto assim que ele escutou a voz angelical da garota. E oh céus, como aquela voz o deixava completamente sem chão, completamente a flutuar. — “ Eu sei que elas não podem mudar o que fiz, porém…talvez acho que tu merece saber o que sinto, ou não? ” — ele replicou prontamente sentindo seu coração se partindo em pequenos pedaços. A verdade era que o Dawson já não sabia viver sem aquela menina do seu lado. Ela era uma droga para si, um vício só seu que o deixava completamente louco de amor. A risada debochada que Winter dera fizera Kwan se sentir ainda mais idiota. Ou talvez triste fosse a melhor definição para o seu estado naquele momento. — “ Eu não ‘tou fazendo show de 'vítima’, ok? E isso não ajuda minha fama em coisa nenhuma, 'tá? Eu apenas 'tou sendo sincero contigo. Tu é diferente pra mim, é especial…. ” — tentou explicar, porém o corvino sabia perfeitamente que quando a Hanui estava daquele jeito não valia a pena teimar com a mesma. Winter era uma menina de ideias fixas, especialmente no que se tratava a assuntos do coração. Pelo menos era isso que o coreano conhecia dela. As palavras seguintes da sonserina foram como uma verdadeira faca afiada espetando em seu peito. Seu coração latejava em dor, e o sangue corria em suas veias como se estivesse ardendo de dor. Ele engoliu em seco, e desviou rapidamente o seu olhar pois sentiu seus olhos lacrimejarem suavemente. Era de fato difícil para o menino escutar aquilo da única pessoa que ele pensava que nunca iria dizer tal coisa. — “ E quem falou que eu quero te levar para a droga de uma cama, hum? Quem falou que eu te beijei com esse intuito? C'mon, Winter, tu me conhece, certo? E tu deveria saber perfeitamente que…quando eu falo que tu é especial pra mim é porque tu é mesmo, droga. ” — a mágoa estava presente na voz do asiático, e por mais que soubesse que a outra tinha razões para falar com ele daquele jeito, Kwan se sentia magoado, afinal ela era sua melhor amiga.
Se a culpa realmente matasse, com toda a certeza Kwan Dawson já estaria morto. Porém, uma dúvida continuava presente na mente do corvino. Mesmo que ele esteve ciente dos efeitos de suas atitudes, mesmo que ele conseguisse controlar suas atitudes impulsivas, iria ele não beijar aqueles doces e saborosos lábios com doce de cereja? O corvino tinha plena certeza que haveria amado aquele beijo, mesmo que no fim ele tivesse sido renegado. Ele amara aquele suave toque. Um suave toque que o fez flutuar numa imensidão tal que ele se sentira perdido desde aquele momento. E de fato, o asiático tinha medo do que estava começando a nutrir pela sonserina. Ele tinha medo, pois aquele maldito sentimento lhe parecia forte demais para ser real. Contudo, o que lhe dava mais medo era o fato de que apesar de ser um sentimento completamente puro, ele também era enlouquente. Winter Hanui sem dúvida alguma deixava o coreano de rastos por ela, como uma espécie de vício do qual ele jamais iria se querer livrar. Kwan era viciado na mais nova, e com o tempo longe dela, ele simplesmente se apercebera do quanto a falta da menina lhe deixava o coração totalmente partido. Mas o que poderia ele fazer se sua mente lhe dizia e gritava constantemente que aquele sentimento era um pleno erro? Estaria sua mente errada? O corvino sempre fora um garoto que se deixava levar demais pelas emoções, porém no momento ele se sentia incapaz de se deixar pelas mesmas. As palavras da Hanui nunca haveriam doído tanto no menino como naquele momento. As palavras da mesma pareciam plenas facas afiadas, plenas flechas sendo atiradas contra o corvino, e do qual ele não poderia se defender, afinal ela era quem ele deveria proteger. O Dawson fixou suas íris âmbar naqueles doces olhos que tanto o deixavam perdido, e rapidamente um suspiro se soltou por entre seus lábios. — “ Quero que tu pense o que eu realmente sou, aquilo que eu realmente fui pra ti durante esse tempo todo, porque, droga, eu não mudei. Eu te achei atraente, sim. Não, não é isso. Eu te beijei porque….droga, tu é uma espécie de vício para mim, sabe? E…sinceramente, eu não sei o que se 'tá passando comigo, mas…a verdade é que, eu acho que 'tou começando a sentir algo muito mais forte por ti. Por favor, não diz isso, ok? Tu é importante para mim, sim, e…eu te beijei por isso mesmo. E tu jamais será mais uma, ok? Tu 'tá pensando errado, Win. Eu não sou assim, por favor, acredita em mim. Talvez o fato de eu ter mudado, não? ” — ele arqueou ligeiramente uma de suas sobrancelhas enquanto fitava a mais baixa. Fora inevitável o corvino não sentir lágrimas rolando pela sua face após as duras palavras da asiática. Ele engoliu em seco. — “ Eu…não sou o certo para ti? ” — perguntou num sussurro baixo, se sentindo incapaz de falar naquele momento — “ Tem certeza que me quer longe de ti, Win? ” — se aproximou da sonserina levando um de seus dedos até ao queixo da menina.
A princípio seria bem mais fácil se ela apenas ponderasse um pouco a cerca de toda aquela situação, talvez não precisasse ser tão cruel em suas palavras e nem mesmo tão fria com o corvino que nunca havia lhe trazido uma mágoa sequer anteriormente, muito embora estava magoada com a atitude de Kwan no luau por puro egoísmo e não sobre algo que ele tenha feito que realmente a fizera se sentir desconfortável consigo. Mas Winter era nova demais e ainda que fosse mais madura do que a maioria das garotas de sua idade, fossem bruxas ou não, era complicado para ela lidar com aquela situação e levar como se nada tivesse acontecido considerando que a Hanui havia passado por um momento complicado no passado, cujo este ela fazia o maior esforço para se desapegar. No entanto, era como se todas as vezes que a sonserina o afastasse, Kwan estivesse mais ainda próximo de si, a cada minuto que passava tornava-se pior a sensação de culpa e arrependimento por tê-lo afastado, bem como a forma que estava lhe tratando ao passar daqueles dias depois do acontecido no luau. Ao decorrer daquela interação foi inevitável que Winter não sentisse o próprio coração latejar com o timbre vocal do mais velho, notável era a forma que o mesmo soava tão magoado com suas palavras rígidas e debochadas cujo ela lhe lançava, era doloroso saber que estava magoando uma das pessoas mais importantes para si, mas talvez fosse para ser assim, certo? Desde o início, possivelmente, aquela amizade estava predestinada a ter um fim com destino a cada um seguindo seus caminhos diferente e, de quebra, longe um do outro. “Se eu mereço ou não, isso não interessa porque…” A Hanui engoliu em seco, sabia que estava soando tão maldosa e que, no fundo, não era verdade o que queria dizer, mas era preciso. “… Porque eu não estou interessada em saber como se sente. Você não estava quando, sem permissão, invadiu minha privacidade e me beijou.” Rebateu Winter enquanto balançava a cabeça ligeiramente para os lados expondo, mais uma vez, seu descontentamento com aquilo. Aquele era o problema de querer sempre a verdade: ela doía. “Não é o que parece, sinceramente.” Murmurou após o mesmo cortar a própria explicação. Não negaria que a inquietação dentro de si estava crescendo e se fortalecendo por Kwan ter se interrompido, talvez mais por sua curiosidade em saber o que se passava na cabeça do mais velho ou simplesmente o fato de que ele estava começando a aceitar e respeitar sua decisão em se manter afastado dela, mas a pergunta que não parecia calar-se em sua mente era se o peso de suas palavras o magoaram tanto ao ponto dele perceber que não deveria insistir naquela história ou se apenas foram em vão. Poucos momentos em que Winter realmente se sentia tão tocada com o resquício de empatia que tinha dentro de si que a fazia querer apenas abraçar alguém que estava prestes a chorar, e embora acreditasse que aquela sensação era dada apenas pelo fato de serem amigos, desconfiou que pudesse ser algo além disto. Ele estava tão magoado e era nítido não apenas na forma como o mesmo se expressava como também no olhar e na voz do Dawson, sem sombra de dúvidas, saber que suas palavras duras e cruéis jogadas ao bruxo a fizeram presenciar a fragilidade com a qual ele estava trouxe a Winter um intenso desejo de envolver os braços em volta do mais velho e desculpar-se até que não houvesse mais lágrimas que pudessem descrever o quanto estava arrependida. A Hanui abaixou a cabeça e encarou os próprios pés, sentindo as maças de seu rosto esquentarem com a vergonha que estava de si mesma somada com a culpa, ela sentiu o nó formar-se em sua garganta e se limitou a respondê-lo verbalmente, sabia que iria fraquejar e não queria isso. Não queria que Kwan soubesse o quão fragilizada ela estava se sentindo por vê-lo naquela situação.
Reações exageradas poderia ser considerado um pecado capital na opinião de muitos e a forma como Winter reagira a cerca do beijo era, na pior das hipóteses, até mesmo como de uma garota mimada. No entanto, embora ela tentasse se negar a acreditar, estar em constante vigília para não se permitir cair em outra cilada como a que passara algum tempo atrás era sua prioridade e a menina não poderia se dar o luxo de sair pelos quatro cantos do castelo distribuindo beijos ou carícias como se fosse o comportamento mais normal do mundo, mas também não era como se fosse uma santa da qual nunca havia trocado um beijo aqui ou ali - também não era como se pudesse ser considerada como uma garota vivida -, o problema começava quando a pessoa em questão era Kwan, aquele que ela considerava seu melhor amigo, o indivíduo do qual lhe tocara de forma íntima. Era como se o beijo em si, ainda que pudesse ter sido na maior da inocência e realmente ele tivesse o feito apenas por impulso, tivesse lhe violado de alguma forma, como se todo o tempo em que passou lutando consigo mesma e curando suas mágoas tivessem sido em vão. Como se ela fosse uma espécie de castelo de cartas e ele apenas com um sopro tivesse destruído tudo, mas por que Kwan conseguira com tanta facilidade algo que qualquer outro havia suado muito para tentar acabar e no final apenas falhou miseravelmente? Não seria possível que ela nutrisse algo a mais pelo corvino, estava convicta e ciente do que sentia por ele, logo, era impossível que Winter estivesse tão magoada com tudo aquilo só por medo de ser apenas uma outra conquista no cinto dele, certo? Porque, se fosse o caso, a Hanui sabia que estaria em um problema muito maior do que o esperado. As palavras dele a fizeram ficar estática em seu lugar sem sequer saber o que fazer, por Merlin, era tão complicado compreender o porquê não conseguia permitir que o Dawson se aproximasse e ainda pior saber que estava apenas magoando o garoto. Porém, não seria pior se ela desse uma chance? O que garantia a ambos que não seria uma estrada rente a um poste que os faria bater de cara? Win não sabia e nem mesmo se sentia segura ao ponto de confiar naquela ponte bamba que tornou-se a amizade de ambos, por mais que visse a expressão na face alheia e a forma como o mesmo falava que soava firme e convicta de que o bruxo estava sendo sincero. “Não sou idiota.. E nem estúpida.. Já vi isso acontecer antes, Kwan, e, ok, você pode não ter mudado mas nossa amizade mudou. Eu mudei. Não, não sou vício, nem atraente e o que você está passando é só.. Só uma fase pelo término do seu relacionamento, você deixou alguém que amava para trás e de repente começou a me ver dessa forma? Isso é da sua cabeça e vai passar, não vai se fortalecer, acorde, por favor! Eu já fui, Kwan, quando perceber que não está falando nada com nada, você irá partir para a próxima e o que aconteceu entre nós, assim como nossa amizade, ficará no passado. Você acabou de dizer que não tinha mudado!” A Hanui esbravejou inclinando sua fronte para frente demonstrando sua irritação com aquilo. Mas assim que o efeito de suas palavras lhe fizeram perceber as lágrimas rolando pela face masculina, a bruxa sentiu uma forte pontada dentro de si, o estômago parecia ter revirado e o nó na garganta tornou a incomodá-la, Winter sentiu os próprios olhos lacrimejarem e precisou, mais uma vez, desviar da face do corvino para evitar que o mesmo a visse prestes a chorar. A morena prendeu o lábio inferior e fechou as pálpebras com força assim que ouviu o sussurro do mais velho, Win sentiu o toque dos dedos alheios em seu queixo e o ato em si a fizera voltar o olhar para as íris âmbar do corvino. Ela engoliu em seco e, de modo delicado, retirou a mão dele de perto de si. “Você não é. E eu não sou a certa para você…. Eu estou cansada, nunca é fácil quando você está no meio.” Murmurou enquanto afastava-se lentamente. “Você disse que eu era importante, então, por favor, respeite minha decisão e só… Kwan.. Não me procure mais.” Pediu-o por último, a Hanui encarou-o de soslaio antes de cobrir o próprio corpo com a capa do uniforme e caminhar na direção oposta dele.
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