A cara amassada de Gweyr denunciava exatamente o quanto tinha passado do horário naquela manhã. Havia perdido a primeira aula por ter dormido demais, porém, ainda sim, carregava um belo par de olheiras debaixo de seus olhos; que denunciavam que mesmo assim as horas sobressalentes de descanso não haviam sido suficientes. Tinha perdido a noite graças a brincadeira de ficar treinando as novas dobrações de ar que havia aprendido com Hakon e provavelmente se arrependeria dessa atitude pelo resto do dia. Todavia, os seus pés praticamente se arrastavam pelo corredor a caminho do andar da sua sala de aula quando ela notou a presença de Levi no ambiente. O que o comerciante fazia no instituto? Sequer se lembrava de tê-lo visto nos últimos tempos. Provavelmente, alguma coisa relacionada a criança ao seu lado, não é? Bom, isso não importava. O foco era que o mais velho não tinha culpa nenhuma de sua péssima escolha durante a madrugada, por isso ela se forçou a ser tão agradável quanto sempre. Um sorriso simpático surgiu em seus lábios e a Whitethorn se aproximou do homem e da sua filha, certificando-se de arrumar discretamente o vestido escolhido as pressas. ❛ — Levi, que surpresa te ver por aqui! Mas eu estou ótima, obrigada por perguntar. E você? ❜ cumprimentou de maneira gentil, direcionando posteriormente o olhar para a pequena que se encontrava próxima as pernas do pai, praticamente escondida entre elas. ❛ — Ei, eu acho que não nos conhecemos, não é? ❜ questionou com um tom divertido, passando a segurar a barra do vestido para se abaixar e ficar do tamanho de Louise. ❛ — Como o seu pai disse, eu me chamo Gweyr. E você, princesa? Eu posso saber seu nome? ❜
Agora mais do que nunca, Gweyr parecia com a mãe. Quando menor, enquanto Levi a encontrava na casa do pai adotivo desta para fazerem negócios, era fácil ver que a personalidade alheia vinha como uma figura independente, mas a aparência sempre lembrou-lhe a de Ciyradyl. E atualmente, com aqueles cabelos negros e olhos escuros, é que lhe deixava mais desnorteado com a semelhança entre as duas. A pequena escondida em suas pernas, porém, puxava mais a si. Os cabelos lisos de cor alaranja, ruiva; as pequenas sardas no rosto, pintando a pele alva. Suas duas garotinhas. Ele descansou a mão na cabeça de Louise, acariciando as madeixas escorridas. ‘ --- Eu estou bem, meu anjo. Estaria melhor se esta senhorita aqui tirasse essa carinha emburrada. Parece que estou levando-a para a forca, ao invés de uma aula. ‘ comentou, suspirando baixo. A intenção da mais velha de arrancar um nome de sua ruivinha podia até ser uma das melhores, mas Louise sempre fora tímida demais para iniciar conversas com estranhos. E foi por isso que surpreendeu o pai quando virou o rosto para a outra a respondeu em um tom baixo. ‘ Louise. ‘ podia parecer algo simples e direto, mas era mais do que a pequena tinha falado com qualquer outro ali dentro, tirando ele. ‘ --- Sim... essa é a Louise, e você acabou de presenciar um milagre, Gweyr. Ela não se dá bem com estranhos.’