drink to me only with thine eyes
jaehyuk!!
Sentiu-se um idiota quando o rosto formigou e o sorriso cintilou de maneira diferente. Graças ao elogio que o atingia de maneira desprevenida, o homem ficava um pouco mais bobo, quase que esquecendo da sua persona habitual. A flor ganhou destaque no negro dos fios em contraste ao pálido da pele e naquele momento Jaehyuk pareceu mais um quadro em cores minuciosamente escolhidas para se comunicarem em harmonia. Até mesmo se esqueceu de quem tinha trago as flores para festa, tornando seu coração suavizado ao gesto. Porém, quase como um aviso, todo o seu corpo quis acabar com o momento e se desvencilhar tanto da flor quanto do contato com Liang. Ceder ainda era algo que não fazia com facilidade, muito por conta do medo irracional de ser atravessado e perder-se das coisas que tinha feito prioridade em sua vida. Com delicadeza, mais do que costumava ter, ele retirou a flor de sua orelha e olhou para ela por alguns segundos antes de devolvê-la, colocando atrás da orelha alheia.— Não seja bobo. Você tem muito mais jeito para as flores.— Olhou-o com as pétalas vermelhas perfeitamente encaixando-se com os seus trejeitos. Ambos dotavam de uma beleza notável mas significados profundos.— Viu? Esta é quase uma parte sua que faltava.— Teve a vontade mas não o acariciou nas bochechas ou prolongou o contato, recolhendo a mão de volta ao colo do mais novo e deixando-a pesar. Era o sentir-se diferente que claramente incomodava e fazia suas ações cintilarem entre o próximo e o distante, o que tocava com gentileza e o que se afastava bruscamente. Uma risada foi contida e ela trouxe à tona seu olhar brincalhão para o outro.— Cassiopeia é legal mas você não acha muito longo? Imagina dar bronca na sua filha e ter que falar quase um quilômetro.— Deu ênfase rindo mais ao final, o álcool fazendo com que aquele tipo de besteira saísse e o deixasse risonho. Nada disse sobre seu nome em uma estrela, acreditando ser apenas uma brincadeira e focando em sair daquele estado de felicidade que estampava seu rosto. O momento perfeito foi quando encontrou os olhos duvidosos em cima de si.— Não estou discordando, só acho que outra coisa vinda da natureza deveria ganhar o título de mais bonita para se observar, ao menos agora está sendo.— As palavras soaram suaves, um acariciar ao outro sem usar suas próprias mãos e o olhar nem mesmo ousou desviar. Caso o chinês não tivesse entendido antes, teria tornado explícito com seus atos que falava sobre ele e sua beleza. Mais uma vez cedeu ao contato que trazia para perto.
Tendo o rosto de traços suaves em sua mão e tão próximo que podia sentir a energia em forma de calor que passava de um para o outro, foi a vez do oposto, afastando-se no exato momento que teve a vontade de avançar, findando qualquer distância que tinham. A reação do outro foi o que precisou como ajuda, onde mesmo tendo as bochechas claramente vermelhas, como a flor adornando o rosto, se afastou em um ato de clara vergonha. O corpo dele falava e Jaehyuk teve a capacidade de escutá-lo, um acanhar que foi interpretado como vontade reprimida, fazendo o mais velho ter sua vontade alimentada, contudo, a guardaria para um outro momento. Um sorrir ladino inconscientemente surgiu e se desfez com a mesma facilidade quando o miado fino fez o ouvido ficar atento.— Oh, é mesmo um…? — Sem delongas seguiu o Wen até onde estava a criatura tão pequena que poderia caber na palma de sua mão. Queria também tocar o bichano e dar-lhe carinho mas ficou apenas de longe, ainda com a mão nos bolsos, observando. De certo não sabia definir o que naquela cena era mais fofo.— É uma fêmea, que preciosa!— Sorriu e se aproximou com o rosto do animal que miava dentro da roupa.— Mas ainda acho um nome muito grande, porque não tenta Lili? Combina com vocês dois.— Depois de voltar o olhar e o sorriso para o mais novo, ele se afastou, seguindo para o carro.— Pode trazer. Tem ração extra em casa, vamos pedir para viagem e alimentar ela, hm? — Disse abrindo a porta para que ele pudesse entrar com a gata.
A barraca de comida de rua realmente não ficava longe, cinco minutos dentro do carro e tinha à sua frente uma lista infinita de porcarias que poderia pedir para comer junto ao chinês.— Pode ficar aqui dentro com ela, não vou demorar.— Até o momento não tinha tocado na gata, nem que a vontade realmente pedisse para fazê-lo e a situação permitisse. Gostava muito do animal em questão e, sabendo que não ficaria com o mesmo, preferiu não oferecer carinho para depois ter que deixá-lo ir, uma prevenção de quem sabia que não conseguiria realmente deixá-la ir. Os pedidos, depois que saiu do carro, foram feitos e atendidos de imediato e ele voltou para dentro com as duas embalagens grandes contendo jajangmyeon.— Parece estar bom… Pelo menos o cheiro.— Abriu uma delas, o carro já havia dado partida, indo em direção à casa do outro e o espaço era grande o suficiente para ficassem confortavelmente acomodados sem ter que tomar conta da embalagem remanescente. Estava com fome, admitia, e por isso foi logo pegando um pouco para si, provando daquele tipo de comida que não era comum em seu cotidiano refinado. Depois de constatar que estar realmente muito bom, ele separou uma parte com o hashi e levou até o outro.— Toma.— Foi simples na sua colocação, sem perguntar se o mais novo queria ou tinha algum problema em ser alimentado daquela maneira. Apenas segurou a comida próximo e esperou que abrisse a boca.
Era engraçado, em uma perspective humorística dotada de tons pesados e obscuros, como sentir seu próprio coração batendo agitado contra suas costelas não lhe parecia uma maldição naquela fração de momento que compartilhava com o mais velho. Tão acostumado em ter seu peitoral lhe servindo ambiguamente como escudo e gaiola, era quase como se estivesse inserido em um cenário irreal, um mero capricho que seu psicológico ainda parecia nutrir. Ali, com sua cabeça apoiada no ombro de Jaehyuk, o mundo parecia mais gentil do que de fato era — e, ainda que sua própria mente lhe alertasse que aquele era o tipo de ilusão mais perigosa, a calmaria que se instalou em seu âmago bastou para convencê-lo a permanecer ao lado do moreno. Colocou seu dedo ferido entre seus lábios, em uma tentativa de fazer o ferimento cicatrizar mais rapidamente com sua saliva, seus olhos ainda perdidos entre as estrelas, vasculhando em busca de algum significado para todo o universo que parecia se expandir dentro de si. Já piscava de maneira lenta, suas pálpebras pesando, quando endireitou sua coluna devido ao afastamento do corpo de Jaehyuk.— Acredito que pessoas como nós são obrigadas a terem sua alma composta por flores, não? As pétalas são bonitas, mas o cerne é feito de espinhos.— Não era intencional de sua parte deixar que análises como aquelas escapassem sem qualquer aviso prévio, mas era o que acontecia quando sua boca se libertava de suas amarras psicológicas.— H u h... O quão estúpido é pensar assim e continuar a ter rosas como o único amor de sua vida?— A pergunta fora feita para ninguém em especial, seus pensamentos divagando enquanto uma de suas mãos voltara a tocar na rosa por trás de sua orelha, um sorriso singelo brotando em sua expressão. Embora negasse tal fato até sua morte, ainda se pegava sonhando com um dia que já não teria cantos afiados e pontiagudos dentro de si. Seu sorriso permaneceu congelado em sua boca por mais alguns minutos, preso naquele conto de fadas fadado à uma morte rápida, seus olhos atraídos para a mão que continuava a repousar em seu colo. Riu da fala travessa do mais velho, seus olhos finalmente se comprimindo enquanto seus dedos traçavam um caminho imaginário que levava até a mão alheia.— Não seria muito bom em dar broncas nas minhas crianças.— Havia uma fragilidade que reluzia como cristal em suas palavras, impossível de não ser notada, o brilho em seu olhar tão manso que nem parecia ser a mesma pessoa tão crua em seus pessimismos.— Seriam as coisas mais puras do mundo, não? Como todas as crianças são. Acho que olharia para ela e lembraria das estrelas, e então iria esquecer-me do porquê ter ficado bravo em primeiro lugar. O amor é assim, não é?— E voltou os olhos para Jaehyuk, como se ele pudesse ter as respostas que queria tanto ouvir. A atenção que dedicava a cada um com quem conversava conseguia ser desconcertante, e Liang poderia ser definido como alguém que observava demais. Embora não fosse experiente com flertes, e nem sequer gostasse deles, era impossível não entender o que estava sendo dito para si naquele momento. Sua boca se abriu levemente em surpresa, logo se fechando enquanto seu olhar era desviado para a direção contrária a qual a figura do coreano se encontrava. Se fosse questionado sobre, diria que o rubor era mera consequência do vento gelado em seu rosto.
Suas ações entregavam a timidez que lhe possuíra sem qualquer aviso prévio, mas sua própria mente lhe castigava por permitir-se ser afetado de forma tão grande pela proximidade com o outro homem. Sabia que seu coração ansiava por contato, a carência lhe arranhando as paredes internas de forma incessante, mas tinha noção dos limites que cercavam a si mesmo. Deixou que suas atenções fossem transferidas de forma integral para a gata, seu amor pelos animais superando qualquer perturbação mental que lhe castigasse no momento.— Ela é tão pequenininha. Olhe bem pra você, hm? É um bebê. Meu bebê. Eu vou cuidar de você, hm? — Embora suas falas, por vezes se perdendo em um tom mais infantil e até mesmo fofo, fosse direcionada ao gatinho, a proximidade de Jaehyuk permitia que ele o ouvisse. Era surpreendente como até mesmo animais de rua pareciam ter certo gosto pelo chinês, deixando que tomasse conta deles sem mostrar qualquer tipo de resistência. A gata já parecia ter encontrado uma posição favorável para descansar dentro de suas roupas, e Liang já podia ouvi-la ronronando.— Ela é tão quietinha... Deve estar cansada.— Murmurou para o outro, distraído enquanto acariciava os pelos ainda visíveis. Seguiu Jaehyuk em silêncio, até mesmo tropeçando em algum momento, preocupado em deixar o bichano aquecido. Agradeceu com a cabeça quando ele deu espaço para que entrasse no veículo, beijando diversas vezes o topo da cabeça da gata.— Viu só? Vamos cuidar de você.— Confortou-a, seus olhos logo se voltando para observar o moreno.— Obrigado por isso. E, hm... Poderíamos só chamá-la de Cassie... Ou Cas. Mas Lily também é um bom nome.— Refletiu em voz alta, sua voz logo alterando-se enquanto perguntava inutilmente ao filhote como preferiria ser chamado.
A viagem de carro foi curta, mas o chinês sequer prestava atenção naquilo. Acenou positivamente com a cabeça assim que Jaehyuk saiu do carro, direcionando um sorriso sincero de agradecimento para este. Lutava contra o sono enquanto mimava a gata com carinhos, murmurando frases afetuosas para ela de vez em quando. Nem sequer percebeu o tempo passar e, ainda que estivesse de estômago vazio, o cheiro de comida que vinha da barraca não era suficiente para fazer com que o rapaz desviasse sua atenção do animal que tinha nos braços. Havia descansado seu queixo no topo da cabeça do gato, escutando-a ronronar no silêncio do carro, quando Jaehyuk voltou com as sacolas de comida.— Obrigado pela refeição.— Murmurou, ainda que nem tivesse experimentado. Um sorriso pingando cansaço apareceu em sua expressão, mas não negaria que era divertido ver o grande empresário afogando-se daquele jeito ao comer. Era adorável, de certa forma. Por não ter muitas forças para discutir ao ser tratado quase como uma criança, apenas abriu a boca e deixou-se ser alimentado, mastigando lentamente para apreciar o gosto. Um grunhido de satisfação escapou porém ele já estava sonolento demais para sentir-se envergonhado.— Está realmente muito bom.— Concordou com veemência, seu corpo todo agradecendo por finalmente obter algum nutriente.— Parece que não como há dias... — Murmurou sem nem perceber.












