O corpo não respondia e mesmo de olhos fechados, Arizona já sentia o pânico tomar conta de si. Sentia dores por todos os lugares, porém a perna se fazia pior que todo o resto, tinha medo de abrir os olhos e ver algo que a pudesse fazer gritar. Levou as mãos até sua cabeça, tentando tatear para ver se achava alguma lesão, porém nada achou além de alguns pequenos ferimentos que provavelmente cicatrizariam por conta própria. Finalmente, os olhos se abriram lentamente encarando as arvores a sua frente, em meio as mesmas, Robbins conseguia ver partes do avião e algumas pessoas que haviam voado com ela, porém, pelo trauma que havia sofrido, não lembrava o nome de ninguém, por mais que reconhecesse os rostos. Olhou para o lado, suspirando profundamente antes de checar a perna, passando a mão pela mesma, constatando por fim o osso exposto. Os olhos azuis, marejados naquele ponto, desceram o olhar em direção a perna e então, Arizona subiu o tecido de sua saia rosa, tendo uma melhor visualização do ferimento exposto. Sua tendência era gritar, gritar o mais alto que podia, pois a dor era insuportável, porém, a mesma apenas engoliu seu grito e começou a chorar de forma silenciosa.
O corpo finamente despertara, a dor se fizera tão imensa que os olhos foram compelidos a se abrirem, procurando por ajuda. Mas antes de qualquer pensamento, as mãos tatearam o chão coberto por folhas, tentando se locomover mesmo que fosse para se arrastar ali. ━Nat… Natasha, Natasha… ━ Ela balbuciava quase sem voz alguma, ignorando o grande pedaço de aço cilíndrico que estava alojado em seu peito naquele momento. Havia sangue em seus lábios, porém, nem mesmo por um instante, ela parou para pensar o porque de aquilo estar acontecendo, afinal, não era para estar machucada, pelo menos em tese. Como já era de se esperar, Emanuelle não conseguira se mover muito, trazendo para a superfície de seu ser o sentimento de fracasso, ao passo que ela bateu suas mãos contra o chão, praguejando a si mesma. ━Natasha… ━ Por fim, a mesma se deitou de barriga para cima, sucumbindo a dor intensa que sentia. Os olhos castanhos fitaram o céu acima de si e ela então levantou seu braço com dificuldade, até que sua mão tampasse seu rosto. Movimentou os dedos com dificuldade, até que seu dedo médio fosse o único a ser mostrado e ela então sorriu. ━Fuck you, you shitty god!
Matthew estava imóvel como um cadáver, e somente seu peito descia e subia, tão lentamente que, novamente, assemelhava-se a um cadáver. A têmpora esquerda, que atingira um galho de uma das várias árvores próximas, lhe fizera o favor de tirar a consciência, de forma a não ver sua queda e seu destino em seguida. Àquela altura, era muito difícil que o francês de deixasse abater por qualquer desgraça que acontecesse em sua vida, relacionado a qualquer coisa do resort. Tudo era rotina, e não podia mentir, parte sua dizia que alguma coisa daria errado naquele simples acampamento. Querendo ou não, estava condicionado a sempre pensar o lado negativo das coisas, mesmo que não o compartilhasse com os demais. Afinal, não era conhecido por ser pessimista com as pessoas, mas às vezes, era difícil se convencer de que tudo daria certo. Na queda do avião, caíra de bruços, e por cima de si, várias das estacas de sustentação de algumas barracas caíram, prendendo-o ao chão e atingindo órgãos vitais e não vitais. Únicas duas estacas que prendiam a barraca no chão prendiam agora uma de suas mãos, e uma de suas coxas firmemente na terra abaixo de si. ━ Xingar ele não vai resolver muito, Manu... ━ Talvez a morena não fosse entender muito bem o que dissera, pois uma das estacas caíra em sua bochecha, ficando entre o maxilar superior e inferior, acima da língua - mas sem atingi-la - impedindo-o de falar propriamente. Percebera toda movimentação da amiga próxima de si, mas mantivera-se em silêncio até certo ponto, temeroso de que sua fala não fosse ser ouvida. Podia sentir o calor do sangue abaixo de si, vindo da poça que se formara, manchando as folhas e a grama.