Será que era só uma questão de timing?
Sabe aquela frase 'quando você menos esperar, vai acontecer'? Acho que, pela primeira vez, talvez, eu tenha sentido um pouco desse gostinho esses dias, porque ainda que eu estivesse esperando por algo do universo, eu com certeza não esperava mais nada dele, especificamente.
Nosso encontro aconteceu no meio da rua. Eu estava imersa na despedida de uma grande amiga, então o cumprimentei muito rapidamente, quase com indiferença, e segui andando. E agi assim, porque além de estar com a atenção voltada para outra coisa, o 'capítulo' dele estava bem encerrado dentro de mim, eu tinha o guardado como uma boa história e um símbolo de que existem homens sensíveis por aí (ainda que ok, ele seja capricorniano).
E desse oi despretensioso, surgiu uma mensagem dele, poucos minutos depois. A mensagem dizia que ele tinha muito feliz em me ver e que estava surpreso que já haviam se passado 4 anos do nosso encontro. Eu, ainda indiferente, respondi que também fiquei surpresa ao pensar nos anos que se passaram e, logo em seguida, ele já emendou a conversa em um convite: "pode parecer aleatório, mas queria saber se você toparia sair um dia desses para me contar como foram os últimos anos". Eu disse que sim, afinal não tinha 'nada a perder' reencontrando-o e ele tinha deixado uma boa impressão. Em seguida, ele me enviou o dia, local e horário. Bem decidido, um cara com atitude. Gostei.
Mas o engraçado foi que, ainda que ele tivesse deixado essa boa impressão, ter sido uma passagem especial assim, eu não tinha ficado empolgada com o convite, fiquei neutra. A sensação é como se ele tivesse se tornado uma folha em branco, assim como a nossa história. Me vi sem expectativas, sem querer imaginar o que poderia surgir ou não daquele encontro. Até que eu sonhei com ele... Sim, meu inconsciente não se conformou com essa sensação e veio bater na minha consciência. Um sonho cheio de significados e simbologias, que me mostrou os receios que eu estava em reencontrá-lo e mais que isso, que me lembrou o porquê eu tinha um dia me interessado por ele.
Nos encontramos então no sábado a noite no bar de um amigo dele. Percebi que ele ficou tímido ao me ver... Parecia nervoso, sabe? E, eu que estava tranquila, confesso que fiquei também, um pouco descocertada. Acho que o nosso receio, talvez medo, no fim estava conectado com a lembrança do nosso primeiro: intenso e muito verdadeiro. Nos sentamo e pedimos um drink pra quebrar o gelo. E logo de cara, ele já começou a me atualizar da sua vida, a me contar o que tinham acontecido nos últimos 4 anos. E ah, eu já tinha uma prévia bem interessante: ele me disse que sua alma de surfista, vivia no corpo de um 'meinzinho da xp', o que contrariava o que tinha dito no passado sobre largar o mercado financeiro. Porém, para mim, esse parece o melhor dos mundos.
Conversamos sobre essas mudanças de carreira, sobre o papel que Deus teve nesse emprego da XP e em como ele havia ressignificado essa relação, que estava se espiritualizando mais e frequentando cultos - algo que eu não esperava ouvir dele, afinal a gente se conheceu na meditação, e esses cultos, igrejas evangélicas qe ele mencionou frequentar, vão na contra mão disso. Por conta dessa revelação inclusive, que passamos um bom tempo debatendo sobre o que acreditávamos, sobre nossas crenças, visões sobre religião e espiritualidade. Foram papos muito profundos e filosóficos, que nós trocamos de forma muito respeitosa e empática.
Depois, é claro, ele quis saber como haviam sido esses anos para mim, o que tinha acontecido na minha vida durante todo esse tempo. E, eu não sei explicar, mas eu me senti muito nua e sem filtro na hora de falar. Ao ponto que, quando ele falou da igreja Evangélica, eu me abri e disse que estava um pouco traumatizada com essas radicalidades religiosas e assim, contei sobre o Opus Dei, minha última decepção amorosa. E antes, comentei sobre a guia que disse que não poderia ter filhos... Algo muito íntimo. Sem falar que eu tive coragem de contar do livro e confessar que ele tinha um capítulo. Parecia que o medo do julgamento tinha se esvaido dali e que, de alguma forma, eu estivesse me sentindo vista e acolhida.
E, depois de alguns drinks e entradas, de muitos desses papos cabeça, eu perguntei para ele o que tinha feito com que ele me chamasse para sair, ou melhor, o porquê dele ter feito esse convite. A resposta me deixou em completo choque... Talvez até agora eu esteja surpresa na verdade, porque, por alguns instantes, eu chego a duvidar e me questionar se ele disse isso mesmo de fato. Enfim... Ele começou pedindo desculpas pelo sumiço após nosso primeiro encontro, admitindo que não tinha tido a melhor postura comigo. Eu o interrompi, porque eu me lembrava dele ter sido honesto comigo, me dizendo que estava envolvido sentimentalmente com outra pessoa e que não queria ser desrespeitoso com nenhuma das duas. E foi ai que ele disse: Olhando para trás, acho que mais do que essa menina, eu não tinha a maturidade e a profundidade para sair comigo. Desse jeito assim.
E de fato, naquela época ele era um menino de 24 anos e eu uma mulher de 28. Ele estava passando por uma fase de descobertas, enquanto eu estava passando pelo momento do meu 'encontro comigo mesmo', no fim de uma etapa que ele estava apenas começando. Já hoje, estamos em momentos muito diferentes, em fases de vida mais 'próximas', mesmo com a diferença de idade continuando a mesma, é claro. Então... O que me surpreendeu não foi a resposta em si, mas isso sair da boca dele, porque ainda que eu tivesse essa consciência, ninguém nunca tinha me dito isso, nunca tinha deixado claro, em outras palavras: 'não é que você não era suficiente, eu que não tinha o bastante'.
Momentos depois, ele me surpreendeu mais uma vez, dizendo oura coisa que eu sempre quis ouvir: 'Não sei aonde isso vai dar, mas eu quero descobrir. Eu quero isso que a gente ta tendo hoje, essa troca sincera..." e disse também que tínhamos química. Eu interpretei essa fala, em outras palavras, como: "quero te conhecer, ver se a gente tem futuro, porque vejo potencial aqui". Faz sentido? E digo isso porque durante todo o encontro ele me pareceu muito sincero, se colocando vulnerável em diversos momentos, parecia comprometido.
Então, não consigo acreditar que foram palavras jogadas ao vento, de quem me queria por uma noite.E é isso. As duas falas seguidas me surpreenderam porque mexeram profundamente com as minhas feridas emocionais. Eu estava me sentindo vista, valorizada, suficiente. Ele demonstrava, a cada palavra, que estava interessado em mim, no meu eu inteiro, não na casca, mas na profundidade que eu carrego. E sinto isso por acreditar que abrimos muito nossos corações naquele noite, fizemos confissões um para o outro.
E depois de toda essa vulnerabilidade, veio o segundo convite: ele perguntou se eu aceitaria dormir com ele naquele noite. Ele me disse que queria ter mais tempo comigo, que não queria que nossa noite terminasse ali. E eu também, eu também não queria. E, ainda que o convite não tivesse tido um tom sexual, no fundo, a gente estava sentindo uma tensão no ar e acho que os dois queriam confirmar também se, além da química intelectual que a gente confirmou que ainda tem, se a gente ainda tinha também química sexual que tivemos no passado. Há 4 anos atrás, a noite que passamos juntos foi muito intensa, bem marcante.
E aí ele pagou a conta do bar e em seguida, a diária do hotel. E estou pontuando isso porque sim, esse jeito cavalheiro, de provedor, principalmente no primeiro encontro, faz parte da minha checklist. Eu posso ser financeiramente independente, feminista e coisa e tal, mas acredito que o homem precisa fazer com que eu me sinta protegida e cuidada e, para mim, parte disso se relaciona com a segurança material que ele passa. Então sim, além de me sentir vista, valorizada... Eu também me senti cuidada e protegida. Não à toa, a consequência disso, foi um sexo muito envolvente.
Observei diversas vezes, enquanto transávemos, ele querendo entender se eu estava curtindo, ou seja, se preocupando com o meu prazer também, não só com o dele. E ele transou segurando as minhas mãos, olhando nos meus olhos... Parecia que ele buscava pela nossa conexão, que no fim, traz ainda mais prazer para aquele momento. E assim, eu fiz poças e poças de água no lençol. Algo que eu não lembro qual foi a última vez que aconteceu. E sei que só foi possível isso, porque eu me senti segura para sentir, para ser eu. De todas as formas.
Dormimos juntos, começando a noite bem abraçados. Acordamos e aos poucos, fomos nos aproximando, nos acariciando por fim, unindo os nossos corpos mais uma vez. Mais uma sequênci imensa de prazer. Tomamos banho e, ainda de toalha enrolada, deitamos na cama e passamos mais algumas boas horas conversando sobre as nossas vidas. E, entre uma conversa e outra, a gente descobriu que somos vizinhos, que moramos há menos de 1km um do outro. Coincidência ou talvez outra coisa? Não sei dizer. Descemos então para o café da manhã do hotel - uma das minhas top coisas preferidas da vida - e seguimos filosofando.
Entre conversas sobre nós, Deus, espiritualidade, e alguns pães na chapa e pães de queijo, nós ficamos comentando sobre a mesa do lado, que era de uma família de italianos que estava na mesa do lado. É como se, ao mesmo tempo que a gente conseguisse encontrar muita profundidade, a gente também conseguiss manter a leveza de um encontro casual. Uma química intelectual, como eu disse antes. Enfim... Terminamos o café e fomos embora juntos, afinal ne, somos vizinhos. Paguei pelo uber, porque tudo tem limite, ele já tinha gastado muito comigo.
Chegando em casa, 2 minutos depois, ele me mandou mensagem avisando: 'cheguei'. E me disse 'fomos para lua e voltamos', fazendo referência a frase que ele mesmo me disse no nosso primeiro encontro anos atrás. Nos falamos ao longo do dia, de forma mais pontual e... E agora não sei se puxo assunto ou se deixo com que ele venha até mim, porque ainda que ele tenha sido o último a falar, não ficou nada para responder ou puxar assunto.
É doido... Ainda que tenha sido tudo uma delícia, não sinto fogos de artíficio, nem frio na barriga, nada que me tire do eixo. Não sinto nenhum feeling do tipo 'hm é ele'. Mas... Mas e se o amor de verdade for para ser assim? Chegar sorrateiro, parecer conhecido, provocar a tranquilidade?
Veremos as cenas dos próximos capítulos. Aguardem.