{flashback, 1971} why did everything suddenly just change? | pandora and xenophillius·
pandora-tugwood·:
Passar as férias de verão em casa tornou-se um martírio desde a morte do seu pai e tornava-se cada vez mais difícil estabelecer uma relação tranquila com sua mãe. Sem o marido, a mulher parecia colocar todas as expectativas em cima da única filha e exigia que ela se tornasse cada vez mais parecida com ela mesma. Aos quinze anos de idade, no auge da sua adolescência, Pandora não tornava as coisas fáceis para a mãe. A cada ano que passava, tinha mais certeza de que não tinha o menor interesse de herdar o negócio da poções embelezantes da família - em parte porque as achava fúteis e bobas, em parte porque dizer isso em voz alta irritava sua mãe. Ela queria seguir os passos do pai e se tornar uma pesquisadora de feitiços, quem sabe continuar a própria pesquisa que o homem deixaram para trás após a trágica morte. Sua única motivação em passar as férias em casa era a possibilidade de revirar as caixas com os pertences do pai, esquecidas no sótão. Contudo, aquele tinha sido um ano diferente e sua mãe se distanciava cada vez mais, para sua felicidade. O cérebro astuto de Pandora tinha entendido que a mulher estava envolvida com um novo alguém e, apesar disso chatear a menina, ela estava feliz por ter menos pressão em cima de si. Sua mãe era uma mulher que gostava de cerimônias e gestos grandiosos, então Pandora sabia que eventualmente haveria um anúncio sobre o seu novo relacionamento. Ela só não esperava que fosse daquele jeito.
Sentada na grande mesa de jantar, não sabia exatamente o que dizer e o que fazer com suas próprias mãos. O namorado misterioso da sua mãe não era apenas um homem qualquer, era pai de Xenophillius Lovegood, um dos colegas de Hogwarts de quem Pandora menos gostava. Sua mãe tinha os convidado para um jantar onde contariam aos filhos que estavam num relacionamento e que de agora em diante passariam mais tempos juntos nos feriados e fins de semana. — You got to be kidding me. — Falou baixinho consigo mesma, espetando a carne no seu prato com mais força do que o necessário. Lovegood era o garoto mais esquisito do seu ano, talvez da Ravenclaw inteira - coisa que era um grande feito, visto que os ravinos eram geralmente excêntricos. Ao contrário dela, que gostava de fatos reais e concretos, Xenophillius estava sempre envolvido em discussões sem fundamento sobre bobagens que não valiam o seu precioso tempo. Pandora sabia que o garoto nunca tinha de fato lhe dado motivos para odiá-lo, mas era uma questão de personalidades que não combinavam; eles eram diametralmente opostos. Sua mãe ficou encantada em saber que já se conheciam e estudavam juntos, assumindo que naturalmente já eram amigos. A garota teve que fazer muita força para não explodir durante todo o jantar e quando pensou que estava quase conseguindo, sua adorável mãe pediu que mostrasse a biblioteca para Xenophillius. “Acho que ele vai gostar tanto quanto você, Panda”. Pandora revirou os olhos com a menção do seu apelido de infância e levantou à contra gosto da mesa. — Por aqui. — Disse, subindo as escadas sem esperar pelo garoto. Quando estavam sozinhos no aposento, ela finalmente pôde relaxar. — Você sabia? Por que não me contou que agora somos quase irmãos? — Ela sabia que estava sendo injusta com Xenophillius. Como ele poderia lhe contar qualquer coisa se ela sequer o olhava no rosto?
Parte do ravino estava feliz em ver que o pai tinha conseguido ir em frente, encontrar um novo amor. Embora, em partes soubesse que isso tornasse um pouco a situação complicada com a outra parte da família que se formava. Sendo a mulher com o que o pai teria se encantado alguém com uma filha também em Hogwarts. Para ser preciso, do mesmo ano e casa de Xenophilius. Não eram exatamente próximos ou até mesmo cordiais um com o outro, ao menos não da parte de Pandora. E isso tinha ficado ainda mais claro enquanto os pais de ambos contavam da novidade deixando o ambiente um tanto quanto pesado entre os dois ravinos. O loiro não era cego e sentia vibrações vindo da mesma que o mantinha muito informado de quando não era bem-vindo. Não era exatamente uma novidade em grande parte para ele, que apenas assentiu acompanhando a outra que iria ao mostrar a biblioteca.
Seguiu o caminho, mas não de forma tão apressada quanto a loira a frente e quando fechou a porta atrás de si, ouviu a voz que até então parecia não existir durante todo o jantar. A ligeira confusão tomou o rosto de Lovegood que franziu o cenho antes de formular qualquer palavra. — Sabia em partes. Sem quem é a sua mãe e o seu nome, logo foi fácil de deduzir que as chances de existirem pessoas diferentes com o mesmo nome e sobrenome seriam... limitadas. — Disse de forma bastante lógica, ainda ponderando como ela se questionava porque não ter contado a ela. Imaginava que talvez a mãe não tinha uma relação tão estreita quando a que ele tinha com o pai. Ou até mesmo, ser tão observadora quanto ele.
— Nunca me pareceu um relevante. — Disse fazendo uma breve pausa para ajeitar uma mecha de cabelo para detrás da orelha. — Não trocamos sequer palavras em Hogwarts... seria um tanto estranho jogar esse tipo de informação, não acha? — Questionou de forma quase retórica. — Sinto muito pelo ocorrido, quando tiver qualquer outra informação... irei contar-lhe. Afinal, somos uma família. — Disse sem qualquer maldade nas palavras, pois nem mesmo entendia exatamente o motivo de tensão que a garota tinha com ele mesmo.















