Digo que sou uma pessoa infeliz.
Digo que sempre sinto-me triste.
Digo que sempre falta-me algo e que este algo é inexistente.
Porém, mesmo ciente de que a infelicidade não me levará a um lugar distante daqui (tal lugar distante o suficiente para que eu me sinta completa e genuinamente feliz) continuo consumindo melancolia e, assim, a melancolia me consome.
Mas, mesmo querendo, no fundo, dentro do meu subconsciente, onde nem eu mesma possa ouvir, ler ou desvendar, finalmente me sinto completa, pois nunca fui inteiramente infeliz.
No final, percebo que não consigo me imaginar em um universo em que minha pessoa não seja triste, pois a melancolia me consome.
Hoje, compreendendo, até consigo sentir felicidade nisto. A melancolia é a única coisa que nos resta: podemos senti-la no nosso íntimo, a todos os momentos, em todos os lugares. Até na felicidade enxergamos tristeza.
Sou incompleta, vasta, e isso me trás conforto.
Escrito 23 de março de 2025 às 20:06 por Luisa.












