◞ ♡ ━ ✩ i do. ido. 𝓲 𝓭𝓸𝓸! ❜
❝ ✧ A festa se estendia madrugada a dentro sem qualquer sinal de se aproximar do fim — pelo menos não se dependesse de Nicolás, que, já bêbado, havia decretado por cima da mesa dos illyrians que ela duraria por mais uma semana. Em um salão aberto criado entre as areias e a água do mar quintista, feéricos de diferentes cortes e status sociais celebravam com animação e harmonia, senão por compartilharem a felicidade do casal, então pela enorme quantidade de vinho que já haviam consumido. O céu estrelado de Hela poderia ser reconhecido como o mais bonito, mas o da quinta corte também não ficava para trás, e parecia que Thor havia caprichado naquela noite como um presente aos recém casados. Quem quer que estivesse vendo de fora poderia até pensar que se tratava de uma festa para algum deus, e não um casamento, no entanto, era fácil de se entender o motivo pelo qual tamanha alegria preenchia o ambiente quando se olhava para os noivos.
Lyra e Dmitri eram o retrato perfeito de um casal apaixonado. Mesmo no meio de tantas pessoas agitadas e barulhentas, era como se o mundo ao redor tivesse deixado de existir e apenas restasse eles dois naquela pista de dança; ambos também já levemente embriagados com o vinho e dançando de maneira desajeitada e preguiçosa ao ritmo de alguma música romântica enquanto enquanto trocavam beijos que mais pareciam risadas sendo sopradas contra a boca do outro do que qualquer outra coisa e conversas silenciosas que eram feitas inteiramente por meio de seus olhares. Ou então pelo laço de parceria que os unia. Meu parceiro, Lyra repetia para si mesma, quase como se não acreditasse naquilo. Não que tivesse chegado a duvidar que um dia o encontraria, mas, ainda que tivesse passado a maior parte da sua vida imaginando como seria aquele encontro, aquela pessoa ou até mesmo aquela noite, nenhuma fantasia conseguia se comparar a realidade. Dmitri estava longe de ser o príncipe encantado de suas histórias. Verdade fosse dita, ele era implicante e sarcástico, não sabia quando manter a boca fechada — ou melhor, ele não queria — e não possuía nenhuma peça de tonalidade alegre em seu guarda roupa, um de seus livros favoritos tentava defender a ideia de assassinatos justificáveis — e isso sem mencionar o fato dele tê-la jogado aos naga uma vez ou então omitido o laço por anos. Se Lyra preferia evitar confrontos, o illyrian não parecia ter a mesma preocupação; ele era, afinal de contas, um guerreiro em todos os sentidos da palavra; forte, confiante, destemido, orgulhoso e jamais se dava por vencido. Por todos os deuses de Asgard, eles dois não poderiam ser mais diferentes, no entanto, aquela raposa gótica ainda era tudo o que ela queria — tudo o que ela precisava. Chegava a ser cômico como a protegida de Thor havia buscado tão incessantemente pelo seu parceiro durante toda a sua vida e, no final, o laço não teve importância alguma. Ela havia se apaixonado por Dmitri antes mesmo de descobrir que ele era seu parceiro, por todas as suas qualidades e defeitos. Claro que ela reclamava do jeito implicante do rapaz, mas, de certa forma, ela também admirava a forma como ele dizia o que pensava sem se preocupar com a opinião alheia e como ele se recusava a abaixar a cabeça. Mitya poderia ser um pé no saco para qualquer um que ele não gostasse — às vezes até mesmo para quem ele gostava… —, só que ele era também uma das pessoas mais engraçadas, inteligentes e leais que ela conhecia. Não havia nada que ele não faria pelo bem de seus amigos, de sua família; desde concordar a fingir que era o parceiro de Gustavia para ajudá-la a se livrar de um casamento arranjado infeliz — mesmo sabendo que as coisas poderiam acabar muito mal para ambos se alguém descobrisse aquilo — à passar meses se esgueirando pelas janelas do quarto de Lyra no meio da noite porque sabia que ela não conseguia dormir sozinha por causa de seus pesadelos; e o que mais qualquer um deles precisasse ele faria sem pensar. Era uma pena que ele não recebia crédito o suficiente pelo coração gentil que se escondia por trás da resting bitch face; porque ele realmente estava ali, mas apenas aparecia por meio de pequenos gestos — como por exemplo, mesmo após repetir várias e várias vezes um que não cantava, ainda a aninhou embaixo de suas asas e braços uma noite e cantou para espantar seus medos. Dmitri não era um príncipe encantado pronto para salvá-la de qualquer problema, todavia estava longe de ser algum tipo de vilão — ainda que seu bichinho de pelúcia favorito fosse aquele dragão que a lembrava dele (o mesmo que ela havia dado de presente de aniversário para ele e que acabou roubando o para si). Claro, ele a protegeria se fosse necessário, mas não se cansava de insistir que ela não era nenhuma donzela em perigo e muito menos uma criança indefesa que precisava de alguém para guiá-la. Ele verdadeiramente acreditava que ela era inteligente e forte e capaz de resolver todos os seus problemas sem a ajuda de ninguém e sempre a incentivava — tudo bem que alguns dos seus métodos eram um tanto questionáveis, só que, bem, pouco a pouco, não havia como negar que a própria Lyra começou a ficar mais confiante em si mesma e parou de buscar a aprovação de todos — o suficiente para tê-la feito afirmar para o próprio Dmitri, após descobrir que ele já sabia do laço há anos, que ela não precisava de ninguém para ser feliz, nem mesmo do parceiro. Essa lembrança devia ter escapado pelo laço, porque logo a risada do moreno chegou aos seus ouvidos, carregando tanto humor quanto a que ele tinha dado ao observar Nick tentando arrastar Thomas a todo custo para a pista de dança. “ — Você sabe o que eu pensei quando você disse aquilo, sunshine? ”, ele ronronou, os orbes esverdeados jamais deixando os azuis dela. “ — Hmm, eu espero que algo como ‘é isso, ela vai me matar e eu vou merecer’ ”, sugeriu, brincalhona, o que arrancou outra risada do seu agora marido. Seu sorriso apenas aumentou com aquilo, seu marido. “ — Quase, sunshine, quase ”, o Donndubhán disse com aquele jeito que a dizia que ele não falava realmente sério, e, seguindo o ritmo da música, a girou uma vez antes de trazê-la para seus braços mais uma vez e continuar, “ — Eu apenas olhei pra você, tão decidida e adoravelmente irritada, e pensei: that’s my girl! ”,e acrescentou após senti-la lhe cutucar as costelas, “ — É verdade, sunshine. Eu quis te colocar num palco e falar para todo mundo: 'é assim que se faz, queridos, tomem notas’ ”. Foi então a vez de Lyra rir com aquela declaração. Ela ainda podia se lembrar como tinha ficado tão feliz ao perceber que Dmitri era o seu parceiro, que o laço tinha estado ali o tempo todo, e também como machucara descobrir que ele sabia desde o início; não sabia dizer se se sentia mais desnorteada com aquela informação ou irritada com a idéia de ter sido enganada todo aquele tempo, porém a pior parte sem dúvidas fora a dor em seu peito, que apenas piorava conforme suas inseguranças voltavam para lhe dizer “não é que ele nunca quis uma parceira, ele apenas não queria você”. Só que ela se recusava a ser aquela menina indefesa mais uma vez, por isso usou toda a força que tinha para dizer aquilo e apenas permitiu que as lágrimas caíssem livremente quando chegou ao quarto de sua prima. Mas, agora que tudo havia passado, ela podia entender o motivo dele ter feito aquilo. Se fosse honesta, ele tinha razão, havia sido mesmo melhor daquela maneira — não que ela pretendesse admitir isso tão cedo, afinal, o ego dele certamente não precisava daquilo. Quer a luminosa tivesse descoberto do laço antes de compreender seus sentimentos por ele, a relação deles não teria aquela fundação solidificada pelos anos de amizade e, quem sabe onde eles estariam naquele momento ou sequer se aquilo teria dado certo? Ela não teria a sorte de se apaixonar pelo seu melhor amigo, pelo cara que sempre a incentivava a ser a melhor versão de si (e a mais sombria também, mas isso era outra história). Não, mesmo se ela pudesse, não teria mudado nada na história deles. “ — Aquilo ainda é verdade ”, Lyra afirmou com convicção e um pequeno franzir do nariz, porém este último logo se desfez em um sorriso que mal cabia em sua face conforme ela acariciou o rosto de Mitya com ambas as mãos, “ — Mas eu realmente fico feliz que nós conseguimos nos acertar! ” Em resposta, o illyrian inclinou a cabeça até que sua testa tocasse a dela, como se concordasse com o que ela tinha dito. Porém não foi isso o que ele disse quando abriu a boca: “ — My life’s gonn be fine cause sunshine is in it ”, Dmitri cantou por cima da música, da mesma maneira suave e levemente desafinada com a qual ele cantava para espantar seus pesadelos; tão casual, mas que ainda assim fez seu coração bater tão rápido em seu peito que ela quase podia ouvi-lo. Ele certamente conseguia, porque tinha aquele sorriso que misturava provocação e carinho e que ela não sabia dizer se queria socá-lo ou beijá-lo. Por via das dúvidas, acabou indo com a segunda opção. Ao invés de tentar usar palavras, Lyra Donndubhan usou o laço para transmitir todas as emoções que cresciam em seu peito, confiando que elas fariam um trabalho melhor em em expressá-la do que qualquer resposta que pudesse dar. Ainda assim foi impossível segurar os eu te amo, que escapavam de vez em quando.















