── 𝓛𝘰𝘢 𝘤𝘰𝘯𝘵𝘦𝘯𝘵: 𝗈 𝗊𝗎𝖾 𝖾́ 𝘴𝘦𝘳 𝘥𝘦𝘶𝘴 𝗇𝖺 𝗅𝖾𝗂 𝖽𝖺 𝗌𝗎𝗉𝗈𝗌𝗂𝖼̧𝖺̃𝗈?
NÃO É SOBRE PODER, MAS SOBRE A SIMPLICIDADE DE APENAS SER. A existência enquanto tobalidade:
Em 2024, eu tinha acabado de conhecer a lei da suposicão e, quando comecei a consumir conteúdo sobre ela, uma das primeiras frases que mais escutava era que você era Deus da sua realidade. Mais tarde, quando iniciei a leitura dos livros de Neville, ele também repetia constantemente essa frase. E não era apenas porque usava a Bíblia para explicar a lei da suposição, mas também porque a mensagem que Neville desejava transmitir era a de que havia um Criador por trás do mundo percebido, uma presença que selecionava silenciosamente a experiência a ser manifestada na realidade.
Embora eu entendesse tal significado na época, eu ainda atrelava a ideia de Deus muito mais a uma imagem de poder, manipulação da realidade, negação de qualquer figura mística e aceitação da consciência como única verdade. Hoje, dois anos depois, eu reconheço que minha interpretação não poderia estar mais equivocada a respeito do que "Deus" realmente representa.
Desde a infância, nos é imposta uma representação pronta da figura divina. Aprendemos que Deus é poder, controle, sabedoria, amor e justiça. Mas, principalmente, poder. A figura divina está diretamente ligada ao poder e ao controle. As pessoas aprendem desde a infância a ter medo de Deus; a religião é usada como mantenedora do controle e do bem-estar social. E assim crescemos, com uma definição pronta de Deus que não abre espaço para outras interpretações. Por isso, ao encontrar filosofias como o Advaita Vedanta, que ressignificam totalmente a concepção de Deus, o choque cultural é inevitável e você percebe que Ele existe dentro de um mecanismo muito mais simples e direto do que as religiões ocidentais te ensinaram.
A primeira observação muito interessante a ser feita para compreender, então, o que é Deus na lei da suposição está na distância entre um significado e outro. Na religião, aprendemos que Deus é um Ser individual e separado de suas criações. Ele existe como uma presença que não cria diretamente toda a criação, mas que observa os seres humanos, também separados entre si, criarem a experiência. Entretanto, a lei da suposição aponta para uma conexão muito maior: tudo o que o observador supõe como verdade torna-se. Então, esse observador, que voc também pode chamar de Deus, está intrinsecamente ligado ao conteúdo da percepção. É como se ele, junto de tudo o que existe, formasse um organismo vivo que simplesmente existe.
Nessa narrativa, Deus também é desprovido de identidade fixa. Ele não é um homem com asas que reside no céu, nem o olho que tudo vê, nem uma presença que permeia tudo. Ele é TODAS ESSAS COISAS.
Lembre-se de que a lei da suposição torna real a suposição do observador, então todos esses rótulos que diferentes culturas e religiões atribuem a Deus estão corretos porque Deus é a TOTALIDADE. Ele é TUDO: todas as formas, todos os corpos, todos os rótulos, mentes e ideias. Diferentes nomenclaturas e representações estão apenas tentando nomear a mesma coisa: Deus, a totalidade.
A razão pela qual você é Deus na lei da suposição é porque tudo é plástico. Você pode remodelar a realidade através de suas suposicões e é exatamente isso que Deus faz: ele exerce o poder da manipulação.
Sob a ótica da manifestação, você não recebe o título de Deus em razão de sua soberania essa ênfase na magnitude do poder e da existência de Deus é, no meu ponto de vista, uma herança da arrogância europeia que floresceu até o Brasil contemporâneo através das raízes da nossa lamentável colonização.
A lei da suposição aponta para você como Deus porque a năo dualidade é real, porque você não está separado de nada. Porque você cria e destrói qualquer coisa. Ela ressignifica a existência de Deus, pois aqui não há a soberania de uma divindade superior aos seres humanos; aqui, o próprio ser humano não está separado de Deus. Ele é Deus, ele cria, transforma, destrói e cria novamente em um ciclo eterno de existência. A manifestação é uma característica intrínseca da existência de Deus, você sempre está manifestando, pois sua própria existência já é uma manifestação. Deus se manifesta.
Se você se sente confuso agora quanto ao que Deus representa na lei da suposição, não se preocupe, você não é o único. Em primeira instância, é realmente difícil pensar em Deus como algo diferente do que lhe foi ensinado ao longo de toda a vida. Por isso, o Advaita Vedanta traz uma explicação simples do que é "esse Deus".
A consciência, Deus, Atman ou Brahman é basicamente tudo. No Não Dualismo, Deus não recebe quaisquer adjetivos ou representações ilustrativas; pelo contrário, o intuito da filosofia é despir totalmente a imagem de Deus e, ao remover todos os rótulos, você pode perceber nitidamente o que Deus realmente é: ele é o observador, aquele que cria a experiência, aquele que existe dentro de tudo e todos. Deus é a totalidade, não há frase melhor para representá-lo. E isso não é algo que deve ser compreendido intelectualmente, mas sentido através de experiências como a observação e a própria manifestação/shifting.
Então, em suma, o que realmente é ser Deus na lei da suposição?
Na lei da suposição, Deus é a própria experiência acontecendo ininterruptamente. Não existe um Deus observando o mundo e a experiência acontecendo dentro dele. Aqui, Deus existe como parte da experiência, ele é um pedaço da existência. Não existe "Deus e suas manifestações", existe DEUS. E é justamente por haver um Deus desperto que compõe a existência que a experiência pode ser manipulada de qualquer forma e a qualquer momento. Enquanto Deus é a própria coisa, essa coisa toma a forma que Deus desejar.
É como o personagem de um teatro, ele possui vida porque alguém está dando sua existência para que ele possa existir. Sem alguém para interpretar o personagem, ele não respira, não se move, não dorme nem acorda. Deus é a substância da existência.
Não existe alguém para punir as injustiças do mundo, nem alguém para te acolher quando você é uma boa pessoa de acordo com as escrituras nomeadas sagradas pelos humanos. Existe apenas você experienciando a si mesmo. Sem simbolismo, sem significado especial. Apenas a simplicidade de Ser. Há uma eterna experiência de Ser Consciência acontecendo, e cada pedaço dela tem você como matriz. Você é a vida e a morte, o tudo e o nada, a existência e a inexistência.
Então, ser Deus na lei da suposição está para além da capacidade de manipular a realidade, é sobre ser a própria realidade manipulada e também o manipulador. Mudar a experiência é, na verdade, mudar a si mesmo; quando você muda, o resto muda porque não há separação. Assim como uma sombra não pode existir individualmente, ela está fadada a seguir os movimentos daquele que a projeta eternamente.












