I'm just a girl that you lost to cocaine — Waylock
Sorriu. Ou, ao menos, pensou ter feito. Era a primeira vez em dias que, sequer, reconhecia suas habilidades sensoriais, ou a ausência delas. Antes que Maisie chegasse, estava anestesiado. Pelo álcool misturado às lágrimas e por ter observado a parede por muito mais tempo do que era comum que alguém fizesse. – That’s good, right, blue eyes? – Ajeitou-se na cadeira, sentindo cada pedaço do seu corpo reclamar pelo movimento e, então, voltou o olhar para os olhos azuis que o haviam cativado anos antes. – Is this Mathias guy okay? – Havia uma verdadeira preocupação em seu tom de voz. Mason havia conhecido Will – e quebrado seu nariz, sabia que ele não era bom. Pra si ou para Maisie.
Respirou fundo, enquanto lentamente forçava o corpo a levantar da cadeira. Sentia-se velho ali, sentado enquanto Maisie falava. Sentia-se inválido.
Não precisou dois passos para que ficasse tonto e precisasse se apoiar na mesinha de centro. Evitou olhar para a garota dos olhos azuis, não costumava trocar de papel com ela. Normalmente era ela quem precisava de ajuda. Não ele, jamais ele. – I’m good. I just tripped. I’m good. – Continuou a repetir para si mesmo, mentalmente, como se tentasse se convencer disso. I’m good. I’m totally fine. Yeah, I’m awesome.
I’m not.
Cada segundo que passava perto dele aumentava a sua culpa. Nunca fora determinada, sempre quebrava promessas pouco depois de fazê-las. Nunca mais era um termo muito relativo quando o vício se tornava mais forte que a pessoa. Não sabia quando a droga acabava e ela começava, e tinha dúvidas sobre a existência de tal separação. Destruía tudo e todos que tocava, e Mason era a prova viva disso. Não tirava os olhos dele, sentindo-se deslocada. A última vez que tomara conta de uma pessoa fora quando um primeiranista machucara o joelho em Hogwarts, durante seu quinto ano. Ela o levou para a ala hospitalar, e o acalmou. Parecia eras atrás, parecia outra pessoa. Era sempre ela que precisava de ajuda, e Mason sempre a ajudava. Tinha que retribuir o favor, mas sentia-se confusa, sem saber onde colocar as mãos ou o que dizer. “That’s great.” Garantiu, concordando com a cabeça e sorrindo fracamente. “He’s more than that.” Não estava mentindo. Nem mesmo ele em seus piores dias poderia colocar um defeito na personalidade gentil de Mathias. Ainda não podia acreditar que ele a acolhera, sem nem sequer hesitar.
Ergueu-se em uma velocidade normal, mas ainda teve que esperar alguns segundos até que ele estivesse totalmente em pé. Suas mãos fizeram menção de segurá-lo, mas ele logo encontrou outro ponto de apoio. Mordeu o canto do lábio, concordando novamente, mas dessa vez, hesitante. Ele estava péssimo, pior do que jamais o vira. Podia deixar por isso. Fingir que não notou o tremor de suas pernas ou o fato dele parecer mais magro, e sua palidez. Mas ele nunca faria isso com ela. Nunca ignoraria o fato dela precisar de ajuda, mesmo que um pedido verbal nunca fosse expresso. “Do you want some water? Food? Did you even eat these past few days?” perguntou, já se encaminhando em direção a cozinha.











