~ I just really need it to be a love story. You know? I really, really need it to be that. Because if it isn’t a love story, then what is it? ~
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Trechos
"Às vezes tenho a sensação de que é só isso que estou fazendo sempre que entro em contato: tentando assombrá-lo, arrastá-lo de volta no tempo, pedindo a ele que me conte de novo o que aconteceu. Para que eu entenda de uma vez por todas. Porque eu continuo presa lá. Não consigo seguir em frente.” - p. 76
“A sensação de perigo é tão grande que é estranho pensar que já estivemos mais próximos muitas vezes.” - p. 81
“Eu não digo isso, mas às vezes tenho a sensação de que é exatamente isso que ele está fazendo comigo: me desconstruindo, me montando outra vez como alguém novo.” - p, 106
“Eu não sou nada, não sou ninguém, não estou em lugar nenhum.” - p, 123
“Ele me usou outra vez. Quantas vezes? O que vai ser preciso, Vanessa?” p. 130
“Às vezes tento imaginar outra menina fazendo o que eu fiz - afundando no prazer daquilo, ansiando por aquilo, construindo a vida ao redor daquilo -, mas não consigo. Meu cérebro chega a um beco sem saída, o labirinto é engolido pela escuridão. Impensável. Indizível.” - p. 132
“Mas não, essa palavra não serve, nunca serviu. É esquivar-se da realidade, uma mentira, do mesmo jeito que é errado me chamar de vítima e nada mais. Ele nunca foi tão simples; nem eu.” - p. 132
“Isso tudo aconteceu antes mesmo de eu me dar conta do que realmente estava se passando.” - p. 164
“Mas eu nunca conseguiria. Seria como atear fogo em mim mesma.” - p. 224
“Ele me fez enxergar a mim mesma de tal modo que um menino da minha idade jamais teria conseguido.” - p. 225
“Quero afundar o suficiente para chegar abaixo da superfície e nadar sem precisar de ar.” - p. 225
“A coisa só acelerou depois disso, quando ele soube que por mim estava tudo bem; e não é isso o que significa consentimento, sempre ser perguntada sobre o que se quer? Eu queria que ele me beijasse? Queria que ele me tocasse? Queria que ele me comesse? Lentamente guiada até o fogo... Por que todo mundo tem tanto medo de admitir como isso pode ser bom? Ser seduzida é ser amada e manuseada como algo precioso e delicado.” - p. 229
“Se você tocar em mim, eu vou morrer.” - p. 282
“Não consigo me afastar do cheiro dele.” - p. 285
“Ainda me sinto rasgada ao meio quando ele mete, provavelmente sempre vou me sentir assim, mas eu quero aquilo. Preciso querer.” - p. 294
“Eu simplesmente preciso muito que seja uma história de amor. Você entende? Preciso muito, muito que seja isso.” - p. 372
“E, por fim, obrigada às ninfetas autoproclamadas, às Lolitas que conheci ao longo dos anos e que carregam dentro de si histórias semelhantes de abuso que parecia amor, que vêem a si mesmas em Dolores Haze. Este livro foi escrito especialmente para vocês.” - p. 430
Minha sombria Vanessa - Kate Elizabeth Russel / Ed. Intrínseca
“eu preciso simplesmente que isso seja uma história de amor”
Acabei de ler um livro sobre a minha vida. É surreal, tem frases que poderiam ter sido escritas por mim, letra a letra. Minha cabeça dá voltas, nem sei por onde começar, o que pensar, sei lá. A autora dedica o livro a todas as mulheres que viveram histórias de abuso que parecia amor.
Faz 10 anos e não se passa um dia sem que eu pense nele. Tenho sonhos apaixonados, em que ele me trata com uma doçura totalmente irreal. Me recuso a me sentir vítima dele, apesar de tudo o que me disseram ao longo desse tempo. Mas, é isso, será que, na verdade, não era amor e era abuso? Alguém me ajuda a esclarecer isso? Minha vida inteira se construiu com base em uma história que eu contei pra mim mesma: quando tinha 18 anos, me apaixonei por aquele homem que tinha 30 anos mais do que eu, meu professor, e passamos 3 anos entre idas e vindas. Costumo dizer que foi a pior e a melhor época da minha vida.. Mas e se só tiver sido a pior? Não sei bem o que fazer com todas essas informações. Ressignificar uma história que me traz algum orgulho - afinal, ele é um homem importante, de sucesso, e foi se interessar logo por mim - em algo terrível - na verdade, eu era a presa mais fácil.
Ele perguntou tantas vezes se eu “ia aguentar”.. como se houvesse resposta possível para essa pergunta. E como se o simples fato de fazer essa pergunta o eximisse de toda a responsabilidade. Afinal, eu topei eu quis - e ah como eu quis, nossa. Mas eu me lembro bem de que no início eu não queria. Eu só queria que ele me desse atenção, que me valorizasse, soubesse meu nome... E ele queria que eu entrasse no seu jogo de sedução. Naquela primeira noite, na internet, eu queria que ele continuasse falando comigo, mas não conseguia entrar na sua conversa erótica; eu não conseguia sequer imaginá-lo pensando em mim dessa forma. E aí todo um mês dele literalmente viajando para me ver. Ele foi até Curitiba, caralho. Mas aí quando chegou lá viu que eu estava totalmente entregue, desesperada para ser dele e já me despedaçando inteira; e o que ele fez? entrou em um avião e foi embora. Me deixou lá, sozinha, tentando lidar com a ideia de que ele talvez não me quisesse mais - mas ele só queria não se meter em uma enrascada. Ou aquela vez, antes disso, em que ele dirigiu até a casa da minha mãe para me levar para jantar na madrugada. Eu não queria que ele estivesse ali, mas quando foi embora eu me dei conta do enorme buraco que ele havia deixado dentro de mim. Eu queria que ele me quisesse, mas eu não queria ter que transar com ele para isso. Até que tudo foi ficando uma maluquice, veio Curitiba e não tinha mais jeito de fechar o vazio que ele deixara. E minha cabeça de menina totalmente em choque, achando que era culpa minha ele não me querer mais.
Como é que isso funciona, querer e não querer intensamente? Eu até tentei sair com um menino da minha idade, nessa época, mas acabei ligando para ele ir me buscar. Eu não conseguia nem respirar direito longe dele.
E pensando bem. Será que eu algum dia senti mesmo prazer sexual estando com ele? Era o desejo dele que me fazia especial; era estar com ele no TM, na SSP, ser vista com ele me envaidecia. Mas eu também o amava, nossa. Aqueles olhos cansados. Os beijos que ele me negava. A lembrança daquelas primeira noites, ele entregue, totalmente entorpecido. Sei lá, eu não consigo entender mais nada. Eu queria ou não queria? Meu deus, que difícil responder a essa pergunta.
Sei que é muito louco pensar que talvez não tenha sido amor, tenha sido violência mesmo. E aí, se tiver sido violência, o que eu faço com tudo o que senti nesses últimos 10 (quase 11!) anos?
Eu preciso desesperadamente que tenha sido uma história de amor.
Porque se não for.. Ele não desejou a mim, ele só me quis porque eu estava ali, disponível; eu era uma presa possível. Menina de 18 anos, encantada e pronta para fazer tudo o que ele quisesse. Talvez eu realmente não tenha sido nada especial.
Será que é por isso que eu penso tanto nele? Não porque seja um amor sem fim, mas porque eu tenha sido sua vítima? Isso é realmente surreal. Eu não consigo sequer imaginar quem eu seria sem o peso da nossa história. “Nossa” história. Ou talvez a história que eu inventei para conseguir seguir em frente. Será que eu realmente segui em frente ou só consegui me restabelecer “apesar de”? Afinal, é isso, eu não passo um dia sem pensar nele há 10 anos.
Sei lá.
“Em nome de deus me carregue e me pregue em sua cruz”
Eu odeio escrever mais um texto sobre tudo isso. Dez anos depois. DEZ. 10.
Cara, eu sonhei com você a noite inteira. Mais uma vez. Um sonho sobre o que não foi e que talvez, muito talvez, pudesse ter sido. Se eu fosse sua mulher. Sem traumas, sem medos, sem expectativas. E sem culpa. Se eu pudesse ter te amado com liberdade. Se você tivesse me beijado e não só me comido. Sabe que não me lembro se na segunda vez você me beijava? Pois é, não lembro. Na primeira eu sei que não. Naqueles 7, 8 primeiros meses eu sei que você só me beijou nos 2 primeiros dias. E depois nunca mais. Mas aí retomamos depois de mais uns tantos meses, com mais liberdade, sim, só que aí eu não lembro se você me beijava ou se eu já havia desistido.
Nesta noite, como em várias outras, você me beijou muito e disse coisas incríveis. Eu sonhei que você abria mão de um emprego na França por minha causa. Isso não faz absolutamente nenhum sentido, já que você nunca abriu mão nem de outra trepada por mim. “Hoje não é dia” - aquela mensagem que tanto me marcou. Só que meu inconsciente (talvez não tão inconsciente assim) acha que se eu tivesse conseguido me envolver sem paranoias tudo teria sido diferente.
Me fala, você ainda pensa em mim? Por que eu te vejo nas redes sociais e sinto não só desejo, mas muito, muito carinho. Mesmo depois de todo o caos, eu te adoro inteiro. Seus olhos cansados, aquela bolinha na sua sobrancelha esquerda, sua boca, sua mão.. Aquela mão que me fazia um carinho confuso.
Ai que saudade
Eu sei que não vou sair correndo atrás de você, porque, é isso, acho que você nem existe mais. Mas não consigo me libertar da memória do seu toque, do seu cheiro. Socorro.
Esse amor me derreteu
Um dia você disse: quando você nasceu eu estava fazendo mestrado na Alemanha. Assimetria. E todos os dias da minha vida, sem exceção, você me ronda e percorre cada pedaço do meu corpo. Mesmo dez anos depois, um casamento, uma faculdade, uma profissão e uma vida inteira. Essa história, sei lá, parece que eu revivo mil vezes e ainda não entendo o tamanho que tem. Eu já nem sei mais quem eu era - ou quem eu fui - durante esse tempo todo. Vem cá, me fala uma coisa, será que eu tenho parte da força que você tem em mim? O que eu signifiquei? Que pergunta ridícula, né? Aposto que vc nem se lembra do gosto do meu corpo, acho que você nem pensa mais nisso. Três anos que me definiram e pra você não passaram de mais uma trepada com uma menina mais nova.
Se pudéssemos recomeçar, naquela noite de terça feira, o tango tocando, a minha camiseta vermelha.. eu mal conseguia me mexer no sofá. Você ligou a música - no dia seguinte, no ensaio, você deixaria escapar que eu gosto de ouvir tango. Eu realmente não conseguia sequer virar o pescoço em sua direção. Piazzolla tocando, você começou a acariciar minha mão, meu corpo, talvez você tenha me beijado (uma das únicas vezes na nossa história).. aí só me lembro de nós dois nus na cama, sua sombra enorme sobre mim. Eu já não sentia nada, estava perplexa. Pensava no título do Nelson Rodrigues - toda a nudez será castigada - e tinha certeza de que aquela noite nunca mais sairia de dentro de mim. Eu me lembro de olhas as imagens na parede do metrô e saber que ficariam grudadas na minha memória para sempre. Dez anos depois e eu ainda sinto o peso da sua mão sobre as minhas coxas. Você foi para o banho e eu puxei a coberta para mostrar um pedaço da minha bunda, eu queria que você me desejasse cada vez mais.
No dia seguinte, nos vimos no ensaio, as várias indiretas. Eu quase explodi mil vezes, já nem sabia mais em que mundo eu estava. Aquele vestido branco e preto - você dizendo que adorava o verão porque as meninas ficavam com as pernas de fora. Queria me lembrar de todos os detalhes. À noite fomos ao japonês e você me beijou com força, muito bêbado, talvez pela última vez em muito tempo. Aquele caos no restaurante, seu amigo dando em cima de mim enquanto você vomitava no banheiro. Todos muito loucos e só eu sóbria. Você, no carro, me abraçando e dizendo que queria fazer o que fosse melhor pra mim. Você me comendo na cozinha, em cima da pia, eu com medo da falta de camisinha. A torneira que ficou aberta. Nós andando na rua em busca de um táxi, de madrugada, que apareceu em uma curva, do nada, de surpresa. Deixamos o carro. Fomos para a sua casa e você me comeu em cima do piano. E aqui eu sinto meus olhos se enchendo de água. Onde foi parar tudo isso? Porque eu ainda me perco nessas lembranças e quero voltar, apesar de ter sofrido tanto? As marcas das minhas unhas nos seus braços. Você foi me deixar em casa, eu queria saber onde estava o vigia da rua para não correr o risco de ter ladrões, sei lá... só que você achou que fosse porque eu não quisesse que ele me visse com você. Não foi, não era. E até hoje eu sei que muito teria sido diferente se você não tivesse pensado isso.
E você nunca mais me quis com tanta intensidade.
Só que eu te quero o tempo todo.
Desde aquele dia em que te vi da janela do carro, no restaurante perto da casa da minha mãe, de madrugada. Desde aquele momento eu te quis pelo resto da minha vida.
Miserere mei.
26/10...
... é você pra sempre.
Tantos anos depois, tanta ausência. E é seu cheiro que eu sinto hoje. Queria te dizer que faz 10 anos e não se passa um dia sem que eu me lembre. E por isso eu te amo e te odeio na mesma medida.
10 anos, mais uma vez
Todos os dias deste ano. Sempre. 2019 será sempre 10 anos depois, ainda que tenha sido no final de 2009 que minha vida começou (por mais clichê que isso seja). A cada dia que passa, faz 10 anos que eu descobri o perigo do desejo. Que eu senti na carne a dor da sua mordida. Que eu nasci e renasci mil vezes como menina (aqui caberia dizer mulher, mas não). 10 anos que se passaram como o eco de uma explosão. A explosão que você foi na minha cabeça, no meu coração e nas minhas tripas (copiando Hilda, eu acho). Um eco disso tudo. Eu cresci 50 anos em alguns meses e agora rejuvenesço nesses anos que se passam. Me recupero e me reconstruo. 10 anos desde que você me destruiu e me construiu 300 vezes, em tantas águas e mares revoltos. 10 anos desde que aprendi o que é sede, o que é desejo, desespero e paixão. Lobo mau, eu te agradeço tanto. Agradeço por ter encostado sua língua de homem naquela menina perdida; por ter me mostrado que nada daquilo era caminho; por ter me negado os beijos de que, em minha sede desesperada, eu tanto precisava. Obrigada, lobo mau, por ter me deixado ali, sozinha, nua e entregue. Se hoje sou médica, sou mulher e tanto mais, é tudo graças a você.
Oficina de Música de Curitiba de 2020
É só isso mesmo. Faz 10 anos.
Tanta coisa.. Quase 30 anos, uma vida inteira. Era a diferença de idade entre nós (aquele um) ou a idade daquele outro. Tanta água rolou, tantos nós dados ou desfeitos. Água de lágrima, de sangue, de vida. Eu já nem sei mais. Sei que foi tudo reconstruído, de uma realidade sólida como uma montanha peruana. Estou aqui, sou médica, casada (e apaixonada), adoro meu apartamento. E não estou mais deprimida. Isso é enorme. Mas é tudo tão parte de quem eu sou. Miserere mei
10 anos
E meu grito
No gozo
Às vezes ainda é seu
a little late night lamenting
Quase 10.
Olorum está no Aiê
O caminho que percorremos só existe porque há algo muito maior do que nós que nos conduz àquilo de mais verdadeiro que podemos ser. Pela graça de chegarmos até aqui e termos tanto o que comemorar, agradecemos, Pai, e nos dispomos a fazer um trabalho melhor a cada dia.
Que sempre tenhamos o respaldo da fé e a certeza de que jamais estaremos sozinhos. Que o Sagrado da vida conduza nosso caminho, no sentido de aliviar o sofrimento humano e acolher aqueles que precisam de nós, sempre buscando transformar este mundo em um lugar melhor para todos.
Mas que também possamos compreender que sem a Sua vontade nada se faz, portanto que tenhamos maturidade para aceitar aquilo que não pode ser mudado e estejamos prontos para amparar os pacientes nos momentos de desalento.
Agradecemos ao Sagrado que tornou possível essa busca e nos deu a inspiração de encontrar no cuidado com as pessoas o caminho da nossa vida. Que essa graça nunca se limite a nós – que a honra que recemos nessa formatura sempre se traduza em benefício para muitos. Que possamos reconhecer o que há de divino naqueles que precisam de nós, e nunca deixemos de agradecer o privilégio de finalmente sermos médicos
Acabei de encomendar meu esteto com cabeça pediátrica, meu otoscópio e meu oxímetro. Vou mesmo ser pediatra, parece.
To bem feliz.
Eu sempre quis sentir intensamente
Fui artista, vivi loucamente relações cada vez mais erradas, usei tudo o que não podia... 6 anos depois, a poucos meses de me formar médica, Ogborilada na Umbanda, casada com um amor desenfrado, tenho certeza de que nunca senti tanto quanto nos últimos tempos. Na última semana, quatro ou cinco pessoas morreram, dentre elas um homem jovem, infarto fulminante, a esposa pirou.. E minhas mãos estiveram sobre eles - fiz parte dos esforços para segurá-los por aqui por mais algum tempo. Nenhum êxito. Quem somos nós, afinal de contas? A consciência da minha impotência e o medo constante da morte. Dos outros, de mim. Tenho uma doença grave, ao que parece.. Oscilo entre momentos de negação (os mais frequentes) e outros de um pouco de medo. Parei de fumar, por medo de ter um AVC. O médico pediu um ecocardiograma, porque meu coração pode estar com trombos intramurais (aka, pode estar um pouco estragado). Eu não quero fazer, não pode medo, mas por certeza de que ele está errado e eu pareceria hipocondríaca. Será que não é mesmo por medo? Enfim. Em 102 dias a frase “sou médica” será a maior verdade do mundo.
Alguém sabe como faz pra parar de se sentir uma fraude?
“Oro mi maió (Deus e maior) Iya Abadô Aie ie o” ( me ajudou a vencer)
Sobre aquele outro
Eu tive que te bloquear no facebook.
E não consegui ouvir as canções do Bério.
Faz 5 anos, já. E eu acho que não te amei.
Por que é então que ainda dói?
Amanhã vou passar o dia todo em casa, o que fazer pra estudar e não deprimir?