O amor não tem DNA - 83
O Mateus me olhava e eu tenho certeza que queria perguntar algo, mas seu desejo foi interrompido pelo momento em que chamaram as crianças para a consulta.
[…]
Já em casa eu dei banho no Joel e supervisionei o banho da Júlia que logo foi fazer a lição de casa enquanto eu corrigia algumas atividades na nossa sala de estudo, o Joel estava ali no cercadinho dormindo.
- Você tem um minuto? -o Mateus disse entrando-
- Claro -eu larguei o que estava fazendo e voltei todas as minhas atenções para ele-
- Vamos lá no nosso quarto -ele disse e direcionou seu olhar a Júlia-
- Entendi -eu disse levantando- Filha, mamãe vai resolver uma coisa com seu pai e já volta. Fique de olho no seu irmão e qualquer coisa chame sua vó que deve está na cozinha -eu beijei o alto de sua cabeça e ela apenas concordou-
Saí da sala e o Mateus passou o braço por cima do meu ombro me levando para perto dele e beijando a lateral do meu rosto, nós fomos assim até nosso quarto.
Narrado por Mateus
- Seu Mateus, tem uma moça aqui que quer falar com o senhor -minha nova secretária disse ao telefone-
- Qual o nome dela, Lia? -eu questionei-
- É Carla -a Lia disse-
- Já sei de quem se trata, pode deixar entrar -eu disse e respirei fundo já imaginando o que ela queria-
Assim que a porta se abriu a Carla apareceu com um sorriso largo, mas os olhos escondiam uma grande tristeza, que só quem a conhecia de verdade conseguiria enxergar.
- Pensei que não me deixaria entrar igual não está deixando eu ver minha filha -a Carla disse e logo se sentou em uma das cadeiras em minha frente-
- Queria que te apresentar a minha filha fosse tão fácil como você imagina -eu disse e me escorei no encosto da minha cadeira-
- Você e sua mulher que estão dificultando as coisas -ela disse-
- Você que dificultou tudo quando foi embora e agora resolve voltar como se nada tivesse acontecido -eu disse e me apoiei em minha mesa- A culpa disso tudo está acontecendo é exclusivamente sua.
- Eu já sei, Mateus e você não precisa ficar me lembrando isso toda vez que nos encontrarmos -ela disse e ocupou uma postura de vitimismo-
- E e a minha mulher estamos buscando a melhor forma de falarmos para a Júlia da sua existência -eu comentei- Nós, eu e a Giselle, enquanto pais da Júlia estamos pensando somente no bem estar dela e não queremos traumatiza-la com sua chegada repentina.
- Vocês não podem me colocar como um monstro na vida da minha filha -ela disse querendo chorar- Eu errei em ir embora, mas agora estou buscando meu espaço na vida dela, espaço esse que é meu por direito.
- Você não tem direito a nada, Carla -eu levantei farto- Você perdeu todo e qualquer direito quando decidiu ir embora e nos deixou para trás -eu lhe encarei- ou você achou mesmo que eu estaria esperando por você com balões e flores?
- Não, claro que não. Não sou tão ingênua assim -ela disse- Mas eu mereço uma segunda chance.
- Segunda chance? -eu a questionei incrédulo- Você deu uma segunda chance a nossa família? -eu questionei- Você deu uma segunda chance a Júlia antes de ir embora e dizer que não era isso que você queria pra sua vida, como se a Júlia fosse algo descartável?! Você deu uma segunda chance? -eu perguntei lhe encarando-
- Não. -ela disse em um fio de voz-
- Então não me venha cobrar nada, você não tem esse direito. Eu e a Giselle ainda não chegamos em uma conclusão para falar de você para ela, assim que falarmos você será comunicada pelos meus advogados. -eu disse caminhando até a porta-
- E enquanto isso não acontecer, vou ter que ficar adiando ainda mais a convivência com ela? -ela questionou levantando vindo na minha direção-
- E agradeça de eu ser obrigado a acatar essa ordem judicial, porque se fosse por mim a Júlia não ia ouvir nem seu nome perto dela, quem dirá lhe conhecer -eu disse e abrir a porta- Agora por favor, faça o que você está acostumada a faze - eu indiquei a saída da sala- Vá embora.
- Você não deveria me tratar assim -ela disse saindo da sala- Eu não vou esperar a boa vontade de você e da Giselle para me deixarem falar com a Júlia, vocês têm até o final dessa semana para tomaram uma decisão, caso contrário eu vou à justiça outra vez e aí se for por bem, será por mal. -ela disse em um tom de desafio-
- O mal você já fez o suficiente, mas nada vindo de você me surpreende -eu disse- Aguarde o contato do meu advogado.
- Aguardarei -ela disse e só então saiu em definitivo da minha sala e caminhou em direção ao elevador-
Voltei a me sentar em minha cadeira e girei em direção a grande parede de vidro que me dava vista de uma avenida movimentada de Goiânia, meu pensamento era somente em como falar com a Giselle sobre a vinda da Carla aqui e mais como falar com a Júlia sobre ela.
Logo em seguida lembrei que da consulta das crianças no pediatra e eu tinha que levar o Joel ao encontro da Gi e da Júlia na clínica, assim eu fiz.
Assim que cheguei na clínica e encontrei as mulheres da minha vida, pude observar que ali também estava alguém que eu tinha certeza que conhecia e para a minha surpresa a Giselle estava me observando o suficiente para me confirmar que era que eu estava pensando, sem eu ao menos perguntar alguma coisa.
A Vanessa e Giselle entraram no banheiro e a demora delas estava me deixando apreensivo, afinal a Vanessa não era uma das melhores pessoas para cruzar com a Giselle. Mas logo a Gi saiu do banheiro com um semblante leve, o que me deixou aliviado. Em seguida as crianças foram chamadas e assim que a consulta terminou fomos todos para a casa.















