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@mateusweiller
Sazões de Romeo
INTROSPEÇÃO
Colados. Selados. Lacrados. Os olhos fechados revelam o abandono das cores do mundo real e a imersão nas fantasias da imaginação. Romeo é jovem. Um peregrino de suas próprias indagações. De tempos em tempos viaja em busca de conhecer o Eu.
– É chegada a hora de renascer, purificar a mente – dizia Romeo, sem descolar os lábios, sem expressar reações.
DESERÇÃO
Eram três anos não olhando para trás. A angústia amargava como fel em sua boca. Estava cego, mergulhado em decepções. Como um cavalo livre pôs-se a galopar. Era uma decisão sua. Viajar o tempo, reconhecer a vida, em todas as suas sazões. A rapidez poderia ser entendida como fuga. Talvez, quem sabe, um não enfrentamento dos problemas condenados a ele. A terra onde vivia era amaldiçoada, recomeços não caberiam ali. Jamais. A intrínseca chance seria a extinção daquele lugar falido, daqueles habitantes desprovidos de coragem. Se não foi a escolha correta, nem lamentos lhe acontece. Queria mesmo esquecer, refazer seu contexto e mudar de corpo. Ideia e realidade.
RATIFICAÇÃO
Não sabia muito de si para continuar seus planos. Sabia assim, seu nome, sua cor. Precisava de mais, não sabia sua idade. Se conhecer estava além das conquistas corriqueiras da vida. Para o jovem rapaz, era oxigênio. Vida. Nunca soube o que seria contentamento, apenas que descobriria todos os segredos do mundo, se soubesse primeiro os próprios. Quem de fato seriam os progenitores? Perguntas se aglomeravam, e Romeo, se esse era o nome, só conseguia lembrar uma senhora que sempre o cumprimentava com um ramo seco entre os dedos.
EXPECTAÇÃO
Precisava encontrá-la. Urgentemente ver as portas, procurar lembranças. O caminho foi tortuoso, mas ali estava. A referência seria uma árvore seca de vários anos, alguns passos à esquerda. Viu-se, então, a casinha simples e misteriosa. Seria seu destino estar preso ao desconhecido? Seus passos falharam e a senhora sentada o observava. Estender a mão? Antes disso, seus pés esbarraram em um tronco ao chão e rapidamente levantando-se houve o choque. Um lugar destruído pelo tempo, em destroços de uma casinha. Uma data riscada com ramos secos, grudados em tábuas velhas, o resto, sendo o fim. Romeo, diferente de todos. Sempre foi. Jovem, mas velho nos pensamentos da senhora. Alucinações de um amor proibido.
Mateus Weiller e Ana Rita Serafim
Como salva de fogos! Foto: William Rodrigues - PhotoMacro
CORPO IDEAL?
Assim como 99% das pessoas que existem nesse lugar que chamamos de mundo, sempre tive problemas com meu corpo. “Alá o magrelo, Trypanossoma Cruzi! Meu Deus, você é muito magro, parece uma vassoura! JESUS! Dá pra contar suas costelas...” Estes são alguns dos comentários que eu mais ouvia... E ainda ouço.
Minha mãe é magra, meu pai também. Na minha família todos são magros, sempre foram. Geneticamente falando, se fosse depender da herança familiar pra ganhar peso, seria difícil. Então ficava o questionamento: o que fazer pra mudar essa situação? Todos os meus amigos me diziam para entrar numa academia. Então, certo... Vamos entrar na academia!? NÃO! Imagine uma pessoa com 1,75m de altura e 50Kg com shorts de academia e camisa regata? Apesar de não ser uma obrigatoriedade malhar de regata, é mais confortável. Durante todo o nosso crescimento e reconhecimento como pessoa no mundo, passamos por várias etapas e, na maioria das vezes, estamos tentando nos encaixar nos padrões de beleza que a sociedade imprime. É algo natural, faz parte, mas não é uma regra que deve ser seguida. Desde crianças recebemos uma enxurrada de informações e propagandas. E quando atingimos a puberdade, adolescência e uma fase mais madura, obter e ser o que as mídias dizem ser o certo acaba se tornando algo mais corriqueiro do que se imagina. Os padrões da sociedade nem sempre condizem com a realidade e quando esses fatores são diferentes, o que em grande maioria acontece, o bullying começa a agir. Crianças sofrem por estarem acima do peso, por serem negras e até mesmo por serem pobres, e por outros diversos motivos que cada dia se fortalece. Mas esse é assunto para outro texto. Você quer mudar? Mude por você, não por alguém que falou algo que não te agradou. Eu mudei por mim, apesar de não atingir os resultados desejados, ganhei 15Kg e o corpo deu uma “melhorada”. Quando mais magro, deixei de banhar de piscina, ir à praia, tudo por ficar com medo de virar motivo de piadas por conta da magreza. E agora, que ando de regata e banho sem camisa percebo que era uma grande besteira. Ninguém, além de você, pode delimitar o que você pode ou não fazer. Não adianta fugir de palavras desanimadoras, elas sempre vão existir. O importante é seguir em frente porque o corpo ideal sempre será aquele que faz você feliz.
Watch this teenager’s incredible and powerful video about cyberbullying
Um rosto avermelhado
Segundo o meu grande amigo Google, em particular o site Wikipédia (serei zoado por usar Wikipédia como referência?), a timidez se define como o desconforto e inibição em situações de interação pessoal, que interferem na realização dos objetivos pessoais e profissionais de quem a sofre. Caracteriza-se pela obsessiva preocupação com as atitudes, reações e pensamentos dos outros. Depois dessas palavras difíceis, eu vou traduzir isso de um modo mais simples e compreensível: timidez é o medo/vergonha de fazer “merda”.
Durante todo o meu crescimento e construção de personalidade, as assombrações da timidez me acompanharam. Por este motivo, a primeira discussão desse texto será sobre algo que acredito dominar: a minha inclusão na não tão pequena parcela mundial de pessoas com esse pequeno distúrbio perturbador que proporciona a perca de inúmeras coisas (muito boas) na vida, ou seja, o acanhamento ou qualquer outra nomenclatura existente.
Mas, Weiller, que coisas boas são essas? Vou falar igual uma amiga mineira chamada Nathália: "Cê qué quieu conto?" Eu conto!
Bem, numa entrevista de emprego a vergonha e o medo de falar podem comprometer uma vaga. Deve haver uma linha tênue que sirva de equilíbrio. Não ser calado demais, nem falar demais. Tudo em grande quantidade não é bom, exceto séries, livros e comida.
Outra coisa: conhecer pessoas legais, futuros amigos e até, quem sabe, o amor de sua vida. Sim, por que não?
Uma pequeno diálogo para melhor entendimento:
Enquanto isso, na minha adorável infância....
- Weiller, venha cá! Minha amiga quer te conhecer, dizia minha mãe.
(não consigo dizer “a mãe”, tem que ser “minha mãe”. Deve ser algum distúrbio. Mas nesse caso, para vocês entenderem e para que eu ficasse mais calmo, eu precisava dizer “minha” mesmo. Mas, afinal, qual a necessidade de estar falando isso?).
No pequeno enredo acima, meu coração batia (é claro) de forma desesperada, como se quisesse sair pela boca.
( ) Nesse espaço em branco imagine uma expressão que possa traduzir a pior sensação "ocorrível" com você. Imaginou? Bem, pois essa é a sensação que me sobreveio. Se eu tinha medo de gente? Mais ou menos. Eu tinha mesmo era medo de fazer besteira. Ninguém gosta de conhecer amigas de mães. Tinha esquecido esse detalhe. (POLÊMICA!)
Até hoje, inexplicavelmente, quando eu fico com vergonha de algo, meu rosto esquenta como se estivesse em um incêndio. O resultado disso é uma face avermelhada, entregando minha condição de constrangimento no momento. Mas, para amenizar a minha preocupação quanto a isso, uma matéria da Revista Super Interessante me acalmou, diz que essas pessoas são facilmente generosas e inspiram mais confiança. Olha só galera, que coisa legal! Vemos a ciência reafirmando a tese de que tudo tem um lado bom e outro ruim!
Pessoas "normais" jamais saberão o que se passa na cabeça de quem sofre desse mal. Não, não é frescura. Não, não é ser "da roça", muito menos bobagem. Ninguém escolhe ser tímido, nem deixa de ser num piscar de olhos. A coisa, nessa história, é mais complicada do que se pode imaginar. Entendam, é um mecanismo de defesa contra o medo de errar.
Pra encerrar, companheiros que passam por isso, uma informação: você não está sozinho neste barco! E você que já é atirado demais, CONTROLE-SE. Sim, em caixa alta, como se fosse um grito, porque você precisa ler isso.
DICA DE OURO PARA OS HOMENS: Pelo amor do amado Senhor Jesus Cristo, nunca, em hipótese alguma, peça para o seu colega pedir para alguém que você goste uma "chance". Esse negócio de "chance" é algo da 5º série. Falando numa linguagem mais atual: não peça para o seu amigo conseguir o WhatsApp de ninguém. Peça você mesmo, li que mulheres gostam de homem com atitude. Beleza?!
A minha doença é pior!
Você nunca passou por uma situação em que ouviu ou viu (ouviu/ou viu, que louco) alguém falando com outra pessoa sobre doença? Se sim, continue... Já observou que inúmeras vezes em sua vida as pessoas ao seu redor queixam-se e afirmam estar passando por algo tão ruim que você nunca irá adquirir algo igual, mas na sua cabeça tudo o que já passou na vida foi pior do que aquilo que seu amigo está vivendo? (depois dessa viagem, precisei recuperar o fôlego. Espero que tenham entendido). Não sei o que acontece, mas quando se trata de doença, todo mundo quer ser o melhor em ter o pior, se é que conseguem me acompanhar.
Semanas atrás marcamos de sair para comermos uma pizza na Orla. Eu, Nilton e Yana, um casal de amigos. A gente conversou sobre Enem, espíritos, carros e por fim, doenças. Eu tenho um sério problema com dores de cabeça e falta de sono (a falta de sono é resultado do assunto comentado no primeiro texto, a explosão de ideias). Bem, conversa vai, conversa vem, eu e Yana estávamos cada vez mais nos aprofundando no "assunto dores" e Nilton todo o tempo calado. Depois de várias palavras lançadas de nossas bocas, ele fala algo do tipo: é engraçado como as pessoas competem sobre isso. A partir daí caí na real. Meu Deus, isso é verdade! Sim, passou um filme na minha cabeça com todas as cenas que vivi, vi, ouvi, presenciei (qualquer outro adjetivo que represente) algo parecido.
Seja uma simples dor de cabeça, que no meu caso não é tão simples (já comecei), uma batida no dedinho do pé "o perseguido", furar o pé com o prego (minha mãe colocava cebola e amarrava. Quando tirava, a cebola estava preta), dor de barriga (quem não tem uma bela história "diarréica"?), dor de estômago ou uma dengue (uma das piores coisas que já tive), as pessoas procuram aumentar o nível de seus males.
Pensando bastante sobre esse assunto percebi que na maioria das vezes, as pessoas, exceto o Nilton, procuram mostrar o quanto são fortes e que conseguem passar por qualquer coisa. É como se o ser humano tivesse a necessidade de mostrar a sociedade que precisa estar bem e que é forte o suficiente para passar por todas as coisas ruins e continuar bem. Depois que escrevi isso achei meio contraditório, mas é isso mesmo. Se é algo ruim, pode ser que sim, pode ser que não. O fato é que doença não é uma coisa boa, nem de longe! Mas cada um sabe sobre si mesmo e o que faz da vida, mas seria bem melhor ao invés de querer ter coisas ruins por vantagem, desejarmos o melhor para quem quer que seja.
Por fim, depois de ler esse texto, verifique os diálogos ao seu redor e veja o quanto isso é algo corriqueiro. Atente-se e perceba que este fato ocorre em um número maior do que você imagina. Ou não, continue sendo essa mesma pessoa, assim como eu, que mesmo notando essas coisas continuou sendo o Weiller de sempre. Parece algo simples, e é. Parece algo desnecessário. Bem, poderia ser. Mas diante de qualquer dúvida, a minha doença é pior. Faz parte.
Explosão de ideias
A princípio, quando estava procurando temas para discutir e escrever, tive uma “explosão de ideias” e logo pensei: ISSO!
Toda vez que preciso fazer algo, seja uma redação, projetos na faculdade ou opinar sobre determinado assunto numa roda de amigos, acontece algo comigo. Simplesmente me vem à cabeça inúmeras ideias, um monte de coisas que antes eu não conseguia decifrar e escolhia ficar calado para não me embolar e acabar pagando mico (agora respira com esse trecho sem vírgulas). Para organizar o entendimento, vamos começar falando sobre redação.
Desde muito novo eu tenho uma grande admiração pela escrita, em particular a crítica social e o modo como à redação no Enem é tratada. É algo grande você poder argumentar sobre os acontecimentos do país onde vive através da palavra. Sempre quando eu treinava escrever redação me deparava com a dificuldade de organizar as ideias para montar um bom texto. Um ano antes de entrar no cursinho eu fiz a prova do Enem e tirei 820 na redação, não aprovando meu texto que hoje é cheio de correções em vermelho (devo ter sido avaliado por um corretor muito descuidado). Nesse mesmo ano, ainda no ensino médio, numa escola pública que mais parecia um cemitério por ter salas deploráveis e cadeiras remendadas pelos próprios alunos, mas que tinha bons professores e ótima coordenação, muito ouvia que eu me daria bem num vestibular, mas não acreditava por ter ideias demais e não conseguir produzir algo bom o suficiente. Mas, graças às forças cósmicas que giram em torno á órbita da terra, (quê? Deu pra entender) uma pessoa chamada Thiago Reis, que na época era meu professor de redação no cursinho, pude aprimorar minha forma de escrever. Para minha alegria, Thiago me apresentou o Projeto de Texto – PT. Para muitos que estudam em escolas particulares e frequentaram cursinhos de qualidade, é algo comum. Para mim, vindo de um “cemitério” era algo extraordinário.
O QUE É PT?
Não, nada associado ao Partido dos Trabalhadores, caros amigos (graças a Deus). O PT é uma forma de organizar ideias, argumentos, intervenções, soluções e tudo que pode tornar uma redação melhor.
COMO FUNCIONA?
Antes de qualquer coisa, anote tudo. Sim! Escreva todas as coisas que vierem a sua cabeça, sejam boas ou ruins. Após esse pequeno ato de perca de forças vitais pelo medo de deixar de anotar uma ideia importante, comece a eliminar aquilo que não vai enriquecer seu texto. Lembrando que não adianta nada você anotar coisas inúteis pelo simples fato de não ler. Um bom escritor é um bom leitor. LEIA! Leia bastante... Revistas, jornais, sites de notícias e livros sobre conteúdos que te agradem para que possa melhorar a sua escrita. Se for o caso, leia até Cinquenta Tons de Cinza, pelo menos certas as palavras estarão.
Quem nunca leu/ouviu a expressão: “Introdução, desenvolvimento e conclusão”? Sim, essa teoria funciona muito bem no Projeto de Texto. Acredito que uma redação seja um quebra-cabeça. Você precisa encontrar as ideias perfeitas e encaixá-las de forma harmônica. No meu caso, tudo é montado numa folha e todos os assuntos, argumentos e opiniões que vou descrever são previamente escolhidos e dispostos num determinado parágrafo. Desta forma você enriquece seu texto e o seu avaliador percebe que você não só sabe escrever, mas também se organizar.
Sobre esse assunto eu posso escrever um Vade Mecum com cinco volumes. Então é melhor encerrar por aqui.
EXPLOSÃO DE IDEIAS NA VIDA
Preciso pesquisar se isso é uma doença ou não. Ainda bem que já perguntei para alguns amigos e eles me disseram que já passaram por algo parecido. Mas, pelo menos eu, acredito que as coisas sempre acontecem em um grau de intensidade maior com a gente. Assim também funciona com as doenças. Como certa vez um amigo chamado Nilton me contou: “as pessoas sempre competem para saber quem tem a pior doença”, isso é algo que eu ainda não tinha parado para pensar, mas é assunto para um próximo texto.
Desde criança sou um questionador, chegava até ser inconveniente e chato (na infância, eu acho). Nunca fui de passar o dia brincando como qualquer outra criança normal. Preferia saber sobre o mundo e as coisas que aconteciam. Às vezes brinco dizendo que não gosto muito de dormir porque acabo perdendo os fatos. Incontáveis são as vezes que perdi o sono calculando os passos e as coisas a serem feitas, e sempre quando chega a hora de cumprir os planos, caio no mais profundo ócio.
Estando em uma roda de amigos, que geralmente é formada pelos antigos amigos do cursinho/escola ou do trabalho, quando se toca em determinados assuntos eu fico meio tenso porque me vêm à cabeça várias opiniões e ideias. Não que isso signifique que eu não tenha ideias próprias e que deixo ser levado pelos pensamentos alheios, é justamente o contrário. Como se estivesse me afogando num mar de palavras e sendo puxado para o fundo (que viagem, Weiller!). Definitivamente não poderia expressar melhor a sensação. Por quê? Porque eu sempre quero falar várias coisas, palavras e inúmeras formas de argumentar ao mesmo tempo, e no final de tudo fico calado ou, quando falo, me perco todo. Louco? Talvez! Precisa de tratamento? LOUCO!
Diferente da escrita, onde consigo me organizar, a conversa mostra que eu sou completamente perturbado, e pouca gente sabe disso. Deve ser por que escondo bem. Minha meta no momento é controlar isso, e com este objetivo fiz algumas pesquisas e acabei descobrindo uma coisa: ISSO EXISTE! Além de mim, claro. O nome desse acontecimento/fato/circunstância é Brainstorming, termo formado pela junção das palavras "brain", que significa cérebro, intelecto e "storm". É um método criado nos EUA para testar e explorar a capacidade criativa do ser humano. No meu caso, a coisa fluiu de forma natural, mas acredito que todos, pelo menos um pouco, passam por algo parecido, só que em um grau menor. Ou não.
Diante disso, depois da pesquisa e tudo mais, concluo que talvez esta característica seja algo meu e eu não preciso livrar-me dela. Faz parte de mim.
NOTA: Não foi uma crítica ao livro Cinquenta Tons de Cinza, até assisti ao filme e gostei. Mas quem sabe da história entende o que escrevo. Foi apenas uma piada. Até sem graça...
Espero que tenham gostado. Com o tempo pego o jeito!