hzinrich:
“Não sei, talvez eu seja viciado em hábitos ruins. Mas esses problemas deixo pra psicóloga resolver.” Relaxou a cabeça contra o encosto do carro e virou a cabeça para a esquerda o suficiente deixando Max em seu campo de visão. “E você tá me dizendo que sua companhia não vai ser maravilhosa o suficiente pra fazer valer a pena?” Arqueou uma das sobrancelhas em uma provocação infantil. “E bom, acho que todo mundo tem coisas pra esquecer. Ou eu só faço cagadas demais, posso doar uns arrependimentos por aí.” Riu imaginando as situações nas festas, era fácil de montar a imagem em sua cabeça de quando todas estavam juntas, eram raras as situações em que elas realmente pareciam se divertir. Não podia julgar, se o forçassem a uma festa em que também tivesse essa pressão social para se misturar com pessoas que nunca vira antes simplesmente porque os maridos partilhavam da mesma profissão… péssimo. “Da próxima vez largue as esposas e as reclamações e venha fazer parte da festa, a segregação é mais psíquica do que física, sabe?”
“Tudo bem, vou fazer uma anotação mental pra pesquisar no google.” Voltou sua atenção para o caminho. “Não me irrito e nem acho engraçado, acho que já passou da normalidade nesse ponto.” Afinal, era ele quem tinha que se adequar ao novo país e não o contrário, fora os familiares, ninguém possuía o sotaque para pronunciar seu nome, não podia se irritar com algo tão simples. “Confia em mim, ruas sem saída são as melhores.”
“Prato e tanto pra estudos.” Ao falar isso resolveu sorrir pra que parecesse mesmo uma brincadeira. Não tinha como julga-lo falando sério ou não porque não o conhecia bem e já tinha aprendido na marra a não confiar em tabloides. Se ele era ou não era o que falavam dele não cabia a ela julgar só por ler. Colocou uma mecha do cabelo atrás da orelha e pra evitar demonstrar que sim, ficou lisonjeada, deu de ombros. “Você não tem minha companhia todos os dias pra usar de desculpa então das duas uma, ou você tá me usando de desculpas ou todo dia você encontra alguém maravilhoso pra beber com você. Eu acho que é a segunda opção porque me recuso a me achar menos que maravilhosa.” Não tinha o ego grande assim, mas atreveu-se a brincar, a risada baixa que soltou depois entregava isso enquanto desviava o olhar dos retrovisores para o homem a seu lado. “É, eu não tiro sua razão nessa... Mas acho que evitar é pior do que confrontar de vez e se livrar logo. Por experiência própria.” Evitava todos os dia questionar o marido por medo da resposta e do quanto doeria, mas pensar nisso aos poucos ao longo dos dias talvez fosse um sofrimento pior. “Digo, eu podia ter evitado muito tempo sem ir na minha loja favorita porque não quis confrontar a vendedora, o sofrimento de adiar foi bem pior do que a briga.” Comentou a besteira só pra não pesar o clima. “Pra você é fácil falar, mas falariam de mim demais e já não gostam de mim- se você falar quem liga eu te ponho pra fora desse carro. Você não imagina o quão é ruim pegar inimizade com as esposas.” Fez uma careta rápida. “Eu não gosto de me sentir encurralada, mas agora eu to me questionando o que de bom tem e quantas você frequenta pra saber disso.”










