Talvez a pior parte de tudo fora pensar no término. Era difícil lembrar a forma como seu caráter tinha sido colocado a prova e reprovado naquele quesito aos olhos de Mel. Era ruim lembrar as palavras, de como ele pareceu se quebrar-se por dentro, mas, ao mesmo tempo, não havia feito nada alarmante para desmentir tudo. Tinha colocado seu lado, tinha falado o que de fato acontecera, mas ela tinha preferido ficar com a palavra de alguém que não a dele. Feito a escolha dela. Não que tudo tornasse o relacionamento mais fácil de superar e seguir em frente. Provavelmente tomaria um bom tempo para conseguir aquele feito, caso um dia fizesse. A Williams sempre o tinha feito se sentir seguro da vida, das escolhas, seguro ao seu lado para falar sobre as dúvidas que tinha, coisas que pouquíssimas pessoas em sua vida tinha o privilégio de presenciar. Ele sempre era o bom rapaz, o bom filho que concordava com tudo. Ela sabia que nem sempre era assim, e ele havia perdido essa pessoa em quem tanto confiava. Talvez por tudo o que tinha acontecido, surpreendeu-se com a resposta dela, deixando isso nítido em sua expressão facial. “E por que é diferente? Não é como se eu também não falasse isso bastante.” Não era de negar elogios a outra, porque a mesma sempre os merecia. Fosse por características externas quanto internas. “Meus parabéns, eu estava torcendo para que conseguisse voltar ao seu posto. Sempre acreditei que tivesse o potencial. Você tem.” Ainda que fosse justamente naquilo que ela não acreditasse, que fosse o motivo de terem terminado. “Ah, sim. Meus pais e minha irmã estão aqui. Hazel e a irmã também.” Afinal, eram todos família. “E você?” Seus olhos estavam tão presos na outra, talvez hipnotizados até, que mal notava as pessoas que passavam, conversavam em grupos e algumas até mexiam-se no ritmo da música. Talvez por estar tão focado nela que mal notou a aproximação de um rapaz, se não estava engano, um colega em algumas matérias. Ele sorria travesse quando se colocou do lado, no meio quase, dos dois. O sorriso vinha por ele carregar na mão um pequeno visco, provavelmente falso. Começou a chacoalhar o mesmo sobre a cabeça dos dois, com um pouco de dificuldade dada a altura de Maxwell. O rapaz deu de ombros, como se ele, segurando o visco, não pudesse fazer nada. Os lábios do Healy acabaram entreaberto, um pouco surpreso, enquanto olhava de Melanie para o outro, e de volta para ela. Como havia usado essa desculpa no passado para roubar beijos da então namorada nos natais passados juntos. Mas, e agora?
Foi um processo muito difícil para Melanie aceitar que talvez Max tivesse feito aquilo mesmo. Até hoje a situação não parecia se encaixar muito bem, porém não conseguia desconfiar da palavra da própria mãe, justo a pessoa que a mais queria bem no mundo. Ela ficou completamente devastada com aquilo, não era a toa que mesmo seis meses depois ainda era difícil de lidar com tudo. A dor do termino fora uma dor que nunca havia sentido antes, mas depois de um tempo simplesmente desistiu de pensar, as coisas aconteciam do jeito que tinha que ser. Apesar de tudo, se recusava afastar completamente de Maxwell, mesmo que ficar assim, do lado dele, e não poder tocá-lo fosse uma tortura, ainda era melhor que nada. — De você é... importante. — tentou explicar de forma simples, realmente participando de concursos de beleza era fácil receber elogios. Mas a opinião de Healy sempre a importou mais, sabia que não sobreviveria se algum dia ele pensasse algo ruim dela. — Obrigada, as vezes eu acho tudo isso ainda uma loucura. — desabafou por um segundo, sentia que nunca ia se acostumar com a vida de concursos, e por mais que ganhasse, nunca conseguiu sentir que ela realmente pertencia ali. — Eu sinto falta deles. — disse com um sorriso genuíno no rosto, sempre se dera muito bem com os Healys, principalmente com a irmãzinha de Max. Mais uma coisa que sentia falta desde o termino — Meus pais e meu irmão. — Mesmo que a conversa fosse bem superficial, ambos estavam completamente alheios do que acontecia em seu redor. Era como se criassem sua própria bolha e nada podia os distrair. Bem, até parecer um colega de classe com um visco natalino na mão. Oh, o visco, aquilo trazia memórias, todo natal Max usava um para roubar um beijo de Melanie, mas agora a situação não era mesmo — Ah, não... nós não... — tentou se explicar mas nada saía, e mesmo com o momento desconfortável o menino continuava ali com cara de quem não iria embora tão cedo. O rosto da loira começou a ficar ruborizado novamente enquanto ela olhava o ex namorado como se pedisse ajuda. O que fariam? Um beijo pelos bons tempos?