Durante semanas, com algumas crises e revoluções dentro de mim, parei e me questionei o que era amor, o que era amar e o que eu esperava do amor.
Tenho observado muitos casais, de tipos diferentes, daqueles tradicionais que só saíram da casa dos pais depois que se casaram, tiveram filhos, compraram uma casa e fingem viver uma vida perfeita, dois tentando ser apenas um, tentando orgulhar suas famílias com algo exterior e montado.
Um outro que observei foi aqueles com ideias libertárias de amor, quando na verdade só estão tentando entrar numa fantasia que não se encaixam com seus reais desejos, pois simplesmente elas não conseguiram se encaixar no seu próprio desejo. Vivem dizendo “mais amor, por favor” mas não conseguem enfrentar a si mesmos para reconhecerem que amor é esse que eles desejam, que tanto evocam em tom religioso, mas em vão.
Vendo filmes, lendo livros, conhecendo histórias de casais apaixonados, de um lado os que permaneceram eternos, do outro os frustrados. Percebi com toda essa experiência, se é que posso chamar assim, que o amor nada mais é do que a pura e mais genuína tolerância. Para amar é preciso saber que esse sentimento e gesto não é autossuficiente.
Ninguém é perfeito, isso não é novidade, as vezes é difícil aguentar nós mesmos. Entrará alguém em nossa vida, alguém para somar, não para se fundir a nós e sermos apenas um, mas chega alguém com uma família diferente, uma criação e educação diferente, alguém com outros costumes, com outra visão de mundo e iremos ver muitas belezas. Quando vermos aquilo que não achamos bonito, algo que nos irrita, a intenção é romantizar esse suposto defeito, apenas por medo de enfrentar o que não gostamos e eternizar esse suposto amor que idealizamos.
As pessoas buscam apenas mais uma delas, um gêmeo perdido no mundo, nunca se tocam que isso é impossível e ao tentar eternizar esse “amor” apenas se jogam no espaço sem tempo, estagnam suas vidas, caem num poço de fantasia.
Por fim, o que tirei desses tempos foi que o amor só é verdadeiro quando conseguimos enxergar os defeitos, mas escolhemos aturá-los, criar uma paciência que talvez nunca tivemos, tudo para eternizar algo verdadeiro.