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how ya doin', lonely boy? ☞ stuart and morgana {flashback}
Stuart sempre viveu para oclã. Seus pais eram, com certeza, os melhores bruxos de que podia se ouvirfalar naquela região. A única razão de não serem líderes do grupo era por conta da tradição de escolher uma criança para liderar até o dia de sua morte. O maior desejo de Amy e Harry era que seu filho um dia se tornasse o grande líder. Tudo ocorreu como planejado. O menino tornou-se o grande líder aos dez anos de idade. E adorava. Sempre adorou ser um bruxo e usar sua magia para ajudar os outros. Liderar o clã era melhor ainda. Deixou o que restava da sua infância de lado e não se arrependia. Mas era difícil, isso ele não podia negar. Especialmente para uma criança de dez anos.
Logo nas primeiras semanas, um ataque havia ocorrido. E Stuart sentia-se um lixo porque nem ao menos conseguira conduzir o clã para um lugar seguro. Seus pais tiveram que fazer isso por ele. Sofreram algumas baixas e saber disso foi a pior coisa que aconteceu ao garotinho. Isso destruiu completamente a sua autoestima e confiança. Não achava mais que seria um bom líder. Tinha certeza que acabaria liderando seu povo pra a destruição, para a morte. E naquele momento, precisava tomar outra decisão importante. Refugiou-se em seu quarto. Era uma criança ótima, mas apreciava um bom tempo sozinho. Olhou para os brinquedos que costumava brincar há pouco tempo, agora começando a pegar pó na prateleira. Releu seu primeiro livro de feitiços, muito simples perto de todos os feitiços que agora sabia e as habilidades que tinha. Stuart Hodgman era poderoso, isso era um fato consumado. Não era a toa que era o líder.
Mas o que lhe faltava era a sabedoria. A sabedoria de um líder, a habilidade de tomar decisões certas e proteger seu povo acima de tudo. Não podia pedir ajuda aos líderes anteriores, já que todos estavam mortos. Seus pais também não eram uma opção. Eram maravilhosos, mas não tinham o que ele precisava. Na verdade, o garoto possuía tal sabedoria. Só precisava encontrá-la.
Morgana estava passeando pela floresta, tomando cuidado para não se afastar muito e não ter como voltar. Era pequena demais, e caso sumisse, ninguém a encontraria. Seus olhos ainda estavam vermelhos de tanto chorar. Haviam tatuado seus pulsos naquela manhã, e os gritos agudos da menina puderam ser ouvidos por todos os lugares daquele clã, agonizantes e entrecortados enquanto cada pequena agulha perfurava sua pele e fazia o sangue brotar como água na superfície fina e alva. Ainda doía, e por mais que tivessem lhe explicado a razão de estar sendo submetida àquilo, era impossível não gritar de medo ao sentir a pele sendo destroçada e marcada para sempre.
A garota estava prestes a voltar para sua casa quando algo a impeliu para outra direção. Ela não sabia a razão de estar indo para aquele lugar, simplesmente lhe parecia certo. Quando seus pés descalços afundaram na grama de uma outra casa, pensou em dar meia volta e ir para onde devia ir, para os braços de estranhos que a chamavam de filha, mas nada a impediu de virar a maçaneta e entrar dentro daquele lugar, os olhos fixos no final do corredor. De alguma forma, ela sabia que devia estar ali. Havia um sentimento estranho percorrendo seus braços, vindo direto de seu peito. Quando seus dedos pequeninos empurraram a última porta sem sequer bater, a diminuta figura de seis anos apareceu no quarto escuro senão a luz da janela. Morgana sorriu com delicadeza, se aproximando lentamente, os pés sujos de terra e cabelos longos presos atrás da orelha por um arco de madeira. Ela se sentou defronte o menino quatro anos mais velho, seu vestido cor de rosa espalhando-se ao redor de suas pernas como as mais suaves pétalas de flor.
- Olá, Stu. - pronunciou sorrindo. Naquele dia seus pais haviam lhe mostrado a foto do garoto, lhe contado quem era e que ela lhe devia respeito, mas Morgana era uma criança, e ninguém podia dizer a ela o que fazer, principalmente dever respeito a uma criança como ela - Não devia estar se escondendo.
Para uma criança de seis anos, aquelas palavras eram bobas, sutis, irrelevantes. Mas dentro de Morgana havia algo dizendo que não eram apenas palavras. Havia outro significado dentro daquelas letras, mesmo que ela não fizesse ideia do que fosse. Talvez Stuart soubesse.
Morgana and Stuart