Observou a garota cuidadosamente, tentando disfarçar um pequeno sorriso vitorioso ao ouvi-la que ainda teria espaço em sua agenda de trabalho. Percebeu que algo na fala alheia havia deixado a outra quase nervosa, mas Piper fingiu não notar. “Ótimo. Eu acho que tenho um trabalho pra você. Mas pode ter certeza que é mais complicado que qualquer outro que já tenha feito.” Com essa frase feliz, a Westwood levantou-se para pegar ambas as bebidas das garotas, voltando alguns minutos depois e depositando a de Mia na frente da mesma. “Aqui está. Bem, eu tenho uma proposta. Mas não seria justo com você não contar tudo verdadeiramente antes de te colocar nisso, porque… é complicado. Não vai ser complicado pra você, necessariamente, mas…” Piper fechou os olhos, percebendo que soava confusa e decidiu ir direto ao ponto, não antes de olhar em volta e certificar-se que ninguém as ouvia. Quando voltou a falar, o volume de sua voz caíra drasticamente. “Meu pai é dono da empresa Westcars, não sei se já ouviu falar, mas é uma empresa muito grande em Nova York, uma das maiores de carros de luxo. Ele… a usa como um meio de lavagem de dinheiro. É líder de uma rede de tráfico de drogas, sei disso porque ouvi da boca dele, e porque ele me envolveu nisso por meses. Eu trabalhava na área administrativa da Westcars, basicamente lavava o dinheiro com as minhas próprias mãos. Recentemente meu pai me demitiu, e agora eu decidi que é a hora de acabar com isso. O problema é que eu não tenho acesso nenhum à qualquer documento, então não tenho provas de nada. Eu preciso de alguém… que possa coletar qualquer tipo de informação possível pra mim. Meu pai não confia mais em mim, nunca me deixaria chegar perto de qualquer reunião. Mas… talvez alguém que trabalhasse pra ele, de alguma forma…” Piper parou de falar, lançando-lhe um olhar significativo. Iria esperar que as informações caíssem para Mia, antes de fazer a proposta oficialmente.
— I love challenges — falou com uma piscadela antes de Piper levantar-se para pegar as bebidas. Enquanto esperava pela garota, tirou o celular do bolso para conferir se Lexi queria alguma coisa da rua, já que mais tarde passaria na casa dela, e também respondeu às mensagens do irmão preocupado com o seu sumiço. Logo Piper estava de volta, e Mia sorriu como uma criança no Natal ao receber o seu hotchoco de menta. — Obrigada! — agradeceu, guardando o celular na bolsa e prestando atenção no que a companheira teria a dizer (com a boca sem desgrudar do canudo, claro). Absorvia tudo com calma, dando goles pequeno no seu chocolate para que ele não acabasse tão cedo. Quando Piper terminou, Mia tinha as sobrancelhas franzidas e um pressentimento muito estranho. Afastou o copo, entrelaçando as mãos por cima da mesa e soltando um suspiro. Queria ajudar, e embora parte de si dissesse que estaria brincando com fogo, ela tinha uma ideia para oferecer à Piper. — Alguém que trabalhe para ele e não consiga entender inglês tão bem, ou seja, alguém que passará a ouvir conversas sem ninguém saber que ela está entendendo. How does that sound? — soltou, arqueando as sobrancelhas. — Desde que eu e o meu irmão nos mudamos para cá, nós abandonamos o coreano como forma de sobrevivência. Se ficássemos acomodados na nossa língua, mesmo que entre nós, jamais aprenderíamos o inglês bom tão rápido. A última vez que eu falei coreano foi... Well, nem eu me lembro. Mas ainda é o idioma que eu falei por quinze anos, então acredito que eu consigo convencer seu pai que eu sei tão pouco de inglês que não o entenderia falando qualquer coisa que não seja relacionado a limpeza — deu de ombros, levando o canudo à boca mais uma vez. — Então, o que diz?