↳ Seu nome é Mary Octavia MacDonald.
↳ Nasceu em 25 de Junho de 1997.
↳ Cursa o seu sétimo ano em Hogwarts.
↳ É a apanhadora do time de Quadribol da Grifinória e participa do Clube de Duelos, Clube de Xadrez e Clube de Estudos de Herbologia.
Era o começo de um agradável e morno Verão quando ela nasceu, prematura, frágil e pequena demais. O médico que fez o seu parto e acompanhou o seu caso tinha quase certeza de que a menina não sobreviveria quando mal podia respirar com seus próprios pulmões, mas tanto Craig quanto Gemma MacDonald jamais deixaram de perder as esperanças. Eles sabiam que sua pequena iria sobreviver e nem por um segundo sequer deixavam de acreditar nisso. Hospitalizada no principal hospital de Edinburgh durante seus primeiros dias de vida, seus pais praticamente passaram a viver lá porque se recusavam a deixar a filha sozinha mesmo que não pudessem segurá-la em seus braços, não quando ela estava cercada por um aparato de maquinarias e tubos para ajudá-la a se manter viva. Eles conversavam e cantavam para ela, esperançosos de que isso pudesse ajudar a menina a reagir, mas suas chances de sobrevivência eram remotas.
Cinco dias após o seu nascimento, os médicos comunicaram ao casal que nada poderia ser feito e que eles deveriam se preparar para o pior.
Diante da notícia, a única coisa que Gemma pediu foi que a deixassem segurar seu pequeno bebê para que pudesse se despedir. Ela não iria deixar sua pequena partir sem antes fazê-la sentir o quanto havia sido amada mesmo em tão poucos dias de vida. Ali, aconchegada no peito de sua mãe pela primeira vez, ouvindo sua voz e sentindo os afagos em suas pequenas costas, Mary MacDonald provou que era uma guerreira desde os seus primeiros dias de vida. Escolheu viver, escolheu lutar e ditante da surpresa de médicos e enfermeiros, a pequena Mary agarrou-se a vida e não a largou nunca mais.
Anos mais tarde, a história daquela tarde de Junho seria contada diversas vezes por seus pais, que nunca pouparam ênfase em como se sentiam sortudos por tê-la com eles. Ela tinha dois irmãos mais velhos mas sempre seria o pequeno milagre de Craig e Gemma. Mary havia nascido duas vezes e não havia ninguém que não reconhecesse a beleza disso.
Mary cresceu tão saudável quanto qualquer menina da sua idade poderia ser. Tinha pais que a amavam e irmãos que fariam tudo por ela, tinha glacê das cores do arco íris em seus bolos de aniversário, uma ampla coleção de lápis para colorir e um jardim com uma grande árvore e um balanço para brincar e isso lhe parecia mais do que suficiente. Apesar de nunca ter ganhado o unicórnio que sempre desejava em seus aniversários, ela era feliz e se sentia especial, querida e amada, como toda criança deveria se sentir.
A casa da família MacDonald, um charmoso chalé, estava localizada em uma cidade pacata do interior da Escócia, cercada por bosques e por natureza em seu estado mais primitivo. Por isso, era bastante comum que Mary passasse seus dias brincando com seus irmãos e amiguinhos e acidentando-se ao subir em árvores e pular riachos e Mary era feliz. Desde muito pequena sempre esteve ligada a natureza e a arte por conta de seus pais. Craig MacDonald, quando jovem, achou que poderia viver de suas pinturas, mas o mundo capitalista o obrigou a trabalhar com a parte burocrática do ramo até tornar-se professor universitário de História da Arte. Já sua mãe, Gemma, conciliava a família e a carreira de cantora lírica, então ouvir a mãe cantar tornou-se uma de suas coisas preferidas durante a infância. Quanto a seus irmãos mais velhos, Glen e Quentin, eles ensinaram tudo sobre guerras de bolas de neve, bolos de lama, como subir em árvores, como construir fortes e como dar um bom ganho de direita.
Do pai ela herdou o gosto pelo desenho e pela pintura e da mãe a bela voz, tão suave e delicada que se assemelha a o canto de um pássaro. Ninguém saberia dizer, no entanto, de quem ela herdou o sangue mágico.
O primeiro acontecimento inexplicável foi enquanto observava o pai pintar. Quando Craig pediu para que a filha fosse buscar mais tinta, Mary retornou com os braços repletos de tubos, potes e pincéis diferentes, entusiasmada demais em mostrar-se útil. Acabou tropeçando e derrubando o material que teria como alvo a tela se esta não tivesse flutuado magicamente no ar, fora do alcance da rota de destruição que lhe parecia tão certa. Não havia uma explicação plausível para o fato, mas também não havia como negar o que acontecera. Ver a filha fazer caixas de cereais se moverem sem que ao menos as tocasse comprovou que era Mary a responsável por aquilo, mesmo que não entendessem o motivo. Por anos tentaram buscar explicações e a única que encontraram era que Mary certamente era uma mutante, como aqueles que ilustram histórias em quadrinhos. Só descobriram a verdade dias após o seu décimo primeiro aniversário.
Magia. Ela quase não conseguia acreditar. Levou algum tempo para que seus pais deixassem de achar que aquele homem vestido com roupas estranhas estava falando sério e não participava de algum tipo de pegadinha. Tiveram receio, sim. Afinal, quem não sentiria caso descobrisse que sua única e tão preciosa filha estava destinada a fazer parte de outro mundo? Ainda assim, a apoiaram e concordaram em enviá-la para estudar em uma escola que nunca tinham ouvido falar. Mary? Bem, ela só estava feliz em saber que unicórnios e dragões de fato existiam.
No dia primeiro de setembro, quando o chapéu seletor toca seus cachos castanhos, Mary tem certeza de que estava prestes a vomitar mesmo que não tenha comido quase nada o dia inteiro. “Interessante”, ele diz, e ela se sente estranha com a presença desconhecida e a sensação de que alguém está revirando suas memórias e seus pensamentos mais profundos. “Você é forte, menina, posso ver isso. Você tem fogo em suas veias, uma vontade grande de viver, experimentar e agarrar a vida com as mãos. Não acho que exista morada melhor para você…”, o chapéu falante diz, e Mary mal consegue ouvir para onde havia sido colocada, mas ela corre e direção a mesa de alunos com gravatas cor de carmim que a recepcionam calorosamente. Ela sorri quando se senta à mesa, sentindo uma sensação morna e engraçada. Mary está prestes a pular de olhos vendados do alto de um precipício para o desconhecido mas ela não tem medo porque se sente parte de algo.
Mary não é um caso especial. Aos onze anos ela está sozinha e precisa tomar conta de si mesma, se dando conta de que será necessário muito esforço para aprender aquilo que crianças bruxas já sabiam desde quando começaram a andar. Nas primeiras noites, ela chora em seu dormitório porque percebe que seus pais não estão mais lá para protegê-la ou abraçá-la após um dia difícil e que não teria mais a constante companhia dos irmãos. Mary está tão acostumada a um ambiente acolhedor e familiar, a gentilezas e a saber exatamente o que está fazendo que aquela nova etapa de sua vida a assusta. Nem toda criança de onze anos de idade recebe bem a ideia de que ela precisa construir um lugar para si mesma e isso a apavora.
Então ela se lembra do que o Chapéu Seletor lhe disse, do quanto é forte e de como é de sua natureza agarrar a vida com as próprias mãos. E é como ver uma flor finalmente desabrochar, porque Mary enfim mergulha de cabeça naquele novo mundo acreditando que ela é tão bruxa quanto qualquer um de seus colegas. Ela é muito gentil, muito curiosa, muito atrapalhada e entusiasmada com tudo e parece ter uma infinita reserva de energia, algo que as vezes incomoda seus colegas. Seus professores diriam que ela tem potencial mas não possui foco e isso a define com exatidão, porque Mary, mesmo tantos anos depois de pisar naquele mundo, está tão fascinada e encantada com tudo que não consegue focar em somente uma coisa. Trato das Criaturas Mágicas é, sem dúvidas, seu ponto forte e sua paixão e ela ainda tem uma boa aptidão para Herbologia, mas em Feitiços, Transfigurações e Poções ela as vezes beira o desastre, precisando esforçar-se muito mais do que os seus amigos para ter um desempenho aceitável. São as artes e a música, no entanto, que ela ama.
Com Quadribol, foi como amor a primeira vista. Quer dizer, quem não se apaixonaria por um esporte onde se pode voar? Logo no início Mary quer saber absolutamente tudo sobre a modalidade, desde as posições até as regras e jogadas, os times, seus jogadores e os campeonatos. Aprende a voar nas aulas de Voo do primeiro ano e precisa insistir muito para conseguir uma vassoura de presente dos pais para que possa praticar durante os verões. Rapidamente descobre que possui mais facilidade para jogar como Seeker por ser leve, pequena e ágil e consegue uma vaga no time de sua casa quando participa dos testes no quinto ano.
Foi exatamente nesse mesmo ano que aquilo aconteceu. Refere-se ao evento dessa forma porque evita falar sobre o assunto. “Não me lembro” foi uma frase usada até a exaustão naquela época quando era questionada a respeito do que houve, porque a gryffindor rapidamente aprendeu que aquela era a melhor resposta a ser dada para alguém que não mais aguentava falar do mesmo assunto todos os dias. Não sabe exatamente que motivos levaram Mulciber a atacá-la com magia negra daquela forma, mas tem certeza de que foi o sobrenome do rapaz que o impediu de ser suspenso ou expulso. Até mesmo os jornais noticiaram o ocorrido, descrevendo o incidente como cruel e absurdo mas dias depois rapidamente desmerecendo o que aconteceu e desculpando-se pelas acusações feitas ao garoto sem as devidas investigações. “Uma mera brincadeira”, era o que alguns alunos diziam. E por Merlin, como ela gostaria de tê-los feito engolir aquelas palavras.
Depois do ocorrido, no entanto, foi como se alguma coisa tivesse mudado dentro dela. Um choque de realidade, um tapa no rosto em que as marcas dos dedos ficariam para sempre imprimidas em sua pele clara. Havia sido marcada para sempre. O que Mulciber fez a ela a despertou para o que acontecia fora dos limites de Hogwarts, uma crise política para qual ela nunca deu a devida atenção ou importância por ter passado tanto tempo presa em seu mundo colorido e mágico. Começou a ler os jornais com mais frequência e debater o assunto com colegas que também acompanhavam os fatos, engajando-se de uma forma que nunca havia feito antes. O segundo passo veio logo depois, junto com o desejo de sentir-se menos inútil e indefesa, a vontade de ser forte, hábil e capaz de defender a si mesma caso fosse confrontada novamente.
Passou então a exercitar-se com mais afinco durante os treinos de quadribol e depois não dependendo mais deles para manter-se ativa. Corridas matinais ou alguns minutos nadando no Lago Negro, qualquer coisa que a movimentasse e tornasse seu corpo mais forte, mais resistente. Durante os verões, passou a tomar aulas de defesa pessoal, luta e artes marciais, praticando-as em Hogwarts sempre que tinha tempo livre. A mudança foi perceptível porque, além de conseguir um melhor desempenho durante os jogos oficiais de quadribol, Mary também se sentia mais confiante, mais capaz e isso refletia em sua postura e sua linguagem corporal. Passou a praticar duelos com mais frequência, investindo em magia combativa e em formas de juntar o que aprendia em seus treinos e aulas e o duelo com varinhas.
O terceiro passo, contudo, foi totalmente inesperado. Depois de ter um pesadelo sobre aquele acontecimento e de não conseguir dormir pelo restante da noite, Mary não conseguia deixar de se perguntar se o que estava fazendo era suficiente, se com todo o esforço para moldar seus músculos e aprender a se defender sozinha seriam o bastante para quando deixasse Hogwarts e não tivesse a proteção dos muros da escola para manter-se segura. Se até isso falhara dois anos atrás, o que poderia esperar?
Começou como uma curiosidade. Durante o intervalo das aulas e visitas a biblioteca para estudar com os amigos, descobriu-se atraída pela seção de Defesa Contra Artes das Trevas e acabou levando alguns livros mais avançados para ler em seu tempo livre. Fazia o mesmo em visitas a Hogsmeade, frequentando livrarias e levando um ou outro título que achava interessante. Mas a linha entre luz e sombras é muito tênue e logo somente aquilo não se tornou suficiente, e então pouco tempo depois Mary levava livros não somente de Defesa Contra Artes das Trevas mas de Artes das Trevas por si só. “É somente para aprendizado, para que eu consiga me defender”, repetia para si mesma. “Não pretendo machucar ninguém, só quero me sentir mais forte, menos inútil. Só porque estou me interessando em estudar um pouco o assunto não quer dizer que sou a pior pessoa do mundo. I’m not turning dark, it’s just for my own protection. My friends’ protection.”
E mesmo que essas fossem de fato as suas intenções, ainda escondia os livros no fundo de seu malão para que nenhuma das suas amigas encontrasse por acidente. Como se guardasse um segredo terrível.
+ Forte, Espontânea e Criativa.
- Atrapalhada, Paranoica e Insegura.
↳ É extremamente próxima de Lily Evans, Marlene McKinnon e Alice Fortescue e é muito comum vê-la sempre na companhia das garotas. Também cultiva uma forte amizade com Fabian e Gideon Prewett, a quem considera como verdadeiros irmãos. Tornou-se boa amiga de James depois de acobertá-lo de uma detenção.
↳ Nicolai Mulciber desperta um misto de desprezo e pavor em Mary. Nunca realmente simpatizou com o rapaz mas, depois de ser vítima dele e de sua magia negra no quinto ano, o evita mais do que qualquer pessoa no castelo. Contudo, tem uma estranha necessidade de fazê-lo pagar pelo que fez, de vingar-se e dar o troco no slytherin.
↳ Há alguns anos, tinha uma séria paixonite por Remus Lupin que acabou sendo superada e esquecida, mas guarda esse segredo a sete chaves para evitar possíveis constrangimentos.
↳ Trato das Criaturas Mágicas é, desde o início, sua verdadeira paixão. A descoberta de que unicórnios e dragões existem sim, ao contrário do que lhe diziam quando era criança, a incentivou ainda mais, além de sua facilidade natural com animais. Transfigurações é a matéria em que é mais fraca e a que precisa se esforçar para conseguir notas aceitáveis.
↳ É extremamente talentosa com desenhos e pintura por conta da influência do pai. Também é apaixonada por música graças a mãe, que é cantora lírica e de quem Mary parece ter herdado a bela voz.
MARY MACDONALD é retratada por ZOEY DEUTCH e interpretada por NANDA.